O Primeiro Cliente

O Primeiro Cliente

Lana sentou na cama e apreensiva aguardou seu cliente. Os minutos que antecederam aquele encontro indesejado lhe pareceram horas. Havia uma garrafa de vinho de qualidade duvidosa, quase cheia, esquecida por algum cliente no canto quarto. A cortesã estreante decidiu que precisava, se apoiar no álcool para dar continuidade a sua derradeira queda ao fundo do poço. Sem pensar duas vezes a jovem bebeu o vinho de um gole só, ganhando a coragem necessária para se entregar a um estranho. Infelizmente, a caçadora mal sabia que seu parceiro para compartilhar a cama não era tão estranho assim.

Mais alguns minutos se passaram e seu cliente finalmente chegou. Ele usava o manto que faz parte do uniforme do Clã Van Alene cobrindo seu rosto, pouco importava o fato de quem ele era, todavia, havia uma grande possibilidade de terem caçado juntos e atender alguém conhecido em um lugar humilhante como aquele, tornou seu fardo ainda mais pesado.

— Boa noite Lana... — Disse o rapaz baixando o capuz que cobria seu rosto.

Todas as dúvidas que pairavam sobre sua mente repentinamente se dissiparam e criaram a forma de um pesadelo. De todos que poderiam vir procura-la ele era o único que não desejava nunca mais encontrar.

— Aurel? — Indagou ela com a boca tremula e a voz embargada na garganta.

— Sentiu minha falta senhorita? Tenho certeza que em suas andanças não foi capaz de encontrar outro homem capaz de fazê-la gritar como eu mesmo fiz... ou será que ainda precisa de dois parceiros para sentir prazer? — Indagou ele sem poupar maldade em suas palavras.

— Maldito! Eu me recuso a atendê-lo! Jamais permitirei que me toque novamente! — Gritou descontrolada.

— Minha querida... será que mesmo depois de tanto temo ainda na e capaz de reconhecer qual é o seu lugar? Você não está em posição de me recusar... — Respondeu ele com desdém indo em direção a ela de forma ameaçadora.

— Não se aproxime! — Disse ela dando um passo pra trás.

Aurel gargalhou sem esconder seu desprezo por ela. Furioso, segurou seu braço apertando-o com toda a sua força arremessando-a sobre a cama.

— Ter a certeza que você me odeia, só faz crescer oi anseio que tenho em rasgar essa sua roupa vulgar violentando-a até ouvi-la gritar... vadia.

Por mais que fosse forte e destemida, a presença de seu algoz sempre a desestabilizava, impossibilitando-a de reagir ou se defender. Sem esperança, buscou coragem no fundo de sua alma e gritou por ajuda. Felizmente a sua maré de azar resolveu lhe dar uma trégua e por coincidência Madame Ruxandra havia acabado de retornar do complexo hospitalar que abrigava seu filho. O garoto apresentava surpreendente melhora desde que o tratamento experimental com pequenas doses de sangue de vampiro. O Sr. Drummond supervisionava o tratamento periodicamente, sempre acreditou que as propriedades curativas dos fluidos dos puros-sangues poderiam ter um proposito altruísta.

— Onde está a Srta. Lana?

— Senhora... Lana desrespeitou suas ordens e está agora mesmo em um dos quartos atendendo o seu primeiro cliente.

— Rápido! Mande agora mesmo o mensageiro ao castelo! O jovem Sr. Ionesco precisa saber disso!

— Senhora... tem mais uma coisa... agora a pouco, Lana pedindo ajuda... é possível que o cliente seja violento ou tenha se tornado inconveniente...

— Se algo acontecer com ela... o filho do Marquês jamais me perdoará. Chame meu servo com urgência!

Minutos depois do rapaz receber o recado, se dirigiu ao pequeno estabulo tomando como montaria o cavalo mais veloz, dirigindo-se ao casto sem perder tempo.

A proprietária pediu que os músicos voltassem a tocar e que uma rodada de whisky fosse distribuída entres os frequentadores para que a chegada de David e os gritos de Lana não despertassem a atenção dos frequentadores, seu estabelecimento era um refúgio, um lugar de diversão, não poderia permitir que um moleque inconsequente buscando vingança manchasse a fama que construiu a duras penas e com trabalho árduo. Ao mesmo tempo pensava no que poderia fazer para socorrer sua protegida.

Rezou para que a jovem lembrasse que na cabeceira de todas as camas avia um compartimento secreto que ocultava uma pequena adaga. Subiu até os quartos com urgência, se as coisas se complicassem, descumpriria suas próprias regras e invadiria o aposento para expulsar o cliente inconveniente.

Todavia sua intervenção não se fez necessária, buscando uma força que a caçadora desconhecia, ela lembrou do estrategicamente e pela primeira vez teve a bravura necessária para enfrentar seu agressor.

— Que isso Lana... quando ficou tão atrevida? Vamos lá, deixe de ser tão casta... ter seu corpo violado não é nenhuma novidade... vamos nos divertir um pouco, pelos velhos tempos.

— Está enganado patife... nunca me diverti ao ter meu corpo profanado por sua luxuria... Suma daqui antes que eu atravesse seu coração com esse punhal e te mande pro inferno. Você nunca mais vai tocar em mim Sr. Hate... me deitarei com todo homem que puder pagar uma noite comigo... menos com você! — Afirmou a jovem apontando a faca em sua direção.

Aurel saiu dali rapidamente, batendo a porta atrás de si, esbarrado violentamente em Madame Ruxandra. Seu ódio pela “Donzela de Sangue” tomava proporções inimagináveis, estava cego pela vingança e não conseguia aceitar que Lana finalmente teve forças para se rebelar, retornou com Nicolae para o alojamento dos caçadores Van Alene, planejando revidar de alguma forma por essa afronta.

— Está tudo bem querida? — Perguntou a senhora amável.

— Sim Madame... obrigado.

— Vou lhe fazer um pedido minha querida... enquanto estiver sob meu teto não deve desobedecer as minhas ordens...

— Sim Senhora... não cometerei esse erro novamente.

No castelo, o filho do Marquês foi acordado pelos gritos do mensageiro que bradava desesperadamente que a Srta. Lana estava correndo perigo no prostibulo do vilarejo. David não desceu as escadarias para recebê-lo, sem perder tempo, o vampiro se lançou pela janela transformando-se em morcego para enfim resgatar sua amada dessa situação.

O jovem Sr. Ionesco estava desorientado, porque Lana buscou abrigo no bordel? Se não tivesse sido tão orgulhoso saberia sua localização a pelo menos dois dias e sua amada não precisaria estar passando por isso. Sua culpa começou a consumi-lo e isso o motivou a rasgar a noite com ainda mais velocidade em suas asas. Em um abrir a fechar de olhos David chegou ao seu destino, recuperou sua forma humana e afoito entrou no prostibulo buscando o paradeiro de sua ex noiva.,

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Comments

Diva

Diva

Você não teve culpa...
Relaxe, ela que quis sair.

2023-05-08

1

Diva

Diva

Porrª!
Arrasou!!!
Pena que não dará tempo de destroçar aquele infeliz agora.

2023-05-08

1

Diva

Diva

Aí que dor.
Eu já vejo ela se quebrando em mil pedaços assim que vê-lo.

2023-05-08

1

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