Vincenzo
Passei a manhã toda na tela do meu notebook, procurando uma casa para comprar.
A última coisa que eu quero, é ter que dividir esse apartamento com meu tio.
Fora, que toda essa agitação de Manhattan, me perturba a paz.
Como sinto falta da minha terra, da casa da família no interior da Sicília, onde tudo o que eu via quando levantava, era a vinícola, e sentia o doce aroma das uvas misturados ao ar do campo.
Anoto o telefone de algumas imobiliárias, e apartir de amanhã vou sair em busca de uma casa, mais afastada dessa agitação de cidade grande.
O Matteo, saiu para fazer uma investigação para mim, e desde ontem que não voltou.
Aposto que passou a noite se divertindo em algum lugar, enquanto tive que aturar o meu tio rabugento e reclamão, me enchendo de pessimismo, dizendo que meu plano não vai dar certo.
Fecho o notebook com os olhos ardendo, e com dor de cabeça.
Até agora meu plano está se saindo bem. Bem até demais para o meu gosto...
Arregalo os olhos com a chegada do Matteo. O homem está péssimo! Sem gravata, cabelo bagunçado, marcas de batom na camisa, os olhos vermelhos e segura o palitó dos avessos.
— Está vindo de uma guerra?— Giovanni pergunta olhando o sobrinho de alto a baixo.
— A guerra do prazer!— ele responde malicioso.
— Espero que a noite não tenha sido só de diversão.— reclamei erguendo a sobrancelha.— Observou os locais dos roubos e furtos, que tivemos nos últimos meses?
— É claro. Você precisa ver os lugares, perfeitos para uma emboscada. Faltam três lugares, eles ficam mais longe da capital, vou ter que visitar um de cada vez.— Matteo joga o terno no sofá.
— Como eu imaginava... temos um traidor, alguém está dando informações das rotas, das nossas cargas.
— Aposto que é alguém da máfia americana!— Matteo exclama, se jogando no sofá.
— Para mim, a traidora tem um nome, Katherine Dempsey!— meu tio insiste na viúva.
— Falando na mulher, como foi seu primeiro encontro?— Matteo pergunta com curiosidade.
— Ela relutou no começo, mas depois acabou aceitando, o que me deixou de orelha em pé. Esperava mais resistência da parte dela...
Coloco o notebook na mesa de centro da sala e me encosto no sofá.
Matteo já está deitado no outro, do jeito que se jogou, nem se mover.
— Não te entendo... deveria estar feliz por ela ter aceitado logo.— Matteo fala de olhos fechados.
— Nem adianta dormir, preciso de um contrato de casamento, até as 15h, com as regras da máfia.— falo me levantando.
— Hmmm...?
— Agora Matteo!— exclamei o empurrando do sofá.
— Faz você... também cursou direito... conhece as regras de cor e salteado... ele volta a se ajeitar no sofá.
— Eu não sou advogado! E não mandei passar a noite toda na farra!
— Mais que porr@! Vou tomar um banho frio e já digito pra você.— murmurou Matteo.
Se levantou e atordoado, foi a passos lentos para o quarto.
Alguns minutos e Matteo volta renovado.
Ele senta na mesa da sala de jantar e abrindo seu notebook, me pergunta sem tirar os olhos da tela.
— A viúva é tão linda quanto nas fotos?
A minha memória vai direto para a primeira impressão que tive da mulher.
— É mais bonita. Vê-la pessoalmente é ainda mais impactante. Ela esbanja elegância, tem uma postura invejável. A mulher é incrível!
Só agora me dou conta que tanto o Matteo, quanto o meu tio, me olham desconfiados.
— O que foi? Não sabem admirar uma mulher empodeirada e linda?— indaguei revirando os olhos.
— Prefiro só o linda.— meu tio responde, e logo sai do apartamento.
— Mulheres inteligentes dão trabalho...— Matteo dá sua opinião.
— Vocês são muito superficiais!
— De qualquer forma, está preocupado com a rápida aceitação dela.
— É claro, mulheres maduras são sagazes, astutas...
— Talvez ela tenha se atraído por você...— Matteo começa a digitar.
— Até parece... uma das condições dela para aceitar o casamento, foi prometer que não vou toca-la.
— Tá ferrado! Como vai dar um herdeiro para o seu pai?
— Ela pode mudar de idéia com o tempo...— respondi pensativo.
— Se até lá, você já não tiver idade pra ser vovô, e só conseguir manter o p@u duro com viagra!— Matteo garagalha da própria piada.
— Cala boca! Existe outros meios de fazer um filho sem ter relação, fertilização in vitro, ou inseminação artificial...
— Torce para seu pai não descobrir, um homem casado tendo que fazer inseminação artificial! Cômico!
Matteo não está errado, mas tenho que dar um passo de cada vez, primeiro me preocupo com o casamento, depois com o que vir pela frente.
— Deixa as regras da máfia bem claras, não quero que ela se surpeenda com nada após o casamento.
Vou até a cozinha e dou uma olhada na carne de carneiro que coloquei para assar. Preparo um molho de hortelã, para acompanhar e uma massa.
— Pode conquista-la com seus dotes culinários!— Matteo fica próximo a impressora, esperando o papel sair.
— Esquece isso, Matteo. Tudo o que eu preciso é do casamento, nada mais! Não vou ficar atrás de uma mulher, que nem um cachorrinho. Se ela me quiser, beleza, ela é bonita e tem um corpo que parece delicioso. Mas se não me quiser, não me importo, eu não estou apaixonado para necessitar de alguém específico.
Abro o forno e coloco uma luva térmica, para retirar a assadeira do forno.
— Então é melhor se aliviar bem antes do casamento. Ou pretende trair sua esposa?
— É melhor deixar essa cláusula em aberto...— respondo pensativo.
— Seu pai vai te deserdar! Ele é contra traição conjugal!
— Não é traição, quando ambos os lados concordam em deixar o caminho livre, desde que sejam discretos.
— Ia ficar tranquilo, de saber que a sua esposa está dando para um outro homem qualquer?
— Que diferença isso faz? Não temos sentimento um pelo outro!
— Por isso, prefiro me manter solteiro...
— Ser um líder, implica mais do que as minhas vontades. Eu não amo nenhuma mulher, me casar não vai ser difícil, é como se fosse um novo negócio que vou investir.
Espalho o molho sobre a carne, um cheiro gostoso sobe.
— O contrato está feito.— afirma Matteo.
— Vamos almoçar, e depois se arrume, porque vai me acompanhar, como meu representante legal.
— Claro!— Matteo diz pegando os pratos no armário.
— E nada de farra está semana, quero comprar uma casa e você tem que entrar com os papéis para o meu casamento, tem que ser o mais rápido possível!
— Mas você não ia casar na Itália?
— Só na igreja, no civil vai ser aqui nos Estados Unidos.
— Não quero ser inconveniente, mas pra quê se casar na igreja, se o casamento não é real?—
Matteo pergunta se sentantando, e me observa.
— É uma tradição, pode não ser real, mas eu quero as bençãos da igreja e do padre.
— Não te entendo, mas quem sou eu pra julgar!?— num gesto de rendição, ele levanta as mãos.
— Vamos almoçar, da minha vida pessoal, cuido eu!
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Atualizado até capítulo 87
Comments
Edna César
o problema é que o teu tio também gosta dela.
e recebeu um não.
2024-12-22
0
Elane Menezes
nunca vi um mafioso assim,respeitador, cozinheiro,temente a Deus e por aí vai
2024-12-01
1
Christina Lúcia
🤣🤣🤣🤣🤣🤣
2024-09-28
0