Tormenta.

Eu estou correndo pelas ruas. O ar no meu pulmão queima e meus músculos doem. Continuo correndo sem que eu consiga parar, constantemente olhando para trás. Minhas mãos estão sempre segurando minha barriga, que ao olhar para baixo percebo estar grande, como se estivesse nos meses finais de uma gestão. A sensação de desespero no meu peito aumenta drasticamente.

As ruas da cidade desconhecida estão desertas, ninguém aparece para me ajudar. O som dos muitos passos ficando cada vez mais próximos a medida que os meus se tornam mais lentos. Ainda assim, eu não ouso desistir, vendo uma esquina a frente que pode me dar alguma vantagem. Atrás de mim, eu ouço vozes chamando, furiosas. E assim que faço a curva, eu tropeço e caio no meio da rua.

Eu me apoio sobre minhas mãos antes que minha barriga atinja o asfalto, soltando um grito de dor quando o impacto fere minhas palmas e joelhos. Tento recuperar o fôlego enquanto correm na minha direção. É neste momento que a luz me atinge. Um par de faróis brilhantes no meio da tempestade, vindo para mim em alta velocidade.

......................

Eu acordo em um susto, encarando a escuridão enquanto tento distinguir onde estou. Meu quarto, no apartamento alugado que divido com minha irmã Alice e a pequena Sophie. Suor frio escorre pelo meu rosto e costas. Ao passar a mão no rosto, percebo que estava chorando.

A porta se escancara antes que eu tenha tempo de me recuperar, e a luz que Alice acende fere os meus olhos, me forçando a puxar o edredom sobre a minha cabeça. Percebo então que Sophie também está acordada, a culpa atingindo meu coração como um soco bem dado.

— Crystal, o que houve? - Alice e Sophie se acomodam na cama, a garotinha se arrastando até mim e puxando a coberta, provavelmente pensando que é uma brincadeira de esconde.

— Eu... - as palavras dão lugar a um soluço quando eu me lembro do pesadelo, me agarrando ao corpo pequeno e delicado da minha filha, que brinca com os meus cabelos como se entendesse a gravidade da situação. - Parecia tão real... E depois do que houve mais cedo, eu...

Começo a chorar outra vez, completamente incapaz de conter o turbilhão emocional que me atinge em ondas. Sem entender totalmente a situação, Alice passa seus braços ao meu redor, se juntando a mim e a Sophie. Nós ficamos abraçadas por alguns minutos, enquanto lentamente eu me recupero do choque.

— Ali... Eu acho que estou enlouquecendo. Eu não consigo me lembrar de quem eu sou, da minha vida... Eu estou com tanto medo. - Minha voz mais parece um chiado, e eu sinto Alice ficando tensa com as minhas palavras. Ela parece genuinamente preocupada, o que me faz sentir culpa.

— Talvez trabalhar nessa empresa nova não seja uma boa idéia, Crystal. Você tem estado muito agitada e estranha desde que foi chamada para ser assistente daquele cara.

— Eu só estou lá há dois dias, Ali... É muito cedo para desistir, não acha? - o olhar intenso de Lucian volta a minha mente, fazendo meu rosto esquentar. - E o Senhor Falcone parece ser um bom patrão. Eu acho que posso aprender muito como assistente dele.

— Senhor Falcone?! - Ela me solta como se tivesse levado um choque. - Lucian Falcone??

— Sim... Eu pensei que tivesse te contado sobre isso ontem... - A observo com atenção.

— Não contou, não! Você só mencionou que era uma grande empresa e que as secretárias foram idiotas com você. Não disse nada sobre trabalhar para aquele cara.

— Talvez eu não tenha achado necessário. Não é algo tão grande no fim das contas. Mas o salário é bom e vai nos ajudar bastante, além de garantir o futuro da nossa princesinha aqui!! - Brinco com Sophie, que gargalha adoravelmente enquanto eu faço cócegas em seu corpinho.

— Você não pode continuar trabalhando lá, Crystal!! De forma alguma! - Alice praticamente grita, andando de um lado para o outro no quarto.

— E por quê não? Eu queria um trabalho desafiador e consegui um... Não pretendo jogar a toalha com apenas dois dias por lá. - ergo os olhos para Alice, que passa as mãos nos cabelos ainda sem parar de andar. - Dá pra se aquietar um instante? Tá me deixando enjoada.

— Você ainda não entendeu a gravidade da situação?! Aquele cara é um mafioso, Crystal!! Ele têm mais inimigos do que conseguimos imaginar. Trabalhar com ele, ainda mais em um cargo tão próximo desse jeito, é o mesmo que colocar sua vida em risco.

Eu abro a boca para responder, mas não consigo pensar em nenhum argumento. No fim das contas, eu sei que ela têm razão. E ela leva apenas alguns segundos para entender isso, também.

— Crystal Amber, você não vai me dizer que já sabia sobre isso e que pretende continuar trabalhando lá de qualquer forma, não é? - O olhar que ela me direciona é ameaçador.

— É... Eu quase fui atropelada mas...

— Você perdeu o juízo??!! - ela grita, assustando a mim e a Sophie. - Já pensou no que vai ser da Sophie se acontecer algo com você, Crystal?? Peça demissão dessa empresa.

Quando Sophie começa a chorar, eu me levanto com ela e deixo Alice com suas paranóias e preocupações, levando minha filha para a sala de estar onde fica meu teclado.

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Comments

Gedena Airam

Gedena Airam

☝️🤡 QUE BOM QUE NO MEIO DO SUSTO SEMPRE TÊM ALGO DE BOM PRA NOS FAZER RIR, COMO O COMPORTAMENTO DA GAROTINHA ‼️
BRINCANDO DE ESCONDE ESCONDE ☝️😁

2024-12-16

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Gedena Airam

Gedena Airam

☝️🤡 É POSSO TÁ JUGANDO APRESSADAMENTE...
MAIS MESMO ASSIM...
TÔ COM UMA PULGA ATRÁS DA UREIA ‼️🤔

2024-12-16

1

Gedena Airam

Gedena Airam

☝️🤡 ÔPAIO EITA ZORRA ‼️
NÃO TÔ DIZENDO, QUE NESSA FEIJOADA TÊM FEIJÃO ⁉️🤔

2024-12-16

1

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