07:10 DA MANHÃ....
Ao acordar, antes mesmo de abrir os olhos, sinto seu corpo debaixo do meu.
— Bom dia, Joseph. — falo, deslizando minhas mãos em seu pescoço.
Ele só resmunga.
— Não vai trabalhar hoje? — continuo.
Ele tira o braço do meu corpo e pega o celular em cima da mesa de cabeceira.
— Droga! — ele diz, me colocando de lado e pulando da cama.
Eu começo a rir.
— Estou muito atrasado. — ele me olha. — E você, não vai para a faculdade?
— Ainda tenho uma hora. — falo, puxando o lençol até meu quadril.
— Eu nem lembro a última vez que me atrasei. — ele diz pegando a toalha para entrar no banheiro.
Finalmente, ele entra e fecha a porta. Eu fico aqui, morrendo de alegria por dormir em seus braços. Dormir com seus carinhos, com suas mãos me tocando, mesmo que sutis, foi delicioso.
Joseph liga a ducha, eu corro para meu quarto, escovo os dentes e uso um enxaguante bucal.
Volto novamente para sua cama e espero por ele ali. Joseph sai com a toalha na cintura, os cabelos bem úmidos e o peito ainda molhado.
Ele me olha e um sorriso travesso aparece em seu rosto.
— O que foi? — pergunto.
— Você é muito atrevida, sabia? — ele fala, indo em direção ao closet.
— Você já disse isso, lembra?
— Eu me lembro muito bem desse dia. — ele provoca.
Joseph pega sua cueca e me olha.
— Ok, vou cobrir meus olhos. — falo sorrindo.
Ele balança a cabeça com um lindo sorriso no rosto e tira a toalha.
Puta merda!
Eu quero muito morder essa bunda. Que coisa linda!
Ao vê-lo nu de costas, fico inquieta na cama. Ele me olha por cima do ombro e dá uma gargalhada.
— Eu não resisti. — falo.
Ele veste sua calça social cara, magnífica, que modela muito bem sua bunda e suas coxas. Logo depois, pega sua camisa no cabideiro e veste, fechando cada botão e olhando para seu reflexo no espelho. Eu noto cada detalhe de seus movimentos. Seu terno parece que foi costurado no próprio corpo, feito por artesãos, vestindo perfeitamente bem.
— Se é o dono, não deveria chegar quando quisesse? — falo, enquanto ele fecha sua gravata.
— Eu tenho uma entrevista.
— Entrevista? — falo empolgada, sentando na cama.
— Essa entrevista é devido à sua ideia brilhante. — ele sorri pelo espelho.
— Você gostou mesmo?
— Eu adorei, resta saber se dará certo.
Levanto as mãos e cruzo os dedos.
— Você tomará café na faculdade hoje?
— Sim, já vou tomar um banho e chamo o táxi mais cedo.
Ele passa perfume, aquele perfume que me enfeitiça. Para mim, esse cheiro se tornou o cheiro da paixão.
Ele puxa a manga da camisa para cima e olha para seu relógio de pulso, depois se aproxima de mim dando-me um beijo na testa. Eu seguro sua gravata impedindo-o de sair. Joseph sorri no mesmo instante.
— O que quer dessa vez? — ele diz, com o rosto bem próximo ao meu.
— Talvez… um beijo decente? — falo provocativa.
Puxo um pouco mais a gravata e beijo sua boca. Ele não me toca, suas mãos pousam sobre a cama, uma de cada lado do meu corpo.
Abro meus lábios para aprofundar o beijo e, para meu delírio, ele faz o mesmo. Seus lábios carnudos, sua boca quente envolve a minha. Ele se entrega e continua a beijar-me, nossas respirações já estão pesadas. O beijo é mais que quente, é excitante. Sua língua dança em minha boca, eu quero sentir o sabor de seu beijo cada vez mais.
Quando puxo seu paletó para mais perto, ele sorri, ainda com os lábios nos meus. Faço o mesmo e também sorrio. Ele deixa o último beijo em minha boca e separa nossos lábios.
— Boa sorte, pai. — falo, com meus lábios quentes pela intensidade do beijo.
Ele pisca para mim, ajeita a gravata no espelho e, antes de sair pela porta, me olha e diz:
— Se cuida, meu amor…
12:50 HORAS DA TARDE...
Algumas garotas passam por mim, me encarando... Muitas reconheço, estavam na casa de praia ontem, inclusive a vaca loira que ganhou um tratamento de bebida nos cabelos.
— Me conta agora. Por que seu pescoço estava vermelho? — pergunta Mia.
— Não acho uma boa ideia te contar. — falo olhando ao redor.
— Eu vim para faculdade morrendo de dor de cabeça, só para saber, aí vem você me dizer que não é uma boa ideia?
— Aqui tem muita gente, Mia.
Estamos almoçando na faculdade, lugar onde tem muitos alunos bem próximos de nós.
— Vem aqui! — Mia me puxa pelo braço. — Eu sei de um lugar para a gente conversar.
Ela me leva até a quadra de basquete. Nesse horário, todos estão no refeitório. Aqui não tem absolutamente ninguém. Sentamos em uma das arquibancadas para conversar.
— Eu procurei você por toda a casa, área da piscina, onde você tinha ido? — ela pergunta, olhando para mim com curiosidade. — E não mente, sei que não estava com o Ben, ele também estava te procurando.
— Certo, eu nem sei por onde começar. — olho para baixo, envergonhada.
— Conta por que seu pescoço estava vermelho. — ela diz, colocando uma mão em meu ombro.
Respiro fundo.
— O Marcus me assediou.
— O QUÊ?! — ela arregala os olhos.
Eu decido contar tudo de uma só vez.
— Ele se trancou no quarto comigo e tentou... você sabe.
— Que filho da puta! Você tem que denunciá-lo.
— O Benjamin disse que faria isso hoje. — falo, olhando para o chão.
— O Benjamin sabe que o amigo dele tentou te violentar?
Começo a contar que o Benjamin me salvou, se ele não tivesse chegado naquela hora, nem sei. Provavelmente, ele teria conseguido o que queria. Conto tudo, menos a parte em que ele me disse sobre o Benjamin. Eu nem sei se é verdade, se o Benjamin realmente falou isso de mim. Mas ele sabe que transei com Benjamin no carro, e ninguém mais sabe disso, a não ser nós dois.
Depois que explico, Mia me pergunta outra coisa. E essa pergunta me deixa sem reação.
— O que você tem com seu pai? — ela me encara.
Eu olho para ela assustada. De onde ela tirou essa ideia?
— Mia, n-não sei o que você está falando.
Levanto-me e começo a andar. Mia corre atrás de mim, chamando meu nome. Desço as arquibancadas da quadra de basquete sem olhar para trás.
— Amber? — ela grita, segurando meu ombro.
Paro e viro para encará-la quando Mia me abraça fortemente.
— Desculpa, eu não queria ter feito essa pergunta.
Mas isso me deixou curiosa. Será que ela percebeu algo? De onde ela tirou essa ideia?
— Mia, por que você está me fazendo essa pergunta?
Ela respira fundo e diz:
— Vocês dois mal disfarçam.
Fico muda sem acreditar no que ela disse.
— Primeiro, foi na sua casa. — ela dispara. — O jeito que vocês se olhavam tomando café, e nem disfarçavam. Segundo, quando estávamos no carro e você saiu para fechar a porta, seu pai apareceu bem na hora e te pegou, puxando você pelo pulso e dizendo algo no seu ouvido. Quer saber a terceira? — ela pergunta com uma cara preocupada.
— Quero, por favor. — falo com as mãos geladas.
— A terceira é óbvia, né? Vocês se comiam enquanto se olhavam pelo retrovisor, e depois com aquela ligação você pede para colocar no alto-falante, e ainda tem um ataque de pelanca, você simplesmente surtou. — ela diz perplexa.
Não posso acreditar que deixei transparecer tanto assim.
— Só cego não via, mulher. — ela fala. — E o seu silêncio confirma tudo.
Meu coração dispara com a afirmação da Mia. Não sei por que, mas os meus olhos se enchem de lágrimas. Ela me abraça novamente, e seu abraço é como um conforto, como um apoio para o que estou sentindo.
— Recusou o pedido de namoro do Benjamin devido ao seu pai, não foi? — Mia diz ainda me abraçando.
Com essas palavras, não me seguro, Mia se tornou uma amiga insubstituível e apenas a possibilidade de falar sobre isso com alguém já me assusta. Não imaginava falar sobre isso com outra pessoa que não fosse Joseph.
— Amber? — Mia faz com que eu a olhe. — Eu sou sua amiga e entendo perfeitamente se você não quiser falar sobre isso comigo. Eu vou entender…
— Estou apaixonada pelo meu pai. — desabafo.
— Ai, meu Deus, fudeu! — ela me abraça novamente.
Estou muito assustada. Tenho medo de ser repreendida, de ser julgada, de ser tachada como errada.
Olho nos olhos da Mia, eles estão cheios de lágrimas. Ela respira fundo e pergunta:
— Você está com medo de quê?
Fico confusa com sua pergunta.
— Acho que não entendi.
— Mulher, corre atrás. Eu vi o jeito que ele te olha, ele está caidinho por você. E se o título de pai e filha não impediu que vocês se apaixonassem, quem vai impedir que fiquem juntos?
— Ele, Mia. — falo. — Joseph ainda me vê como sua menina. E mesmo que ele sinta algo, ir além é um princípio inatingível.
— E você vai desistir? — ela aperta meus ombros.
— Não. Eu o amo, e ele sabe disso.
— Vou te fazer outra pergunta e vou falar rápido antes que eu perca a coragem. Vocês já transaram? — ela diz fechando os olhos.
— Claro que não! — respondo. — Ainda não.
— Passei a noite toda acordada pensando nisso, Amber. E se fosse você, tiraria as esperanças do Ben. Ele gosta de você, mulher.
— Você acredita que ele também percebeu algo? — pergunto envergonhada.
— Quer a verdade?
— Quero a verdade, Mia. Pode falar.
— Benjamin viu a maneira como seu pai te segurou.
— Diz que é mentira?! — desespero.
— Ele viu, amiga. E fechou os olhos bem na hora, olhando para o outro lado da rua. — ela me olha com pena. — E tem mais uma coisa.
Ela pega seu celular e abre um grupo da faculdade.
— Olha esse vídeo. — Mia me passa o celular.
Aperto o play. Estamos na festa de praia. No palco, estou com Ben quando ele me pede namoro. Quando finalmente falo NÃO, minha voz é distorcida para uma voz assustadora, e colocam uma imagem do palhaço It. A coisa no meu rosto. Como se não bastasse, um emoticon de lágrimas no rosto do Benjamin e um choro de bebê.
— O vídeo está na Internet e foi publicado hoje de manhã, com mais de 15 mil visualizações. — diz Mia. — Deve ser por isso que o Benjamin não apareceu na faculdade hoje, Amber. Sinto muito.
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Atualizado até capítulo 89
Comments
Maria Pinheiro
Quando ela descobriu que estava realmente apaixonada pelo Joseph tinha que ter se afastado do Ben , mas não!! preferiu usa-ló para fazer ciumes no Joseph agora assume que fez besteira e para com essa palhaçada de ficar chamando o Joseph de pai esse comportamento é ridículo ele não é seu pai nem biológico nem de criação por que não te criou .
2025-01-11
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Cristina Sousa
não se decide AFF fica de joguinhos
2024-12-18
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Conceição Freire
a mãe vem já pra levar kkkkk
2025-01-07
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