Capítulo 19
Terminamos o café da manhã, praticamente em silêncio, depois que a mãe dele se desculpou. Jacob e seu pai trocaram algumas palavras sobre o trabalho, que agora o pai dele iria ficar no seu lugar por um tempo, mas eu percebi pelo tom de voz e pelo olhar de Jacob, que ele não achava que voltaria a ocupar o lugar de diretor e dono da empresa, o que partiu meu coração. Notei que sua mãe pensou o mesmo que eu.
Depois de alguns minutos que já tínhamos terminado o café e que a funcionária de Jacob tinha tirado as coisas da mesa, ele disse:
- Vou levar você!
- Não precisa, eu agradeço! Mas vou de uber! - falei sorrindo.
- Não, Camila! Já falamos sobre isso, eu leve você! - ele disse sério e olhou nos meus olhos.
- Jacob! - falei o encarando da mesma forma. E senti o olhar dos seus pais sobre nós.
Ótimo, agora sim estávamos de fato, parecendo um casal.
Fiquei de pé, não iria mais discutir. Me despedi dos seus pais e saímos caminhando em silêncio pelo corredor. Quando chegamos no gramado, eu parei de disse:
- Jacob, é sério, eu vou de uber!
- Camila, por favor, me deixe levar você! - ele pediu gentilmente e minhas pernas pareceram amolecer com o seu tom.
- Não há necessidade! - falei tocando seu braço e um arrepio percorreu meu corpo.
- Sinto muito - ele disse baixo - pela minha mãe, não achei que ela fosse fazer aquela cena...
- Tudo bem, eu entendo ela. É tudo muito recente! - falei e era verdade, eu entendia ela. A senhora Laura também havia perdido os seus netos e a nora.
- Você é uma mulher tão... compreensiva - Jacob falou tocando meu rosto com a ponta dos seus dedos.
Tudo ao nosso redor pareceu parar, o tempo, o ar, as nuvens no céu... tudo. Só existia eu e Jacob, parados no seu gramado, sob a luz do sol nos aquecendo naquela manhã agradável.
Nossos olhares pareceram ficar presos um no outro, com a luz do dia, os olhos dele ficaram tão claros, tão intensos. Seus cabelos pareciam quase brilhar. E notei que sob o sol seu cabelo ficava num tom muito, muito avermelhado.
Jacob era tão, tão bonito. O ar em meus pulmões entrava com dificuldade.
Ele se aproximou ficando a poucos centímetros, ainda com sua mão em meu rosto e percebi que em algum momento, sua outra mão tinha pousado do outro lado da minha bochecha. Não pude me conter e fechei meus olhos, virando meu rosto em direção a sua palma e aproveitando seu toque gentil, que me deixou insegura, com medo... eram tantos sentimentos à flor da pele, que eu não sabia o que deveria fazer, como reagir a isso. Mas eu não estava maluca desta vez. Esse gesto, já tinha passado de amizade. Era terno, era caloroso, era um gesto quase palpável de um misto de sentimentos, não só meu, porque estavam emanando dele também.
Eu não vi, mas senti quando seus lábios se aproximaram muito dos meus, sua respiração estava se misturando com a minha, deixando o ar a nossa volta denso. Meu coração estava martelando contra o peito, batendo totalmente descompassado. A euforia tinha tomado conta de mim, mas dessa vez eu não faria nada, além de esperar.
Jacob teria que tomar a iniciativa, porque ele precisava estar pronto, não eu.
Senti o toque suave e cuidadoso dos seus lábios pousando sobre os meus, como se ele estivesse com medo, ele estava com medo, eu podia sentir sua apreensão. Ele exitou por apenas um segundo, quando seus lábios tocaram os meus, mas no mesmo instante, continuou. Jacob se moveu num ritmo tranquilo, explorando lentamente minha boca, em um movimento calculado e sem pressa, sua língua tocou a minha, como se estivesse saboreando meus lábios.
Minhas mãos pousaram em seu pescoço, enquanto as dele ainda estavam no meu rosto, seus polegares se mexiam devagar, acariciando minhas bochechas.
Calmamente ele se afastou, encostando sua testa na minha, eu não abri meus olhos e podia apostar, que ele também não abriu os seus.
- Me desculpe - ele disse tão baixo, que quase não o ouvi.
- Por favor, não se desculpe... - pedi tão baixo, quanto ele havia falado. Ficamos apenas respirando, o mesmo ar enquanto o mundo ainda parecia estacionado ao nosso redor.
Nenhum de nós dois sabia o que dizer, mas já estávamos a tempo demais assim, então fiz menção de me afastar, mas não pude. As mãos de Jacob desceram e ele me envolveu em um abraço apertado, me segurando pela cintura. Eu apoiei meu rosto em seu peito largo e forte. Notei que ele havia perdido peso nesta semana, mas ainda sim, ele era um homem grande, cheio de músculos, que provavelmente em breve iriam sumir, o que não me importava nenhum pouco. Passei minhas mãos em volta da sua barriga, sem saber se estava muito surpresa, ou muito feliz com tudo isso. Provavelmente os dois.
- Eu sei que você precisa ir - ele falou ainda baixo e com seu queixo apoiado no topo da minha cabeça - mas eu não queria que esse momento acabasse nunca.
- Eu também não queria - sussurrei contra o seu peito.
Depois de mais alguns instantes, ele se afastou e olhou nos meus olhos. Jacob ainda segurava a ponta dos meus dedos com sua mão, como se não quisesse quebrar nossa conexão.
- Posso levá-la? - ele pediu e nem se o mundo desabasse neste momento, eu diria a ele não, sob qualquer circunstância.
Como ele parecia ainda mais bonito do que a poucos minutos atrás? Eu não sabia, mas parecia.
Eu acenei com a cabeça, concordando que ele me levasse.
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Atualizado até capítulo 54
Comments
Isabel Esteves Lima
Que lindo. ❤️
2025-03-06
0
Vivi
lindos
2024-06-01
2
Sara
🌹🌹
2024-04-01
1