Quando Jana finalmente deixou a casa de Chad, eu me permiti procurá-lo e não achei em qualquer lugar. Pensei que pudesse encontrá-lo em seu quarto, mas quando bati na porta, não recebi nenhuma resposta. Sendo assim, eu decidi dar um tempo a ele para que pudesse ter paz e pensar um pouco, talvez na merda que a família dele é.
Não quero ser grudenta, tampouco que ele desconte em mim as suas frustrações. Sei que é tentador para ele fazer isso, mas dessa vez não vai dar porque estou feliz demais com a minha realização, com o fato de poder entrar em uma faculdade. Eu não vou me permitir ficar triste e para baixo hoje. Não mesmo!
Rumei para a cozinha e procurei por Maise por quase tudo, e só vim a encontrá-la na sala onde se lavam todas as roupas dos moradores desta casa. Ou seja, Chad e eu. Maise também lava os uniformes dos funcionários, todos eles, então me assustei com a quantidade de roupas que haviam aqui.
Entretanto, para ela não é tão trabalhoso já que a máquina de lavar e a secadora fazem a parte mais difícil, quando Maise só precisa aplicar sabão em pó e o amaciante no momento devido. ── Esther! O que está fazendo aqui? Aqui não é lugar para você. ── ela disse em um tom assustado, como se eu estivesse cometendo um crime contra a humanidade.
── Não me importo, Maise. ── respondi com muita convicção ── Eu não entendo porque não deveria estar aqui, eu adoro o cheiro de roupa limpa. ── falei sério.
── Eu também. ── ela meio que riu ── Gosto de lavar roupas. É terapêutico para mim.
── É, eu estou vendo! ── rebati, sorrindo também ── Você viu quando Jana saiu?
── Não, mas John veio avisar. ── se referiu a um dos seguranças ── Não sei o que ela queria dessa vez. Não ficou para almoçar, e nem falou nada. Estranho. ── ela não parece se importar muito com a visita de Jana, provavelmente porque não sabe o motivo.
Pensei por alguns minutos, ponderando se valerá a pena ou não falar que eu sei muito bem o que a trouxe aqui hoje. Acho que Maise pode me julgar por isso, mas não é como se eu me importasse tanto. Além do mais, ela também é muito curiosa e fofoqueira. Eu sei muito bem que ela tem informantes na mansão dos pais do Chad, e é por isso que sabe sempre que a mãe dele vem para cá. Até mesmo o horário!
Eu falei tudo, expliquei a situação e a cada palavra dita por mim, a mulher à minha frente se espantava ainda mais e ficava boquiaberta. Assim como eu, quando ouvi tudo na íntegra atrás da porta do quarto de Chad. Todavia, além de espanto, eu também senti nojo e vontade de socar a cara velha de Jana até que ela ficasse inconsciente, mas sei que esse pensamento não é nada saudável e me levaria à cadeia, na "melhor" das hipóteses.
── Como você sabe de tudo isso, Esther? ── como eu esperava, a pergunta veio num tom confuso e um pouco acusatório.
── Vem ao caso? ── rebati quase ao mesmo tempo que ela ── Estou querendo que você entenda a gravidade do que ela disse ao Chad, Maise. Ela o proibiu de jantar com a própria tia por vergonha da deficiência dele. ── neguei com a cabeça, indignada ── Essa família é tão nojenta que eu me sinto até mal em fazer parte dela.
Ao me ouvir, Maise me olhou como se eu estivesse me iludindo. Mas eu sei muito bem que, mesmo que o meu casamento não seja real, eu ganhei o sobrenome do Chad depois dele. Então, perante a lei, sou oficialmente uma Ancelotti e acho que nunca me senti tão mal com algo tão bobo antes.
É por eu carregar esse sobrenome que Jana se acha no direito de me bater e me dizer coisas horríveis. Quando lembro do que ela me fez, já fico muito revoltada e triste, por isso tratei de espantar os pensamentos ruins da minha cabeça.
── Eu sei, Esther. Sei como você está se sentindo, porque eu me sentia da mesma forma no começo, quando Chad sofreu o acidente. Eu trabalho para ele há 13 anos, desde que ele comprou essa casa. Não acho que a família dele seja justa com ele, eu sinto muito, mas a gente não pode fazer nada.
Maise carrega uma expressão cansada, mas ao mesmo tempo inconformada. Todos sabemos que a conduta da família do Chad está completamente errada, ele não pode ficar recluso e longe da sociedade só por causa de uma besteira que é a sua deficiência. Digo, não é só porque ele é cego que vai se privar de tudo, que não é merecedor de caminhar na rua, de receber o sol no rosto e se aquecer.
Ele está sendo quase que mantido em cativeiro por causa de uma bobagem. É chato saber que não posso fazer nada por ele, e também não sei se ele aceitaria qualquer ajuda de mim, não quando prefere me matricular numa faculdade para me manter longe, me manter ocupada para que eu não esteja perto dele. Chad me odeia, mas eu ainda sinto dó por tudo o que ele vem passando e se pudesse, o ajudaria.
── Um conselho que eu te dou, é: Não fique ouvindo as conversas deles atrás das portas. Não sei há quanto tempo você vem fazendo isso, mas tome cuidado. Jana não é flor que se cheire, ela não vai medir esforços antes de fazer da sua vida um inferno caso descubra que você está bisbilhotando. Ela não tem piedade das pessoas e não se importa com ninguém. A prova é o que ela está fazendo o próprio filho passar. ── eu balancei a cabeça em concordância, pois sei que Maise tem razão, mas eu não vou parar de "bisbilhotar", como ela diz.
Preciso saber o que está acontecendo nessa casa, preciso saber com quem estou lidando. Chad está planejando algo com a irmã dele e eu não posso parar as minhas "investigações" agora, porque pretendo descobrir o que ele quer fazer.
── Tudo bem, não farei mais isso. Você tem toda a razão! ── tentei ao máximo soar convincente e Maise sorriu um pouco.
── Que bom, fico feliz que entenda. Não quero soar chata ou qualquer coisa do tipo, mas sei muito bem que Chad não vai gostar de saber que você tem ouvido as conversas dele. Mesmo que não pareça (o que eu acho bem difícil), ele é muito parecido com a mãe no quesito "arrogância" e "prepotência '. É muito rude e quando quer, se torna insuportável. Mas isso eu sei que você já sabe, pois está lidando com esse lado dele. Pessoalmente. ── chacoalhei os ombros, como se isso não importasse muito.
Eu gostaria de poder ficar conversando mais com a Maise, porém eu sabia que tinham alguns remédios para dar ao Chad, mas antes disso, o seu almoço. Ele provavelmente não vai querer descer para comer na sala de jantar, então alguém precisa levar até ele. Maise está muito ocupada com esse tanto de roupas, e eu não estou fazendo nada... Então, acho que vou precisar ir até lá.
── Vou dar o almoço do Chad, Maise. ── eu comentei do nada e ela até se assustou.
── Como assim...? Eu posso fazer isso, só preciso-
── Ah, não... Pode deixar, eu levo. Você está bem ocupada aí e eu estou disponível, então vou fazer esse favor a você. ── sei que essa era meio que a minha obrigação, que se tornou mais uma para ela depois que Chad disse aos quatro cantos dessa casa que não me queria mexendo nos seus remédios e nem cuidando dele, de qualquer outra forma.
Ela ainda ficou um tanto temerosa, está claro a sua desconfiança, mas não falou nada contra o que propus. Maise só concordou e murmurou um "tudo bem, você sabe os remédios que ele toma agora" e eu fui preparar o que ele vai comer hoje.
Chad segue uma dieta rígida e é necessário atender à ela todos os dias. Hoje não seria diferente, então ele come algumas frutas, carne assada e muita salada, já que é mais leve. Ele não pode sobrecarregar o estômago, e também não pode engordar. A comida ofertada a ele é simplesmente horrível, acho que faz bem um pouco de gordura ou açúcar às vezes, mas ele não pode. De maneira alguma, e, para ser sincera, Chad já se adaptou a essa dieta, pois se tornou insuportável com alimentos.
Organizei tudo com bastante cuidado e peguei os seus remédios também. Com tudo em mãos, eu rumei para o quarto dele e só bati na porta uma, duas, três vezes até que ele me autorizasse entrar. Quando fiz isso, o vi sentado numa poltrona com uma perna por cima da outra e um copo de vodka nas mãos. Sei disso pois vi a garrafa quase vazia na mesa do lado da poltrona que ele está. Ergui uma sobrancelha. ── O que está fazendo no meu quarto, Richards? ── perguntou rude, sem nenhuma maciez na voz.
── Vim trazer o seu almoço, Maise está ocupada e eu queria ajudar. ── expliquei e ele bufou. Quando ergueu o olhar, eu tive a leve impressão de que o vi olhando no meu rosto, mas a ideia é tão absurda que eu balancei a cabeça, espantando esses pensamentos estranhos. Qual a possibilidade do Chad fazer algo assim? Acredito que nenhuma, já que ele é cego.
── Ela está ocupada para mim? ── perguntou num tom acusador e eu me vi na obrigação de me corrigir rapidamente.
── Não Chad, não seja tão duro. Você sabe que ela é uma pessoa de meia-idade e precisa de um pouco de descanso. Trabalhar demais não fará bem à ela. ── contragosto, ele só assentiu levemente, sem nem falar nada.
Sei que a ideia de me ter aqui não o agrada, mas ele vai ter que me aguentar.
...----------------...
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 123
Comments
Telma Oliveira
esse negócio de cego só pode ser mentira
2024-03-05
0
Anatalice Rodrigues
Acho que ele está fingindo. Kkkk
2023-11-10
2
Dany
bobinha ele enxergar só se finge de cego
2023-10-02
3