–Lolla, acorda. –Chamo a loira adormecida no banco do meu carro.
Ela nem se move, tão linda e serena, dormindo como um anjo, a pele branca lisa e bem cuidada, os cílios longos quase tocando as maçãs do rosto, lábios cheios e de formato perfeito e eu adoraria beija-los.
–"Desperta, cariño". –Sussurro na língua dela e prendo uma mecha de cabelo atrás de sua orelha.
Ela se agita e geme algo ininteligível. Droga, pelo jeito terei que carregar a garota até seu apartamento. O problema é que não sei o andar e nem o número.
Pego Lolla no colo e caminho com ela até a portaria, por sorte o porteiro sabe me indicar onde ela mora, subimos de elevador e enquanto aguardo para chegar ao sexto andar, não resisto ao impulso de beija-la, planto um beijo leve em seus lábios macios, desejando que ela estivesse lúcida o suficiente para eu fazer bem mais que isso.
–Você me beijou, Caille? –Pergunta sonolenta.
–Beijei. –Respondo.
–Eu gostei. –Ela sorri sem abrir os olhos.
–Eu também.
Saímos do elevador e caminho com a leve e pequena adormecida sobre meus braços, ao chegar ao número do apartamento, aciono a campainha e espero ser atendido... Dois minutos e nada. Toco mais uma vez e aguardo de novo, mais dois minutos e nada.
–Porrä! –Murmuro, já considerando levar a garota para minha casa.
–Debaixo do vaso de flores. –Lolla murmura.
Como é que, em nome de Deus, eu vou me abaixar com essa garota no colo? Consigo de alguma forma realizar esse feito e pego a chave debaixo do vaso ao lado da porta, destranco com alguma dificuldade e entro.
–Quem é você? –Um rapaz me encara assustado. –O que fez com minha irmã?
–Cara, se estava aqui o tempo todo, por que não abriu a porta? –Resmungo.
–Porque minha irmã tem a chave e só ela entra aqui, nós nunca recebemos visitas, especialmente esse horário. Mas, que porrä está acontecendo?
–Ela está bem, só está bêbada. –Respondo. –Onde é o quarto dela?
–Você não vai entrar no quarto dela, nem sei quem você é!
–Está bem, então vou deixá-la no chão da cozinha, você quem decide. –Perco a paciência.
–"Mierda"! É naquela porta. –Ele aponta para uma porta branca à esquerda.
Me deparo com um quarto bem feminino, paredes coloridas, luzes de neon ao redor da cabeceira da cama, pôsteres de cantoras como Madonna, Tina Turner, Cindy Lauper, que bom gosto a mocinha tem. Ao lado do guarda roupas de madeira, uma penteadeira com perfumes, esmaltes e maquiagens. Uma pequena estante de livros, em sua maioria sobre medicina... Então ela estuda...
Coloco a garota na cama e tiro seus sapatos, fico indeciso entre tirar ou não o vestido, parece tão justo e desconfortável. Fodä-se! Abro o zíper e desço as finas alças do vestido, revelando seios nus e fartos, continuo descendo até os quadris, uma calcinha rosa cheia de corações que nada tem a ver com o vestido e maquiagem, isso é tão inesperado, mas eu gosto. Depois de deixá-la seminua, a cubro com seu edredom azul claro com desenho de nuvens brancas.
Tomo a liberdade de olhar seus pertences, sem toca-los, apenas observo... Cadernos e mais cadernos, estojos coloridos, algumas roupas jogadas numa cadeira, um espelho grande e bonito, tudo bem cuidado e limpo.
–Demorou, o que estava fazendo? –O irmão me pergunta assim que saio do quarto e fecho a porta.
–Você devia ser pelo menos um pouco grato, sabia? –Me aproximo com as mãos nos bolsos. –Se não fosse por mim, sabe-se lá o que teria acontecido com a garota. –Paro bem de frente ao rapaz sentado no sofá, com uma grade na perna esquerda.
–Não entendo... Minha irmã sempre foi responsável, nunca a vi tomar mais do que uma cerveja.
–Acho que ela está aborrecida por um certo irmão ter se metido em encrencas. –Provoco.
–Isso não é da sua conta. –Responde bravo. –Eu vou resolver tudo.
–Não esquenta, rapaz. –Sorrio irônico. –Eu já resolvi.
Pego minha blusa, que antes cobria a garota e saio, puto da vida com o irmão folgado e causador de todo o estresse. Nem me agradeceu, nem sequer um "que bom que a trouxe em segurança"... Eu cresci nas ruas, sei o quanto é perigoso, principalmente para as mulheres.
Dentro do carro, dirigindo para minha casa, meus pensamentos correm até a garota, tão engraçada, solta e leve quando estava bêbada e extremamente malcriada sóbria, eu não posso lidar com isso, não tenho muita paciência para gente mal educada, o irmão também é, então talvez seja de família. Uma pena, já que a garota é linda e gostosa, eu passaria horas e horas me perdendo naquele corpo... Mas, ao contrário disso e embora eu relute internamente, o melhor é me afastar de vez e esquecê-la. Não quero lutar pela estima de alguém que nem sei se vale a pena. Beleza não é tudo, mesmo que se trate da beleza inigualável daquela sereia cantora.
Já no meu apartamento, me jogo na cama frustrado, esse não é o desfecho que eu esperava pra essa noite. Confesso que no fundo eu esperava trazer a loira para minha cama, mas me conforta o fato de tê-la ajudado. Agora me resta esquecer... Talvez elaborar um contrato de casamento me faça ocupar a cabeça, meu advogado me ajudará com isso e posso pedir que alguém, em sigilo, escolha candidatas para entrevistas, assim como em um emprego. É a ideia mais insana que já me passou pela cabeça, mas se Tyler comprou sua esposa das mãos de um chefe mafioso e tem um dos casamentos mais felizes que já conheci, talvez um contrato de casamento também funcione pra mim, são coisas parecidas, não são? É, eu acho que sim...
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Atualizado até capítulo 42
Comments
Fabi Ribeiro
Misericórdia já tô ansiosa pelo próximo capítulo
2023-04-27
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