O comandante do centro de investigações, não sabia exatamente o que era, mas pressentia alguma coisa. Alguns diziam que ele era esquisito, mas confiava muito em seus instintos. Ele sentia um arrepio na nuca, como se alguém o estivesse olhando, insistentemente e isso sempre o alertou de algum perigo.
Naquela noite, especificamente, ele colocou um segurança na entrada e dois nos fundos, próximo aos cabos de rede, ligados ao servidor que mantinha os computadores. Era de suma importância que tudo se mantivesse perfeitamente em ordem, ou sua operação iria por água abaixo e não podia perder tanto tempo de investigação por um descuido.
Quando foi de madrugada, ele não aguentou, saiu de seu apartamento e foi para o trabalho novamente. Não chegou, diretamente, no galpão que alugaram para este fim e ficava próximo às docas, mas, vestido de preto, foi se aproximando aos poucos, se ocultando nas sombras e atrás de contêineres e guinchos estacionados.
Ficou mais de uma hora vigiando e já estava começando a achar que era cisma de sua cabeça, quando viu uma sombra pulando pelo teto dos outros prédios.
— Malditos praticantes de parkour! Estes traceurs pulam pela cidade como se fossem chimpanzés.
Mas aquele chimpanzé, especificamente, foi parar exatamente sobre o galpão onde era o centro de investigações e ele, imediatamente, acionou sua segurança para conter o indivíduo. Não sabia se ele era um invasor ou apenas um traceur da madrugada.
Ouviu, de onde estava, uma confusão de sons e percebeu que aquele, era só uma distração, pois outro se aproximou pelo outro lado, pelo chão e foi justamente para a instalação ligada ao seu servidor de internet. Correu e nem mirou, foi atirando, mais para espantar do que para ferir e deu resultado. Mas o invasor tinha conseguido cortar um fio importante do cabo.
Ligou para seu provedor e entrou para ver os estragos.
— Então, no que deu? — perguntou ao funcionário de plantão.
— Não fez muito estrago, a memória ficou intacta, mas a rede está muito fraca e por pouco não queima o PC, pois também cortaram a energia, a sorte é que o gerador entrou em funcionamento rápido.
— Foi um ataque físico, direcionado ao nosso servidor, será que atacaram também, ciberneticamente?
— Que eu visse, não? Quem sabe o que fazemos aqui?
— Nós e nossos agentes, que além de Jordan, só tem Clive, que está em Moscou.
— Sei não, muito estranho esse ataque, do nada, justo quando estamos prestes a dar o mais importante passo em nossa investigação.
Jordan entrou rapidamente, preocupado e foi logo perguntando:
— O que aconteceu?
— Fomos atacados fisicamente, em nossos provedores de energia e de rede.
— Nos cabos?
— Sim, mas não conseguiram levar adiante por que eu os espantei. Você tinha visto, Jeffrey?
— Não, senhor, o senhor avisou bem na hora que ele passou pela janela e pulou aqui dentro, mas acendi a luz e ele correu até a caixa de energia e não sei o que fez, mas cortou a luz. Eu estava muito longe e ele parecia um ninja.
— Um chimpanzé, você quer dizer? Veio pulando pelos telhados.
— O que você fazia aqui, "James "?
— Você me conhece, não perdi o faro de espião.
Eles riram, Jordan sabia do sexto sentido do chefe, que um dia foi um grande agente de campo, até ser ferido na perna.
— Vão demorar a consertar?
— Não, já devem estar chegando. — respondeu Jeffrey.
— Ok, então, vou esperar com vocês.
— Vá descansar, eles não devem voltar mais, hoje e amanhã você tem uma longa viagem para fazer.
— É verdade, preparou o apartamento de Moscou?
— Está tudo certo. Também soube que estão organizando um jantar para Giovanna e você não escapa, dessa vez. Só vê se não dá mancada.
— Tá pondo muito pouca fé em mim, por quê isso agora?
— Pela maneira que você tem tratado sua esposa, tá parecendo um mafioso.
— Nem vem, ela foi treinada pra isso, ademais, o que posso fazer com ela?
*
— Você tá ouvindo isso, chefinha? — perguntou Jeff, que ouvia em outro computador, em seu esconderijo.
— Estou, será que me enganei esse tempo todo?
— Não deu para concluir o serviço, só atrasará um pouco, agora é com você. Chefinha?
— Oi…
— Desculpa, aê, não foi só você que se enganou com ele, nós também. Ele sempre ia para o estaleiro ou para esse galpão, só não sabíamos que era uma fachada. Precisava ver as aparelhagens que tinham lá dentro, coisa de espião.
— Eu já imaginava que seria algo assim, pois segui seu rastro de IP desde lá de Moscou, a um ano atrás e não podia ser outra coisa. Mas pensei que era um dos inimigos de meu pai. Agora não sei quem é.
— Parece uma agência do governo, mas não dá pra ter certeza.
— Ok, Jeff. Bom serviço, agradeça as meninas. Bom descanso.
— Até amanhã, chefinha. — desligaram a comunicação.
— Ele é um espião? — perguntou o Charlie, encostado no batente da porta de braços cruzados.
— Tudo indica que sim ou pode ser um dos abutres que quer o cargo do meu pai. Porque está acordado, Charlie?
— Ele está na portaria, pedindo para entrar.
— Veio rápido, ele deve ter um veículo bem ligeiro.
— Uma moto.
— Tá, manda entrar, eu já vou sair daqui e me deitar. Boa noite.
Saíram dali e ela fechou tudo, indo para seu quarto, rapidamente, para que ele não percebesse que ela estava acordada.
Jordan entrou no apartamento e seguiu para o que seria o quarto principal, abriu a porta e não encontrou Gina lá, foi de porta em porta até achá-la deitada em uma imensa cama, entre lençóis e travesseiros. Despiu-se e deitou-se, passando o braço sobre o corpo dela, deitado de lado.
— Unhmmm — resmungou ela.
— Dorme, sou eu. — sussurrou ele, acalmando-a e ela se aquietou.
Dormiram de "conchinha", até serem acordados por Charlie, avisando que o corpo foi liberado. Ela sentou-se na cama e olhou para ele, que virou-se de costas na cama, encarando-a.
— Bom dia. — disse ele.
— Bom dia. — respondeu ela e foi para o banheiro, resolvendo não criar encrenca por ele estar ali e indo se arrumar para a viagem.
Ele se levantou, rapidamente, vestiu-se e correu ao seu apartamento para pegar a mala que deixou arrumada no dia anterior. Voltou, Charlie o deixou entrar e ele correu para o banheiro, na tentativa de pegar Gina ainda no chuveiro.
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Atualizado até capítulo 60
Comments
Andressa Teixeira de Souza
o nome devia ser Dormindo com o Inimigo
2024-06-13
8
Celia Chagas
Kkkkk eles são espiões fichinha na frente dela 😁😁
2024-05-07
1
Márcia Jungken
o otário do Jordam nem imagina que foi Gina que atacou o galpão
2024-01-01
1