Capítulo 4. Cobrança

— Gina? Cheguei! — anunciou Charlie, sentando no sofá e pondo os pés cruzados, sobre a mesa de centro.

Charlie, 35 anos, forte, inteligente, faz tudo, braço direito de Gina.

Ela veio do quarto para a sala e chutou os pés dele da mesa.

— Essa mesa é muito cara e não merece seu desrespeito.

— Sim, senhora. — disse ele, irônico.

— Como estão se comportando os "sócios"?

— Em rebuliço, um pondo a culpa no outro. O que pretende fazer agora.

— Continuar o que estava programado. O dinheiro já está todo distribuído pelos bancos no exterior e os prostíbulos fechados.

— Aliás, as jovens foram realocadas para a firma de limpeza e já começaram a trabalhar.

— Todas aceitaram?

— Duas, muito novas, preferiram voltar para casa e providenciei o retorno e garantia de sobrevivência para elas.

— Não dá para exterminar toda gente ruim do mundo, infelizmente.

— Mas as outras estão bem. Vai ficar aqui, agora? Estava gostando de morar sozinho. — disse o mulato alto e forte, encostando no sofá com os braços abertos.

— Tô vendo. Aquele cretino abusou demais de minha boa vontade. Preciso ir ao médico, tô com dor, cuida de encher a despensa com comida decente, por favor.

— Tá bom, chefinha.

— Aff! 

Gina saiu e desceu dois andares, a doutora particular atendia ela desde criança e ela tocou a campainha e foi atendida pela médica, que já estava esperando.

— Oi, Giovanna, o que houve?

— Oi, doutora Danna, meu marido exagerou no carinho.

— Vamos ao consultório. Meus pêsames pelo seu pai.

— Não sinta, ele deve estar festejando no inferno.

— Talvez esteja mesmo. Deite-se, já sabe dos procedimentos.

A doutora examinou, injetou um líquido roxo e deu-lhe um absorvente, mandando-a descer e se vestir.

— Uma semana e estará bem, ele foi bem rude e pegou você sem lubrificação. Vou lhe dar um creme local, use toda noite e ficará bem.

— Obrigada, doutora.

— O anticoncepcional ainda está na validade, não é?

— Sim. Obrigada, Donna. — agradeceu se dirigindo para a saída.

— Tudo bem, então. De nada, qualquer coisa, me liga.

Gina estava mais aliviada, já não ardia tanto. Foi para o apartamento que seria, daqui pra frente, seu lar. Desceu do elevador e lá estava a assombração em pessoa, encostado na porta, olhando para ela.

— Tinha certeza que viria para cá, se queria se esconder, devia ter procurado outro lugar.

— Eu vim ao médico, idiota. 

— Agora, esse é o meu apelido carinhoso?

— Sai da frente.

— Você tá muito saidinha, porque tem me respondido desse jeito?

— Quero o divórcio.

— Eu te comprei, você é minha, nada de divórcio.

— Viu? É por isso que você é um idiota. Não sou mercadoria. Gente não é objeto. Agora, sai da frente.

A porta do elevador de serviço se abriu e Charlie saiu, empurrando um carrinho com as compras e Jordan saiu da frente da porta. Gina , colocando a palma da mão no controle, abriu a porta, entrando. Ele entrou atrás e informou:

— Se for ficar aqui, eu também ficarei. 

— Eu realmente não te entendo.

— Nem eu te entendo. Você ficou muda durante um ano de nosso casamento e foi só seu pai morrer, pra você começar a falar pelos cotovelos.

— Ditado idiota, cotovelo não fala.

— Não tem outro xingamento, não?

— Você me comprou, para isso precisava de muito dinheiro, mas me fez viver naquele cubículo por um ano, por quê?

— Problema meu.

— Agora quer morar aqui, era esse o seu intento, ficar com as coisas do meu pai?

— O que mais seria, querida,? Você não vale tanto assim. — falou ele, zombando dela.

— Você também está falando muito, meu bem, o que mais quer?

— Que você vá para Moscou comigo, para o enterro, receba os cumprimentos e assine os papéis da herança.

— Finalmente está pondo as cartas na mesa. Quem te garante que receberei alguma coisa, meu pai era maquiavélico.

— Você é a minha garantia.

Charlie entrou na sala e foi até ela, que havia sentado em uma poltrona.

— A despensa está cheia, senhora. Mais alguma coisa?

— Vou ficar no meu antigo quarto e esse traste ficará onde quiser. Você cuidou do funeral?

— O corpo ainda não foi liberado, mas já cuidei do traslado. Será levado em um avião particular e iremos acompanhar o corpo. 

— Tem previsão de liberação?

Enquanto Gina conversava com Charlie, Jordan observava de testa franzida, se perguntando: " quem é esta mulher, onde estava?"

— A policia disse que é provável que a liberação saia amanhã. — respondeu Charlie. — Seu vestido de luto está perfeito e mandei lavar a seco. Está no guarda roupas.

— Obrigada, Charlie. Pode fazer um chá para mim?

— Sim, senhora.

Charlie se retirou, sem sequer olhar para Jordan.

— Nunca vi você agir assim, por quê?

— Não era necessário.

— O que mais me ocultou?

— E você, o que me ocultou, pois não sei nada de sua vida, só o tamanho de seu pau.

— O que é uma "grande" coisa. — disse ele, com um sorrisinho zombeteiro.

— Coisa essa que vai ficar de castigo por uma semana.

Ele andou até ela, nervoso, passando as mãos pelos cabelos.

— Como assim, não posso ficar a seco por uma semana!

— Então é melhor tomar mais cuidado com o brinquedo, pois ele escangalha, idiota.

— Pare de me chamar de idiota e tem a porta dos fundos, nunca tentamos, mas você pode gostar. — tentou argumentar.

Ela sorriu de lado e nao respondeu, ele sabia muito bem que não permitiria aquilo.

— Vou sair e amanhã estarei com vocês, no avião. Não se iluda, você não se livrará de mim.

— Charlie não vai te servir, então, se vire com suas coisas, sozinho.

Ele chegou nela rapidamente, agarrou seus cabelos e puxou, se abaixando para ficar face a face com ela.

— Quem está te dando tanta confiança pra me desafiar?

Charlie já estava atrás dele, com um punhal em sua garganta.

— Eu sou a garantia, solta ela.

Jordan a soltou a contragosto e se virou devagar, quando sentiu que o punhal estava longe. Seu punho fechou e acertou o rosto do funcionário, que foi ao chão.

— Nunca mais faça isso, ou mato você. Não se intrometa entre eu e minha mulher. Ela é minha pra o que eu quiser, entendeu.

— Pode ir Charlie, tá tranquilo. Você não vai me agredir, não é mesmo, amor?

Jordan não percebeu ela se aproximar, só sentiu a picada atrás da orelha e paralisou.

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Comments

Leydiane Cristina Aprinio Gonçaves

Leydiane Cristina Aprinio Gonçaves

esse Jordan é muito babaca como pode tratar uma mulher assim quando ele descobrir quem é ela de verdade ele se arrependerá por ter tratado ela como um mero objeto sexual

2024-11-16

2

Silvia Cristina

Silvia Cristina

Bem feito esse Jirdan é muito babaca

2025-01-05

1

Maria Helena Macedo e Silva

Maria Helena Macedo e Silva

no quê o Jordan se diferencia do mafioso que ele matou, no caso o sogro🤔 em quase nada.🤦

2024-09-08

2

Ver todos
Capítulos
1 Capítulo 1. O Início
2 Capítulo 2. Assassinato
3 Capítulo 3. Vigilância
4 Capítulo 4. Cobrança
5 Capítulo 5. Acordo
6 Capítulo 6. Invasão
7 Capítulo 7. Viagem
8 Capítulo 8. Tentativa
9 Capítulo 9. Funeral
10 Capítulo 10. Análise
11 Capítulo 11. Estúpido
12 Capítulo 12. Turbulência
13 capítulo 13. Despedida do Morto
14 Capítulo 14. Morte na Celebração
15 Capítulo 15. Ordens
16 Capítulo 16. Transferência
17 Capítulo 17. Como Assim?
18 Capítulo 18. O Técnico
19 Capítulo 19. Insatisfação
20 Capítulo 20. Viagem
21 Capítulo 21. Mineiros
22 Capítulo 22. Descoberta
23 Capítulo 23.Tomando Posse
24 Capítulo 24. Família
25 Capítulo 25. Enjôo
26 Capítulo 26. Desejo de Matar
27 Capítulo 27. Visita Indesejada
28 Capítulo 28. Reencontro
29 Capítulo 29. Ordens
30 Capítulo 30. Mate!
31 Capítulo 31. Flagra
32 Capítulo 32. Ação
33 Capítulo 33. Lazer
34 Capítulo 34. Fantasma
35 Capítulo 35. Encontros
36 Capítulo 36. Folga
37 Capítulo 37. Checagem
38 Capítulo 38. Sequestro
39 Capítulo 39. Declaração
40 Capítulo 40. Perda
41 Capítulo 41. Saindo do Jejum
42 Capítulo 42. Traficantes
43 Capítulo 43. Preparando a Caçada
44 Capítulo 44. Caçada
45 Capítulo 45. Choque
46 Capítulo 46. Sem Volta
47 Capítulo 47. Atraso
48 Capítulo 48. Partindo
49 Capítulo 49. Momentos Antes
50 Capítulo 50. Preparação
51 Capítulo 51. Como foi?
52 Capítulo 52. Melhorando a Relação
53 Capítulo 53. Sob o Tapete
54 capítulo 54. Férias
55 Capítulo 55. Mãe
56 Capítulo 56. Expurgando
57 Capítulo 57. Descanso
58 Capítulo 58. Turismo
59 Capítulo 59. Final
60 Capítulo 60. Epilogo
Capítulos

Atualizado até capítulo 60

1
Capítulo 1. O Início
2
Capítulo 2. Assassinato
3
Capítulo 3. Vigilância
4
Capítulo 4. Cobrança
5
Capítulo 5. Acordo
6
Capítulo 6. Invasão
7
Capítulo 7. Viagem
8
Capítulo 8. Tentativa
9
Capítulo 9. Funeral
10
Capítulo 10. Análise
11
Capítulo 11. Estúpido
12
Capítulo 12. Turbulência
13
capítulo 13. Despedida do Morto
14
Capítulo 14. Morte na Celebração
15
Capítulo 15. Ordens
16
Capítulo 16. Transferência
17
Capítulo 17. Como Assim?
18
Capítulo 18. O Técnico
19
Capítulo 19. Insatisfação
20
Capítulo 20. Viagem
21
Capítulo 21. Mineiros
22
Capítulo 22. Descoberta
23
Capítulo 23.Tomando Posse
24
Capítulo 24. Família
25
Capítulo 25. Enjôo
26
Capítulo 26. Desejo de Matar
27
Capítulo 27. Visita Indesejada
28
Capítulo 28. Reencontro
29
Capítulo 29. Ordens
30
Capítulo 30. Mate!
31
Capítulo 31. Flagra
32
Capítulo 32. Ação
33
Capítulo 33. Lazer
34
Capítulo 34. Fantasma
35
Capítulo 35. Encontros
36
Capítulo 36. Folga
37
Capítulo 37. Checagem
38
Capítulo 38. Sequestro
39
Capítulo 39. Declaração
40
Capítulo 40. Perda
41
Capítulo 41. Saindo do Jejum
42
Capítulo 42. Traficantes
43
Capítulo 43. Preparando a Caçada
44
Capítulo 44. Caçada
45
Capítulo 45. Choque
46
Capítulo 46. Sem Volta
47
Capítulo 47. Atraso
48
Capítulo 48. Partindo
49
Capítulo 49. Momentos Antes
50
Capítulo 50. Preparação
51
Capítulo 51. Como foi?
52
Capítulo 52. Melhorando a Relação
53
Capítulo 53. Sob o Tapete
54
capítulo 54. Férias
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Capítulo 55. Mãe
56
Capítulo 56. Expurgando
57
Capítulo 57. Descanso
58
Capítulo 58. Turismo
59
Capítulo 59. Final
60
Capítulo 60. Epilogo

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