As crianças correm sorridentes com Kiara que lidera a corrida. O sol reluz no oceano do qual barcos atenienses passam de lá para cá.
Os três param ofegantes param lado a lado, os irmãos se olham e dão um forte abraço no jovem garoto de Esparta e dizem bem alto:
- Feliz Aniversário!!
O fatídico dia finalmente chegou, Viktus está prestes completar 7 anos de idade e para sua felicidade seu Agoge finalmente começará em 4 dias. O rapaz está animado mas Kiara está meio cabisbaixa, Alexios sente o mesmo mas não demostra, só o seu modo estranho de se comportar é possível de perceber sua tristeza.
- O seu treinamento vai finalmente começar...- Kiara relembra com uma voz trêmula
- Sim! Eu esperei isso por muito tempo. Não vejo a hora de dar início a ele.
- A gente não vai poder brincar de espada novamente. Não iremos se vê por um bom tempo.
Viktus aperta a mão de seu amigo com força, o olha nos fundos dos olhos e lhe promete com convicção:
- Um dia vamos voltar a brincar de espadas novamente.
Tais palavras lhe provocam um pequeno sorriso. Ele se lembra dos momentos em que passaram, das lições de Pancrácio, dos ensinamentos e até mesmo algumas lições de moral que seu amigo lhe ensinou.
O anoitecer começa a chegar, os amigos fazem questão de acompanhar Viktus até sua mãe. A bela mulher está arrumando suas coisas e em breve irá partir, antes mesmo do jovem dizer algo eles o abraçam juntos. Um abraço forte que demonstra todo o carinho que sentem. Kiara demora a lhe soltar e ao fazer isso lhe aplica um beijo na bochecha que o faz dá um pulo e deixam seu rosto vermelho como um pimentão. Gorgo olha diretamente para a jovem garota, sua expressão é de uma brava leoa que acabou de por os olhos em sua presa. Kiara se afasta de Viktus com a cabeça baixa e percebendo que não será bem recebida por Gorgo caso tente se comunicar.
A carroça parte em direção a região do Pelopenso, Viktus ao vê a bela cidade Ateniense sumir no horizonte sente uma sensação diferente, algo como abandono junto de saudades: abandono por deixar seus amigos para trás e isso é algo que nem ele mesmo sabe explicar já que seu sonho desde sempre foi de se tornar um guerreiro e quando isto está prestes a acontecer ele não se sente feliz como deveria e muito menos empolgado.
Chegando na residência a noite já havia caído, a casa está escura e aparenta está vazia. O garoto abre a porta e é rapidamente surpreendido por aplausos de sua família, ele emite um sorriso e dá pulos de felicidade.
- Parabéns, pirralho!. Amanhã começa seu Agoge... Vai finalmente virar macho - Sullis lhe diz sorridente
Aretha com sua bela bebê gordinha e fofa como o algodão se aproxima do jovem, se ajoelha na sua frente e lhe dá um anel que possui uma pequena jóia verde
- Quando você arranjar uma garota com quem quiser se casar dê isso para ela.
Ele a agradece meio sem jeito, ele pensa na Kiara rapidamente e começa a babar bela boca. Brasidas é o próximo a se aproximar, o homem abraça seu filho e cochicha em seu ouvido: " Seu presente está com o seu irmão. Ele lhe dará no dia em que você completar 15 anos."
- Ah... o que seria esse presente? E ele não seria um presente do meu aniversário de 15 anos ao invés de 7?- Viktus pergunta a ele coçando sua cabeça, meio confuso.
- Você vai entender depois...- Responde Brasidas em tom misterioso.
Sullis vêem segurando um grande javali assado e o põe sobre a mesa, tal iguaria é o prato favorito do menino que já sabe que esse presente partiu dela e de sua mãe. A família come o banquete e ele sabe que este será a última vez que ele terá este momento de união e confraternização pelos próximos anos de seu treinamento.
Sentado do lado de fora ele admira as estrelas, a comida desceu bem em seu estômago e a preguiça começa a bater, ele se levanta e vai até o altar de seu avô, seu ajoelha e sussurra: " Vô, o senhor terá orgulho de mim. Eu serei o maior Soldado que Esparta terá, irei honrar meu escudo até o momento de meu descanso eterno".
Viktus sente algo lhe cutucar pelas costas, ele dá um pulo e vê que quem ali se encontra é Sullis com sua meia irmã Dionísia no colo.
- Vamos sentir saudades de você... Seu Pirralho. Quem diria que meu maninho vai virar um soldado em... tô orgulhosa de você
- Você me dizendo isso? quem é você?
- Não fode, Pirralho. Enfim... quando você vê o Andreas lá dê um tapa nele por mim. Ele certamente fala para os amigos dele que eu sou solteira.
Viktus dá uma forte gargalhada e balança sua cabeça como um gesto positivo, Dionísia começa a querer ir para seu colo, Sullis passa a "Capetinha" para sua responsabilidade e os três retornam para casa juntos. Aretha pega sua filha e vai para a cama e eles fazem o mesmo.
O garoto não consegue dormir, ele vai de um lado para o outro ansioso pelo seu momento, ele tenta colocar o cobertor em seu rosto para seu conforto mas ele não consegue adormecer. Na sua cabeça se passam várias coisas até que uma ideia se sobressai: " Achou que vou tentar lê um livro para pegar no sono".
De sua gaveta ele tira um grande livro sobre Tróia, livro do qual Kiara o emprestou. Ele ainda consegue sentir o cheiro doce do perfume da Ateniense nas páginas. Tal leitura lhe faz o efeito contrário, o livro é tão marcante que lhe faz querer o ler até o final, percebendo isto ele decide pegar um livro de filosofia e o lê de cabo a rabo
O galo começa a cantar, e Viktus abre seus olhos com o livro ainda em sua face e todo babado, seu plano havia dado certo e ele não passou de 5 página. Ele desce as escadas e para sua surpresa há seu pai acompanhado de dois homens portando armaduras, um desse homens para em frente a Viktus e lhe estende a mão
- Eu serei seu tutor nessa sua jornada que se inicia. Meu nome é Danael.
Viktus também lhe estende o braço, o soldado o pega e o locomove até a saída. O garoto olha para trás e vê sua mãe e seu pai com um sorriso no rosto, Aretha com Dionísia no colo que lhe acena se despedindo, Sullis segurando o máximo possível o seu choro para seu irmão não lhe zombar em seu retorno.
A caminhada é curta porém entediante já que nenhum soldado sequer disse uma palavra. Chegando no quartel todos os meninos começam a lhe olhar, os mais velhos começam a rir e cochicharem para si mesmos, dizendo frases incompressíveis. Viktus é posto em um armazém com outros meninos da sua mesma faixa etária, todos com a cabeça raspada com excessão dele e mais três que são chamados e dão um passo a frente, um forte homem pega uma navalha afiada e começa a cortar seu grande e belo cabelo.
Todos os meninos saem do estábulo e fazem uma grande roda do lado de fora. Um senhor de idade ultrajando armadura, recheado de cicatrizes e grandes músculos vai até eles e diz:
- Sejam bens vindos ao inferno, meninos. Os quatro novatos por favor vão para o centro da roda.
Viktus junto dos demais fazem que o que mandando e ficam ali parados com um sorriso no rosto
- O último que ficar de pé irá ter seu almoço garantido pela tarde... Meninos mostrem a esses três o futuro que os aguarda.
Viktus pensa que que irá receber uma motivação, todos os meninos da roda vão na direção dele e dos que estão no meio, ele sente que há algo estranho mas antes mesmo de perceber o que está acontecendo ele é golpeado com um forte soco no queixo que o derruba, ele tenta se levantar mas rapidamente é surpreendido com um chute na barriga. O solo arenoso sobre suas mãos fica vermelho ele consegue sentir o sangue escorrer de seu rosto, nariz e boca, ele começa a chorar e olha para o lado. Com sua visão turva ele nota que seus companheiros estão sendo espancados, gritando e pedindo piedade e essa é a última coisa que ele consegue vê antes de um pé acertar bem o meio de seu nariz.
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Atualizado até capítulo 78
Comments
Iza Cabral
nossa , que barbárie !!!
2024-04-01
2
nimorango
esse viktus e homenagem ao alguém 🤭
2023-02-15
0