Capítulo Quatro

Após conhecer Carolina minha vida mudou, encontrei nela a amiga que nunca tive. Morávamos na rua, passávamos muitas dificuldades, mas estávamos sempre unidas. Apesar de morarmos na rua jamais roubamos nada e nem fizemos mal a ninguém.

Catávamos latinhas e vendíamos, tinha também um senhor dono de um bar que vez por outra nos chamava para ajudá-lo, servindo mesas, limpando, lavando louças, fazíamos de tudo um pouco. Nisso recebíamos algum dinheiro e ele sempre nos dava algo para comer após o expediente.

Passamos pouco mais de um ano nessa vida de morar na rua, até que um dia esse mesmo senhor dono do bar disse que sua irmã estava abrindo um restaurante e precisava de pessoas para trabalhar e como ele nos conhecia e sabia que éramos de confiança nos indicou para vaga, mas que para isso teríamos que nos mudar, pois era em outra cidade.

Não pensamos duas vezes, qualquer cidade com emprego garantido é melhor do que a rua.

E assim começou nossa aventura na nova vida.

*dias atuais*

Cuidei de tudo que me foi designado a fazer para adiantar o café da manhã para os clientes e logo depois sentei para descansar um pouco e dá uma olhadinha nas redes sociais.

Nossa chefe é uma pessoa muito gentil, apesar de sua classe social não trata ninguém com superioridade.

Levanto, coloco meu celular no bolso e corro para pegar o cardápio, mais um cliente está chegando.

Não faço ideia de qual seja o modelo de seu carro, não entendo nada sobre, só sei que é muito bonito e com certeza muito caro.

Ele estaciona o carro e desce, sou uma pessoa muito observadora, noto que ele está bem arrumado, com uma camisa social de mangas compridas, na cor branca, uma calça preta e um sapato também preto, usa óculos escuros estilo aviador e trás o celular e a carteira na mão. É um homem muito bonito, tem a pele clara, cabelos castanhos claros, quase loiros, tem um corpo muito bonito.

Ele se senta na primeira mesa que encontra e olha para os lados à procura de alguém, essa é minha deixa.

— Bom dia. –digo sorrindo.

— Bom dia. –ele fala com a expressão séria, tira os óculos e vejo que seus olhos são verdes, um verde cristalino, muito diferente.

— O senhor gostaria de ver o cardápio. –digo levantando o mesmo para que ele veja.

— Não, quero apenas um café e se possível gostaria da senha do Wi-fi.

— Pois não, a senha é o número de telefone que está aqui no cardápio. –falo e levanto o cardápio outra vez.

— Posso ver?

— Sim, já trago o café.

Folgado, não vai pedir nada e ainda quer a senha do Wi-fi! Se o restaurante fosse meu ele já estaria fora daqui a muito tempo.

Vou até a cozinha sirvo uma xícara de café para levar para o folgado.

— Aqui está, deseja mais alguma coisa?

— Não. –ele responde seco.

Minha vontade era jogar esse café na cabeça dele, que cretino folgado, Além de tudo mal educado. Para ver como dinheiro não compra educação.

Me sento atrás do balcão bufando de raiva, até Carol vir tirar minha concentração.

— Malu você viu que gato?! –ela pergunta toda entusiasmada olhando para o bonitão.

— Não adianta nada ser bonito se não tem educação. –ele nos olha, parece até ter ouvido o que eu falei.

— Não deixa a dona Lúcia te ouvir falando isso dos clientes, sabe que ela é ótima, mas gosta que a gente trate os clientes bem.

— Eu o tratei bem, mas esse cliente talvez ela não fique tão brava, só pediu um café e a senha do Wi-fi.

— Que folgado!

Nesse momento chega mais um carro, Carol vai atendê-los, esse é um casal e dois filhos.

Eu volto para cozinha para começar a preparar o almoço, aqui servimos café da manhã e almoço.

Corto todas as verduras que usaremos e coloco o feijão de molho. Hoje em nosso cardápio temos, baião de dois, assado de panela, galinha caipira, arroz e feijão e também cuscuz. Como já falei aqui é um restaurante típico do interior do nordeste brasileiro.

— Malu!? –Carol grita por mim lá fora.

—Oi? –repondo saindo da cozinha.

— O bonitão tá te chamando.

— Quê?! –falo incrédula.

— Vai logo, não vai deixar o homem esperando.

A contra gosto vou até a mesa do folgado.

— Pois não. –digo.

— Gostaria de pedir a conta.

Bufo internamente, e coloco meu melhor sorriso no rosto. E essa criatura não poderia ter pedido pra Carol?! Tem que ser pra mim. Eu mereço!

— Tudo bem, foi só o café, fica por conta da casa.

— Eu faço questão de pagar. –que cara chato.

— O seu café foi o pequeno, é só um real, como eu disse, não precisa pagar. –ele dá um meio sorriso e abre a carteira tirando uma nota de cem da mesma.

— Como eu disse. –ele fala me imitando. — Faço questão de pagar. –diz me entregando o dinheiro.

— Não senhor, pode deixar, sua nota é muito alta para lhe dá o troco.

— Pode ficar pra você. –ele fala se levantando e indo em direção ao seu carro.

Eu fico com cara de boba com o dinheiro na mão, sem saber o que fazer. Que homem doido.

O restante do dia transcorre muito rápido. Passa um pouco das 18:00 horas quando termino de lavar a louça para poder ir para casa.

Já não moro mais com Carol, ela encontrou um homem muito bom que é seu namorado, ou marido, sei lá? Eles dividem a casa, então são marido e mulher.

Por fim termino a louça me despeço de dona Lúcia e de Carol, pego minha bike e vou para casa, mais um dia se encerra em minha vida

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Comments

Joselma Trajano

Joselma Trajano

já quero conhecer esse bonitão

2025-02-05

1

Maria Do Socorro Bezerra

Maria Do Socorro Bezerra

Já conheceu o futuro marido kkkkkkk

2025-02-02

2

Maria Do Socorro Bezerra

Maria Do Socorro Bezerra

É bem assim, sempre aparece uma alma caridosa .

2025-02-02

2

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