Dias depois, o tempo em Soure era outro.Havia naquele início de noite uma chuva torrencial.
Justo no dia da entrevista de emprego de Maria na Fazenda São Francisco.
Ela, no entanto, não se importava.
Achava incrível que em poucos minutos estaria face a face com aquele fazendeiro bonitão.
Se o Divino permitisse, seria seu chefe também. Boa oportunidade para saber se era ou não hétero.
Independente disso, estava feliz por aquela possibilidade de emprego. Lembrou-se que quando Jane falou sobre a vaga e Miguel agendou uma entrevista , jogou suas coisas numa bagagem e saiu do Maranhão com destino à Soure, na ilha de Marajó.
Foi tudo muito rápido, mas estava empolgada. Mesmo com a chuva forte, não se abalava.
Naquele instante, por exemplo estava de carona com Miguel, chegando na fazenda imponente de Francisco.
Com um friozinho na barriga, notou o portão automático se abrir e admirou o luxuoso casarão triplex à sua frente.
Miguel parou o carro e perguntou:
— Tem certeza que não quer esperar a chuva passar? Posso ligar e ele vai entender.
Maria ficou apreensiva. Recordou que Jane lhe disse que Francisco tinha fixação por horário.
— Obrigada, Miguel! Prefiro chegar no horário marcado mesmo com essa chuva toda e além disso, eu trouxe a sombrinha de Jane.
O rapaz ficou mais aliviado. Disse, então:
— Vou buzinar aqui. Assim que alguém abrir a porta, você vai rápido.
— Tá bom.
Após o som da buzina se espalhar no lugar, um homem surgiu em poucos segundos.
Maria se despediu e saiu rápido do carro.
Só que não conseguiu evitar que se molhasse, pois ao fugir do aguaceiro, veio um vento forte, que virou a sombrinha, quebrando-a.
Com a roupa molhando e os sapatos encharcados , ficou desolada.
"Como causaria uma boa impressão, molhada daquele jeito?"
De imediato, o funcionário a alcançou com um enorme guarda-chuva e seguiram até
entrarem no casarão.
Minutos depois, estendendo uma toalha de banho, o homem fez um sinal:
—Acompanhe-me, senhorita...
— Maria... Maria da Graça. Boa noite!
— Boa noite! Pois bem, Maria, meu nome é Alfredo. Não sabia que o senhor Francisco teria uma visita agora, já que ele está aguardado um candidato para uma entrevista de emprego.
Maria se enxugando vigorosamente, explicou:
— Sou eu... Eu vim por causa da vaga para médica veterinária.
O homem levou um susto.
— Que coisa mais estranha...Ele não costuma contratar mulheres...Quem indicou você?
— Miguel agendou com seu patrão. Veja!
Maria mostrou o papel todo molhado. O homem reconheceu a folha e suspirou.
— Bem... Ainda assim é estranho.... Desejo-lhe sorte. — Ele a olhou dos pés à cabeça, como se estivesse penalizado com a situação dela. — Enxugue-se rápido, pois o patrão detesta atrasos. É no segundo andar. Vamos pelo elevador.
" Elevador? Aquilo sim era estranho, mas o homem era rico, então ostentação devia ser o sobrenome do patrão". Divertiu-se no íntimo.
Subiram.
Nesse intervalo, Francisco estava sentado no seu organizadíssimo e enorme escritório, com uma meia luz do abajur. Tinha sensibilidade a lugares muito claros e então, enquanto o próximo entrevistado não chegasse, preferia ficar assim.
A perna esquerda batia repetidamente, enquanto movimentava os dedos na mesa, fazendo um barulho rítmico.
Estava agoniado.
O candidato à vaga de veterinário estava atrasado. Outro que teria que dispensar.
Novamente consultou o relógio no pulso esquerdo. 20: 00h. Perdeu a esperança. O candidato não viria com aquele "toró"* todo.
Pegou a ficha de entrevista sem ler o nome do candidato.
Escreveu a seguinte observação:
" Sem pontualidade. "
"Dispensado. "
Onde encontraria mesmo um candidato que se encaixaria em seus padrões?
Leves batidas na porta, fizeram com que recobrasse o ânimo.
Finalmente!
Encorpou a voz grave:
— Pode entrar.
Para sua surpresa, não era um veterinário como imaginou. Lembrou -se que o amigo Miguel lhe dissera que tinha conseguido uma pessoa para o cargo de veterinário . Só não imaginava que fosse uma mulher.
E molhada dos pés à cabeça.
Certamente o amigo estava de brincadeira após a revelação de sua virgindade e o motivo de querer permanecer naquela condição desconfortável.
No entanto, precisava mesmo era de um veterinário para cuidar dos seus búfalos. Nada mais.
Miguel cometeu um equívoco.
Enquanto aguardava alguma instrução do homem que a olhava com espanto, Maria ficou imóvel. Estava envergonhada por estar tão molhada.
O outro motivo de estar sem graça era porque estava tentando se recompor do enorme impacto ao pôr os olhos no enigmático Francisco. Ele era mais bonito pessoalmente. Suspirou deslumbrada.
"Ai, se eu te pego, delícia! "
Francisco, por sua vez, também estava impactado. A moça à sua frente chamou a sua atenção de imediato. Aprovou os olhos pretos e misteriosos, além do rosto bem feito. O cabelo molhado, impedia-o de ver se era preto ou castanho escuro. O corpo estava perfeitamente colado num conjunto de blazer e saia cinza.
Por baixo, a blusa branca molhada, ficou transparente e podia ver as ondulações dos seios dela, num sutiã rendado!
Desviando o olhar para a testa da moça, falou trêmulo:
— Por favor, ... Ahn...Sente-se, senhorita...
— Maria da Graça!
— Oh, certo!
A mulher atravessou o recinto. O andar harmonioso fez com que ficasse com sede.
"Onde estava mesmo o seu licor de menta?" Precisava dele e rapidamente.
Ela sentou.
Cruzou as pernas.
Que pernas!
Procurou se policiar.
" Que é isso, Francisco?! Estou desconhecendo você! "
Indiferente ao conflito interior do rapaz, Maria continuava encantada, porém, lembrou- se das orientações da amiga Jane.
Teria que conter-se. Não era um encontro às cegas. Era o emprego que precisava, afinal com seus 35 anos, era inconcebível não ter uma carteira profissional assinada.
Aquele era o seu primeiro emprego de verdade e não podia correr o risco de seduzir logo de "cara" o seu patrão.
"Primeiro o emprego, depois... Bem... Se tivesse sorte, ele seria seu próximo alvo."
Não tinha certeza ainda, mas do jeito que a olhou detidamente, não parecia ser gay. Menos mal.
Maria estava com olhos pretos brilhando.
Não resistia a homem misterioso." Ah, Francisco, você faz o meu tipo!"
Sorriu, discretamente.
* Toró- Chuva
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Atualizado até capítulo 70
Comments
Laura Boloko
okay entendi causar boa intenção em duplo sentido/Chuckle//Chuckle//Chuckle/
2024-11-20
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Laura Boloko
diferença de 5 anos nada mal é uma diferença ideal
2024-11-20
1
Laura Boloko
já está na mira 🔫🔫
2024-11-20
1