Capítulo 19

Um furacão atravessou a porta de meu quarto quando menos esperei. Fui pega completamente de surpresa quando minha prima entrou toda animada carregando os vestidos que usaríamos no dia do casamento, por isso Sabrina apenas pediu licença e saiu sorrateira nos deixando sozinhas. Amaldiçoei Gwen por ser tão inconveniente e sequer perguntar se estava atrapalhando, chegou colocando tudo encima de minha cama e tagarelando sobre coisas que eu nem prestei atenção, minha mente ainda estava em Sabrina e Amanda.

— ...você não acha? — perguntou a garota me fazendo piscar algumas vezes e concordei mesmo não fazendo a mínima idéia do quê ela estava falando.

Fui obrigada a provar o vestido para ver se realmente cabia e não sei se por sorte, ou azar ele coube perfeitamente em mim, mas isso não mudava o fato de ser exagerado e cafona. Senti-me um pouco mais gorda, me olhei de todos os ângulos e gostei cada vez menos, me sentindo cada vez mais insegura. Retirei o vestido e o joguei de lado decidida a não me apegar a toda a negatividade que aquela roupa trouxe. Ou seria minha cabeça quem estava mais propensa a ter pensamentos negativos a meu respeito? Talvez estivesse mais insegura que de costume.

Quando me livrei de Gwen respondi a mensagem de Amanda confirmando que ia encontra-la, então marcamos em um barzinho longe do centro de Weston. Nem todos os lugares da cidade eu conhecia, principalmente barzinho, os frequentei pouquíssimas vezes com Milena e Agatha.

Me arrumar para sair nunca foi tão difícil, mas eu precisa gostar um pouco mais de mim e ter mais segurança diante de Amanda, então coloquei algo que me fez sentir um tanto gostosa, como dizia ela quando saimos para fazer compras. Eu realmente gostei do que vi no espelho e esperava que aquela noite fosse melhor, que não acontecesse nenhum desentendimento, pois precisava um pouco mais dela, precisava da calmaria e o bem que ela me faz independente do que falamos antes.

— Seja lá quem você está indo encontrar, tenho certeza que é uma pessoa de sorte. — Sabrina me surpreendeu enquanto passava pela sala. Parei observando ela que estava sentada no sofá com um copo de whisky na mão e um cigarro na outra, mas antes que eu pudesse dizer alguma coisa mamãe surgiu vindo da porta da cozinha carregando uma taça e uma garrafa de bebida.

— Louise? — Ela me olhou de cima a baixo. — Para onde está indo assim?

— Vou... Sair com a Milena. — Foi a primeira coisa que surgiu em minha mente e serviu, mesmo que mamãe ainda tivesse a desaprovação no olhar ao sentar ao lado de Sabrina e pegar o cigarro da mão dela, algo que me deixou surpresa. — Desde quando fuma?

— Me perdoe, sou a culpada por levá-la para esse mal caminho — falou Sabrina levantando as mãos em sinal rendição.

— Estou bem, querida — afirmou mamãe. — Divirta-se, mas com moderação, você sabe que a família Rosenfeld tem olhos por todos os lados. Temos sorte que Katherine está muito ocupada com o próprio aniversário de casamento, caso contrário já teria nos procurado.

— Tudo bem... — Ouvi o som do carro lá fora e concluí que era o Uber que chamei, então aproveitei para sair logo. — Tenham uma boa noite.

Seria mais de meia hora até meu destino. Enquanto isso fiquei pensando sobre o que mamãe disse. A mãe de Josh com certeza ia insistir que reatassemos e não tinha feito nada a respeito ainda porque o filho provavelmente não contou sobre nosso termino na ilusão de que eu voltaria atrás. Encostei a cabeça no vidro do carro me questionando se teria que comparecer à festa do prefeito. Era quase óbvio que sim, mamãe seria a primeira a tentar fingir que estava tudo bem, quando na verdade ambas estávamos um caus. Por sorte ela tinha Sabrina por perto.

Que ironia do destino, justo aquela advogada tinha que ser quem estava ajudando naquela fase difícil, ao mesmo tempo em que conseguia me envolver e assustar com a ameaça de ser a ex de Amanda. Só me restava pedir aos céus que ela não fosse a mesma mulher. O destino seria cruel a esse ponto?

Ao chegar diante do bar me senti um pouco desconfortável e com um certo medo de encontrar alguém conhecido, mesmo assim entrei no local buscando Amanda com os olhos e pude avistá-la sentada próximo ao balcão conversando com alguém que se fosse antes eu não reconheceria, mas depois dele ter sido o motivo de minha última conversa com Milena, não restavam dúvidas de que era Simon. Enquanto me aproximava vi o homem que não aparentava ter seus trinta e poucos anos se despedir e sair sem me ver. Encostei–me ao lado apoiando o braço no balcão e a loira virou-se rapidamente assustada, então sorriu ao ver que era eu.

— Simon está na cidade... — Eu não poderia perder a oportunidade de comentar e tentar descobrir alguma coisa. Milena me agradeceria depois. — Faz tempo?

— Você o conhece? — Ela tomou um gole da bebida em seu copo. — Ele chegou hoje, acredito que fique por pouco tempo. Quer tomar alguma coisa?

— Algo forte — murmurei sentando no banco ao lado e vi ela pedindo ao bartender.

— Você está incrivelmente linda, sabia? — comentou me olhando de um jeito que senti minhas bochechas corando e seu sorriso acabou de me desconsertar inteira.

O rapaz entregou minha bebida e Amanda após pegar a dela segurou em minha mão. Seguimos para outra área do bar, um lugar mais discreto, bem dividido com poltronas grandes, confortáveis e bastante privacidade, onde quase não era possível enxergar quem estava por lá conversando e bebendo ao som de uma música ambiente agradável. A loira sentou colocando o copo sobre uma pequena mesa de centro, logo em seguida me surpreendeu ao segurar meu rosto e colar os lábios aos meus.

— Não tem como ficar longe de você — murmurou acariciando meu rosto. — Pensei tanto, nem consegui dormir. Eu seria uma grande idiota se perdesse o que temos por medo.

Eu nada disse, apenas beijei os lábios dela sentindo todo aquele aperto que estava em meu peito se esvair. E mesmo que no fundo tivesse um certo medo de sermos vistas alí, não poderia deixar de aproveitar o momento e beija-la até o ar nos faltar. Amanda sorriu em meus lábios e deu selinhos afastando o rosto devagar, logo depois pegou o copo novamente então aproveitei para tomar um gole de minha bebida que notei estar forte demais.

— Vem cá. — Puxei ela pela cintura e virando de costas para mim acomodou-se apoiando o próprio corpo contra o meu, então aproveitei para afastar seus cabelos e beijar atrás da orelha, onde só então descobri que havia uma tatuagem. — Desculpa por ontem, exagerei um pouco. Mas é que eu te quero tanto... — Amanda virou o rosto e dei um beijinho próximo aos lábios dela.

— Isso é estar apaixonada. Ter medo, falar e fazer bobagens, mas não conseguir ficar longe... — Beijei-lhe o pescoço fazendo-a rir e se encolher sentindo cócegas. — Eu tinha esquecido como funciona, me assusta e ao mesmo tempo é muito bom.

— Você realmente pensou, hein? Nem te reconheço hoje — brinquei.

Amanda virou rapidamente e me deu mais um beijo que teve efeito em cada parte de meu corpo. Não demorei a sentir a mão atrevida da loira deslizando por minha coxa, parando praticamente dentro de minha saia e quase gemi em expectativa por sentir seus dedos subindo um pouco mais, porém ela afastou-se cedo demais.

— Me espera aqui, vou ao banheiro.  — Largou o copo e retirou o celular do bolso, antes de sair verificou o aparelho e deixou o mesmo sobre o sofá.

Tomei minha bebida enquanto a loira saia e suspirei contente por estarmos bem, até que percebi no visor que ainda não tinha apagado uma mensagem que havia chegado. Eu não queria dar uma de Milena, sabia que aquilo era a coisa mais ridícula que alguém poderia fazer, mas vi claramente o nome Sabrina antes da notificação desaparecer. O monstrinho da desconfiança estava em meu ombro incentivando a fazer aquilo, mas virei o rosto, tomei toda a bebida em um gole só, depois levantei pegando o celular, colocando em minha bolsa enquanto seguia até o bar onde pedi mais uma dose.

Fiquei encostada ao balcão tamborilando os dedos no mesmo, até sentir uma presença ao meu lado e quando virei o rosto surpreendi-me ao ver Vicente e um sorriso sacana nos lábios.

— Então é por isso que terminou com o Josh? — Senti meu sangue gelar e engoli em seco.

— Do quê está falando? — Forcei um sorriso sem graça desviando o olhar para a bebida que o rapaz entregava.

— Eu nunca te vi usando esse tipo de roupa. — Vicente me mediu de cima a baixo, sempre com um olhar sacana. — Decidiu parar de bancar a sonsa. Se quiser posso te ajudar...

— Vou fingir que não ouvi isso. — Tentei sair, mas ele me puxou de volta aproximando o rosto de meu ouvindo e diante de meus olhos balançou o celular.

— Eu tenho a prova perfeita do que estava fazendo aqui com aquela vadia de Los Angeles. Acho melhor me ouvir, ou o Josh vai receber essa foto.

— Faça como quiser — falei aquilo sem pensar e tentei sair novamente, mas ele manteve a mão firme em meu braço.

— Acha que ele não vai acabar com a raça daquela piranha quando descobrir que é o motivo do fim da relação de vocês? — Meus olhos assustados encararam os grandes, negros e ameaçadores de Vicente.

— O que você quer? — Tentei me afastar novamente e dessa vez ele me soltou voltando a se encostar no balcão, me analisando.

— Uma transa. — Sorriu cínico.

Eu nem pude acreditar no que ouvia. Olhei ao redor enquanto pensava em como sair daquela situação, temendo o que Josh poderia fazer. Não queria que tivéssemos problemas, mas também não queria cair naquele jogo.

— Enlouqueceu de vez, tarado sem vergonha? — Amanda surgiu ficando entre nós. — Acha que é assim? Vir aqui tirar foto nossa, não suficiente ameaçar e vai sair ganhando? O que será que a polícia vai dizer sobre isso? — falou ela chamando atenção de quem estava próximo.

— Cala a boca, piranha — rosnou Vicente dando um passo a frente e puxei Amanda afastando-a dele.

— Eu quero a polícia aqui e agora — gritou ela surpreendendo até mesmo a mim.  — Esse homem é um pervertido! Vocês deveriam ter mais cuidado com a clientela desse lugar — continuou, em alto e bom som chamando atenção de todos e não demorou a surgir dois seguranças.

— Ei, eu não estou fazendo nada. — Vicente sorriu tentando disfarçar, mas o ódio estava estampado em seu rosto quando os dois grandalhões seguraram os braços dele. Amanda rapidamente puxou o celular da mão do babaca.

— Diga ao Josh o que quiser. Louise está comigo agora, mas isso aqui você não vai levar. — Amanda segurou em minha mão e me levou para fora do bar enquanto Vicente se resolvia com os seguranças.

— Meu Deus, ele vai sair de lá enlouquecido — falei quando saimos na rua.

— Por sorte conheço um daqueles seguranças, ele transou com o Gabe na última vez que viemos a Weston. É casado, acredita? Quando vi o Vicente conversando com você deixei o cara de sobreaviso. Depois da última vez na casa dos Rosenfeld percebi que essa gente é mais perigosa do que imaginava.

— Amanda, você está gelada.  — Apertei a mão dela que parou de andar.

— Me dá meu celular. — Retirei o aparelho da bolsa e entreguei a ela que voltou a caminhar enquanto pedia um Uber. — Tem um bar naquela esquina, vamos para lá, ok?

Após guardar o aparelho ela segurou minha mão então seguimos juntas até o lugar que era bem simples e pequeno em comparação ao que estávamos anteriormente. Sentamos em uma mesa lá dentro, Amanda pediu uma garrafa de tequila e quando fomos servidas ela tomou dois goles tão rapidamente que senti minha própria garganta arder apenas ao observar.

— Ei, calma — pedi, mas ela virou de costas chamando atenção de um cara sentado atrás.

— Você tem um cigarro? — O estranho entregou o cigarro e ainda acendeu para ela que agradeceu, logo depois virou para mim. — Desculpa, eu não devia ter te chamado aqui. Foi culpa minha...

— Não Amanda, não foi culpa sua. — Segurei a mão dela que tomou mais uma dose de tequila.

— Você está preparada para o que vem por aí? Aquele idiota não vai deixar barato e Josh vai bater na sua porta. Louise, eu posso te defender quantas vezes necessárias, mas e você como fica? Josh, a família dele, a sua, todos podem ficar sabendo agora e sabe-se lá o quê aquele seu ex noivo maluco pode inventar. Você parou pra pensar como vai ser assumir isso para eles?

— Foi tão linda me defendendo, dizendo que estou com você. Só consigo pensar que enfrentaria tudo e todos por isso, por nós. — Ela sorriu, um sorriso bobo inclinando sobre a mesa.

— Vamos embora daqui, eu preciso te beijar urgentemente. — Amanda levantou rapidamente e foi até o bar onde observei falar alguma coisa com o mal encarado do outro lado e logo depois entregou o celular do Vicente. Fiquei parada observando o homem pegar um objeto e começar a quebrar o aparelho sobre o balcão.

— Você é maluca! — falei ainda embasbacada, quando ela voltou para a mesa.

— Ele pode até falar, mas não provar.

Nosso Uber pareceu ouvir nossos pensamentos e chegou no momento certo. Amanda carregou consigo a tequila e apagou o que restou do cigarro antes de seguirmos.

Ficamos numa esquina um tanto deserta, ela segurou minha mão e enquanto caminhavamos pela calçada murmurou que eu deveria ter ido de carro. Quando chegamos diante do letreiro chamativo de um motel, entendi perfeitamente o que pretendia.

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Comments

Cris Siqueira

Cris Siqueira

esperando o próximo capítulo

2022-09-07

2

Raquel Silveira

Raquel Silveira

Sabe aquela história que toca o seu coração ❤

2022-09-07

1

Cleidiane Oliveira

Cleidiane Oliveira

quero mais,mais

2022-09-07

0

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