A pior parte em ter como alunos crianças de famílias de classe alta é que grande parte dos pais não parecem conhecer a palavra limite. Passei praticamente a semana inteira em conflito com uma mãe que insistia em permitir que o filho, uma criança de sete anos, levasse o celular para a escola, e pior, sempre que eu guardava o aparelho para que ele pudesse se concentrar na aula, no dia seguinte a mulher ia tirar satisfações sobre o motivo de ter chateado seu bebê. Paciência era fundamental e eu sempre tive muita, pelo menos quando se tratava do trabalho.
Esperei na terça, quarta e quinta por um sinal de Amanda, mas ela não mandou mensagem e nesse caso, me sentia impaciente, ou devia dizer ansiosa?
Na sexta à noite Agatha e Milena me chamaram para irmos as três para um barzinho novo que estava sendo muito comentado, segundo elas.
— Você parece péssima — disse Agatha me analisando.
— Não foi uma semana fácil. — Suspirei pegando o copo de chopp.
— Resolveu sobre aquilo com o Josh? — perguntou Milena que sabia sobre eu ter deixado ele na mão na noite de domingo.
— O que aconteceu? — Agatha logo ficou curiosa.
— Ela broxou na hora H. — Revirei os olhos dando um gole em minha bebida enquanto as duas riam. — Quem não sentiria tesão com o Josh? Meu Deus, aquele homem é uma tentação trajando terno, imagina sem...
— Milena, por favor... — Bati o copo sobre a mesa com certa força. — Nós conversamos, estamos bem e isso é tudo.
— Eu concordo com a Lena. Se por acaso tivesse um homem daqueles transaria todas as noites, incluindo aqueles dias. — As duas riram novamente e preferi levantar para ir ao banheiro, pois não estava mais aguentando aquela conversa.
No caminho passei por uma mesa de rapazes já um pouco alterados que ficaram falando bobagens me deixando extremamente desconfortável. Dei graças a Deus quando saí da vista deles e entrei no banheiro onde me olhei no espelho, tentando mentalizar que não precisava me estressar com as brincadeiras de minhas amigas. Eu nunca me importei, mas naquela semana em especial, sentia-me com o pavio curto, principalmente quando o assunto era meu relacionamento.
Eu e Josh precisamos apenas de uma mudança de ares, é isso!
— Babacas! — Vi através do espelho uma negra alta de cabelos cacheados usando um vestido azul colado em seu corpo bem definido. — Não tenho paciência para macho — resmungou inclinando enquanto passava o dedo sobre o batom vermelho em seus lábios. — Você passou por eles? Nossa, quanto mais conheço os homens mais amo meu cachorro. — Ela sorriu me olhando, parecia um pouco bêbada.
— Ah... Sim, um bando de idiotas. — Decidi ir até uma cabine e por minha visão periférica notei que os olhos dela que me acompanhou através de meu reflexo no espelho.
Usei o banheiro e quando saí ela ainda estava no mesmo lugar como se estivesse a minha espera, mas tentei pensar que era coisa de minha cabeça enquanto lavava as mãos.
— Você me daria seu número? — perguntou, mais direta apenas se tivesse tentado me beijar, já que ela aproximou-se o suficiente para me deixar intimidada.
Olhei ao redor, vendo outras mulheres entrando no banheiro e se fosse em outros tempos talvez realmente não tivesse entendido o motivo daquela garota estar pedindo meu número, mas desde que comecei a pensar sobre o fato de Amanda ser lésbica e Jason, que eu menos esperava, ser bissexual, confesso que comecei a observar melhor ao meu redor.
— Bem, eu não... — Movi a cabeça negativamente dando um sorriso sem graça e ela sorriu abrindo a pequena bolsa em sua mão.
— Tudo bem, mas caso mude de idéia. — Colocou sobre a pia um cartão e logo depois saiu rebolando todo aquele corpo que chegava a intimidar qualquer mulher. Uma perfeita definição de mulherão. Peguei o cartão sobre a pia vendo que era advogada e chamava-se Sabrina McCarthy.
Quando voltei para a mesa notei que havia um rapaz sentado ao lado de Agatha e logo descobri que ele era um verdadeiro comediante, tentando nos ganhar através do humor. Estava na cara que desejava apenas levar alguém para a cama, mas com minha amiga também queria a mesma coisa, os dois não demoraram a se despedir da gente e sair juntos.
Quanto a Milena, não estava no clima para pregação e eu nem precisava me esforçar para saber que o motivo chamava-se Jason.
Nunca fui uma pessoa fofoqueira, mas confesso que estava me sufocando guardar o que ouvi naquela noite, principalmente quando Milena suspirava olhando o celular como se esperasse uma mensagem que nunca vinha.
Nós não demoramos muito e já estavamos de saída quando percebi que Amanda me enviou uma mensagem. Não pude evitar sorrir, aliviada por ela finalmente ter dado sinal de vida, mas preferi deixar para ler depois.
— Você passou a noite mal humorada e agora esta sorrindo olhando o telefone. Pelo menos o Josh ainda consegue te fazer sorrir feito boba. — Tentei disfarçar confirmando com a cabeça, seguindo para a saída do bar. — Vocês precisam de uma noite quente, talvez um motel...
— Meu Uber! — Apontei ao pararmos na calçada. — Boa noite, vá direto para casa, ok?
Sai rapidamente e mal entrei no carro peguei o celular para ler a mensagem de Amanda, mas antes de abrir me recriminei por estar tão ansiosa. Definitivamente eu não estava em meu juízo perfeito. Por que Amanda? Tantas pessoas para me apegar, tornar-me amiga intima e confidente, mas até mesmo de Milena eu estava me distanciando enquanto meu foco ia todo para aquela desconhecida.
Voltei hoje para Weston. Podemos nos ver amanhã, para a sessão? 10:45
Sim, claro! Você sumiu, cheguei a pensar que tinha desistido de voltar. 10:46
Passei mais tempo que planejava, mas agora estou de volta. Então combinado, nos vemos amanhã às 8pm. 10:48
Ela e sua mania de cortar o assunto rapidamente. Me peguei bufando enquanto lia a mensagem. Não custava nada conversamos um pouco mais, assim como não custava nada ela ter dado algum sinal de vida durante aquela semana. Droga, Louise, o que você está pensando?
Você está bem? 10:49
Cheguei em casa, fiz todo o ritual rotineiro antes de ir para a cama e quando deitei ainda não havia resposta. Mais uma vez fiquei incomodada por causa de uma mensagem, mais uma vez Amanda conseguia tirar um pouco de minha paz, sem nem saber, sem imaginar que eu estava alí esperando uma maldita resposta. Acabei não conseguindo ficar deitada, andei pelo quarto enquanto me alto analisava.
Aquilo não estava certo, eu me sentia uma adolescente idiota e miseravelmente apaixonada. Era impossível! Como eu poderia me sentir daquela forma por uma mulher? Só podia ser coisa da minha cabeça que ainda estava impressionada devido a descoberta sobre ela ser lésbica. Eu não sou lésbica! Nem bissexual, nem nada do tipo. É apenas admiração, interesse na amizade e companhia dela, nada além disso. Como eu poderia estar interessada em uma mulher? Impossível!
No sábado fui surpreendida com chegada de alguns familiares que se hospedaram em minha casa devido ao casamento de uma prima que aconteceria dalí a duas semanas. Acabei passando o dia inteiro com eles e foi agradável, afinal fazia tempo que não via a casa cheia, sempre eram apenas eu e meus pais. Um pouco de barulho faria bem.
Nem percebi que Amanda respondeu minha última mensagem naquela manhã, pedindo desculpas, pois saiu de casa e deixou o celular. Tentei não dar importância e não respondi, apenas me mantive ocupada até a noite cair e finalmente pude me arrumar para ir a seu encontro, mentalizando que era apenas por causa das fotos.
Coloquei um vestido, uma jaqueta jeans, calcei sapatos e sai em meu carro que felizmente já tinha saído do conserto, onde ficou algum tempo porque minha mãe — em um momento de raiva — decidiu bater com o dela em minha traseira achando que era a do carro de meu pai.
Estava prestes a entrar na Weston Hills blvd, quando avistei Josh entrando em Westbrook, onde moro. Senti-me aliviada por ele não ter me visto e segui meu trajeto tentando não pensar em nada que me fizesse mudar de planos. Apenas o fato de saber que Amanda ia me fotografar já era suficiente para me deixar tensa.
Após chegar na frente do prédio, acredito que fiquei uns dez minutos dentro do carro e quando finalmente criei coragem segui até o último andar, onde fui recebida por uma Amanda descalça, usando saia longa e um coque nos cabelos que antes eram loiros, mas estavam em um tom alaranjado, ela sorriu abrindo caminho e entrei um tanto tímida e envergonhada devido a tudo o que pensei durante a noite anterior.
— Finalmente, hein? — disse ela indo pegar a câmera que estava sobre o sofá e nem tive tempo para piscar, logo fui clicada.
— Você nem avisa... — Passei a mão pelos cabelos e a vi dar uma risada.
— Me acompanha no vinho? — Observei que no chão próximo ao sofá, havia uma garrafa aberta. — Mas tem apenas uma taça.
Amanda sentou com as costas apoiadas no sofá e fiz o mesmo enquanto ela já enchia a taça até o meio, puxando o notebook para o próprio colo. Observei que as fotos que estava selecionando eram daquela garota de cabelos curtos que provavelmente era sua ex, e em todas estava usando uma calcinha mínima, sem nada cobrindo os seios pequenos.
— Ela é muito bonita... — comentei pegando a taça e dei um gole na bebida.
— Sim, a Morgan é uma ótima modelo. — Amanda fechou o notebook e me encarou.
— Ela parece com você, o estilo... — Desviei o olhar tomando mais um gole do vinho.
— Por que eu acho que deseja dizer alguma coisa e está enrolando? — Baixei a cabeça negando.
Como ela sabia? Eu nem sou tão transparente assim. Sou?
— É impressão sua, apenas estou um pouco nervosa por causa da fotos. — Amanda arrastou-se para um pouco mais perto, retirou a taça de minha mão e tomou todo o conteúdo, logo depois deixou de lado.
— Relaxa, estamos apenas nós duas aqui. — Ela pegou uma sacola que estava sobre o sofá atrás de nós e me entregou. De lá retirei uma lingerie preta que fez meu queixo cair. — Quero te fotografar usando isso.
— Eu não... Não tenho coragem de usar apenas isso. — Balancei a calcinha preta fio dental.
— Ah, vamos Louise. O que tem de mal? — Suspirei observando a lingerie em minhas mãos.
— Eu... acho que não combina comigo.
— Você nem vestiu ainda! — Mordi o lábio enquanto me imaginava usando aquilo.
— Eu não acho que ficará bom em meu corpo...
— O quê exatamente você não gosta nele? — perguntou afastando um pouco para me analisar e mesmo vestida fiquei ainda mais sem graça.
Quando visto uma roupa bonita e passo uma boa maquiagem, aos olhos dos outros e até de mim mesma, sou uma ruiva muito bonita, mas quando chega a hora de me despir é outra historia, pois não existe nada em mim que realmente goste e queira exibir para outras pessoas.
— Minha bunda, minha cintura que me faz sentir quadrada e meus seios que não são nada bonitos, durinhos, enfim...
— Você tem estrias? — Neguei. — Celulites? — Confirmei com a cabeça. — Você é linda. — Ela levou a mão até meu ombro onde desceu um pouco a jaqueta, logo depois a alça de meu vestido e senti meu coração bater em minha garganta. — Suas sardas são lindas. — Prendi a respiração enquanto seus dedos deslizavam por minha pele. — Vou te mostrar uma coisa.
Amanda puxou o notebook e observei enquanto abria uma pasta onde havia inúmeras fotografias tiradas por ela, de mulheres que assim como aquelas que conheci antes não tinham nenhum problema em posar com pouca roupa ou quase nada, à céu aberto. Ela apontou cada detalhe no corpo delas que tinham os mesmos "defeitos" que eu, entre muitos outros, mas tudo parecia tão pequeno e insignificante naquelas fotos tão lindas, todas elas eram realmente lindas. Amanda então abriu uma pasta nomeada "nua e crua" onde tinha uma centena de fotografias dela completamente nua, todas em poses sensuais, aparentemente sem nenhum efeito ou truque.
— Eu amo essa fotos, elas me retratam de uma forma muito real. Olha meus seios, acha que são melhores que os seus? Nem de longe são invejáveis, mas eu aprendi a gostar deles assim... — Observei o sinal encima do seio esquerdo, a tatuagem abaixo dele e percorri com os olhos até as dobrinhas de sua virilha onde já não era mais possível ver muita coisa além de uma grande tatuagem, mas me peguei desejando ver além, e meu corpo acendeu de uma forma assustadora. Engoli em seco desviando o olhar, me perguntando o que estava acontecendo comigo.
— Você é maravilhosa. — Pareceu impossível não dizer aquilo.
— Você também é, Louise. Não estou pedindo que fique nua para mim, apenas tente colocar essa lingerie e verá que em questão de minutos vai esquecer que está usando apenas ela.
Voltei a olhar as fotografias ainda assustada comigo mesma e por sorte ela parecia alheia a como me sentia naquele momento. Eu estava quente, em um misto de vergonha e desejo, medo e curiosidade. Por quê? Como aquilo aconteceu comigo? Como alguém de repente conseguiu despertar em mim algo que jamais imaginei antes?
Quando eu estava entrando na adolescência minha mãe costumava dizer que toda mulher precisava de um homem para sobreviver e que era necessário escolher a dedo antes de firmar compromisso, mas eu não pensava em homens ou em compromissos, nem entendia o motivo de minhas amigas não conseguirem viver sozinhas, como se a vida dependesse daquela busca incessante por um parceiro. Com o tempo, cansada de ouvir comentários sobre o fato de viver apenas estudando e não namorar assim como toda garota "normal", me peguei fazendo exatamente aquilo, buscando alguém que coubesse perfeitamente em minha vida e para quem sabe finalmente parar de ouvir minha mãe dizendo que ser professora não me traria um bom marido. Eu tentei, mas ninguém me interessava o suficiente.
Quando terminei a graduação já conhecia Milena, que tinha sua queda por Jason a muito tempo e insistia que eu encontrasse formas de aproximar os dois, mas de tanto tentar aproximá-los quem acabou ficando ainda mais próximo fui eu e Josh. Quando ele me pediu em namoro não consegui levar muito a sério, pois nunca o vi namorando, mas com o tempo acabei aceitando, afinal o conhecia há muito tempo, ele parecia perfeito para mim e para todos.
Minha vida estava seguindo por aquele caminho aparentemente confortável e eu pensava ser o certo, mesmo com todos os defeitos que só depois de conhecer Amanda comecei a perceber.
Fiquei de pé decidida a tentar e segui para o banheiro que ela me indicou. No cômodo tinha um espelho de corpo inteiro onde me observei completamente nua antes de vestir a calcinha e o sutiã. A única pessoa que me via nua, talvez até mais que eu, era Josh, isso depois de muita insistência em transarmos com a luz acesa, algo que nunca me acostumei. Quando vesti aquela calcinha minúscula me senti estranha, mas virando de costas me surpreendi ao notar que minha bunda parecia um pouco diferente. O sutiã rendado sem bojo — algo que eu não usava nunca —, também era muito bonito.
Sai do banheiro sentindo meu rosto esquentar e quando os olhos de Amanda caíram sobre mim fiquei ainda mais quente de vergonha. Ela me chamou até o fundo branco onde acabava de arrumar a iluminação e segui contando meus próprios passos para tentar esquecer que usava aquele fio dental.
— Deixa fluir naturalmente, não precisa fazer nenhuma pose especifica. — Respirei fundo tentando relaxar, notando que ela já tinha começado a fotografar. — Como foi sua semana?
— Bom... Foi estressante — confessei.
— O quê te estressou? — Eu não sabia o que fazer com minhas mãos e meus olhos desistiram de seguir os movimentos dela, focando em qualquer outro canto da sala.
— A escola, os pais de alunos, as mesmas coisas de sempre.
— Minha semana foi bem divertida. Tenho a sorte que meu trabalho e diversão caminhem juntos.
— Estava fotografando ou sendo fotografada? — Ela retirou a câmera da frente de seu rosto e me analisou.
— Dá uma voltinha pra mim, que respondo. — Sorri baixando a cabeça, colocando uma mexa de cabelo atrás de minha orelha. — Oh meu Deus, como você é linda!
— Amanda...
— Então, voltando ao assunto, fui lá ser fotografada. Agora vira pra mim?
Como já era tarde para me recusar a fazer qualquer coisa então apenas virei, ouvindo ela pedir para retirar meus cabelos das costas e olhar para trás. Aos poucos eu estava fazendo exatamente tudo o que ela dizia sem nem perceber, enquanto ouvia seu relato sobre como foi ser fotografada para uma marca de moda praia em Miami.
— Conheci pessoas incríveis... — Ainda de costas notei a aproximação do som da voz dela e quando dei por mim Amanda já segurava minhas mãos e levou ambas até as laterais da calcinha. — Levanta só um pouquinho. — Sorri confirmando com a cabeça, mesmo não vendo seu rosto. — Agora olha para mim.
Quando deu por encerrada as fotos alí, pensei que tinha sido muito rápido e fácil, mas então ela pediu que eu fosse até o sofá onde continuou me fotografando sentada, com a taça e a garrafa de vinho, propondo posições que definitivamente eu não conseguia fazer, mas foi divertido. Eu estava me divertindo e me soltando cada vez mais, sem contar que era possível beber enquanto fazia aquilo.
Com o passar do tempo já entendia perfeitamente o que ela quis dizer sobre seu trabalho e diversão caminhar juntos, mas não deixava de ser cansativo.
— Primeira parte concluída com sucesso! — Amanda abriu um sorriso finalizando a sessão enquando aproximava-se do sofá onde eu tentava encher a taça com o que restou de vinho na garrafa.
— Toma. — Entreguei a taça com um dedo da bebia e ela agradeceu.
— Viu como foi fácil?
— Sim, mas porque estamos apenas nós duas aqui. — Joguei a cabeça para trás apoiando no encosto do sofá e fitei o teto.
— Na próxima chamamos o Gabe e depois algumas meninas, logo você vai estar ao ar livre e amando fazer isso.
— Foi fácil para você tirar a roupa? — Levantei a cabeça vendo ela confirmar.
— Acho libertador, uma sensação muito boa. Você precisa experimentar um dia, mas antes verá como essas aqui ficarão incríveis.
— Acredito cada vez mais em você. Já consigo me imaginar ao ar livre e completamente nua usando flores para cobrir minhas partes íntimas — brinquei, me sentindo cada vez mais a vontade com ela. Tão a vontade que nem lembrava ainda estar usando apenas aquela lingerie.
— Que tal irmos comemorar? Vamos fechar a noite com chave de ouro?
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Atualizado até capítulo 38
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