— Gina? Cheguei! — anunciou Charlie, sentando no sofá e pondo os pés cruzados, sobre a mesa de centro.
Charlie, 35 anos, forte, inteligente, faz tudo, braço direito de Gina.
Ela veio do quarto para a sala e chutou os pés dele da mesa.
— Essa mesa é muito cara e não merece seu desrespeito.
— Sim, senhora. — disse ele, irônico.
— Como estão se comportando os "sócios"?
— Em rebuliço, um pondo a culpa no outro. O que pretende fazer agora.
— Continuar o que estava programado. O dinheiro já está todo distribuído pelos bancos no exterior e os prostíbulos fechados.
— Aliás, as jovens foram realocadas para a firma de limpeza e já começaram a trabalhar.
— Todas aceitaram?
— Duas, muito novas, preferiram voltar para casa e providenciei o retorno e garantia de sobrevivência para elas.
— Não dá para exterminar toda gente ruim do mundo, infelizmente.
— Mas as outras estão bem. Vai ficar aqui, agora? Estava gostando de morar sozinho. — disse o mulato alto e forte, encostando no sofá com os braços abertos.
— Tô vendo. Aquele cretino abusou demais de minha boa vontade. Preciso ir ao médico, tô com dor, cuida de encher a despensa com comida decente, por favor.
— Tá bom, chefinha.
— Aff!
Gina saiu e desceu dois andares, a doutora particular atendia ela desde criança e ela tocou a campainha e foi atendida pela médica, que já estava esperando.
— Oi, Giovanna, o que houve?
— Oi, doutora Danna, meu marido exagerou no carinho.
— Vamos ao consultório. Meus pêsames pelo seu pai.
— Não sinta, ele deve estar festejando no inferno.
— Talvez esteja mesmo. Deite-se, já sabe dos procedimentos.
A doutora examinou, injetou um líquido roxo e deu-lhe um absorvente, mandando-a descer e se vestir.
— Uma semana e estará bem, ele foi bem rude e pegou você sem lubrificação. Vou lhe dar um creme local, use toda noite e ficará bem.
— Obrigada, doutora.
— O anticoncepcional ainda está na validade, não é?
— Sim. Obrigada, Donna. — agradeceu se dirigindo para a saída.
— Tudo bem, então. De nada, qualquer coisa, me liga.
Gina estava mais aliviada, já não ardia tanto. Foi para o apartamento que seria, daqui pra frente, seu lar. Desceu do elevador e lá estava a assombração em pessoa, encostado na porta, olhando para ela.
— Tinha certeza que viria para cá, se queria se esconder, devia ter procurado outro lugar.
— Eu vim ao médico, idiota.
— Agora, esse é o meu apelido carinhoso?
— Sai da frente.
— Você tá muito saidinha, porque tem me respondido desse jeito?
— Quero o divórcio.
— Eu te comprei, você é minha, nada de divórcio.
— Viu? É por isso que você é um idiota. Não sou mercadoria. Gente não é objeto. Agora, sai da frente.
A porta do elevador de serviço se abriu e Charlie saiu, empurrando um carrinho com as compras e Jordan saiu da frente da porta. Gina , colocando a palma da mão no controle, abriu a porta, entrando. Ele entrou atrás e informou:
— Se for ficar aqui, eu também ficarei.
— Eu realmente não te entendo.
— Nem eu te entendo. Você ficou muda durante um ano de nosso casamento e foi só seu pai morrer, pra você começar a falar pelos cotovelos.
— Ditado idiota, cotovelo não fala.
— Não tem outro xingamento, não?
— Você me comprou, para isso precisava de muito dinheiro, mas me fez viver naquele cubículo por um ano, por quê?
— Problema meu.
— Agora quer morar aqui, era esse o seu intento, ficar com as coisas do meu pai?
— O que mais seria, querida,? Você não vale tanto assim. — falou ele, zombando dela.
— Você também está falando muito, meu bem, o que mais quer?
— Que você vá para Moscou comigo, para o enterro, receba os cumprimentos e assine os papéis da herança.
— Finalmente está pondo as cartas na mesa. Quem te garante que receberei alguma coisa, meu pai era maquiavélico.
— Você é a minha garantia.
Charlie entrou na sala e foi até ela, que havia sentado em uma poltrona.
— A despensa está cheia, senhora. Mais alguma coisa?
— Vou ficar no meu antigo quarto e esse traste ficará onde quiser. Você cuidou do funeral?
— O corpo ainda não foi liberado, mas já cuidei do traslado. Será levado em um avião particular e iremos acompanhar o corpo.
— Tem previsão de liberação?
Enquanto Gina conversava com Charlie, Jordan observava de testa franzida, se perguntando: " quem é esta mulher, onde estava?"
— A policia disse que é provável que a liberação saia amanhã. — respondeu Charlie. — Seu vestido de luto está perfeito e mandei lavar a seco. Está no guarda roupas.
— Obrigada, Charlie. Pode fazer um chá para mim?
— Sim, senhora.
Charlie se retirou, sem sequer olhar para Jordan.
— Nunca vi você agir assim, por quê?
— Não era necessário.
— O que mais me ocultou?
— E você, o que me ocultou, pois não sei nada de sua vida, só o tamanho de seu pau.
— O que é uma "grande" coisa. — disse ele, com um sorrisinho zombeteiro.
— Coisa essa que vai ficar de castigo por uma semana.
Ele andou até ela, nervoso, passando as mãos pelos cabelos.
— Como assim, não posso ficar a seco por uma semana!
— Então é melhor tomar mais cuidado com o brinquedo, pois ele escangalha, idiota.
— Pare de me chamar de idiota e tem a porta dos fundos, nunca tentamos, mas você pode gostar. — tentou argumentar.
Ela sorriu de lado e nao respondeu, ele sabia muito bem que não permitiria aquilo.
— Vou sair e amanhã estarei com vocês, no avião. Não se iluda, você não se livrará de mim.
— Charlie não vai te servir, então, se vire com suas coisas, sozinho.
Ele chegou nela rapidamente, agarrou seus cabelos e puxou, se abaixando para ficar face a face com ela.
— Quem está te dando tanta confiança pra me desafiar?
Charlie já estava atrás dele, com um punhal em sua garganta.
— Eu sou a garantia, solta ela.
Jordan a soltou a contragosto e se virou devagar, quando sentiu que o punhal estava longe. Seu punho fechou e acertou o rosto do funcionário, que foi ao chão.
— Nunca mais faça isso, ou mato você. Não se intrometa entre eu e minha mulher. Ela é minha pra o que eu quiser, entendeu.
— Pode ir Charlie, tá tranquilo. Você não vai me agredir, não é mesmo, amor?
Jordan não percebeu ela se aproximar, só sentiu a picada atrás da orelha e paralisou.
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Atualizado até capítulo 60
Comments
Leydiane Cristina Aprinio Gonçaves
esse Jordan é muito babaca como pode tratar uma mulher assim quando ele descobrir quem é ela de verdade ele se arrependerá por ter tratado ela como um mero objeto sexual
2024-11-16
2
Silvia Cristina
Bem feito esse Jirdan é muito babaca
2025-01-05
1
Maria Helena Macedo e Silva
no quê o Jordan se diferencia do mafioso que ele matou, no caso o sogro🤔 em quase nada.🤦
2024-09-08
2