O céu estava coberto e os raios solares tentavam escapar pela uma pequena brecha das nuvens. Atenienses, Espartanos, Tebanos... todos ali unidos batalhando contra os Persas. Pausanias e eu lutamos no lado direito da falange Espartana, aquilo não foi uma batalha e sim um massacre. Em apenas um pequeno curto prazo de tempo após nossa falsa retirada os Persas tentaram nos seguir... porém nós usamos a descida do morro a nosso favor e os atropelamos com nossa falange. Nada escapou, nem mesmo a cavalaria. Havia um mar de sangue e vários corpos de inimigos espalhados pelo chão.
Os malditos após esse mar de sangue dali fugiram com o rabo entre as pernas. Seu avô aqui, naquele dia fez uma verdadeira chacina. Nossa falange era impenetrável e rígida, por mais que tentassem ela não tinha abertura... foi nesse fatídico dia que eu tive meu apelido dado por Pausanias. Após a batalha eu estava completamente sujo de sangue assim como minha espada que já tinha ficado cega "O Urso da Lacedônia" foi do que ele me chamou.
Viktus fica impressionado com a história de seu avô, ele esperava por mais porém já era hora de se encontrar com seu pai para dar início ao treino. Ele abre a porta de sua casa e vê Brasidas ali o esperando sobre uma friagem intensa, a barba dele assim como seus cabelos não param quietos por um momento. O garoto para em frente a ele e pergunta:
- Vamos começar?
- Vamos... vamos começar com uma série de aquecimentos antes de começar.- Ele responde batendo os dentes
Gorgo, Sullis e Aretha que nessa altura já possui uma barriga redonda porém não tão grande sobem a colina e vêem ali os dois. As três mulheres estão com roupas bastante acolchoadas e mesmo assim não se sentem aquecidas o bastante, elas acenam para eles e rapidamente adentram na casa.
- Isso é um bom sinal... Nós só estamos com poucas roupas e não estamos com tanto frio. Parabéns, garoto. Isso é sinal de que seu corpo já está forte contra baixas temperaturas
Viktus se sente feliz com isso, mas na realidade ele está morrendo de frio porém não quer demonstrar isso na frente de seu pai e por isso ele não para de mecher suas mãos e fingir estar correndo parado como forma de aquecimento para expulsar a sensação da friagem.
Antônio decide observar o treinamento dos dois, ele se senta na porta e vê Viktus sofrer inúmeras derrotas de seu pai, o menino não está focado e parece mesmo até está desinteressado em lutar.
- O que tá acontecendo com você? Está cansado?- Brasidas pergunta meio sério
- Não... eu só tô com a cabeça em um livro
- Um livro?
- Sim... eu tô muito ansioso para saber o final e não paro de pensar nele
Brasidas coça sua grande barba e propõe um trato para seu filho: Ele tem um dia para acabar tal livro. E que eles iriam retornar a treinar após o término e não queria vê mais corpo mole da parte de Viktus.
- Dispensado. Vai lá lê seu livro.- O pai ordena
O menino vai correndo para casa, seu avô escutou tudo e faz um olhar de poucos amigos ao encarar Brasidas.
Viktus se tranca na biblioteca da casa por horas, ele lê o livro de cabo a rabo e quando chega no último capítulo ele escuta gritos vindos do lado de baixo. Ele se levanta furioso e desce as escadas. Seu pai, mãe e avô estão discutindo feito leões
- Porra! Você tá defendendo ele? depôs de tudo que ele te fez você ainda defende ele?- Antônio braveja
- Pai, pare com isso! ele sabe o que tá fazendo e eu mesmo disse ele para encorajar nosso filho- Gorgo tenta lhe acalmar
- Você é um idiota, Brasidas. Um fraco! ambos são: Você por perdoar-lo- Ele aponta para Gorgo e você por concordar com a ideia da minha filha!- Ele se dirige a Brasidas
Viktus desce as escadas correndo e para ao lado de seus pais, ele segura Gorgo pela mão que o puxa para seu corpo
- Você não deve falar assim do papai e da mamãe. Eles são fortes! O pather lutou várias vezes e a mather faz de tudo por mim... eles estão me ensinado a ser um bom guerreiro.- Viktus os defende com um olhar assustado
- Um bom guerreiro? vê se acorda! Você é um fracote! Leitura não te salva na porcaria do campo de batalha, seu moleque. Você vai morrer nos primeiros dias após pegar uma espada pois você é um fracote que abandonou Ares para abraçar Atenas!
Os olhos de Viktus se enchem de água, ele se solta de sua mãe, empurra seu avô e grita com todas as forças " EU TE ODEIO!!". A criança sobe as escadas correndo e se tranca no quarto.
- Eu não queria dizer isso...- Antônio se lamenta
- Tá feliz agora? pai - Gorgo braveja com deboche subindo as escadas atrás de seu filho
Brasidas balança sua cabeça negativamente e se retira em direção ao seu armazém. Antônio fica sozinho, sem chão e de certa forma furioso pelas palavras que saíram de sua boca e demonstra isso dando um soco na mesa.
As batidas na porta da biblioteca ficam mais altas, mas ele ignora pois havia fechado ela por dentro e por mais que tentem e forcem ela não pode ser aberta. Viktus começa a chorar e a jogar os livros no chão e até mesmo rasga alguns.
A voz serena da sua mãe sai pelo outro lado da porta tentando lhe acalmar, algo que falha pois ele pede para ela ir embora com um grito e ela o obedece.
Viktus começa a organizar seus livros novamente, ele chora e se segura para não os rasgar novamente, ele se acalma, respira profundamente e deita no chão, ele fica olhando para o teto vazio e cai no sono.
O amanhã começa e assim dá início ao novo dia. Viktus desce as escadas sério, Brasidas percebe o olhar em seu filho. Gorgo, Sullis e Aretha se atentam para a criança e tentam lhe dizer algo mas seu olhar as intimidam as deixando apenas quietas e lhe servindo seu café da manhã.
- Preparado para o treino de hoje? O sol saiu e não está tão frio. Vamos começar seu treino de natação- Brasidas lhe diz virando um copo de água
- Sim, pai... Onde está o vovô?
- Ele ainda não saiu do quarto. Coma rápido e me encontre lá fora antes que o tempo mude novamente.
Pai e filho se encontram, eles andam para fora da cidade e assim seguem por uns 3 KM. A Terra começa a ser substituída por areia e um cheiro forte de peixe começa a pairar no ar. Brasidas se senta na praia e próximo do mar, com sua mão esquerda ele sinaliza para seu filho pra fazer o mesmo.
Navios carregando a bandeira de Esparta por ali passam toda hora fazendo simulações de batalhas navais. Viktus fica impressionado por conseguir vê imensos navios de madeira de perto
- Vamos nadar. Garoto, já vimos demais - Fala Brasidas se levantando e se jogando na água
Viktus lhe acompanha, eles mergulham e vêem golfinhos nadando lado a lado, assim como uma bela baleia que passa bem sobre suas cabeças, o Mar Egeu é dono das mais diversas criaturas sendo assim agraciado por Poseidon.
Eles se deitam na areia da praia e por ali esperam o sol os secar olhando a distância os navios sumirem no horizonte
- Para onde eles estão indo?- Viktus curiosamente lhe pergunta
- Para o porto de Esparta. Os navios por ali ficam assim como os naval
- Eu posso me tornar um naval também?
- Mas é claro. Mas lembre se... a Infantaria é a rainha das armas. Seu avô e eu somos da Infantaria e te aconselho o mesmo. Mas sua decisão é sua decisão só quero vê meu filho me superar.
O garoto fica impressionado e sabe muito bem que pode ficar mais forte que seu pai mas isso vai requerer trabalho duro.
- Garoto,Perdoe seu avô. Ele já está velho porém te ama muito. Ele com toda certeza disso aquilo no calor do momento. Quando chegar lá vamos falar com ele. Certo?
- Certo. Pai
Começa a se dar início ao fim do dia. Garoto e homem sobem a colina, juntos, lado a lado. Eles podem vê sua casa e um grande alvoroço entre sua mãe, irmã e empregada reunidas do lado de fora, Sullis parece abraçar sua Mather abalada com algo. Os dois apertam o passo. Aretha para o menino Viktus no meio do caminho e o abraça fortemente, sem entender o que está acontecendo ele pergunta a ela o motivo de tanto choro, a doméstica se agacha, o segura nos ombros e diz com dificuldades olhando em seus olhos:
- O seu avô... ele foi para os Campos Elísios. Ele está junto dos Deuses agora.
O céu está nublado, a lua está tímida mas mesmo assim consegue iluminar o terreno fértil ao redor da casa. Sobre um altar há o escudo de um antigo guerreiro que foi perfurado por flechas que um dia já cobriram o sol, junto dele há uma espada manchada de sangue seco de anos atrás, assim como um elmo amassado que possui uma longa crista alongada vermelha.
Gorgo pega o escudo e eles caminham lentamente, uma marcha de alguns quilômetros. Perto de uma passagem estreita há uma cova rasa da qual Sullis, e Aretha os esperavam, Brasidas e toda sua família ali se ajoelham ao redor de onde descansa Antônio.
Gorgo coloca o escudo sobre o peito de seu pai e se ajoelha, Viktus se levanta junto dos demais e todos jogam mais moedas além da já posta em sua boca para ajudarem a Antônio a ter uma passagem mais segura ao lado do barqueiro no pós vida.
- É aqui onde você queria ser enterrado... junto de seus companheiros, aqui nos portões quentes... Termópilas será onde seu corpo descansará pela a Eternidade. Que o barqueiro lhe conduza para o descanso eterno no Campo Elísios, Pai.
A cova é fechada e todos ali se retiram com excessão de Viktus que decide ficar por ali mais um pouco, Brasidas ao perceber isso decide ficar ali com seu filho enquanto as mulheres vão purificar a casa.
- Eu não acredito que a última coisa que eu disse para ele foi: " Eu te odeio"- Lamenta Viktus enxugando suas lágrimas
- Ele era um grande guerreiro. Certamente essas palavras nem lhe atingiram, pode ter certeza disso. Lembre-se dos bons momentos em que tiveram juntos. E outra, uma vez em que a gente se falou ele me disse: " Seus garotos tem potencial, amanhã mesmo irei dizer isso para Viktus. Ele é mais forte do que pensa."
Viktus fica em silêncio por um momento, ele relaxa sua mente e imagina seu avô,
bem ali na sua frente lutando ao lado de Rei Leônidas e seus companheiros com um sorriso no rosto por toda a eternidade.
- Ele deve estar feliz lá em Elísios junto de seus companheiros não é?
- Com toda certeza que sim, garoto.
- Eu te amo vovô. Um dia espero te rever e lhe contar tudo o que fiz no mundo dos vivos. O senhor terá orgulho de mim.
Capítulo dedicado ao meu avô Eusébio.
O senhor que me deu inspiração para me tornar o homem que sou hoje e jamais irei esquecer o esforço que me fez para me tornar um Militar da Força Aérea.
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Atualizado até capítulo 78
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