Viktus consegue sentir a areia penetrar em seus machucados lhe dando uma sensação de ardência assim como o sol forte que parece deixar a areia quente como a lava queimando seus pés descalços.
Sem qualquer tipo de vestimenta com excessão de uma fina tanga ele caminha como um morto vivo, lento, cabisbaixo e com hematomas pelo corpo. Ele se sente fraco pois há 3 dias em que não come refeição o suficiente. Ele entra em forma com os demais meninos da qual a testa da formação é composta por rapazes mais velhos, altos e experientes. Seu irmão Andreas se encontra ali no meio, ele está sério e imóvel como uma rocha.
O Polemarco anda pelo meio dos garotos, olhando-os de cima a baixo procurando algum sinal de fraqueza ou não resiliência. O homem vai para a frente da tropa e espera, um grupo de soldados com novos meninos parar em sua frente, os futuros soldados se apresentam a ele o fazendo dizer:
- Entrem em forma, meninos.
Viktus arregala seus olhos após uma das crianças se virar, ele tenta espiar de cantinho e consegue vê Daro com seu olho esquerdo completamente inchado. Seu amigo caminha mancando até a retaguarda e para uma fileira atrás de Viktus.
- Hoje teremos um treinamento de Pancrácio e defesa pessoal para os meninos de 7 a 14 anos e para os demais... teremos treinamento de falange. Vão para suas respectivas áreas de treino. Dispensados.
Os futuros soldados se desperçam, Viktus vê que aquela é a oportunidade perfeita para falar com Daro e seu irmão. Ele olha para os lados e seu irmão já tinha se deslocado para o CT. Daro anda com dificuldades devido o grande hematoma em sua perna. Viktus tenta se aproximar mas é apressado pelo seu instrutor.
Os garotos ficam em fila em frente aos seus instrutores. Danael olha para as crianças e diz que se a sua equipe vencer, na janta eles terão direito a um pedaço de javali como recompensa.
Um círculo é formado, as regras são básicas: Todos os rapazes irão lutar 1 vez com cada adversário, eles estão dividos em 4 grupos com 10 alunos, não há equilíbrio entre a idade dos participantes e a única regra é evitar golpes nas genitálias e dedo nos olhos. Viktus olha para seu irmão que lhe responde com um pequeno sorriso.
Andreas é o primeiro a lutar, seu adversário tem sua idade porém é mais alto. Eles tomam suas posições de luta e levantam a guarda, um grito de começo é dado. Andreas não perde tempo e com um golpe forte no estômago já derruba seu adversário que tenta reagir, porém leva um chute no nariz. O sangue começa a escorrer, numa medida desesperada o jovem garoto tenta agarrar a perna de Andreas que rapidamente lhe aplica outro soco, um golpe rápido e potente que desmaia o seu rival. Os rapazes de sua equipe começam a vibrar e a comemorar a vitória. O noucateado é retirado sendo arrastado pelos seus companheiros o mais rápido possível.
Daro e um jovem 2 anos mais velho vão a roda, eles são os próximos. Ambos se encaram. O mais novo não aparenta mas está com medo, não de perder mas sim do que pode acontecer com sua perna machucada.
O seu rival tenta lhe chutar mas ele rapidamente consegue se esquivar, seu pequeno tamanho lhe dá mais agilidade, porém sua força é completamente desproporcional comparada com a do outro participante. Daro o agarra pela perna assim o derrubando, porém acaba recebendo um forte chute no queixo que o deixa tonto, o outro menino sobe em sua barriga e o começa a golpear no rosto. Daro sente o sangue sair de seu nariz, assim como a fraqueza que toma conta de seu corpo e fazem sua visão ficar turva, a cada golpe em que recebe e como um apagão sua mente parece ir até o Campo Elíseos e retornar. Ele sente uma coisa esférica em sua mão e a segura com força, e com um movimento rápido e com o seu último resticio de força ele golpeia o seu adversário. Os socos param e ele se levanta, bambeando e com os olhos fechados devido a grande quantidade de sangue que escorre até eles, ele parece escutar gritos mas os zumbidos não o deixam compreender.
Ele sente uma mão o segurar e que limpa seu rosto, ele abre os olhos com dificuldades e vê toda sua equipe comemorando, o outro menino foi atingido em cheio por uma pedra bem no meio da testa, um golpe forte que o nocauteou. O perdedor é retirado e rapidamente é arrastado brutalmente até os médicos.
Viktus comemorar a vitória do seu amigo como se fosse a sua e Andreas bate palmas secas pela vitória. Várias lutas se passam e a areia começa a ser pintada pelas manchas de sangue, o grupo de Viktus empata com um dos demais e assim chega o momento decisivo
- Viktus você é o próximo. Você é o filho de Brasidas, não nos decepcione e ganhe essa luta.- Diz seu instrutor com um sorriso no rosto e tamanha confiança.
Este é o grande momento, todos olham para Viktus e esperam uma grande luta do filho do lendário Brasidas, seu irmão fica com uma expressão séria mas por dentro está preocupado com seu irmão. Viktus respira profundamente e olha de cima a baixo seu adversário: Um garoto que aparenta ter sua idade porém um pouco mais robusto
O silêncio domina todo o local, somente o som do vento e das aves que sobrevoam por perto pairam no ar até o grito de " LUTEM!!" dominar a área acompanhado de gritos empolgantes da torcida. Viktus rapidamente se locomove e acerta o primeiro golpe, o outro garoto vai um pouco para trás, Viktus pensa que esse é a hora certa de atacar novamente mas acaba sendo surpreendido com um forte chute na barriga que o desestabiliza na hora o fazendo cair no chão com lágrimas nos olhos. Nesse momento todos que antes torciam a seu favor começam a debochar e lhe chamar de fraco por chorar, Viktus se levanta com uma fúria indescritível de que nada adianta pois rapidamente é golpeado com um soco bem no meio de seu nariz que o derruba e fazendo assim o não se levantar mais. Ele fica numa posição fetal caído ao chão com vergonha e derrotado.
Todos ali começam a debochar do menino, sua equipe o abandona e nem mesmo seu instrutor o tira do local, Andreas olha para ele com pena, mas antes mesmo de fazer algo seus amigos o puxam para longe.
O garoto fica sozinho e chorando. Sua cabeça está a milhões, ele está se sentido um desonrado. Viktus sente uma mão tentar lhe puxar mas ele rapidamente se solta e pede para ficar em paz
- Vamos, logo... amigo. Amanhã é um outro dia- Uma voz lhe diz
Viktus ergue sua cabeça e vê Daro, com uma gaze ao arredor da cabeça e com seu olho esquerdo completamente inchado e semi aberto. O garoto segura a mão de seu amigo e se levanta com dificuldade
- Obrigado, Daro. Você está bem?
- Te pergunto mesmo
- Vem, vamos descansar... a próxima lição é quando o sol chegar a quase no oeste. Ainda temos tempo de brincar.
Os dois amigos, apoiam- se um nos outros e caminham lentamente e com certas dificuldades até os seus alojamentos, a inocência de ambos ainda não lhes fizeram perceber que somente os fortes são privilegiados nesse local mas eles sabem que isso que passaram é só o começo e que coisas piores que estão por vir.
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Atualizado até capítulo 78
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