A semana se passou lentamente, até que completaram oito dias do meu casamento com o Chad. Sendo bem sincera, não está sendo nada fácil, porque ele tem se tornado cada vez mais insuportável, dificultando até mesmo que eu o ajude nas minhas tarefas obrigatórias.
Ele parece querer acabar com a minha vida.
Ontem mesmo, pela noite, tivemos uma discussão feia. Ele me disse coisas horríveis, afirmando que sou muito "grudenta", quando eu claramente não me importo em estar perto dele ou não, eu nem queria estar aqui, só estou porque fui obrigada. E também convivemos juntos porque ele precisa de mim, não pode fazer qualquer coisa sozinho. E, sinceramente, eu queria muito que ele pudesse!
Chad também me disse que é impossível conviver comigo (ele repetiu esse parte, já falou isso outras vezes). Falou que sou invasiva, não lhe deixo ter um tempo sozinho e tudo porque eu o "atrapalhei" no momento em que estava na sua caixa do nada, porque ele precisava tomar seus remédios.
Não é uma surpresa. A briga foi feia mesmo, então a Maise se mostrou ser uma humana sentimental pelo menos uma vez na vida. Ela se dispôs a cuidar dele por mim e, pelo visto, Chad acatou muito bem essa ideia e eu fiquei muito magoada com isso. Eu estava dando o melhor de mim para cuidar dele, lhe proporcionar bons momentos, até propus que fizéssemos um passeio pelo condomínio, pela praça que há aqui no bairro, mas ele não quis e ainda me xingou por estar "fingindo me importar".
Depois disso, eu me permiti chorar até perder o fôlego embaixo do chuveiro. Não imaginei que seria submetida a mais humilhações em minha vida. Achava que meus pais adotivos seriam os únicos a me fazer sofrer, mas aparentemente, não. Chad está disposto a me causar as piores sensações, os piores sentimentos, me tornar amarga e infeliz por causa de um casamento que aconteceu totalmente contra a minha vontade.
Ele está na defensiva desde que me "conheceu", e ainda não me permitiu mostrar para ele que sou uma boa pessoa. Eu não sou esse monstro que ele pensa que sou, eu só queria uma chance, mas não é como se importasse. Meus sentimentos são nada para ele e eu não sei se um dia vou poder provar que ele está errado ao meu respeito.
Quanto egoísmo da minha família, da família dele por nos fazer passar por essa situação, onde claramente nem um dos dois está feliz, mas eles insistem nesse casamento por pura diversão sádica e dinheiro.
Na noite passada, me deitei e, ainda chorando, eu adormeci. Não senti fome, por isso não jantei e ninguém pareceu se importar com isso. Eu estava tão triste, tão deprimida que só sentia vontade de morrer, e por isso dormi. Dormi antes de cometer alguma besteira contra mim mesma.
Hoje, pela manhã, eu acordei e, surpreendentemente, me sentia bem melhor do que quando me deitei. Minha cabeça doía um pouco, mas eu tomei um banho gelado para relaxar e então, minha dor aliviou.
Vesti roupas simples e leves, e após passar perfume e meus cremes corporais, saí do quarto. A passos lentos, pois queria ouvir qualquer barulho mas não consegui ouvir nada.
Meu coração está nas mãos, porque os pais de Chad já chegaram há três dias, Jana me ligou antes de chegarem e disse que viria aqui depois de resolver algumas coisas. Eu não quero que ela acabe me flagrando sem cuidar do filho dela, mas não posso continuar me humilhando para conseguir ter qualquer contato com o Chad. Ele já demonstrou que não me quer por perto, e por que eu deveria continuar insistindo?
Ah, é. Porque meus pais podem acabar com a minha vida caso esse casamento acabe.
── Esther. ── ouvi a voz de Maise rasgar o silêncio absoluto no qual a casa estava mergulhada. Cheguei até a tomar um susto, e ela percebeu mas não esboçou qualquer reação quanto a isso. ── Venha aqui, preciso conversar com você.
── O que houve? ── já me preocupei que algo tenha acontecido, e pensei em várias possibilidades, estas que nem faziam sentido mas eu comecei a criar muitas paranóias.
── O Sr. Ancelotti pediu para que eu organizasse um café da manhã caprichado, pois ele quer comer com você hoje. ── avisou e eu enruguei as minhas sobrancelhas ── Por favor, me acompanhe. ── e apontou para um outro corredor, que nos levará ao jardim. Eu fiquei sem entender nada, até temi seguí-la, mas ela me chamou novamente e eu precisei ir caminhando atrás dela.
Que confusão! Chad me humilha, pisa em mim como se eu não valesse nada e agora quer tomar café da manhã comigo?! Isso está muito estranho, eu não confio nele de jeito nenhum. ── Ali está ele, Esther. Você pode ir. ── eu pude vê-lo sentado na mesma mesa em que nos acomodamos há uns dias atrás, e tinha muita comida mesmo, aparentemente deliciosa.
Cheguei mais perto a passos lentos e furtivos, mas Chad parecia já ter noção da minha presença. ── Não seja tímida, por favor, se sente. ── ele falou todo educado, como se não tivesse rasgado o meu coração com suas palavras torpes na noite passada. ── Vamos logo, eu não tenho o dia todo! ── voltou a me repreender mediante a minha demora.
── Eu não quero me sentar com você, Chad. Você é um grosso, estúpido, idiota-
── Sem coração, babaca, cretino, sem noção, sem sentimentos? ── completou ácido ── Já sei de tudo, agora cala a boca e senta logo, porque o que eu tenho para te propor é benéfico para nós dois, porque eu já não te aguento e tenho certeza que você também não me aguenta mais.
── Não é assim que as coisas funcionam, não é como se eu tivesse alguma escolha, Chad. Você deveria procurar me entender! ── falei irritada, me sentando finalmente.
── Ficar se vitimizando não vai mudar nada, Richards. Você pensa que é uma vítima mas não é! ── rebateu no mesmo tom que o meu e quando eu me preparei para revidar, ele foi mais rápido em continuar o seu discurso ── Mas não foi para isso que eu te chamei aqui. Quero que me diga, com sinceridade, se você já cursou alguma faculdade.
Não entendi a sua pergunta, então fiquei uns segundos em silêncio, como se não acreditasse no que sai de seus lábios e o que tem haver essa pergunta com o contexto da nossa discussão! ── Sei que você tem 23 anos e que não teve muitas oportunidades na vida, seus pais são uns lixos de seres humanos, então preciso que você me fale se você tem vontade, se já cursou alguma faculdade.
── Não, Chad. Eu nunca cursei nenhuma faculdade, mas tenho muita vontade sim. ── fui sincera e ele assentiu.
── E qual é o curso que você tem vontade de cursar?
── Nunca pensei muito nisso. Tenho algumas dúvidas.
── Ah, fala sério! Como você quer cursar faculdade e não tem ideia do que cursar? ── olhei para o rosto dele e vi que está com uma sobrancelha arqueada ── Você está mentindo para mim de novo, Richards?
Me senti ofendida com essa pergunta. ── Não estou, Chad. Eu realmente tenho dúvidas do que cursar. ── e eu estou mentindo. Só não quero ser mais julgada por ele.
── Esther, não seja mentirosa. Eu exijo que você me fale a verdade. ── sua voz se tornou mais grave, autoritária. Engoli a seco e resisti um pouco mais, mas ele está disposto a tirar essa informação de mim e, então, eu não pude esconder por muito mais tempo. Finalmente, falei:
── Eu queria cursar psicologia.
── Olha só. Foi até que bem fácil, não é? ── ele falou com um sorriso forçado, como se não tivesse ameaçado até a minha última geração para eu falar isso.
...----------------...
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 123
Comments
Giulia Pereira
o rumo da estória é bom. até o momento cansativa pq todo capítulo são os mesmos pensamentos, só muda os diálogos deles. vamos ver se agora muda um pouco.
2024-03-31
1
Patricia Cristina Silvestri
pouca atitude....devia ser mais emponderada deixar de pensar tanto na família
2024-01-31
1
Lucia Maria
autora faça ela ter mais atitude
2023-09-13
1