Irresponsável

Aguardo impaciente o retorno da garota, banheiros de boates são verdadeiros prostíbulos e considerando que os efeitos do álcool só tendem a piorar, ela pode cair nas mãos de qualquer um.

–Ei, é Eddie, não é? –Chamo o barman.

–Sim. O que deseja, senhor?

–Whisky, puro e sem gelo. –Minha impaciência está me matando.

Eddie serve meu copo e eu me viro para o salão, apreciando minha bebida enquanto espero Lolla voltar. Algumas mulheres acenam para mim e me chamam para a pista de dança e eu só levanto meu copo em resposta.

–Voltei! –Lolla chega, sorrindo largamente.

–E então? –Pergunto enquanto ela se senta ao meu lado.

–Eddie! –A loira grita e levanta o copo, o barman enche mais uma vez. –Sobre meu dia ruim... Eu tenho um "hermano", somos muito amigos e inseparáveis, ele me protege em tudo, mas também é um tremendo idiota. –Ela ri, alterada pela bebida. –Agora por causa dele eu tenho uma dívida de cerca de sete mil dólares.

–Sete mil dólares? Como isso aconteceu? –Me divirto internamente com as expressões dela.

–Ele bateu o carro, o único carro que a gente tem e estragou todo o carro do outro homem. –Vira mais um copo. –Depois tiveram as despesas médicas e isso que nem estou contando com o valor do nosso carro ainda. Nem vi o tamanho do estrago. –Ela vira outro copo. –Eddie! "Andale". –Ela grita em sua própria lingua.

–Acho que você já bebeu demais por hoje, senhorita. –Tomo o copo da mão dela.

–Mas, como você é chato. –Revira os olhos exageradamente.–Sabia que é a primeira vez que eu fico bêba... bêbada! "Una mujer borracha". –Levanta o braço e ri dela mesma.

A mocinha não sabe que também falo espanhol e acabo rindo, porque mulheres bêbadas são tão engraçadas? De fato ela deve estar muito incomodada com todos os problemas e dívidas, decidiu até tomar um porre por causa disso.

–Quantos anos têm, Lolla? –Pergunto.

–Eu tenho vinte. E você?

–Vinte e nove. –Respondo. Tão nova... –Como você pretende ir pra casa?

–Eu vou de táxi, Uber... Posso me cuidar sozinha. –Ela pisca os olhos com força.

–Está ficando tonta? –Me levanto preocupado.

–Um pouco.

–Venha, vamos tomar um ar lá fora.

Seguro a cintura dela e a ajudo a descer do banco, Lolla até tenta me afastar mas está vencida pelos nove copos de bebida. Guio-a por entre as pessoas até às portas de saída, ao lado de fora da boate, encosto a garota na parede e me afasto ligeiramente para que ela possa respirar e sentir a brisa da noite.

–Desculpa. –Os olhos azuis encontram os meus. –Eu não sou desse jeito, mas estou com tanta raiva. Eu nunca vou ter como pagar por tudo isso e só tenho sete dias pra arrumar todo esse dinheiro. –Cambaleia.

–Eu posso te ajudar, se quiser. –Sete mil reais não fariam nem cócegas na minha conta bancária. –Quais os seus dados bancários?

–Não, "yo no puedo"... Eu não posso aceitar.

–Só me diga logo seus dados bancários, moça. –Resmungo impaciente.

Lolla me passa os dados e eu transfiro quinze mil dólares para a conta dela, pelo menos com esse valor ela conseguirá arcar com tudo. A menina me passou os dados tão atordoada pela bebida que desconfio que ela nem imagina o que eu fiz.

–Está melhor? –Pergunto.

–Não, está tudo girando. Gira, gira, gira... –Ela ri e eu seguro para não rir também.

–Tome, vista isso. –Entrego meu casaco para a loira que treme de frio. –Vou te levar para casa, qual o seu endereço?

–Eu posso pegar um táxi.

Mal termina de falar e a garota corre até uma lixeira próxima e coloca tudo pra fora, um vômito glorioso. Caminho até ela e seguro os cabelos no topo da cabeça, afago as costas suavemente para trazer um pouco de alívio.

–Já passou? Está melhor? –Examino o rosto dela quando se levanta.

–Não, eu estou um caco. –Leva a mão no estômago.

–Venha.

Conduzo Lolla até meu carro no estacionamento e a ajudo a entrar, ela se senta encolhida no banco do carona e fecha os olhos.

–Seu endereço. –Peço assim que entro no carro.

A mocinha diz o endereço de forma bem enrolada, mas consigo entender, coloco no GPS, serão cerca de meia hora de viagem e eu torço mentalmente para que ela não vomite no meu carro. O perfume de Lolla inunda o carro misturado ao cheiro de bebida, o perfume é doce e provavelmente barato. Essa garota tão linda deveria usar os perfumes mais caros e as melhores roupas.

–Não me olhe assim. –Ela me flagra encarando-a.

–Assim como? –Volto a olhar para a estrada.

–Com pena. –Se encolhe ainda mais.

–Não estou com pena de você, não hoje... Amanhã estarei, porque com certeza vai ter a maior ressaca. –Brinco. –Por que bebeu tanto?

–Eu queria ser irresponsável pelo menos uma vez na vida.

–Atingiu o objetivo com maestria. –Provoco.

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Comments

Priscila andrade

Priscila andrade

tô amando a história autora

2023-05-30

4

Fabi Ribeiro

Fabi Ribeiro

Caille, acho que tô me apaixonando por vc 🤭

2023-04-27

2

Bruna Carolina

Bruna Carolina

Caille você é um fofo!!!

2023-04-27

1

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