Capítulo Doze

Abro os olhos e me sinto totalmente descansada, tive uma ótima noite de sono, não sei se pela cama que é muito boa ou pela companhia que é melhor ainda.

Olho para o lado e ele não está, sinto o mesmo que senti da primeira vez que dormimos juntos, gostaria de acordar e encontrá-lo comigo.

Ouço sua voz ao que me parece bem bravo, acho que está ao telefone. O ouço falando sobre ser dono de sua própria vida e não ter que dá satisfação a ninguém.

Não faço ideia de quem está do outro lado da linha, mas dou graças por não ser eu, porque ele parece bem estressado.

Me levanto e vou direto tomar meu banho, não quero ser pega bisbilhotando a vida dele, seja quem for ele que resolva.

Não sei por que, mas sinto que tem haver comigo, e sinto um frio na espinha, me parece que nos afastaremos antes do que imaginei.

Mas tudo bem, entrei nessa sabendo que não temos futuro e não vamos durar muito tempo juntos, o que vier é lucro.

Ele não é o único homem no mundo, existem vários, só não sei se quero outro que não seja Miguel, mas se não for ele, será outro.

Termino meu banho rapidamente para não dá tempo ele voltar e querer tomar banho comigo, estou triste, desapontada, não sei, com o que ouvi, não sei se era sobre mim mas tenho quase certeza que sim.

— Já tomou banho? –diz quando entra e me encontra penteando os cabelos. — Por que não me esperou?

— Estava com calor.

— Tudo bem. –diz me beijando. — O que quer fazer hoje?

— Não sei, gostaria de ir para casa.

— Já? Pensei que fôssemos passar o dia juntos, e te levaria mais tarde.

— Eu gostaria de ir agora, por favor.

— Aconteceu alguma coisa?

— Não, só gostaria de voltar para casa.

— Tudo bem, só vou tomar um banho e nós vamos.

— Obrigada.

Ele entra no banheiro, e me adianto arrumando minha bolsa para quando ele terminar já está tudo pronto.

Miguel sai do banheiro alguns minutos depois, está apenas com uma toalha enrolada na cintura, a água escorrendo pelo seu corpo. Olho para ele sem disfarçar e ele percebe.

— Gosta do que ver? –diz tirando a toalha e me dando uma visão privilegiada de seu corpo.

Sorrio e reviro os olhos e ele sorri de volta para mim.

— Poderíamos aproveitar mais esse dia para ficarmos juntos, prometo que não vai se arrepender.

— Acredito que não, mas realmente gostaria de ir para casa.

— Tudo bem, só vamos tomar café antes, já está pronto.

Na cozinha encontro Carmem com um grande sorriso no rosto, ela me lembra minha avó, talvez seja por isso que gostei tanto dela.

— Bom dia. –digo.

— Bom dia Malu, dormiu bem?

— Sim, muito bem, obrigada.

— Que bom, poderia me dizer se tem alguma preferência para o almoço?

— Obrigada, mas não vou ficar para o almoço.

— Que pena. –sorrio para ela.

— Bom apetite. –ela diz e sai.

— Obrigada. –digo.

Miguel me observa com um sorriso no rosto.

— Você tem muita facilidade em fazer amizades.

— Trabalho em um restaurante, tenho que ser simpática com todos, até com clientes folgados que só pedem um café e a senha do wi-fi. –ele dá uma gargalhada.

— Folgado?

— Muito.

— Você foi muito atenciosa e simpática comigo, não sei se teria essa paciência.

— Te xinguei internamente e pra Carol também.

— Não acredito!

— O que me deixou mais brava foi o dinheiro que você deixou, nunca gastei, estava esperando pra te devolver.

— Nem se atreva, eu ganho muito mais que isso por minuto.

— Bom, isso não me interessa, você ganha, então é seu.

— E eu dei para você, então agora é seu, sem discussão.

Dou o assunto por encerrado e não digo mais nada. Me sirvo de um pedaço de bolo e uma xícara de café com leite, que estão deliciosos por sinal.

Sei que cem reais não é grande coisa, ainda mais para ele, mas não gosto de aceitar nada que não ache justo, só quero o que é meu. Isso quem me ensinou foi minha avó. Nem nos tempos em que morei na rua peguei nada de ninguém, tudo que consegui foi fruto de muito esforço, e tenho muito orgulho disso.

As lembranças invadem minha cabeça, são muitas memórias de tempos difíceis.

                         *******

Carol reclama depois de termos andado por todo o bairro catando latinhas e quando chegamos o local onde vendemos estava fechado.

— Malu eu não aguento mais andar, meu pés estão doendo e estou com muita fome.

— Calma, vamos sentar e esperar a noite, não tem jeito. Não temos dinheiro.

— Nessas horas dá vontade de meter o louco e entrar em um desses supermercados e pegar alguma coisa para comer.

— Não vamos fazer isso, não precisamos fazer isso, e se formos pegas é pior, não quero ir presa.

— Pelo menos na cadeia tem o que comer.

— Nem pense nisso Carol, ou vou te amarrar aqui.

— Tudo bem, vamos esperar a noite.

A noite as pessoas da igreja sempre trazem a sopa, muitas vezes essa é nossa única refeição do dia.

— Sabe o que eu queria de verdade? –pergunto.

— O quê?

— Um banho, odeio ficar sem tomar banho.

— Vamos no posto se gasolina, talvez Danilo nos deixe tomar banho de novo.

— Hum, Danilo não é? Acho que alguém quer ver ele de novo!

— Não, é só pra você tomar banho.

— Sei. –ela dá um tapinha no meu braço e sorri.

Danilo sempre que pode nos deixa tomar banho no banheiro do posto e as vezes nos compra um lanche, tenho quase certeza que ele gosta de Carol, mas ela não deixa ele se aproximar por achar que ela não serve para ele.

                        *********

— No que está pensando? –Miguel pergunta me tirando de meus pensamentos.

— Em como esse bolo está gostoso. –minto.

— Certeza?

— Sim. Terminei, já terminou? Podemos ir?

— Sim.

— Só vou me despedir de Carmem, não sei quando a verei outra vez e se a verei. –ele me olha balançando a cabeça negativamente.

Entro na cozinha e Carmem está acariciando o rosto de José e logo em seguida lhe dá um beijo na bochecha.

— Desculpa atrapalhar. –digo e os dois olham para mim.

— Pois não, precisa de alguma coisa? –Carmem pergunta.

— Não, obrigada, só vim me despedir.

— Mas já? Deveria ficar para o almoço.

— Eu adoraria, mas realmente preciso ir, muito obrigada, a senhora cozinha muito bem. –digo lhe abraçando.

— Obrigada, que bom que gostou, ficou muito feliz. Volte mais vezes.

— Adoraria voltar. –ela abre um grande sorriso.

José nos observa, está com roupa de trabalho, mas ainda sim consegue ficar muito bonito. Ele é o tipo de homem que eu olharia, claro, se já não estivesse envolvida com outro.

— Boa viagem. –ele diz.

— Obrigada, até outro dia. –digo saindo porta à fora.

Miguel já não está na sala de jantar, olho pela janela e vejo que me espera no carro.

— Pronto. –digo me aproximando.

Ele abre a porta do carro para mim e me oferece sua mão para que eu entre, em seguida dá a volta e também entra dando partida.

Alguns minutos depois quando já estamos na rodovia ele liga o som.

— Pode escolher uma música, há várias.

Vou passando as músicas, mas nenhuma me chama atenção, até que paro em uma que talvez diga para ele como irei me sentir daqui a um tempo quando tudo isso acabar.

Nazareth começa a cantar Love Hurts, ele automaticamente olha para mim, com certeza deve conhecer a música.

— Escolha interessante. –ele diz. — Não muito apropriada para um domingo de manhã, após um dia bom como o de ontem.

— Eu gosto. –dou de ombros.

— O que você não está me contando? Desde que acordou está estranha, distante, cheia de indiretas, gostaria de saber se fiz algo.

— Tá bom, eu meio que ouvi sua conversa ao telefone, mas foi sem querer, tinha acabado de acordar e você estava falando um pouco alto. Não tenho certeza, mas quem quer que fosse acho que estava falando sobre mim. –ele fecha os olhos por um segundo e respira fundo.

— Não era com você, era sobre mim.

— Quem era?

— Não importa, o que importa é que quero continuar isso que estamos tendo.

— Melhor evitar certas coisas, melhor a gente parar antes mesmo de começar, vai evitar aborrecimentos para você.

— Eu não me importo, não me importo com nada nem com ninguém, e você também não deveria se importar. Não vale minha palavra? O que falo para você? Quando digo que quero continuar, que quero lhe conhecer melhor, é verdade. Acredite, jamais brincaria com seus sentimentos, sei exatamente como é, e nunca a faria passar por isso. –sua voz sai mais dura do que pode perceber.

Ele me olha por um instante e vejo que seu olhar é de súplica, e há verdade nele.

Baixo minha cabeça, fecho meus olhos e pondero tudo que essa relação pode trazer de danos para nós dois, ele tem mais a perder do que eu. Tem uma família rica, amigos de uma classe social que não é a minha, certamente essas pessoas não me aceitarão.

Será que ele seria capaz de brigar com essas pessoas por minha causa? Se ele está disposto a enfrentar tudo por mim então lhe darei uma chance.

— Tudo bem, você venceu. –ele sorri.

— Ótimo.

Ficamos em silêncio o restante da viagem e alguns minutos depois estamos em frente a minha casa, sinto um pouco de vergonha de convidá-lo para entrar, ele está acostumado com luxo, mas seria falta de educação não convidá-lo depois do tratamento que recebi estando com ele, sinto um pouco de vergonha, mas vou chamá-lo para entrar.

— Quer entrar?

— Você quer que eu entre?

— Sim, mas não é nada comparado com o que você está acostumado.

— Não tem problema.

Tiro a chave da mochila e abro a porta, por sorte sou uma pessoa organizada, procuro sempre deixar tudo arrumado, e Carol deve ter limpado, ela é um anjo em minha vida.

Meg fica na parte de trás da casa, tem um espaço onde ela fica, se ficasse dentro de casa com certeza quebraria tudo, ela tem muita energia.

Abro a porta da cozinha para ela entrar e ela corre de imediato para mim.

— Oi menina. –ela balança o rabo e pula em mim.

Meg se volta para Miguel e pula em cima dele também, sorrio da cena.

— Acho que ela me aprovou. –ele diz.

— Acho que sim.

Ele fica brincando com Meg enquanto eu vou ver o que tem para preparar pro almoço. Não tem muita coisa, até porque não sobra muito dinheiro para comprar comida, na maioria das vezes como as sobras do restaurante.

Encontro um pouco de arroz, macarrão, frango e alguns legumes, dá para preparar uma massa e frango com legumes, só não sei se ele gosta, eu particularmente amo, na verdade gosto de tudo, o que não gosto é de ficar com fome.

— Massa e frango com legumes pode ser? –pergunto.

— Está ótimo, mas se não quiser cozinhar posso pedir algo para nós dois

— Não precisa.

— Precisa de alguma coisa do mercado? Posso ir até lá, caso você queira.

— Não, tudo bem, consigo me virar aqui.

— Okay. –diz e continua brincando com Meg.

— Quer tomar um banho?

— Quando você for.

— Acho que o banheiro não cabe nós dois. –sorrio.

— Melhor ainda, podemos ficar grudados.

— Seria bom, mas realmente não cabe nós dois.

— Sempre podemos dar um jeito.

Fico um pouco envergonhada por ele está aqui, mas isso é quem eu sou e o que eu tenho à oferecer.

Finalizo o almoço e cheira muito bem, não é uma comida requintada e bem elaborada como ele está acostumado, mas fiz o meu melhor e ficou muito bom.

— O almoço está pronto. –digo.

— O cheiro está muito bom.

— Espero que o sabor também.

— Tenho certeza que sim.

— Banho?

— Banho!

Pego uma toalha para Miguel e mostro onde fica o banheiro e como lhe falei só cabe uma pessoa por vez, ele fica desapontado e eu fico na porta o observando, o cretino faz questão de se exibir me tirando muitas gargalhadas.

Depois dele é minha vez, tomo um banho rápido sem molhar o cabelo, me seco em seguida e visto um pijaminha que gosto de usar em casa que é composto por uma blusinha de alças finas e um short soltinho, muito confortável. Tenho alguns outros parecidos, só que de cores diferentes, foram presentes da Dona Lúcia. Escolhi para vestir o de cor preta.

Poderia caprichar mais na produção por estar acompanhada, mas não seria eu, não gosto de mostrar o que não sou.

Se for para gostar de mim é pela minha personalidade, por quem sou de verdade.

—Você está bonita. –ele diz.

— Obrigada. Vamos almoçar?

— Vamos.

Na cozinha arrumo a mesa, não tenho travessas para por a comida, então coloco as panelas em cima da mesa, pego dois pratos e talheres, entrego o dele e fico com o meu.

Ele se serve, um prato bem generoso, espero que goste, a contar que não tinham muitos ingredientes, mas eu provei e gostei.

— Muito bom, você cozinha bem, já disse isso.

— Obrigada. Não tem nada para beber, desculpa, não costumo receber ninguém, exceto Carol, então me viro com o que tem.

— Fico feliz em saber que não vem ninguém aqui. Não se preocupe com nada, sua companhia vale mais que qualquer coisa, água está ótimo.

— Vou pegar.

— Eu pego, fique sentada, já preparou o almoço.

— Tudo bem. –ele pega uma garrafa na geladeira e dois copos no armário e nos serve a água.

Terminamos de almoçar e Miguel começa a tirar a mesa, coloca o que sobrou da comida em potes e guarda na geladeira, leva todas as louças para pia e começa a lavar.

— Não precisa fazer isso, pode deixar que eu faço. –digo o abraçando por trás e lhe dando um beijo nas costas.

— Você cozinhou e eu limpo. –diz virando-se e me beijando.

Pego um pano, enxugo a louça e guardo tudo.

— Estou muito doméstico. –ele diz.

— Já lavou louça antes?

— Sim, poucas vezes.

O telefone dele toca no bolso da calça, ele olha e desliga rapidamente.

— Melhor você atender.

— Não, isso pode esperar até amanhã, hoje quero ficar com você, vou até desligar. –desliga o aparelho e coloca dentro da mala.

Sem pensar muito cola nossos lábios e quando dou por mim minha roupa já está no chão, minha respiração está pesada e o desejo explode dentro de mim.

Ele beija todo meu corpo dando uma atenção especial em meus seios, beija e mordisca os dois, desce pela minha barriga e para bem no meu sexo, enquanto sua língua brinca com meu clitóris ele coloca um dedo dentro de mim, me fazendo arquear as costas, ele só para quando me faz gozar.

Pega um preservativo do bolso, ele está sempre preparado, tira a roupa e deita sobre mim sustentando seu peso nos braços, desliza o membro com muita facilidade para dentro de mim e eu gemo em resposta.

— Você está sempre tão preparada. –diz sem parar de se movimentar.

Ele para por um instante e me olha e eu sorrio para ele que retribui o sorriso.

— Vamos mudar de posição? –assinto. — Se for desconfortável você fala.

Ele levanta, estende a mão para que eu me levante também, me vira de costas para ele e me faz deitar de bruços, de forma que minha bunda fica para cima.

— Você não imagina a bela visão que estou tendo daqui. –ele diz e dá um tapa na minha bunda me fazendo gemer.

Ele volta a entrar em mim, num ritmo acelerado, forte e duro, vez por outra me dá um tapa, e devo confessar que estou adorando, não tinha ideia de que levar uns tapas poderia ser tão prazeroso.

Continua assim por mais alguns minutos até que chegamos ao nosso clímax juntos.

Estamos sem roupa deitados na cama, estou com a cabeça em seu peito enquanto ele afaga meus cabelos. Estou de olhos fechados só absorvendo a sensação que este momento me trás, nossas respirações estão sincronizadas, muito tranquilas depois de toda energia que gastamos.

— Foi tudo bem para você? –ele pergunta.

— O quê?

— Os tapas? Foi muito para você?

— Não, eu consigo lidar com isso. –ele sorri.

— Então você gostou?

— Digamos que eu aprovo. –ele sorri novamente.

Ficamos em silêncio novamente, a sensação de está em seus braços é única, poderia ficar assim por horas. Realmente estou me apaixonando, mesmo antes de me tocar ele já habitava meus pensamentos.

Não queria sentir isso, pois sei que não vai dá em nada e que vou acabar saindo machucada.

Como dizia minha avó, quem brinca com fogo se queima, acho que quem vai sair queimada dessa história sou eu.

— Vou tomar um banho. –ele diz. — Te convidaria, mas não dá. –sorrio.

— Tudo bem, depois eu vou.

Miguel caminha sem roupa para o banheiro e eu o observo, que homem! Ele é muito bonito.

Visto meu pijaminha para não ficar andando pelada pela casa.

Ele sai do banheiro de toalha, vai até sua mala pega uma roupa e se veste.

— Não queria, mas preciso ir. –ele diz.

— Tudo bem.

— Quando te vejo de novo? –ele pergunta.

— Não sei, essa semana vou trabalhar.

— No final de semana também?

— Sim.

— Daremos um jeito. –ele diz me beijando.

O levo até lá fora, ele entra no carro e eu observo até que desapareça do meu campo de visão.

Sinto uma sensação estranha, um vazio talvez. Não tenho certeza se o verei outra vez, a ligação que ouvi me faz duvidar.

De um jeito ou de outro esses dois dias foram incríveis e isso ninguém nunca vai me tirar, mesmo que vire só uma lembrança, mas será a minha lembrança.

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Comments

Maria Do Socorro Bezerra

Maria Do Socorro Bezerra

Coração está aflito, espero que ela não sofra mais, a vida já foi muito difícil para ela.

2025-02-02

3

Marisa Vasconcelos

Marisa Vasconcelos

coitada ela está certa são de mundos diferentes

2024-06-03

9

Camila Branco

Camila Branco

eu acho que ela vai engravidar pois enquanto eles estavam na banheira eles não se preveniram

2024-05-22

5

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