Alexios ainda está tentando enteder o que acabará de sair da boca de Viktus. Ele está espantado com a notícia, ele se senta sobre uma grande pedra que dá uma grande vista periférica de uma área aberta da qual ele pode vê os belos leões junto de seus filhotes. Ele respira e pergunta:
- Seu pai traiu sua mãe com sua empregada e você conseguiu salvar os dois de serem expulsos de casa?
- Parece difícil de se acreditar?- Viktus se senta ao seu lado
- Você é um herói! Aqui em Atenas esse tipo de coisa é raro... o papai trai a mamãe toda hora mas ela não diz nada o que sua mãe fez quando descobriu?
- Ela o socou tão forte que o derrubou no chão.
Alexios fica impressionado, ele havia visto a mãe de seu amigo mais de quatro vezes mas sempre a admira com brilho nos olhos devido sua altura e força. Ela comparada com sua mãe é como se fosse um leão perto de uma bela gazela.
Sullis abraça Viktus por saber que isso não deve ter sido fácil de se lidar, seu irmão olha para ela com certo ciúmes mas rapidamente se concentra em outra coisa: Um belo leão macho, forte e robusto que passa pelo belo campo aberto florido.
- Ele certamente deve ser parente do Leão de Neméia- Se impressiona Viktus
- Eu admiro Hércules por conseguir abater uma criatura tão forte como essa...- Lhe responde boquiaberto Alexios.
Kiara olha ao redor daquela bela fera e vê sua fêmea, o animal caminha até ela e começa a lamber enquanto seus filhotes são amamentados. De longe as três crianças conseguem ouvir seu ronronar.
Uma voz feminina eccoa pelas redondezas e lhes fazem se virar em sua direção. A mãe dos Atenienses lhes chamam fazendo o casal de irmãos ir a seu encontro. Viktus acena com suas mãos e eles fazem o mesmo.
O Espartano vai até a barraca de sua mãe e a vê organizando as sobras, ele se senta na carroça e espera ela terminar.
O inverno está se aproximando, a viagem de volta a Esparta foi congelante. De longe eles conseguem vê o monte Taigeto coberto por gelo, eles deveriam vê o brilho da cidade a frente, porém a neblina é densa e nada dela escapa. A criança está acuada e segurando fortemente o braço de sua mãe e o aperta a cada barulho que escuta sair do matagal. Gorgo nota isso e dá um um sorriso rápido e sem jeito.
- Você não deveria temer a noite. Criança
- Eu não temo a noite. Eu temo o que tem nela
- Daqui a dois anos você irá se tornar um guerreiro... um bom guerreiro não tem medo de nada e nem mesmo a morte já que Ares nos abençoa sempre.- Gorgo lhe conforta e sentido a pressão em seu braço se afrouxar lentamente - Chegamos em Esparta.
As luzes da Polis fazem Viktus se sentir aliviado. Passando pela grande praça central eles vêem Andreas praticando corrida juntos dos outros meninos, ele é rápido e termina em primeiro lugar com facilidades. Viktus balança sua mãe esquerda lhe cumprimentando a distância e seu irmão lhe retribuiu com um simples balançar de cabeça.
Eles sobem a colina após deixarem o cavalo e carroça com seu dono, Gorgo segura as sobras de pães em uma caixa e Viktus segura duas jarras de vinho de porcelana. Adentrando na residência; Sullis e Aretha estão montando a mesa para o jantar enquanto Brasidas está sentando na esteira batendo um bom papo com Antônio e pelas suas trocas de olhares coisa boa que não é.
Todos estão reunidos na mesa, sobre ela há uma grande carne de cervo. O que antes era motivo de comemoração parece mais um funeral, todos estão calados e olhando atentamente para Brasidas com excessão de Aretha que abaixa sua cabeça.
- E então... Já se passaram dois meses e até agora você sequer se desculpou com minha filha.- Antônio provoca dando uma golada no vinho
- Eu não tenho do que me desculpar... Eu errei e não irei cometer esse erro de novo.- Ele responde Antônio friamente- Licença, eu vou comer no armazém - Brasidas pega seu prato com dois pedaços de pão mergulhados numa sopa de legumes.
- E o cervo, pai?- Sullis tenta lhe chamar
- Não estou com muita fome.
A família começa a comer sem dizer uma palavra e assim termina. A hora de dormir chega mas Viktus está inquieto em sua cama, ele se levanta, vai para o quintal e ali se senta no banco em frente a entrada. Ele admira as estrelas e o belo "rasgo no céu" feito pelos titãs há anos atrás. " Não consegue dormir?" uma voz grossa paira a sua estreita
- Estou sem sono. Vovô
- Eu também.- Antônio responde sentando no chão ao lado de seu neto
- Noites lindas como essa me fazem lembrar das Termópilas... após as batalhas todos se reuniam para se ajudarem com os ferimentos e cantar para Ares admirando as estrelas. Até que uma noite os persas atacaram e nós mesmo assim conseguimos repelir os seus avançar. Perdi bons amigos naquela noite mas sei que um dia irei os reencontrar no pós vida. Mesmo sabendo que podiam morrer eles foram corajosos... todos nós fomos
- Vovô... Eu tenho que de fazer uma pergunta...
- Faça, meu neto
- É normal um guerreiro ter medo? Eu hoje tive medo dos animais da noite... tive medo do escuro e de ser morto por lobos. Eu sou fraco?
Antônio coloca as mãos nas costas de seu neto, dá um sorriso amarelo e lhe responde dando atenção novamente as estrelas
- É normal ter medo. Eu tive medo de morrer. Inúmeras vezes porém eu o superei. "Um fraco é aquele que guarda para si seus medos. E o forte é aquele que os compartilha, mesmo sabendo que não pode o superar" Foi a frase que o Leônidas me disse no dia em que ele me liberou. Até hoje eu não a entendi direito o que eles quis dizer. Aquele desgraçado corajoso, eu fiz de tudo para ficar e morrer ao seu lado, junto dos meus companheiros mas ele me disse: "Ainda há inúmeras batalhas para você lutar. Se você morrer hoje, quem irá contar nossos feitos para as futuras gerações? quem irá liderar Esparta para a vitória ao lado de Hellas?"... Eu retornei para Esparta e fiz exatamente o que ele me disse... contei nossos feitos e inspirei homens e mulheres. Bom, logo após isso fui promovido a Polemarco e foi na Batalha de Plateias onde provei meu valor. Mas isso é uma história para uma outra noite... me empolguei de mais.
- Então é normal ter medo?
- Sim. Só não deixe ele te dominar.
A gelada brisa bate em suas feições, ela faz a longa barba branca de Antônio parecerem como trigos cobertos de neve que balançam de um lado para o outro. Viktus se levanta, aperta a mão de seu avô e vai para cama.
A porta do quarto de sua mãe está aberta, um som estranho sai de lá de dentro. Ele se aproxima lentamente e vê algo que ele jamais iria esperar: Sua mãe sentada na cama, chorando baixo para não acordar os demais. O garoto chama pela mãe que rapidamente enxuga suas lágrimas e tenta disfarçar, se senta ao lado de Gorgo e coloca sua cabeça em seus ombros
- Por que você tá chorando? é por causa do papai?
- É... a mamãe tá furiosa com ele. Mas não se preocupe isso vai passar. Vai dormir... amanhã você tem de treinar com seu pai vem cedo.
- Eu posso dormir com você?
- Você já tá bem grande pra...
- Não é isso... eu li num livro que um homem jamais deverá deixar uma dama triste sozinha.
Gorgo coça seus olhos claros feito esmeralda que parecem estar cercados por um rio de lava devido tamanha vermelhidão. Ela agarra seu filho e o derruba o fazendo se deitar em seu lado, os dois trocam gargalhadas.
- Boa noite, mãe.
- Boa noite, criança. Obrigado por isso.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 78
Comments