O sol está no meio dos céus, os pássaros nas árvores estão com seus bicos abertos e nenhum cachorro na rua late, o solo parece como um caldeirão borbulhante. Uma casa lá no alto de uma pequena colina Espartana há um homem forte, com uma túnica, descalço e todo suado treinando com seu pequeno filho que está igual a seu pai com a excessão de utilizar sandálias.
O menino quer parar mas não pode. Treinar até o limite faz parte de seu castigo, seu pai lhe prometeu dar um descanso caso seja derrotado, mas já faz mais de 4 lutas e nenhuma vitória.
- Deixa o menino descansar- Antônio sentado em uma cadeira em frente a entrada da casa pede para Brasidas
- Ele precisa aprender a ter disciplina.
- Eu sei. Mas dá um tempo para o menino e você também tá exausto de uma pequena pausa e quando você voltar ele vai te ganhar
- Você aposta mesmo nisso seu velho?
- Eu lutei ao lado de Rei Leônidas nas Termópilas e também junto do grande estrategista Themistocles de Atenas lá em Salamina... eu sei como motivar soldados.
Brasidas dá uma pequena risada debochada, coça barba mas acaba cedendo os pedidos de seu sogro. O guerreiro enxuga seu suor e adentra na casa deixando vó e neto a sós. Antônio pede para Viktus se aproximar, enxuga o suor dele com as mãos e o segura pela cabeça o olhando diretamente no olho
- Garoto. O cansaço é psicológico e se lembre: Um guerreiro sabe quando seu adversário é superior e por isso deve lhe tratar com respeito, porém é nescessário utilizar de tudo para ganhar. Utilize o terreno e solo como arma e vantagem.- Ele lhe dirige a palavra
Antônio o solta quando Brasidas retorna, pai e filho vão para a arena improvisada e ficam em sua posições, o pai ergue seu dedo e Viktus faz o mesmo gesto dando início a luta. Viktus tenta golpear seu pai mas não consegue, Brasidas o segura pela a cabeça e o derruba no chão só com um simples empurrão, o menino bate no chão furioso e rapidamente se levanta " Você precisa se acalmar. Num campo de batalha se deixar a raiva te dominar você é morto" Brasidas lhe aconselha.
O vento bate na areia a levantando, Viktus respira profundamente e vê pequenos grãos indo no olho de seu pai o fazendo dá rápidos pisques oculares, o menino coça seus olhos quando o mesmo lhe ocorre " Utilize o terreno e solo como arma" são as palavras que lhe vem a cabeça. Brasidas tenta derrubar o menino mas ele esquiva rapidamente com um rolamento, com sua mão esquerda ele pega a areia e joga no rosto de Brasidas o cegando momentaneamente e com um único soco no queixo ele derruba seu pai no chão. O menino começa a comemorar como se não houvesse o amanhã até que ele sente uma enorme falta de ar e braços duro como uma pedra lhe agarrando pelo o pescoço, Viktus ergue suas mãos e sinaliza a desistência, ele vai ao chão tossindo e aliviado por voltar a respirar. Ao olhar para trás ele vê seu pai com os olhos vermelhos, Brasidas coça seus globos oculares e se senta ao lado de seu filho
- Nunca de as costas para seu adversário sem saber se ele de fato perdeu a luta.- Brasidas lhe diz com uma voz calma.
Viktus sente seus olhos se encherem d' água após ter chegado tão perto e falhado
- Mas... você faz algo incrível hoje. Utilizou o terreno ao seu favor. Isso é o que faz a diferença entre a vida e morte num campo de batalha- Seu pai lhe motiva - Aí seu velho!!! o que você ensinou pro menino? isso foi fantástico
- Eu sei. Ele quase te ganhou quem diria em! Um grande guerreiro como você quase perder pra uma criança! seu fracote
- Por que o senhor não vem aqui pra mim te mostrar o fracote ?
- Eu nem me aguento de pé... quem me dera lutar e outra você tá falando com o tetra campeão olímpico de Pancrácio e eu...
- "Lutei ao lado de Leônidas" é... eu já sei
Viktus fica admirado ao saber que seu avô era um atleta olímpico. A voz de Gorgo lhes chamando para almoçar para o treinamento, Antônio tenta se levantar da cadeira com dificuldades, Brasidas o pega pelos os braços e o ajuda a se locomover para a casa. Os três se sentam ao arredor da mesa junto dos demais. Aretha e Sullis põem as carnes e bebidas na mesa, se sentam e todos começam a devorar.
Viktus enquanto come não para de pensar nas palavras de seu avô e deseja um dia ser um grande soldado assim como ele foi
- Vovô...
- Diga, meu pequeno
- O senhor ainda tem a Coroa de Louros?
- Não, meu pequeno. Mas no dia em que você tiver a oportunidade de ir a Olímpia... vá até o monumento dos campeões.
Gorgo pede para seu filho parar com as perguntas e comer antes de sua refeição esfriar. Ao término Brasidas chama Viktus para uma caminhada, pai e filho caminham lentamente para a fora da cidade. A noite começa a cair e as corujas começam a sair de suas tocas e iluminam a floresta com seus olhos amarelos, grandes e redondos.
Brasidas para repentinamente em frente a um terreno plano, onde as árvores davam lugar há troncos e arbustos mortos.
- Foi aqui onde eu tive minha primeira batalha aos 20 anos... os Tebanos se revoltaram e tentaram nos atacar. Perdi um grande amigo naquele dia... o seu tio ele pereceu ali mesmo, onde tá aquela poça- Brasidas aponta- Mas em compensação eu prometi que quando eu retornasse eu casaria com sua mãe... seu avô meu Polemarco...
- Você lutou ao lado do vovô? como ele era?
- Esperto e mortal... Ele até tentou fazer de tudo pra me matar pois não queria que sua filha se casasse com um Malaka como eu. Ele me pôs na frente e bem no meio da parede de escudos, mas eu sobrevivi " Você até que leva jeito, garoto. Mas se você decepcionar minha filha eu mesmo te mato" ele me disse com aquela voz roca.
Os dois ficam em silêncio por um momentos, apenas admirando o local, Viktus com sua imaginação começa a pensar nos soldados que ali lutaram, nas suas vozes e até mesmo fantasmas que vagam pelo terreno.
Pai e filho vão a caminho de casa, Gorgo os espera na porta e os recebem sorridente, a bela mulher pergunta onde eles foram "A gente foi num antigo campo de batalha. Lá é muito legal". Viktus lhe diz saltitante, Brasidas se agacha em frente ao menino e lhe diz:
- Você tem tudo para me superar. É só treinar.
O garoto abre um sorriso de ponta a ponta e pergunta para sua mãe:
- Mamãe, posso ler um livro?
Brasidas fecha o rosto, diferente de sua mãe que só não comemorou pois tal ato deixaria seu marido com uma vontade imensa de quebrar tudo, ela balança a cabeça positivamente e dá a chave da biblioteca para seu filho que sobe as escadas rápido como o vento.
A luz entra bela a janela, tais como os cantos dos grilos que fazem uma serenata junto com os uivos de lobos. O menino lê de cabo a rabo um livro. Já faz 2 horas que ele está vidrado nos belos poemas de Sócrates, ele deseja um dia o encontrar na próxima vez que for Atenas. O menino perde sua concentração e começa a escutar gemidos do outro lado parede tais como os gritos altos de sua mãe. Apesar de sua baixa idade ele já sabe o que está acontecendo, ele pensa num plano de deixar os pais constrangidos por apenas diversão " Vou perguntar para eles o que estão fazendo e perguntar quando eu vou ter outro irmão."
Ele abre a porta da biblioteca, fica a espreita da porta do quarto mas ele para ao vê Aretha com um belo vestido de dormir branco sentada e com as mãos em suas partes íntimas bem em frente ao quarto de seus pais. Viktus dá um sorriso malicioso e se lembre que Aretha de certa forma ainda é jovem e isso é "normal" segundo as palavras de sua irmã que lhe disse quando ele a pegou fazendo o mesmo um dia em seu quarto.
O garoto vai para a cama, tranca a porta e se deita, Sullis está com seu travesseiro na cabeça e cobrindo seus ouvidos
- Do jeito que eles estão, não vai demorar para termos outro irmão.- Ela resmunga
- Mas eu quero ter um...
- Poisé eu não... vou ter mais um pirralho pra encher meu saco e já basta você.
Viktus coloca seu travesseiro na cabeça e tampa seus ouvidos, ele vira de lado e fecha seus olhos sorrindo pela sua irmã e ansioso por talvez uma possível chegada de um novo irmão.
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Atualizado até capítulo 78
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