Confusões

Lolla

Domingos são os meus dias preferidos, eu sempre aproveito para descansar ou adiantar trabalhos da faculdade, mas principalmente me cuidar, fazer as unhas, hidratar o cabelo, e todas as outras coisas das quais nós mulheres amamos. O único horário em que tenho que sair de casa é para ir cantar na Rainbow, o que nem é tão ruim considerando que depois de hoje só retorno para lá na quarta feira.

–Alô? –Atendo ao celular, número desconhecido.

–Senhorita Moe? –A voz de uma mulher surge.

–Sim, quem gostaria?

–Aqui é do hospital Saint Louis, entramos em contato para informar que seu irmão sofreu um acidente de carro, precisamos que a senhora compareça até a unidade.

–Acidente? "Dios mío"! Ele está bem? –O desespero toma conta.

–Agora está senhora, mas é melhor conversarmos quando chegar aqui.

Droga, Hector! Ele saiu há menos de uma hora para fazer compras no supermercado e já conseguiu se meter em confusão. Troco de roupa correndo e pego um táxi até o hospital, já que só temos um carro, se é que ainda temos... Deus, que esteja tudo bem com "mi hermano"!

Chego ao hospital e desço correndo, na recepção informo ser irmã do paciente Hector Flores Moe e me mandam aguardar enquanto chamam o doutor.

–Com licença! –Um homem toca meu ombro.

–Sim? –Me viro para encará-lo.

–Você é irmã do rapaz do acidente?

–Exatamente. –Respondo sem entender o que ele tem a ver com isso.

–Quero saber como é que vai ficar o conserto do meu carro. –Ele me olha de cima a baixo. –Ele que bateu em mim e o prejuízo foi grande, cabe à vocês pagar! –Diz alterado.

–Sinto muito, senhor. Mas ainda nem sei como meu irmão está. Podemos falar sobre isso depois? –Tento manter a calma.

–Não! Espero que não seja necessário chamar a polícia. –Ele ameaça.

–Não, tudo bem! Olha, eu vou dar um jeito, só me dê alguns dias. –Imploro.

–Me dê seu telefone, terá uma semana e depois eu entrarei em contato.

Digo meu número de telefone totalmente vencida, não tenho como pagar pelo prejuízo e ainda nem analisamos pra saber de quanto se trata, mas sei que se a polícia for envolvida Hector estará muito encrencado, a polícia americana é muito preconceituosa com imigrantes.

-Senhorita Moe? Sou o doutor Petter. –Um doutor se aproxima e me estende a mão em cumprimento.

–Prazer, doutor. Como está meu irmão?

–Ele está bem, teve múltiplas faturas femurais e foi necessário uma cirurgia de correção, inserção de pinos e fixador externo, vai demorar para recuperar, mas vai ficar bem. O paciente também sofreu algumas contusões e hematomas, mas nada grave. Pode levá-lo pra casa.

–Claro, obrigada doutor.

–Disponha. Quarto 206. –O doutor sai.

–Senhorita Moe, precisamos falar sobre os gastos médicos antes da senhora subir para buscar seu irmão. –A recepcionista me chama.

–E de quanto estamos falando?

–Com todos os custos incluindo os cirúrgicos, cerca de quatro mil dólares.

–Dios mío! E como posso efetuar o pagamento? Eu não tenho dinheiro agora.

–Pode ser por cartão de crédito. Só que nós não parcelamos. Ou podemos emitir um boleto com prazo de sete dias para pagamento. –Ela responde toda simpática.

–Okay, emita um boleto, por gentileza. –Como é que vou pagar por isto?

Entro no quarto de Hector que me olha com pesar, sinto pena ao vê-lo com esta grade horrível presa à perna, mas estou desesperada com o fato de termos que pagar pelo carro do outro rapaz, as despesas médicas e isso sem contar com o nosso carro, que não quero nem saber o estado em que está.

–"Pequeña". Me desculpe. –Hector lamenta.

–Você está bem?

–Estou. Me deram muitos analgésicos, não estou sentindo dor.

–Então vamos pra casa, não quero falar disso por enquanto. –Respondo.

Ajudo Hector a se levantar, ele pega as muletas e já fora do hospital chamo um táxi, no caminho para casa evito à todo custo sentir raiva do meu irmão, mas ele sempre é tão imprudente no trânsito, não é a primeira vez que ele se mete em confusões desse tipo e certamente não será a última.

–Eloísa, não pode ficar sem falar comigo, você é minha irmãzinha.

–Então me diga, Hector... Me diga que a culpa desse acidente não foi sua! –Fuzilo com o olhar.

–Não posso... –Ele vira o rosto, fugindo dos meu olhos. –Eu estava em alta velocidade e o cara da frente parou para um pedestre, não consegui frear à tempo. –Confessa.

–O que importa agora? Já foi. Temos que arrumar uma forma de pagar os prejuízos. –Suspiro exasperada.

–Me desculpe, "hermana".

Chegamos em casa e eu corro pro meu quarto. Que ódio Hector, que ódio! Sempre cuidou tão bem de mim e sempre tão responsável, mas essa mania de dirigir como se fosse o dono do mundo sempre nos traz prejuízos. Como, meu Deus do céu, eu vou pagar por todos esses prejuízos?

Meu celular apita e vejo uma mensagem de um número desconhecido: "Senhorita, este é o valor calculado do prejuízo do meu carro $3.480,00. Aguardo seu contato para o pagamento."

"Por Díos", Hector! Se não fosse o fato dele estar machucado eu com certeza daria uns bons tapas nele. Mas deixe estar, agora mais do que nunca preciso trabalhar naquela maldita boate. Hora de me arrumar para ir, já que terei que ir de táxi. Droga!

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Comments

Dilma Bandeira de Jesus

Dilma Bandeira de Jesus

Será que temos um contrato pela frente

2025-04-01

0

corrinha

corrinha

acidente estranho só um se machuca e o outro nem um arranhão

2024-01-21

4

Fabi Ribeiro

Fabi Ribeiro

Vixe deu ruim, agora como ela vai pagar tudo isso???🤔

2023-04-26

2

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