José me olha e ficamos assim alguns instantes, seus olhos castanhos me fitam como se quisessem me despir, sinto uma corrente muito forte entre nós.
— Esse é meu lugar. –digo apontando o assento da janela.
— Pois não. –ele diz sorrindo, se levantando e afastando-se para que eu sente.
Não consigo disfarçar meu sorriso, baixo a cabeça e a balanço negativamente, ainda estou surpresa por encontrá-lo aqui. Imaginaria encontrar qualquer pessoa menos ele, na verdade achei que nunca mais o veria na vida.
A viagem da minha cidade até a capital dura em média três horas, teremos muito tempo para conversar. Bom, espero que ele converse comigo.
Quando ele abre a boca para dizer algo meu celular toca, olho no visor e vejo que é Carol. Já deve está sentindo minha falta.
Eu: Oi.
Carol: Uma moça veio aqui te procurar um tempo depois que você saiu.
Eu: Quem era?
Carol: Se chama Maia.
Eu: Maia? Não conheço.
Carol: Sabe de quem ela é irmã?
Eu: De quem?
Carol: Ela é irmã de Miguel, veio a pedido dele, e me disse que ele teve um problema com o celular, te falei que poderia ter sido isso que aconteceu, e foi, ele acabou perdendo seu número.
Eu: De toda forma isso não tem mais importância, minha decisão já foi tomada. –procuro não falar abertamente, pois José está ao meu lado.
Carol: Ela disse que ele viajou à negócios e não teve como te avisar, mas que volta semana que vem e espera te ver.
Eu: Carol espero que você não tenha passado meu número e nem dito para onde estou indo.
Carol: Óbvio que não, quero você longe daquele cretino.
Eu: Ótimo, muito obrigada, caso um dos dois vá até ai não diga onde estou por favor.
Carol: Pode deixar. Boa viagem, tenha muito cuidado, quando chegar me avisa.
Eu: Terei sim, obrigada, quando chegar te aviso, beijo.
Carol: Beijo. –desligo o celular e olho para José com cara de paisagem.
Infelizmente o fato de Miguel ter mandado sua irmã me procurar não muda nada, talvez mudasse se ele tivesse feito isso antes, mas agora depois de toda essa chateação e do comentário da tal mulher que vi em sua foto, nada me importa mais.
Não entendo como um homem tão inteligente não tem a simples idéia de procurar a rede social da outra.
Ele poderia ter evitado tudo isso, na verdade nem sei por que ele está me procurando, dado o fato de que já tem outra em sua vida. Não nasci para ser segunda opção de ninguém, se ele acha que irá brincar comigo está muito enganado.
Espero que ele não descubra que estou indo morar na mesma cidade que ele, é uma cidade muito grande e as chances de nos encontrarmos são mínimas.
Olho para o lado e José me olha sorrindo, seu olhar tenta decifrar o que está acontecendo e no que estou pensando.
— Pensei que nunca mais fosse te ver. –ele diz finalmente.
— Achei o mesmo sobre você. –sorrio.
— Pra onde está indo?
— Acredito que para o mesmo lugar que você, já que a última parada desse ônibus é na capital.
— Sim, eu sei. –ele sorri. – Gostaria de saber o endereço, bairro, sei lá...
— Estou indo para o centro, vou trabalhar lá. E você?
— Centro também, vou ficar na casa de uns parentes, estou indo para estudar, ganhei uma bolsa.
— Que bom, parabéns. Vai estudar o quê?
— Obrigado, vou estudar Agronomia. Onde você vai trabalhar?
— Na casa da filha de minha ex patroa, vou trabalhar de babá.
— Também vou tentar arrumar um emprego, já que vou estudar só à noite.
— Logo você consegue.
— Espero que sim.
Fica um silêncio constrangedor entre nós. Nossa conversa não emplacou, não entendo porquê. Ele não parece ser tímido, eu também não sou, passei alguns anos trabalhando com o público e isso me fez deixar a timidez de lado.
Só que aparentemente não temos mais assunto, ficamos olhando para o nada com cara de bobos.
José é um homem muito bonito, impossível passar despercebido. Além de tudo é muito educado.
Por um momento sinto que ele seria a pessoa ideal para me fazer esquecer de Miguel.
E não é só por sua beleza física, sinto que ele é um homem honrado e de bom coração, isso são coisas que prezo muito.
Não vou apresar as coisas e nem me jogar para cima dele, se tiver de ser, será. E ainda gosto de Miguel, isso são só devaneios da minha mente, que é muito fértil.
José procura algo na mochila, o observo de canto de olho para que ele não perceba que estou prestando atenção no que ele está fazendo. Logo tira da mochila um potinho com alguns pedaços de bolo, sinto o cheirinho e lembro do dia que fui à chácara e sua mãe fez esse mesmo bolo. São lembranças não muito agradáveis.
— Quer? –ele me oferece. – Minha mãe quem fez, ela falou uma vez que você tinha adorado esse bolo.
— Sim, é muito bom, sua mãe cozinha muito bem, obrigada.–digo pegando um pedaço de bolo. – Como está sua mãe?
— Muito bem, obrigada.
— Que bom, fico feliz.
— Sem querer ser inconveniente, mas posso te fazer uma pergunta?
— Pode.
— O que aconteceu com o patrão? Ele não foi mais na chácara. –acho estranho ele se referir a Miguel como patrão, mas na verdade é o que ele é.
— Não sei.
— Vocês não namoram?
— Você como sempre querendo saber demais! –digo e sorrio para não parecer mal educada.
— Só acho estranho ver a namorada do patrão andando de ônibus, indo trabalhar de babá. Achei que você fosse rica igual a ele.
— Quem? Eu? Estou longe de ser rica, muito pelo contrário, e eu não sou namorada dele. –ele me olha e ergue as sobrancelhas.
— Achei que fosse, ele me olhou feio aquele dia que eu estava falando com você lá na chácara.
— Poderíamos ter sido namorados, mas não deu certo. Só sabemos se algo vai dá certo tentando não é? Tentamos e não deu.
— Exatamente, temos que tentar. –ele diz e olha em meus olhos, não desvio o olhar e ergo uma sobrancelha para ele.
José desvia o olhar, fecha o potinho e guarda de volta na mochila.
Passamos o restante da viagem em silêncio, vez por outra trocando alguns olhares.
Nota-se à quilômetros de distância que ele tem atração por mim, ele não faz nem questão de disfarçar. Gosto de pessoas que tem atitude, se gosta não tem por que fingir que não gosta. Se você quer algo é só ir atrás e conquistar, isso funciona em todos os campos da vida.
Já estamos nos aproximando da rodoviária e José ainda não pediu meu número de telefone, devo tomar uma atitude e passar meu número para ele, sem segundas intenções, vai que sejamos apenas amigos, vai ser bom ter alguém conhecido nessa cidade.
Ele está com os olhos fechados, mas não está dormindo, toco seu braço para chamar sua atenção.
— Oi. –ele me olha.
— Pode me emprestar seu celular? –ele me olha confuso, mas pega o celular de dentro da mochila e me entrega. — Pronto, aí tem meu número. –ele sorri de orelha à orelha.
— Pronto, te liguei ai, agora você também tem meu número. –ele diz sorrindo.
Sou uma pessoa muito bem resolvida, tenho meus sentimentos por Miguel, não posso negar, não vou fingir que não gosto dele, porque gosto. Mas não vou negar que tenho uma pontinha de atração por José, e estou adorando flertar com ele.
Se iremos ficar juntos não sei, mas gostaria de tentar, não sei quando, vou somente deixar a vida seguir seu curso e o tempo irá nos dizer o que acontecerá.
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Atualizado até capítulo 111
Comments
Helga Coelho
Não entendo como uma mulher tão inteligente como tu acha que só o homem é que tem que mandar mensagem ou ligar.....
2025-03-04
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Maria Do Socorro Bezerra
A gente sempre faz essas perguntas quando os homens não fazem o óbvio kkkkkkkik
2025-02-02
0
Maria Aldenora
se ficar com ele não bou ler mais pq a história vai ficar sem lógica
2025-01-31
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