Me acomodo no banco de frente para o teclado com Sophie nos braços, que lentamente se acalma conforme eu tiro as notas do instrumento. A música parece ser a única coisa na minha vida que é verdadeira. Tudo o que eu consigo me lembrar está ligado a isso. Mas parece que eu perdi uma partitura muito importante antes de um grande show.
Enquanto meus dedos dançam pelas teclas, eu tenho flashes de luzes coloridas, estrelas e os braços de alguém que eu não conheço. Meu coração se aperta no meu peito e erro uma nota, voltando a realidade.
No meu colo, Sophie está dormindo outra vez. Ver ela tranquila e segura é a única coisa capaz de me dar esperanças no meio de todo esse caos. Tudo o que eu tenho feito é para que ela possa ter uma vida feliz e agradável. Para compensar o fato de que ela só têm a mim. Eu nem ao menos consigo me lembrar do rosto ou do nome do pai dela.
É claro que eu já tinha notado antes essas falhas na minha memória. Não conseguir me lembrar de lugares, pessoas, é um tormento antigo. Mas eu sempre achei que as memórias voltariam com o tempo. Só que já fazem dois anos, e até agora nada mudou.
Levando Sophie de volta para o berço, eu me sinto ainda mais culpada. Eu deveria estar com ela, mas passo quase o tempo inteiro trabalhando. Tentando desesperadamente construir um futuro para nós, mas e se eu estiver perdendo os momentos mais importantes de sua vida?
Olhando para a janela, vejo que o Sol já está nascendo no horizonte. O que significa que não resta tempo para tentar dormir de novo. Mais um dia de trabalho na Upper Corp me espera. E dessa vez, torço para que seja mais animador.
Enquanto termino de vestir meu terninho, Alice aparece na porta do quarto, com uma expressão cansada e o rosto inchado. Dando uma boa olhada nela pelo reflexo do espelho, vejo que está trazendo uma xícara de café quente. Não consigo conter o sorriso diante do seu gesto de cuidado.
— Você vai mesmo ficar trabalhando lá? - ela pergunta num tom baixo, sem me olhar nos olhos.
— Ali, eu sei que você está preocupada comigo, e também com Sophie. E eu agradeço imensamente por se importar tanto conosco. - tiro a xícara de suas mãos e puxo ela para os meus braços, com um sorriso tranquilizador. - Eu vou ficar bem. Eu prometo. E com o salário extra, logo logo eu vou poder contratar uma babá para ficar com Sophie e você poderá sair com mais frequência e ter uma vida.
— Eu gosto de ficar com a Sophie... Eu só espero que você esteja fazendo a coisa certa... - ela suspira, passando os braços ao redor da minha cintura e me apertando contra si. - Você mal dormiu essa noite, têm certeza que vai ficar bem?
Ela se afasta de mim, ajeitando as lapelas do meu blazer e me olhando com afeto. Alice e eu não somos nada parecidas fisicamente. Ela têm os cabelos ondulados escuros e olhos âmbar brilhantes, além da pele dourada. Não é muito alta, têm um corpo magro e não parece ter mais de 23 anos de idade.
— É claro! Eu aguento qualquer coisa, você sabe. - sorrio com confiança antes de beber o café que ela me trouxe.
— Tudo bem então. Te espero para o lanche da madrugada essa noite. - ela dá um beijo no meu rosto antes de sair, se arrastando de volta para a cama.
......................
Chego na cobertura caminhando quase como um zumbi. O que eu chamo de "modo de economia de bateria". Nas minhas mãos, os dois copos de café, novamente. Acho que vai virar uma espécie de rotina nesse emprego.
— Srta Amber! Bom dia!! - A voz simpática de Prudence me desperta, quase me fazendo derrubar o café.
— Ah... Bom dia, Prudence. - Sorrio para ela. - O Senhor Falcone já chegou?
— Sim. Ele está na sala dele, como sempre. Nós até pensamos que dorme lá. - ela reprime uma risadinha, me olhando de cima a baixo, e então sorri. - Eu não tive a chance de te agradecer pela ajuda ontem com o Senhor pai do chefe...
— Ah, não se preocupe com isso. - a interrompo com um gesto de mão, enquanto sigo para a sala da presidência. - Nós estamos no mesmo barco, Prudence. É normal que eu te ajude se eu puder, não?
— Entendo... - ela baixa a cabeça por um instante, parecendo absorver minhas palavras, então se inclina sobre o balcão, me fazendo parar no meio do corredor. - Srta Amber? Posso passar na sua sala mais tarde para irmos almoçar juntas? Eu conheço um restaurante italiano ótimo aqui perto...
— Claro, te espero na minha sala então. - aceno para ela antes de bater na porta da sala do Senhor Falcone.
— Entre... - a voz dele mais uma vez faz meu coração saltar em meu peito.
— Lembre do chulé insuportável, Crystal... - murmuro para mim mesma antes de empurrar a porta. - Bom dia, senhor. Trouxe o café.
— Bom dia, Srta Amber - Ele sorri calorosamente para mim, me pegando desprevenida.
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Atualizado até capítulo 41
Comments
Vera Lúcia
eita
2024-10-15
0
Fatima Vieira
O q Alice esconde
2024-08-18
0
Amore
Ah até eu ficaria encantada com esse sorriso lindo dele ai ai🥰🥰🥰🥰🥰🥰🥰🥰
2023-04-05
0