Luizão, um homem de estatura mediana, com traços indígenas e de óculos retangulares, cortou o clima entre patrão e empregada.
— Bom dia, Maria! Então você é a doutora!
Ele rapidamente pegou a mão de Maria e chacoalhou, efusivo.
— Bom dia! Sou eu mesma!
O sorriso desabrochou feito flor de primavera.
O administrador não tirava os olhos dela admirado, e Francisco se sentiu excluído naquele instante.
Não perdeu tempo para atrair de novo os olhos dela para si:
— Oi, Maria, espero que tenha dormido bem...
— A noite inteira, patrão, obrigada por perguntar!
Francisco ficou satisfeito com a resposta.
— Que bom! Recebeu sua bagagem?
Maria deu uma risadinha cativante.
— Sim! Só não entendi como é que está tudo tão bem arrumado. Lembro que como a viagem foi às pressas, só joguei as minhas coisas na mala. Deve ter alguma mágica nesta ilha!
( Se ela menos soubesse que foi a esposa de Alfredo que dobrou toda a roupa após a desastrosa cena da queda da bagagem...) .
Francisco, de imediato, recordou-se do episódio com as calcinhas que estava "beeemmm" nítido em sua mente. Ainda não tinha superado o que acontecera uma hora atrás e imaginou qual tipo de calcinha a veterinária usava naquele momento.
— Seja bem-vinda, doutora Maria! Tenho certeza que vamos nos dar muito bem!
Luizão comentou no tom tão suspeito que Francisco , num ímpeto falou:
— Vou apresentar o seu espaço de trabalho! Vamos, por gentileza!
O administrador o fitou sem entender.
— Pera aí, Francisco, você não acabou de dizer que essa era a minha função?
O rapaz caiu em si. Era verdade. No entanto, inexplicavelmente precisava estar mais perto da sua nova funcionária e afastá-la de Luizão que parecia muito mal intencionado.
Francisco tentou se convencer de que na realidade estava exercendo uma espécie de "Protocolo Restritamente Profissional".
— É que... Bem... Estou menos ocupado que você...Melhor você não ficar distraído.
O administrador pareceu meio decepcionado.
— Você é que sabe... Patrão. ( A última palavra com evidente ênfase)
— Ótimo! Venha comigo, Maria!
Ela nem pensou duas vezes.
— Vumbora!
O casal saiu lado a lado, seguindo para o carro.
Luizão ficou observando a cena incomum do chefe 'arrastando asas' para sua nova veterinária.
Sorriu de um jeito malandro. Murmurou:
— Com um "avião" desse... Se o patrão não desencalhar agora, é porque é gay mesmo como dizem por aí!
Nesse meio tempo, Francisco e Maria, primeiramente fizeram o reconhecimento geral da imensa fazenda.
Maria estava encantada com tanta beleza de fauna e flora misturada num ambiente bem conservado.
Iam conversando normalmente sobre os assuntos da rotina do lugar, quando num certo momento, ele aproveitou para advertir:
— Sabe, Maria, tome cuidado com Luizão... Ele é casado, mas de vez em quando esquece do seu compromisso e a esposa tem ciúme até da sombra dele.
Novamente a fala desnecessária de achar que ela veio para arrastar todos os homens da fazenda para si. Suspirou, tentando controlar o gênio que ele nem imaginava como era terrível.
— Não me leve a mal, Francisco, mas como você não me conhece bem, vou reconsiderar o que você disse, mas desejo que não tenhamos mais esse tipo de conversa.
Ele percebeu a "mancada" que deu e resolveu se desculpar.
— Oh, desculpe, você tem razão ...Bom, pra mim não está fácil, estou nervoso, admito, pois estava acostumado com outro tipo de rotina...Mas se estiver sofrendo algum tipo de assédio, avise-me que resolvo.
Maria virou o rosto. "Bonito e teimoso".
Ele percebeu o silêncio dela.
— Maria?
— Francisco, acho que é muito cedo pra tanta preocupação, mas como disse antes, não me intimido facilmente. Se houver alguma situação desse tipo eu mesma resolvo, combinado?
Um tanto hesitante, ele respondeu:
— Combinado.
Em seguida, chegaram aos campos alagados onde havia uma grande quantidade de búfalos se refrescando ou se alimentando. Depois foram para a sala de ordenha, o armazém de rações e alguns hectares de forragens.
Maria anotava tudo e perguntava para os encarregados como era o processo de manejo e nutrição dos búfalos.
Conheceu as búfalas prenhas, os bezerros e os búfalos reprodutores.
Descobriu que Francisco utilizava-se da inseminação artificial para que houvesse melhor qualidade em sua manada.
Vendia os animais, usava o leite como matéria prima para outras fazendas que produziam queijo e outros produtos, além de selecionar os melhores animais para participar de concursos nas vaquejadas.
Maria admirou-se do potencial estratégico de Francisco em beneficiar-se de várias formas dos seus búfalos, por isso era tão rico.
Empolgado, Francisco mostrava tudo e ela foi apresentada a cada coordenador de área.
Em cada lugar que foi, percebeu de imediato que os trabalhadores da fazenda agiam de uma maneira respeitosa além da conta, sempre debaixo de olhares intimidadores de Francisco.
Desconfiou que antes, o patrão já tinha dado uma "prensa" nos empregados em relação à ela.
Na volta, seguiram novamente para o prédio onde estava o administrador.
— Então, Maria o que você está achando?
— Você tem uma fazenda espetacular!
— Fico grato por mim e pelos meus empregados!
Maria o olhou nos olhos, sonhadora:
— Tenho certeza que vou amar trabalhar aqui!Vou fazer um plano de trabalho e repassarei o que preciso para Luizão.
— Ok! Minha esperança que este ano seja melhor que o ano passado, pois foi abaixo de nossas expectativas. Sei que é um desafio muito grande, mas pode contar comigo se tiver dúvidas.
— Obrigada! Vou ficar atenta para ajudar no que for necessário.
Ambos ficaram em silêncio por um momento. Depois, Francisco continuou a falar:
— Nas horas vagas, se desejar usar a minha área de lazer no casarão, pode ficar à vontade.
— Bom, nem sei o que dizer...
— Que tal: "A vida não é só trabalho?"
Ela sorriu, mas não deixou de pensar na sua situação perturbadora.
Além do desafio com a fazenda, teria que lidar com seus impulsos. Naquele momento, por exemplo, admirava as mãos bem feitas de Francisco ao volante e já estava com pensamentos impuros.
— Tá certo! Grata pela gentileza.
Maria pensava: Deveria dar em cima do patrão ou desviar seus olhos para alguém menos... enigmático?
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Atualizado até capítulo 70
Comments
Laura Boloko
entendo a sua visão /Facepalm//Facepalm//Facepalm/
2024-11-20
1
Arilene Vicente
Maria vai com calma, não assuste o homem kkkkkk
2024-10-28
0
Maria Isabel
Agora não sei se quero o Miguel ou o Francisco hum
2024-10-15
1