Acordo, e novamente ouvindo a Helena e o Joseph discutir. Quando eles me adotaram pareciam muito apaixonados.
Levanto da cama e ainda de pijama vou em direção a discussão. Eles estão no quarto de casal, discutindo sem parar. A porta entreaberta ajudou com que o barulho me acordasse. Chego meu rostinho bem perto da porta e vejo Helena apontando o dedo na cara do Jos, que está sentado na cama de cabeça baixa.
— Quais as suas prioridades? Nós nem conversamos, Joseph Brando. — ela aponta o dedo na direção do meu quarto. — Você chega tarde todos os dias e como se não bastasse, deixa a Amber dormir tarde também, a coitada mal consegue acordar para ir pro colégio.
Ela senta ao lado dele na cama e continua, dessa vez com o tom de voz mais baixo:
— Quando adotamos a Amber, você disse que daria um jeito de trabalhar menos, passou um ano e, o que eu vejo? Você trabalha mais ainda?
— Eu quero dar uma boa vida para vocês duas. — ele olha para Helena. — Você não vê isso? O único momento que eu tenho de paz é quando estou com a nossa filha.
Nesse momento ele levanta pega sua gravata e caminha até o espelho, colocando a gravata ele resmunga:
— Você não vê, né? Só sabe beber agora.
Com as palavras de Jos, Helena levanta furiosa da cama, mas me vê atrás da porta.
— Amber?! — ela grita assustada.
Jos também me vê e sem perder tempo corre na minha direção, me pega no colo e vai para a cozinha. Helena vem logo atrás ainda discutindo.
— Você pode parar com isso, por favor? Amber está escutando! — ele diz tapando meus ouvidos.
— Não é a primeira vez, Jos. — falo. — Vocês discutem por minha causa?
Helena aproxima, começa alisar meu cabelo e diz:
— Não, meu amor. A nossa discussão não é por sua causa.
— É sim, eu escutei meu nome. — falo indignada, eu já estava de saco cheio dessas discussões.
Joseph que me segura em seu colo também tenta me enganar:
— É minha culpa, Amber. Você não tem nada a ver com isso.
Helena tenta me pegar, mas eu agarro o pescoço do Joseph impedindo que ela me segure.
— Está vendo Joseph?! Ela só quer ficar com você, dorme só quando você chega! — Helena fala voltando para o quarto.
Quando mamãe já está fora da cozinha, Joseph me coloca sobre a mesa e diz:
-Olha, eu sei que você vai fazer 10 anos e é muito esperta. Mas esqueça isso, tá? — ele segura minha mão e implora. — Promete que vai esquecer?
— Por que vocês estão brigando tanto? — pergunto triste.
— Problemas de adulto, minha menina. — ele pisca para mim. — Te amo, nunca esqueça disso.
...(...)...
Ontem quando saí do colo e dos braços do meu pai, deitei na cama para dormir, e como sempre a insônia não deixou. Minha cabeça ficou a mil com tudo que ele contou, sobre filhos que sempre quis ter e sobre a ex-esposa que estava grávida. Aquilo me perturbou a madrugada inteira. Por conta disso, acabei lembrando de um momento de discussão dos dois. Eles começaram a discutir muito e minha mãe a beber. O convívio dos dois estava cada vez menos suportável.
Olho para o relógio de parede, 8 horas da manhã de domingo. Mia deve tá prestes a chegar. Tomo um banho e coloco uma roupa fresca, já que Benjamin disse ser uma casa de praia.
Desço até a cozinha e começo a fazer o café, Joseph ainda deve tá dormindo. Ele trabalha muito, por isso decidi não acordá-lo. Se eu não tivesse que sair, provavelmente estaria no décimo sono agora.
Faço o típico café da manhã dos americanos, panqueca, ovos mexidos, Bacon frito e claro, o café matinal.
Alguns minutos depois, Mia manda mensagem dizendo que está na porta.
— Mulher, que mansão é essa? — ela diz observando cada detalhe da casa. — Se eu morasse aqui, nunca mais sairia de casa. Só me deixar com comida e Wi-Fi, já era.
— Concordo com você. — falo guiando Mia até a cozinha. — Quando cheguei minha reação foi a mesma que a sua.
— Cadê o boss dessa porra toda? — ela cochicha.
— Dormindo.
Mia debruça sobre o balcão da cozinha enquanto sirvo o café para ela e fala:
— E essa festa na praia, hein?
— Amigo do Ben. Eu disse que só iria se você fosse.
— E você sabe que estou indo só por você, né? Os amigos do Benjamin são um pouco…
— Pouco o quê? — pergunto curiosa.
— Eles são riquinhos, metido a besta. — ela fala e toma um gole do café. — Não sei se é uma boa ideia nós irmos.
— De jeito nenhum, não vem dar para trás! — falo e também tomo o meu café.
Nesse momento Joseph aponta lá em cima nas escadas e começa a descer. Ela me olha e ajeita a postura.
— Olha quem já acordou e não me chamou pro café! — ele fala indo em direção a Mia e estende as mãos.
— Bom dia!
— Bom dia, senhor Joseph. — ela sorri.
— Bom dia, minha menina. — sua voz é doce.
— Bom dia, pai.
Ele deixa um beijo na minha cabeça, isso me dá uma raivinha, mas logo passa. Beijo na cabeça, que merda é essa?
Joseph vai em direção a mesa para ver o que eu preparei. Meus olhos acompanham cada passo seu e reparo sua vestimenta. Jeans, camiseta branca bem colada no corpo que desenha perfeitamente seu peito e o seu abdômen. Cabelos úmidos jogados para trás e um cheiro de loção pós barba. Mia me olha e sorri, esse sorriso quer dizer algo, só não sei o quê.
— Foi você quem fez? — ele me olha e aponta para mesa.
— Claro, por quê?
— O cheiro está ótimo. — ele sorri, fazendo meu coração derreter.
— Vai sair? — pergunto servindo o café para Joseph.
— Mais tarde, Amber. — ele me olha desconfiado. — Por quê?
Meu sangue já ferve ao imaginar ele se encontrando com a Katarina. Deixo Joseph sem resposta e chamo Mia para sentar a mesa conosco.
— Você é a Mia, então?
— Mia Velázquez. — ela responde puxando a cadeira para sentar.
— Nome bonito, Mia. — ele alterna seu olhar, em mim depois para Mia.
— Obrigada. — ela responde um pouco tímida.
Agora pronto!
— Mia, você conhece esse garoto o… — ele estala o dedo tentando lembrar o nome.
— Benjamin. — falo.
— Isso! Benjamin.
— Não muito! Ele faz arquitetura, mas não somos amigos, conversamos pela Amber.
— Entendi. — ele volta a comer, cortando um pedaço da panqueca.
Tomamos o café em silêncio, Mia não para de me olhar. Quando terminamos, Joseph sobe para o quarto e Mia me ajuda com os pratos.
— Amber, eu não queria falar nada não, mas não consigo guardar para mim.
— Pode falar! — sorrio, porque já sei o que ela vai dizer.
— Seu pai é modelo? — ela segura meu ombro.
Trocamos um sorriso safado e ela continua:
— Faz um perfil para ele no OnlyFans.
— Tá louca?! — olho assustada para ela.
Enquanto arrumo a bagunça da cozinha falamos sobre a faculdade de Arquitetura e sobre essa festa na praia. Mia não gosta dos amigos do Benjamin, já eu, nunca parei para reparar neles. Mesmo assim, defendo os meninos. Se é amigo do Ben, então são pessoas legais, certo? Minutos depois meu celular toca indicando mensagem do Ben.
📱— Gata, cheguei! Vem, preciso te beijar. 😘
Abro a mensagem e Mia que está muito próxima também lê.
— Ai, que melação. — ela brinca.
Aproveito que estou com o celular na mão, saio de perto da Mia para ligar pro Joseph descer. Ele atende e não espera que eu fale.
— Você lembra do que eu disse ontem?
— Você disse muitas coisas, pai. — falo provocando.
— Vai brincar agora? — ele parece meio bravo, sua voz é séria. — Se aquele moleque te tocar eu acabo com ele.
Não consigo deixar de sorrir. Saber que ele está com ciúmes aquece meu coração.
— Então vem dizer isso para ele. — desligo o celular.
Pego uma pequena mala com algumas roupas e coisas básicas que coloquei para passar ao longo do dia e abro a porta. Lá fora está Benjamin, regata preta e calça jeans azul de braços cruzados conversando com um cara, que também está ao lado dele escorado no carro. O garoto é bonito, loiro, alto e usa camiseta azul e bermuda jeans. Ao ver eu e Mia, Ben sorri. O garoto observa enquanto ele vem nos ajudar.
— A gente vai mudar ou ficar só algumas horas lá? — ele abre um sorriso brincalhão.
O garoto loiro caminha até a Mia para ajudá-la.
— Gata, esse é o Marcus um dos amigos meus, Marcus, minha gata, Amber.
Marcus me cumprimenta com um beijo no rosto:
— Pode crer, a menina nova da faculdade, né?
Afirmo que sim com a cabeça e Ben apresenta Mia para ele. Colocamos tudo no carro do Benjamin e volto para trancar a porta, quando Joseph aparece bem na minha frente.
Ele segura o meu pulso e puxa o meu corpo para o dele, fazendo assim, ficarmos bem próximos. Levanto a minha cabeça para olhar nos seus olhos. Ele não diz nada, apenas me encara. Olho para trás e observo os três conversando distraído no carro.
— O que foi? — pergunto.
Ele encosta a boca no meu ouvido e afirma:
— Você me desafiou.
Ele me solta e anda em direção ao carro do Ben. Droga! Seguro o braço do Joseph impedindo ele de continuar, ele para e me olha.
— Vem aqui. — puxo ele para dentro e fecho a porta. — O que você vai fazer?
— Promete para mim que você vai se cuidar. — ele segura meu rosto, visivelmente preocupado.
— Eu prometo, pai. — falo e dou um selinho muito rápido nos lábios do Joseph.
Saio antes que ele apresente qualquer reação, estou com um sorriso gigante no rosto.
Entro no carro, quando Benjamin liga o motor, ele dá duas batidas no vidro do motorista. Ben desce o vidro. Joseph olha nos olhos de cada um no carro, gravando cada rosto que ali está e direciona a voz pro Ben, que engole seco diante de tanta imponência. Joseph está sério, e sua voz não é amigável.
Está vendo essas duas garotas? — Joseph aponta o dedo para Mia, que está sentada atrás com Marcus, e depois para mim, que estou no passageiro. — Eu mato os dois, se algo acontecer com elas.
— Joseph, né? Ben pergunta. — Prometo que nada vai acontecer com elas.
Joseph fuzila Benjamin por alguns segundos e bate no vidro novamente indicando que acabou a conversa. Benjamin acelera o carro.
— Eu acho que o seu pai não gosta de mim. — ele diz olhando o retrovisor.
— Eu também acho. — confirmo sorrindo.
Benjamin também sorri e me olha:
— Sabia que não seria fácil.
Marcus e Mia continuam calados. Benjamin disse que a viagem seria de aproximadamente uma hora e meia até a casa da praia. Nesse meio tempo ligamos e som, nós quatro conversamos bastante.
— Aí, Amber. O que fez pro Benjamin? — Marcus continua. — O cara tá caidinho por você.
Benjamin lança um olhar reprovativo pelo retrovisor, mas não diz uma palavra.
— Qual o nome desse chá, hein? — Marcus da gargalhada.
— Puta que pariu, Marcus. Começou cedo hoje! — fala Benjamin com os olhos na estrada.
O clima tenso passa rápido, Mia e Marcus conversam como se fossem melhores amigos, enquanto percebo Benjamin um pouco calado. A viagem de uma hora e meia passa super-rápido. Saímos do asfalto e entramos numa estrada de terra.
Ao longe consigo ver a grande casa na praia. Branca, majestosa com várias árvores e coqueiros ao redor. Carros já estão estacionados. Benjamin acaricia minha perna indicando que estamos chegando. Conforme ele aproxima da casa, um gigantesco mar azul, lindo. Ao horizonte só se pode ver água e mais água. A casa é completamente isolada da civilização.
Lanchas estacionadas na areia da praia.
— Chegamos tarde. — Benjamin diz ao ver o pessoal bebendo e dançando.
— A faculdade toda está aqui? Mia pergunta assustada.
— Praticamente isso. — Marcus responde.
Benjamin estaciona o carro e começo a reparar na extravagância dessa festa. Uma grande piscina instalada bem ao lado da casa com algumas pessoas já nadando, meninas de biquíni e garotos de bermuda, alguns usando apenas sunga. Um palco com DJ e muita bebida, muitíssimo mesmo. Só vi cenas assim em filmes besteirol. Parece que estou em um filme do American Pie.
— Onde você me enfiou? — Mia me puxa de lado e cochicha.
— Eu não sabia que seria uma festa de fraternidade. — falo brincando.
-Tá zoando? Eu adorei! — ela bate palmas acompanhando o ritmo da música.
Enquanto Marcus corre para cumprimentar os amigos. Benjamin aproxima de nós duas.
— É o seguinte, não pega bebida de ninguém, isso é para vocês duas. — ele diz sério.
Uma festa como essa com certeza deve rolar drogas. Eu não sabia que Benjamin frequentava festas desse tipo. Nós aproximamos do balcão com duas Barmaid, elas preparam coquetéis e drinks. Mia não perde tempo e fala para as moças prepararem 2 coquitéis, Sex on the beach. Eu nunca bebi essas coisas, então pergunto o que vai nessa bebida e Benjamin responde:
— Vodka, Licor de pêssego, Suco de laranja, Xarope de groselha e Gelo.
— Pode ser. — falo para a moça dos drinks.
— Então prepara três. — Benjamin diz.
Pegamos as bebidas e Benjamin nos leva para dentro da casa. Uma casa feita toda de madeira. A parte de dentro da casa, os móveis, tudo rústico, os tapetes fazem imitações de pele de animal.
— De quem é essa casa? — pergunto.
— Mãe de um amigo meu. — Benjamin responde jogando um braço sobro os meus ombros.
Ben nos deixa em um quarto para trocarmos de roupa, vestimos nossos biquínis e guardamos nossas coisas.
— Não sai de perto de mim. — diz Mia, completamente animada.
Arrumei uma amiga pinguça, legal! Benjamin retorna usando apenas uma bermuda tactel. Meus olhos não deixam de notar o seu corpo bem malhado.
De volta a área externa da casa, aproximam 3 garotos para cumprimentar Ben.
— E aí, cara!
— Você demorou.
— E aquele negócio lá, mano.
— Pode ser agora? Ben diz segurando minha mão.
— Claro, já tá pronto! — o amigo diz e aponta pro palco.
Ele nos apresenta pros amigos e caminhamos até o palco com o DJ. Eu realmente não sei o que ele pretende fazer no palco. Benjamin sobe e conversa com o DJ que para a música, todos gritam, ele pega um violão e na mesma hora que começa a tocar, percebo que é a música do Ed Sheeran - Perfect. O pessoal começa a gritar e o coro começa. Benjamin toca muito bem, eu estou completamente impressionada. Até Mia canta junto. Essa música é linda, e a letra mais ainda. Conforme ele chega no refrão o coro aumenta. Mas quando Benjamin me olha, a minha ficha cai. Eu coloco as mãos nos olhos e peço a Deus que não seja o que estou pensando.
— Não me pede em namoro, não me pede em namoro, não me pede em namoro. — eu penso.
— Amber, sobe aqui.
Merda! Meu sangue gela quando o pessoal grita animado. Eu odeio surpresas, ainda mais quando tem uma multidão de pessoas bêbadas me olhando. Mas não posso negar, ele toca muito bem e foi lindo vê-lo fazer isso.
— Pra quem não conhece, essa é Amber, minha gata. — ele fala o pessoal grita.
Acredito que estou ficando pálida, mesmo assim dou o meu melhor sorriso. Mia está lá embaixo e não para de assoviar com o pessoal.
— Queria pedir apenas 1 minuto da atenção de vocês. — Benjamin levanta a mão. Parabéns pro meu amigo ali, aniversariante dessa festa, pica.
Todos riem e aplaudem, o aniversariante lá atrás assovia. Ele está abraçando 2 meninas ao mesmo tempo, por sinal. Ben solta o violão na cadeira e pega minha mão e dá um beijo:
— Namora comigo, gata? — ele me olha.
Minhas pernas ficam bambas…
O pessoal grita, mas quando percebe meu silêncio todos se calam. Engulo seco, e mesmo achando tudo perfeito o que ele fez, eu respondo:
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Atualizado até capítulo 89
Comments
Cibele Wan Der Maas Moreira
o Ben não merece ser usado assim
2025-03-02
0
Josy Lene
Eu fingia desmaio
2025-01-31
1
Josy Lene
Aí é loucura
2025-01-31
0