No dia seguinte, acordei cedo e me arrumei bem previamente. Antes de levar o café de Chad — este que Maise já havia preparado e deixou tudo pronto para que eu levasse para ele — dei mais uma lida no manual que sua mãe deixou para mim. Vi que era de extrema importância para a sua saúde tomar sol (o que não é novidade), assim como também li que deveria fazer isso todos os dias.
Levei a comida dele e como sempre, fui mal recebida e ele não trocou muitas palavras comigo. Só comeu por ser a sua obrigação, mas eu notei o quanto estava odiando participar daquele momento comigo, entretanto para a sua infelicidade, eu precisava guiar a comida até a boca dele e sorria comigo mesma por perceber a sua insatisfação.
── Vamos passear um pouco no jardim. ── eu avisei, não necessariamente pedindo uma autorização e não recebi qualquer resposta ── Só vou pegar a sua-
── Não, eu não quero sair. Prefiro ficar em casa por hoje, por favor, não insista. ── determinou, irredutível e eu revirei os olhos ── Não revire os olhos pra mim!
── Não revirei. Está maluco?
── Sei que você revirou, não adianta mentir para mim. ── insistiu e eu enruguei as sobrancelhas
── Como pode ter tanta certeza? ── e eu estou realmente sem entender a sua insistência nesse assunto.
── Simplesmente sei. Nós cegos não podemos enxergar mas nossos outros sentidos ainda existem e são bem aguçados, caso não saiba. ── rebateu sem nem gaguejar e eu percebi que a oratória dele é ótima.
── Tudo bem, não ligo. Agora vê se para de falar besteira, vamos sair você querendo ou não. Não pode ficar aqui dentro sem receber qualquer luz solar. Você está pálido, igual a um vampiro e isso não faz bem! ── eu decidi agir como uma cretina, imitando-o, já que não quero que esse casamento acabe por causa de algum descuido meu.
Minha família jamais me perdoaria caso eu ameaçasse a "aliança" deles com os Ancelotti, além do que me matariam e me jogariam na rua, humilhada e sem dignidade se eu estragar tudo e o casamento for cancelado. Eles não têm dó quando se trata de mim, e não mediriam esforços para tornar a minha vida mais infernal do que já era.
Então, sim, eu preciso me submeter às humilhações diárias vindas do Chad, porque mesmo nessa precária situação, estar aqui com ele me parece ser melhor do que viver ao lado dos meus pais adotivos. A família dele parece disposta a levar o casamento à frente, por isso não vou deixar a chance de me ver livre dos meus pais adotivos escapar pelos meus dedos. ── Obrigado pela sua "preocupação", ── ele fez aspas com os dedos, claramente debochando da situação ── Mas eu dispenso e não-
── Vou levar o que sobrou para a cozinha e já volto para sairmos, Chad. ── eu comentei, sem me preocupar com a sua objeção.
Caminhei rápido até a cozinha e deixei tudo na pia, Maise estava lavando algumas outras louças então só adicionei aquelas. Voltei para o quarto do Chad com bastante pressa e fui mais rápida em pegar a sua bengala e um par de chinelos para irmos.
Ele resistiu muito, mas eu não sou do tipo que desiste fácil e quando ele finalmente se deu por vencido, me xingou muito, me chamou de insuportável e disse que é impossível conviver comigo sem querer tentar contra a sua própria vida e eu achei esses elogios super apaixonantes, acho que ninguém nunca se importou tanto comigo antes.
── Não seja ranzinza, Chad. Você também não é tão legal e adorável para se conviver. ── rebati as suas ofensas incansáveis ao meu respeito e ele suspirou.
Estava agarrada ao seu braço enquanto nos dirigíamos lentamente até o jardim. Ele caminha bem devagar e tateia as coisas com a sua bengala, como se não confiasse 100% em mim e até tem razão, porque eu posso ser muito desastrada às vezes. ── Não pense que eu não sei. É por isso que os meus pais me entregaram de mão beijada para a primeira louca que apareceu e agora sou obrigado a caminhar no jardim quando claramente não estou afim. ── me alfinetou e eu sorri comigo mesma, sem fazer som algum.
── Ah, você é um amor de pessoa, Chad. Eu juro... Um querido, nossa. ── eu falei ironicamente e ele não esboçou qualquer reação ao me ouvir.
Chegamos ao jardim depois de muito esforço, mas eu estava bastante satisfeita. O sol está incrível e super agradável hoje, por isso fiquei andando pela grama molhadinha com Chad e notei ele algumas vezes respirando fundo, inalando o ar fresco e o cheiro das plantas.
Eu aproveitei esse momento para observá-lo melhor. Analisei seus traços faciais e, agora, sob a luz do sol, eu pude perceber ainda mais a sua beleza. Ele é tão bonito e ao que parece, os óculos escuro que ele colocou antes de sairmos do seu quarto realçou ainda mais a sua formosura.
Sua barba está por fazer e seu cabelo um tanto quanto grande, mas ainda consegue ficar impecável num topete bagunçado que ele mesmo fez. Seus fios são tão negros que brilham pela luz solar e, aparentemente, são muito sedosos e macios também. Eles se movem muito facilmente com o vento, chacoalham quando o ar os move e eu acho tão bonito que fico parada o olhando por longos segundos, esquecendo de qualquer coisa ao meu redor. ── Pare de me encarar, sua louca.
Quando ele me repreendeu, tomei um susto e quase caí de cara no chão. Passei até as mãos na boca, com medo de quê estivesse babando, mas por sorte não estava. Acho que eu nunca vi um homem tão bonito quanto o Chad antes, ele parece ter sido desenhado manualmente por Deus e eu não estou brincando ao falar isso. Seus olhos não são azuis, não são verdes, mas expressam a magnitude e paz da noite e eu adoraria poder mergulhar neles. ── Não estou te encarando. Por que você tem que ser tão exibido? Nossa! ── revirei os olhos e ele pigarreou.
── Sou cego mas não sou burro, Srta. Richards. ── retrucou ── Eu sinto as coisas e sei muito bem que você está me olhando há bons minutos e nem prestou atenção que eu já estou cansado de ficar em pé.
Rapidamente voltei à minha postura normal e encaminhei-o até a mesa de madeira no centro do jardim, que ficava sob uma árvore que dava um charme diferenciado ao jardim como um todo. Chad sentou ali com o meu auxílio e eu queria dar-lhe um espaço, por isso me sentei em sua frente. ── Será que dá para você parar de tentar adivinhar o que eu estou fazendo? Isso é chato.
── Você é tão boba e indiscreta que não consegue passar despercebido nem por um cego. ── eu percebi que ele estava meio que rindo de mim por isso ── Que vergonha, Richards.
── Não estou entendendo aonde você quer chegar. ── eu falei sincera.
── Um dia você descobre. ── respondeu ── E não me peça para parar com qualquer coisa. Você está no meu pé, me atormentando desde que chegou aqui e eu não posso pedir que você pare de me encarar?
Neguei com a cabeça. ── Você é simplesmente insuportável, Chad.
── Eu sei. E você também é!
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Atualizado até capítulo 123
Comments
Ines Oliveira
o próprio nome do livro já diz tudo. aquela cirurgia que a mãe dele disse que foi mal sucedida na verdade foi bem sucedida ele só quer ver até onde vai a ganância dos pais dele
2024-08-09
5
Telma Oliveira
tem algo errado muiiito errado nessa história ele não é cego só está fingindo pelo menos não completamente cego. Só minha humilde opinião
2024-03-05
1
Anatalice Rodrigues
Acho que já vão começar a se entender. Rsrs
2023-11-10
2