A chuva cai e inunda a floresta, poças de água se formam na terra onde um dia plantas irão florescer, o vento gélido sopra de norte a sul como uma grande correnteza que provém dos Campos Elíseos, Brasidas sente a leve brisa passar em meio aos fios de sua longa barba.
Viktus para ao seu lado e se agacha portando um pequeno arco e flecha, ele respira profundamente, puxa com suavidade a corda e a solta. O pequeno coelho corre em rumo a sua toca deixando o menino frustado por ter errado o alvo.
- Não se preocupe. Na próxima você acerta. Vamos procurar mais um antes do anoitecer.
As árvores se balançam de um lado para o outro, a brisa bate nas folhas fazendo parecer que elas assobiam e o chamam. O garoto começa a se tremer da cabeça a os pés assutado com o barulho mas rapidamente se recompõe ao vê seu Pai se ajoelhando e o chamado com um gesto de mão.
Um belo cervo está parado, sua galhada é longa e pontiaguda seu pelo é branco como a neve que cobre o Monte Taigeto.
- Esse ser é a personificação de Zeus... Deixe ele passar e em breve continuaremos. Não faça movimentos bruscos. Ele representa tudo que Gaia nos deu e pode tirar.
O Grande quadrúpede percebe uma movimentação estranha ao seu redor, ele olha diretamente para um matagal fixamente que dele pula uma Leoa que erra seu ataque e faz o cervo sumir em meio a floresta. A felina fareja algo a sua proximidade e começa a encarar Brasidas e Viktus, seus olhos amarelos que parecem representar a morte se cruza com os deles, Brasidas já rapidamente fica em posição de ataque com sua lança, o coração de Viktus começa a disparar assim como seu suor que escore frio até suas mãos trêmulas, o animal começa a se aproximar e repentinamente ele para, emite um forte bocejo e vai para a direção contrária fazendo pai e filho respirarem aliviados.
- A natureza hoje não está pra brincadeira - Debocha Brasidas.- Vamos continuar atrás do Coelho
Pai e criança se locomovem mais a dentro da floresta, quanto mais entravam maior se torna o canto dos pássaros. O guerreiro observa um coelho gordo distraído comendo um pedaço de raiz que se desprendeu do solo, ele pede para que seu filho fique atento, respire e solte o arco sem pensar duas vezes
- Mire no pescoço ou coração. Para ser um abate indolor.
Viktus entrelaça seus dedos na corda, fecha seu olho esquerdo, expira e inspira lentamente, as batidas de seu coração começam a diminuir, ele lentamente puxa a corda e a solta com toda sua força. A flecha atinge em cheio o animal no pescoço.
- Excelente, garoto!- Comemora Brasidas.
O homem puxa o projetil do roedor, o admira atentamente e o coloca sobre os ombros.
- Vamos pra casa. A sobremesa hoje será coelho assado.
No caminho de volta o tempo se fecha, o as nuvens ficam acinzentadas e Zeus parece querer começar a fazer seu trabalho quando sons de trovões e relâmpagos tomam conta dos céus. Viktus aparenta estar abalado com algo, ele está pensativo e muito quieto como de costume, seu pai percebe que há algo errado e lhe pergunta o que o aflige
- Eu tive pensando: Matar uma pessoa é igual matar um animal? sabe é assim tão fácil tirar uma vida? O meu Agoge é daqui a um ano e eu não me sinto preparado em ter de ferir alguém ou até matar em uma guerra.
- Garoto. Matar nunca é fácil, mas você se acostuma. Os inimigos de Esparta não são pessoas, eles são animais fracos que precisam ser abatidos da forma mais cruel possível... alguns são fortes e são esses que merecem nosso respeito e quando tiver a oportunidade de o abater, mate-o rapidamente e de forma indolor. Alguns deles podem até lhe causar admiração.
Viktus leva as palavras para sua cabeça e nada diz. A noite começa a cair , tal como a lua que começa a tomar conta do horizonte.
Gorgo e Sullis estão preparando a mesa. A lareira acessa aquece a casa porém o frio intenso de mesma forma prevalece. A porta se abre para a felicidade das duas, Brasidas e Viktus voltam com um coelho gordo e antes saudável. A família se senta a mesa e devora a comida rapidamente para chegar logo na sobremesa.
- Aretha não vem comer?- Pergunta o garoto
- Ela dormiu. Disse que não estava com fome- Sullis responde
O roedor é servido e ele é apreciado por todos. O menino guarda um pedaço para Aretha e sobe com as escadas, ele bate na porta do quarto e a doméstica o abre, ela está com um olhar fundo e uma camisola branca que realça seu belo corpo. Viktus dá para ela a comida servida em um prato, ela demonstra seus belos dentes brancos, seu sorriso esbelto deixa o garoto até um pouco sem graça.
- Obrigada, Viktus. Foi você que caçou?
- Foi eu!!- Ele fala com convicção
- O pequeno garoto já está virando um homem.
Viktus balança a cabeça e dá as costas, mas a mulher o segura pelos ombros, ele se vira e olha diretamente para aqueles olhos límpidos como a água.
- Eu nunca tive a oportunidade de lhe agradecer por tudo que fez por mim- Ela lhe diz o dando um beijo na bochecha
- Eu que te agradeço. Você sempre cuidou de mim e da minha irmã.- Ele a responde com o rosto corado.
Ele vai para seu quarto sorridente e incrédulo por esse beijo recebido, tal ato fez se perguntar se futuramente ele terá uma mulher tão bela ao seu lado quero for um homem ? a primeira opção em sua cabeça é a Kiara mas ele rapidamente tenta desviar o pensamento já que uma Ateniense jamais lhe dará filhos fortes.
Ele admira a cidade pela janela, as luzes da cidade parecem se fundir com a do luar, ele foca seu olhar num grupo de rapazes nús portando escudos de bronze e uma lança. No meio desse garotos há seu irmão que mesmo com 13 anos de idade possui um corpo definido e escultural. Viktus não consegue vê com tamanha clareza os futuros guerreiros porém ele sabe que seu irmão está ali no meio devido a maneira de um jovem se comportar: se preocupando com os que ficaram para trás, seu pai sempre elogia seu irmão e diz de seus feitos fabulosos que lhe fazem desejar logo chegar aos seus 7 anos.
- Vai dormir, pirralho. Amanhã é dia de ajudar a mamãe com a plantação... Até hoje não entendo o motivo pela mamãe gostar tanto de plantação... isso é trabalho dos prisoneiros.- Sullis braveja se deitando na cama
- É porque a mamãe gosta de não depender de ninguém
- Que seja. Vai dormir logo, pirralho.
- Posso te fazer uma pergunta?
- Que???
- Você tá gostando de alguém? Sabe alguém com quem você planeja ter filhos?
- Se você tiver pensando naquela garota Ateniense eu já te falei. Mulheres como ela jamais podem dar a luz a um grande soldado e você ainda é muito novo pra se preocupar com isso. Mas respondendo sua pergunta... o garoto do qual eu pensei que estava gostando fez besteira comigo. Ele me usou como um meio fútil para se aproximar da minha amiga, não culpa ela... eu que deveria ter notado que ele não prestava
Você vai arranjar um cara legal um dia. E ele vai ser um grande Polemarco. Você é bonita igual a mamãe
Valeu, Pirralho. Vamos dormir logo.
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Atualizado até capítulo 78
Comments
nimorango
👏🏽👏🏽
2023-01-20
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