Capítulo 02

Jason ainda era o mesmo, cheio de graça dando encima de todas as mulheres que surgiam em sua frente. Percebi isso durante o pouco tempo em que ele transitou pelo salão até finalmente se aproxima de nós. Ao meu lado Agatha e Milena se questionavam sobre quem era a mulher com ele, assim como eu, que não comentei nada, mas estava curiosa.

Josh foi o primeiro a ser abraçado pelo irmão e levantado exageradamente, logo depois ele me puxou para seus braços como se fôssemos velhos amigos e tivesse toda aquela intimidade, mas Josh o fez me soltar rapidamente. Apenas depois de deixar todos desconfortáveis com seus abraços exagerados ele voltou-se para a mulher que apenas sorria observando a cena e finalmente nos apresentou.

— Pessoal, essa é a Amanda, minha nova melhor amiga. — Ela abriu mais o sorriso dando um breve aceno com a mão e dizendo um "oi".

— Amiga? — falou Josh. — Pensei que fosse namorada.

— Ela é uma garota difícil — afirmou Jason sorrindo de canto e coçando a nuca.

— Espero que apenas com idiotas feito você — murmurou Andrew e levou uma cotovelada da irmã.

— É um prazer conhecê-los — disse Amanda, passando os olhos por nossos rostos.

— O prazer é todo nosso. — A voz de Vincente nos surpreendeu e ele logo surgiu colocando uma taça diante do rosto de Amanda. — Aceita uma bebida? — Ela confirmou.

Jason falou o nome de todos nós e logo em seguida enfiou-se em meio aos convidados deixando a amiga para trás. Eu pude notar o olhar de Milena seguindo ele que cumprimentava todas as mulheres presentes, ela ficou em silêncio o tempo inteiro com o seu copo de whisky em mãos. Meus olhos voltaram para a tal Amanda que conversava de maneira animada com Vicente e não pude deixar de notar o quanto Andrew e todos os homens ao redor olhavam para ela. Não era para menos, o que faltava de altura ela parecia ter de corpo e seu vestido estampado apesar de ser de um tecido leve e não tão colado no corpo, marcava a cintura e descia rodado demonstrando o volume de sua bunda. Me peguei tentando decifrar todas aquelas tatuagens que havia em seus braços imaginando o quanto aquilo doeu.

— Até você? — Milena puxou levemente em meu braço e a encarei. — Já é suficiente todos os homens olhando para ela. — Me desfiz dos braços de Josh e puxei minha amiga para fora do salão.

— Você quer ir embora? — Ela negou.— Se continuar bebendo assim vai acabar ficando bêbada e fazendo besteira, vai ser pior.

— Você tem razão. Não posso fazer isso, não quero passar vergonha — afirmou me entregando o copo. — Nos vemos depois. — Ela saiu em direção ao estacionamento e suspirei observando.

Assim que voltei para dentro deixei tanto a minha taça quanto o copo de whisky em uma bandeja e segui a procura de Josh que não estava no mesmo lugar de antes. Segui pelo salão e o encontrei em uma roda de amigos onde Jason parecia dar um show fazendo todos rirem.

— Espera, essa gostosa vai ficar em nossa casa? — Ouvi Josh perguntar assim que me aproximei e meu sorriso sumiu.

Senti meu rosto esquentar, minhas pernas quase travaram, mas me obriguei a sair rapidamente não querendo olhar para ele. Não era uma traição nem nada, mas me afetou ouvi-lo falar daquela forma sobre outra mulher.

Sentei em um banco do lado de fora, próximo ao estacionamento onde não havia ninguém. Tentei conciliar as idéias, mas minha mente insistia em fazer aquilo parecer uma verdadeira traição.

— Tudo bem com você? — Virei rapidamente e vi Amanda se aproximar. Confirmei com a cabeça e ela sentou ao meu lado cruzando as pernas, me oferecendo o copo que tinha em mãos.

— Não, obrigada — recusei baixando a cabeça desconfortável por sua presença.

Pelo pouco que vi ela era uma mulher que realmente merecia ser chamada de gostosa, seu corpo não precisava aparecer muito para despertar a imaginação masculina, suas coxas eram tão grossas e a tatuagem que havia em uma delas chamava muito atenção.

Eu não devia me preocupar com a forma que Josh falou, ele tinha toda razão, Amanda era gostosa aos olhos de todos, mas aquilo não significava que eles iriam tentar alguma coisa com ela e até mesmo conseguir. Eu devia apenas confiar em meu noivo.

— Louise, seu nome, certo? — perguntou, retirando do decote um cigarro e um isqueiro. — Importa-se?

Na verdade eu me importava sim, pois nunca suportei cheiro de cigarro e ela já havia sentado alí contra a minha vontade, mas tudo que fiz foi negar esperando a melhor oportunidade para levantar e sair.

— Você é a noiva do irmão de Jason...— Observei ela tragar o cigarro com a cabeça um pouco inclinada para trás fitando o prédio a nossa frente e logo em seguida seus olhos encontraram os meus.

— Sim. A quanto tempo você conhece o Jason? — Eu sabia que aquela resposta seria útil para Milena.

— Um pouco mais de um mês, coincidentemente tinhamos planos de visitar Weston e decidimos vir juntos.

— Então, você veio a turismo?

— A trabalho. — Amanda soprou a fumaça que veio justamente para meu rosto e me esforcei para não reclamar.

— Com o quê você trabalha? — perguntei, começando a me recriminar por estar ficando curiosa demais.

— Com o meu corpo. — Meus olhos quase saltaram e virei a cabeça em outra direção para não permitir que notasse minha surpresa. Amanda é garota de programa? — Sou modelo. — respondeu minha pergunta mental e percebi que sorriu logo em seguida. — Tenho um amigo fotógrafo que vive aqui e vamos fazer uns trabalhos juntos.

— Oh, entendo...

— Tenho cara se prostituta? — Tentei negar, mas acredito que não consegui ser muito convincente. — E você, em quê trabalha?

— Sou professora.

Amanda demonstrou-se interessada em meu trabalho, segundo ela eu não tenho cara de professora. E mesmo que tenha ficado me perguntando de quê exatamente eu tenho cara, optei por não perguntar, me resumindo a apenas responder suas perguntas sobre como era a profissão.

Depois que as perguntas acabaram pedi licença e saí, pois não queria ficar a noite inteira alí conversando com ela. Na verdade desejava ir para casa. Todo aquele assunto sobre profissão me fez lembrar que no dia seguinte teria que dar aula.

Procurei Josh e pedi que me levasse embora e ele no mesmo momento despediu-se de todos sem nem questionar o motivo que me levou a desejar ir tão cedo. Durante o percurso pensei sobre o que ouvi e passou por minha cabeça falar sobre o assunto, mas decidi tentar esquecer. Nos despedimos com um beijo rápido, saí do carro e fiquei o observando fazer a curva, logo seguindo para longe.

Não saía de minha cabeça o fato de Amanda ficar hospedada na casa dos Rosenfeld. Por mais que não quisesse, eu precisava admitir que estava me sentindo ameaçada.

— Homem é muito nojento mesmo — disse Milena sentando  em uma das cadeiras da cafeteria após eu ter contado sobre o que ouvi na noite anterior. — Essa vadia também não se toca? Como se faz de difícil para o Jason e aceita ficar hospedada na casa dele?

— Eu achei ela legal. — Dei um gole em meu café e a vi me encarar como se eu tivesse dito o pior dos absurdos.

— Você enlouqueceu? — Dei de ombros. — Está pedindo para levar chifres? Josh não vai segurar aquele pinto dentro das calças por muito tempo com aquela tatuada desfilando seminua pela casa dele. — Olhei ao redor sentindo-me constrangida pela forma que ela falou em alto e bom som.

— E por isso eu devo odiá-la? Não tem cabimento. — Milena revirou os olhos. Eu a conhecia muito bem, ela sabia que eu estava certa, mas estava cega por causa de Jason. Olhei o relógio em meu pulso e peguei a bolsa  rapidamente. — Estou atrasada. — Mandei beijinhos e sai quase correndo.

Durante o intervalo da aula recebi uma ligação de Kathe — minha sogra — me convidando para passar em sua casa. Assim que saí da escola fui almoçar, sozinha, pois não queria ver Milena toda histérica por causa daquele idiota. Logo depois segui para a casa de Josh, me perguntando o que sua mãe queria.

Katherine é uma mulher muito simpática e exagerada, sempre me deixando em dúvidas se devo amá-la ou odiá-la.

Quando cheguei entrei sem problemas, afinal sempre fui de casa. Josh naquela hora estava trabalhando, fazia um pouco mais de um ano que ele havia começado na empresa de meu pai como gerente de vendas. Uma das empregadas me informou que Kathe estava na área da piscina, onde para minha surpresa encontrei ela sentada em uma espreguiçadeira usando um maiô vermelho, chapéu na cabeça e sorrindo de orelha a orelha enquanto Amanda a fotografava.

— Você veio? — A mulher acenou ao me ver a certa distância e decidi me aproximar, mas não conseguindo desviar o olhar de sua fotógrafa.

Amanda na luz do dia parecia ainda mais cheia de cores. Seu corpo rabiscado parecia chamar cada vez mais atenção de meus olhos, mais até do que eu gostaria. Nunca pensei em fazer tatuagens, mas estava começando a achar que sentia inveja dela.

— Venha, vamos conversar sobre seu casamento — disse Kathe levantando da espreguiçadeira, pegando um robe ao lado e o vestiu rapidamente, seguindo até as cadeiras embaixo do guarda sol. — Vem Amanda, junte-se a nós.

Ambas sentamos e uma empregada nos serviu suco de laranja. Kathe começou a falar sobre o seu desejo de que o filho casasse dalí a dois meses no máximo, pois ela já tinha tudo em mente. Segundo suas palavras eu não precisaria fazer absolutamente nada e se tudo desse certo até mesmo em um mês já poderiamos realizar a cerimônia.

— Kathe, nós acabamos de noivar e...

— Vocês já namoram há três anos — me interrompeu. — E mais uma coisa, após o casamento eu acho desnecessário que continue trabalhando como professora, isso não combina com você, querida. — Ela segurou minha mão e segurei a vontade que estava de dizer tudo o que realmente pensava sobre aquilo. Notei o olhar de Amanda em mim enquanto bebia o suco sem nada dizer.

— Eu gosto do meu trabalho — consegui afirmar ao menos isso.

— Querida, pense sobre o assunto e depois conversamos, agora está na hora de minha aula de pilates. Tchauzinho meninas. — Minha sogra saiu, animada como sempre, em direção a sua academia particular dentro da propriedade.

Suspirei pegando o copo com suco e bebi tudo de uma vez.

— Você sabe que não tem que fazer nada disso, não é? — Franzi o cenho encarando Amanda. — É a sua vida, seu casamento e carreira, ela não tem nada a ver com isso.

— Sim, mas... Bem, devo admitir que é complicado.

— Apenas diga o que quer e como quer, tome suas próprias decisões e ponto, ninguém pode te obrigar a nada. — Sorri baixando a cabeça. — O quê?

— Parece simples.

— Porque é. — Ouvi um clic, levantei a cabeça rapidamente e ela sorriu com a câmera em mãos.

— Você disse que é modelo, não fotógrafa.

— Eu posso ser o que quiser — afirmou levantando o queixo, me olhando fixamente e novamente tirou uma foto minha. — Você também.

Sorri desviando o olhar. Eu gostaria de ser como ela, de ter segurança e coragem, mas me sentia uma covarde que provavelmente casaria no tempo estipulado por minha sogra apenas para não ficar mal diante da família de meu noivo.

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Comments

Srta.Peônia 💗

Srta.Peônia 💗

Essa Amanda já começou tirando sorriso da nossa prota kkkkk Ameeei

2024-11-15

0

Srta.Peônia 💗

Srta.Peônia 💗

Caraca que vacilão

2024-11-15

0

Srta.Peônia 💗

Srta.Peônia 💗

Ela é difícil com homens kkkkk

2024-11-15

0

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