Quando saí de casa, na porta mesmo, encontrei um rapaz alto, de terno completamente escuro e cabelos loiros. Estavam bem alinhados, e eu fiquei admirada pela beleza dele, mas ele sequer olhou para mim. ── Bom dia, senhorita. Eu sou o Edward e sou seu motorista a partir de hoje. ── falou formalmente e com a voz bem grossa e eu quase derreti.
Que homem!
── Ah claro, obrigada.
── Preciso que use este boné. Vamos sair do condomínio e não podemos ser vistos. ── ele estendeu para mim um boné preto e eu, sem pensar muito, o coloquei na cabeça. Andamos juntos até o carro lindíssimo estacionado ali na frente, e eu olhei em volta mas não esperava que estivesse sendo vista, já que a casa de Chad é rodeada por muros extremamente altos, que não nos permite enxergar qualquer coisa fora da propriedade dele. Os portões de saída são um pouco mais à frente.
Além dos diversos seguranças que andam para lá e para cá o dia inteiro. Eu fico impressionada com a segurança desse lugar. ── Por favor. ── a porta do carro se abriu e eu entrei, logo em seguida o motorista a puxou para baixo e fechou.
Daqui de trás, consigo vê-lo na frente e quando ele agarrou o volante, me encantei com suas mãos, existem diversas tatuagens em uma delas, estas que vão subindo ao pulso e instigam bastante a imaginação. Entretanto, a minha decepção veio logo em seguida, quando ele se movimentou e eu vi uma aliança em seu dedo anelar.
É um material muito bonito, dourado, que não me deu margem para dúvida: Ele é casado. Eu fiquei meio desapontada com isso, mas aliviada por ter visto agora. Não queria continuar criando cenários falsos com ele na minha cabeça. Nem conheço a esposa dele mas a respeito.
── Coloque o cinto de segurança, por favor. ── pediu e eu meio que acordei de um transe. Me perguntei como ele sabe que não coloquei o cinto, mas foi aí que eu ouvi algo sinalizando lá no painel e compreendi finalmente. Sem mais, coloquei o cinto de segurança e me enterrei no banco, com o intuito de não ser vista por ninguém e assim saímos do condomínio Ancelotti, sem sermos vistos. Tranquilamente.
Depois disso, tive tempo para lembrar da minha ansiedade por se tratar do meu primeiro dia de aula. Meu coração batia muito forte no peito, e eu gosto dessa sensação. Há muito tempo não me sinto assim e me sinto viva.
A viagem foi feita em silêncio, e nem sequer uma música Edward colocou. O que não acalma nada os meus nervos, mas fui respirando fundo durante todo o percurso e quando cheguei, já estava mais calma.
•••
Quando cheguei na universidade, eu me lembrei do meu casamento com Chad e me vi perdida e muito assustada, com medo de que a família dele e a minha possa descobrir que estou aqui. A mídia não é bondosa quando se trata da vida particular de figuras públicas. Mas então, me tranquilizei ao lembrar que meu rosto nunca foi aos jornais. Somente as notícias sobre o casamento de Chad saíram, meu rosto não e eu me sinto muito feliz com isso.
Mesmo que eu saiba o verdadeiro motivo pelo qual eles não querem que eu apareça na mídia. Estou longe dos padrões da família Ancelotti, eles não estão acostumados a lidar com pessoas como eu. Eu realmente não ligo para isso, pois amo ser anônima e viver a minha vida em paz, sem me preocupar em agir corretamente porque ninguém me conhece e não liga para mim.
Fora isso, meu dia foi interessante. As aulas foram demais, houve um momento de apresentação e eu fiquei nervosa para aparecer na frente de tantas pessoas, mas surpreendentemente, todos foram gentis e me deixaram bem confortáveis. Tudo bem que eu vi uma ou duas mulheres que não gostei nem um pouco à primeira vista (e eu posso garantir que o sentimento é recíproco), mas eu não me importei e não olhei para elas, foi isso o que me fez prosseguir com a minha apresentação.
Não fizemos nada demais, mas eu já me familiarizei com o local. Em certo momento, uma professora me liberou para conhecer melhor a universidade e mandou um rapaz chamado Liam como o meu "guia turístico". Ele é tão simpático que rapidamente fizemos amizade, mas difícil mesmo foi dar uma desculpa do porquê eu não poderia lhe passar o meu número de telefone. Eu só disse que meu celular havia quebrado e ele acreditou muito.
Logo quando cheguei em casa, já fui saudada pelo cheiro maravilhoso da comida de Maise. Caminhei com pressa até a cozinha, e quando cheguei lá, ela me olhou e me cumprimentou, mas estava com uma expressão séria e já veio em minha direção com bastante pressa, enxugando as mãos num pano de prato cinza.
── Esther, rápido! Você precisa se vestir, a Sra. Ancelotti já chega. ── quando ela disse isso, nem pensei tanto e só saí correndo até o meu quarto e já fui jogando a bolsa dentro do closet, pegando uma muda de roupas mais simples e leves.
Corri para o banheiro e tirei as jóias que Chad bancou para mim. Coloquei todas elas em cima da pia e entrei debaixo do chuveiro, porque não poderia perder muito tempo.
Terminei meu banho rapidamente e me vesti com a mesma pressa, organizando meus cabelos, passando um pouco de perfume. Saí do quarto e dei de cara (infelizmente) com a minha sogra. Ela me olhou de cima a baixo com nojo e passou por mim rebolando até o quarto do filho.
Entrei no meu novamente para dar uma disfarçada, até porque quero ouvir o que ela quer dizer ao Chad. Quando me certifiquei de que ela já estava lá, eu saí de mansinho (com os pés descalços para não fazer barulho) e encostei o meu ouvido na porta para ouvir tudo. ── O que você quer, mãe? ── perguntou Chad, com um pouco de irritação.
── Meu filho, eu só vim te avisar que hoje Anastasia virá jantar conosco. ── falou e eu não entendi. Até porque não sei quem é quem nessa família.
── A tia Anastasia? Mas o que ela quer? ── perguntou Chad, surpreso.
── *Não sei, Chad. Ela só avisou que viria e não me deu espaço para perguntar o que quer. Seu primo também virá.
── Que primo? O Joshua?
── Ele mesmo. ──* o tom que Jana usou para responder foi meio estranho.
── Ah, que bom. A que horas eles virão?
── Então, querido. Sobre isso...
── O quê, mãe?
── Já falei que você não vai participar. ── respondeu Jana, seriamente.
── *Por que? Eu quero participar!
── Meu filho, o Joshua é jornalista. Colunista de um site de fofocas famoso na Europa. Ele só quer vir aqui para expor você, eu jamais aceitaria isso. Quero você bem longe dessas pessoas! ──* quando ela falou isso, foi como se meu coração murchasse.
Meus ombros caíram e eu arregalei os olhos. ── Mãe, isso é bobagem. É a minha família, sabe como gosto da tia Anastasia. Vai mesmo me privar de estar com ela por causa dessa besteira? ── notei a voz do Chad alterando.
── Meu filho eu estou te protegendo! Evitando que você seja humilhado na mídia, você sabe muito bem que seu primo não vai pensar duas vezes antes de expor a nossa família. É isso o que você quer?
Fiquei com tanto nojo dessa mulher que nem me dei o trabalho de continuar ouvindo tantas barbaridades. Ela claramente está com vergonha do Chad, e não quer que ele participe desse jantar por medo do que podem pensar por ter um cego à mesa. O próprio filho dela.
Caminhei de volta para o meu quarto, com um nó na garganta. Chad não vale nada, é um cretino, mas não merece ser humilhado desse jeito. A família dele está o afastando de ocasiões importantes por vergonha da condição dele. Não sei se há algo mais doloroso que isso. Eu me sinto enojada com o comportamento dessa mulher, e do pai dele também, porque desde que cheguei aqui nunca o vi dando apoio ao Chad, sequer dando um abraço nele.
Essas pessoas são uns monstros sem coração!
...----------------...
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 123
Comments
Beth Godoy
tbem acho muito explicado , eu pulo vou direto nas falas
2025-03-24
0
Clara Oliveira
está muito chato. muito descritivo e repetitivo.
2024-10-07
0
Sineide Borges
tbm
2024-09-16
0