capítulo 12

Capítulo 12

O médico ficou olhando com atenção os exames que Jacob levou. Eu estava nervosa e ansiosa, mas Jacob não parava de remexer as pernas e as mãos.

O tempo pareceu estacionar e eu já não sabia mais o que pensar.

- Bom - o médico disse olhando para nós - senhor Weller, seus exames realmente não são bons, como você havia me dito ao telefone! Mas como sabe, nossos tratamentos experimentais, têm dado resultado em cinquenta e três por cento dos pacientes! Nossos remédios são com outras fórmulas, diferentes dos convencionais, que você sabe que não dão efeito na quimioterapia, por isso o aconselhado, é sempre o transplante de rim!

- Isso não é uma opção, não no momento! - disse Jacob e eu fiquei confusa.

- Sim, eu notei! - ele falou pegando uma outra folha que ele já tinha olhado e voltou a analisar.

- O câncer se espalhou e o outro médico disse que o transplante agora só iria acelerar minha morte!

- Sim, ele tinha razão. O melhor é a radioterapia, se ela tiver resultados, podemos então fazer um transplante.

- E caso não dê resultado, você me encaminha para o tratamento paliativo! - concluiu Jacob, partindo meu coração ou ouvir isso, cuidados paliativos, eram quando a morte estava muito próxima, para apenas amenizar a dor e o sofrimento do paciente...

- Exato - o doutor concordou - mas não vamos pensar assim, vamos ter fé que nossos tratamentos darão certo em você senhor Weller! Quando gostaria de começar?

- Quando for possível para vocês, dinheiro não é o problema! - afirmou Jacob.

- Sim, sim! Podemos começar amanhã! - o médico disse olhando a tela do computador. - Vou pedir à minha secretária que deixe agendado, todos os dias a partir de amanhã, cinco dias na semana, por dois meses. Depois faremos novos exames!

- Ok - disse Jacob.

- Todos os dias da semana? - perguntei e notei que não havia dito nada desde que entramos. - Não será muito pesado para ele?

- Sim, mas é assim que funciona senhora Weller...

- Ah não, sou apenas amiga dele. Me chame de Camila! - falei um pouco envergonhada.

- Me desculpe - ele disse nos olhando - enfim, o tratamento é bem agressivo Camila, Jacob sabe disso e por isso tinha optado por não fazer. Mas soube que alguém o fez mudar de ideia. E que bom, porque se existe uma chance de viver, devemos aproveitar!

- Quais vão ser os efeitos colaterais? - perguntei baixo.

- Vômitos, desmaios, perda de apetite, de peso, de cabelo...

- Sim, eu sei disso tudo! - Jacob falou bem sério.

Eu não disse mais nada. Jacob e o doutor acertaram mais algumas coisas e saímos da clínica.

Jacob ficou muito calado, pensativo. E eu não sabia o que dizer, a partir de amanhã as coisas seriam difíceis para ele.

- Vou deixar você em casa! Tire o dia de folga, como agradecimento por ter me acompanhado - ele falou quando entramos no carro.

- Gostaria de fazer companhia a você... - falei baixo e Jacob ficou em silêncio novamente, entendi aquilo como um não. Então decidi não dizer mais nada.

Queria que ele não ficasse pensando nisso, não neste último dia. Amanhã seria um novo começo, mas também um desafio e hoje ele não deveria ficar se lamentando, por isso me ofereci para ficar com ele.

No meio do caminho, percebi que ele não estava me levando para minha casa, mas não perguntei nada, apenas esperei. Quando nos aproximamos da sua casa, fiquei aliviada, ele tinha aceitado minha companhia.

Ele estacionou na garagem e caminhamos alguns passos pelo gramado, onde haviam dois seguranças, os mesmos que correram atrás de mim dias atrás.

Quando entramos, Jacob fechou a porta de entrada atrás dele e estendeu a mão apontando para que eu sentasse no sofá, foi o que fiz, caminhei alguns passos do hall de entrada, deixando minha bolsa num armário que tinha ali e fui até sua ampla sala. Ele se atirou numa poltrona ao lado e continuou em silêncio.

- Gostaria de assistir um filme? Comer algo? - perguntei o olhando. Jacob encontrou meu olhar e vi que ele não estava preocupado e sim triste.

- Não estou com fome, mas um filme seria bom! - ele falou ficando de pé e pegou o controle da tv numa mesa de madeira no centro, entre os sofás e em frente a lareira revestida de tijolinhos.

- Acho que a gente deveria assistir um filme de comédia! - falei sorrindo e Jacob me olhou.

- Comédia? - ele perguntou.

- Sim, comédia, vamos esquecer da vida no dia de hoje! - falei animada e peguei o controle da sua mão. Era um controle cheio de botões e no meio tinha uma pequena tela digital. Eu fiquei sem saber onde deveria apertar.

- É um controle universal, controlo toda a casa por ele... - avisou Jacob e eu devolvi o controle.

Jacob sentou ao meu lado no sofá que era de frente para a tv e estendeu de volta o controle.

- Aqui, estes botões são para a tv! - ele apontou e me ensinou como usar.

Ou tentou, porque, eu fechei as persianas, mexi no termostato deixando a casa super quente, liguei uma música bem alto... fiz de tudo menos conseguir mexer na tv. Ao menos Jacob riu da minha situação.

- Desisto! - falei abaixando os ombros e Jacob sorriu, mostrando aquela covinha linda na sua bochecha.

- Eu vou colocar e você presta atenção, assim pode mexer quando quiser! - falou ele e eu fiquei pensando por alguns segundos.

Se alguém me contasse que eu estaria na casa do Jacob, prestes a assistir um filme de comédia e o ajudando a buscar tratamento para o seu câncer, eu iria gargalhar e dizer que a pessoa estava maluca, mas cá estava eu. Com o homem que eu dizia odiar, querendo mais do que tudo, que ele lutasse para viver.

Jacob se acomodou puxando a mesa de centro, o que me trouxe de volta para a realidade. Ele colocou seus pés para cima e para minha surpresa, segurou meus tornozelos e colocou os meus pés em cima da mesinha.

Eu apenas agradeci e ele colocou um filme de comédia que viu na internet, tinha sido lançado esse ano, então iríamos arriscar, ver se era bom.

Ficamos bem próximos, ele passou seu braço por cima do encosto do sofá e cruzou seus tornozelos em cima da mesa, Jacob estava bem relaxado. Já eu devido a proximidade do seu corpo e do seu braço perto do meu pescoço, acabei ficando tensa.

Seu perfume penetrou no meu nariz. Era refrescante e com um toque de madeira, me causou um leve arrepio.

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Deixem suas florzinhas na área de presentes.

Seus votos, curtidas e comentários também são muito importantes para a divulgação do livro ❤️.

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Comments

Isabel Esteves Lima

Isabel Esteves Lima

Espero que o tratamento dê certo.

2025-03-05

0

Marcenir Coimbra Borges

Marcenir Coimbra Borges

/Heart//Heart//Heart//Rose//Rose//Rose/

2024-09-12

0

Patrícia

Patrícia

🤣🤣🤣🤣 Camila querendo botar fogo na casa

2024-08-22

0

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