O Teatro

O Teatro

David desceu as escadas em caracol até as masmorras, se deparou com três jovens presas a parede por grossas correntes de ferro a poucos metros uma da outra. Um balde de madeira estava sendo usado como sanitário e não havia nenhum sinal de que lhes foi ofertado água ou comida. O vampiro, mal podia crer que o amável Marquês foi capaz de tamanha atrocidade.

As garotas estavam ali há poucos dias, porém era evidente sua exaustão, bem como a privação de higiene e de alimentação adequada... ficou surpreso, horrorizado. Apiedou-se das moças, entretanto, não poderia nem se quer por um instante fraquejar, se demonstrasse alguma clemência, jamais encontraria a verdadeira culpada pelo envenenamento de seu pai.

Engoliu sua fragilidade e fechou os olhos castanhos buscando força e proteção divina para enganá-las, precisava interpretar um personagem, precisava fingir ser outra pessoa, alguém dono de uma coragem totalmente ficcional.

— Boa noite belas jovens... espero que estes aposentos estejam do seu agrado e que o tratamento que estão recebendo como minhas hospedes esteja a contento.

Lana percebeu prontamente que o jovem vampiro estava atuando, e francamente avaliou seu desempenho nos palcos como péssimo. A quem esse canastrão pretende enganar com essa interpretação horrível de vampiro maligno?

Por mais surpreendente que pudesse parecer, suas companheiras de cárcere acreditaram naquele teatro, estavam apavoradas e caíram em prantos. A caçadora por sua vez não esboçou nenhuma reação, David ficou intrigado. Quem era aquela jovem de olhar fulminante? Ela chamou sua atenção na primeira troca de olhares, todavia, não estava ali para flertar.

Precisava encontrar a responsável pela morte do Sr. Costel, ficar vidrado em uma moça que poderia ser a assassina de seu pai não o ajudaria a trazer-lhe justiça. Seguiu com sua atuação de qualidade duvidosa:

— Uma de vocês, minhas amáveis senhoritas é a responsável

por envenenar meu pai pouco a pouco até levá-lo a loucura... uma morte lenta, miserável... será que foi você? — Disse ao aproximar-se de uma das moças cujo pranto era o mais exagerado.

— Senhor, tenha piedade... eu não sei nada sobre isso...

— Tenho meus próprios meios de fazê-la confessar seus pecados minha cara... — Afirmou ele desabotoando sua blusa penetrando sua mão gélida sob suas vestes.

A atitude do nobre, surpreendeu todos no recinto, incluindo nossa destemida caça-vampiros. David molestaria aquelas pobres garotas em busca de uma confissão? Lana teve medo que uma delas confessasse em seu lugar apenas para que a tortura cessasse. A outra criada acompanhou o desespero de sua colega com aflição, se dirigindo ao jovem Sr. Ionesco suplicando misericórdia.

— Senhor, eu imploro... não temos nada a ver com a morte do Lorde Costel... nos deixe ir...

— Não! Eu tenho certeza que uma de vocês é a responsável... e não sairei desse calabouço sem ter minha confirmação.... por acaso, minha bela jovem... está enciumada que ainda não lhe dei a devida atenção? — Questionou David se dirigindo a segunda serviçal desenhando com as pontas dos dedos o tênue contorno do seu colo.

Um calafrio percorreu a espinha da segunda moça, que prosseguiu seu pranto desesperador. Teria seu corpo violado e seu sangue sugado até a última gota por aquele rapaz que sempre fora gentil com ela?

— E você pequeno botão de rosa... tem algum crime que queira me confessar? — Perguntou dirigindo-se a caçadora enquanto lhe ofertava um suave beijo no pescoço, trilhando docemente com os lábios o caminho até sua orelha.

Lana estranhou sua própria reação, porém apreciou aquele toque e sentiu uma emoção que estava longe de ser desagradável, era algo excitante, envolvente, uma explosão de sensações, beirando os limites entre o medo e o desejo. Instintivamente, mordeu o lábio para calar sua voz que insistia em tentar fugir entre seus lábios.

O silencio naquele porão era ensurdecedor... David seguiu provocando cada uma de suas prisioneiras, esbanjando graça e

sensualidade, cortejando-as de forma mortalmente assustadora. O vampiro seguiu esse roteiro por horas, todavia sem sucesso.

Cansado por não obter uma resposta, retornou aos seus aposentos, seguindo esse mesmo ritual por mais 3 dias. Após muito pensar, resolveu que seria necessário ir além, ser mais agressivo, ou as criadas seguiriam se esquivando eternamente. Seu interrogatório, estava em um círculo sem fim, sempre retornando ao começo, sem nunca chegar a lugar nenhum.

De forma convincente, decidiu ameaçá-las com a eternidade, o fato de não ser capaz de transformar um humano em vampiro devido a sua condição de andarilho ainda era um segredo conhecido apenas por ele e pela fiel governanta do Marquês, Abigail. Lana de uma forma sutil seguia intimidando-o. Sendo assim, o vampiro não ousou desafiá-la, começou a executar seu plano por aquela que ele acreditou ser o “elo fraco”.

— Hora após hora interrogando vocês, minhas três beldades, me deixou com sede, eu adoraria ser agraciado com uma bebida quente, agora mesmo... — Afirmou exibido os caninos, lambendo sensualmente o pescoço da jovem assustada, enquanto acariciava seus seios de forma ousada.

— Não! Por favor... Sr. David...

— Eu estou a muito tempo sozinho, seria revigorante ter três lindas garotas sempre prontas para satisfazer todos os meus desejos... se há algum segredo que desejem compartilhar comigo a hora é agora...

A caçadora não poderia permitir que uma nova vampira fosse criada bem diante de seus olhos, resolveu que deveria agir, mesmo sem ter certeza que sua estratégia daria certo.

— Jovem Sr. Ionesco, não faça isso...

— Se deseja que eu mude de ideia, deve me ofertar um bom motivo. — Decretou ele sem acreditar em suas próprias palavras.

— Deixe-as irem... fique comigo... eu posso te ofertar tudo o que seu coração desejar... é evidente que nenhuma dessas duas tontas seriam capazes de envenenar o Milorde...

Lana teve medo que se as jovens fossem hipnotizadas e acabassem por denunciá-la. A caçadora de vampiros tinha certeza de que as outras criadas suspeitavam dela.

— Será que é uma troca justa? Eu ainda não esclareci a morte do meu pai... a não ser que... a sua certeza da inocência

delas seja uma confissão de culpa. — Afirmou soberbo.

Prestes a ser descoberta, Lana não poderia deixar sua máscara cair, estava decidida a morrer atirando suas flechas de prata...

— Fique apenas comigo... eu o amo Sr. David!

Ao ouvir aquela confissão o andarilho se despediu de seu teatro e enfeitiçado caiu de joelhos aos pés da jovem. Dominado por um desejo lascivo, rasgou a saia do uniforme de empregada produzindo uma fenda até o cós. Dedicou-se a acariciar as pernas da moça com uma volúpia até então desconhecida por ele, eram afagos simultaneamente delicados e vigorosos.

— Esperei a vida inteira para ouvir essas palavras de alguém.

Excitado, ele não conseguiu se conter por mais tempo e com apetite, mordeu a coxa de sua presa. Faminto, bebeu o sangue que jorrava com abundancia, um sabor peculiar invadiu seu paladar e apesar de um amargor fora do comum, David teve uma certeza... a garota que acabara de se confessar a ele, era virgem.

— Moça... você ainda é donzela? — Indagou incrédulo.

Como se fosse uma sentença, um fardo a ser carregado sobre seus ombros Lana não teve outra alternativa que não fosse confirmar a suspeita do vampiro, mesmo não sentido que ainda era de fato pura:

— Sim Milorde... — Respondeu com a voz embargada.

— Então, devemos sair daqui... a primeira vez de uma dama deve ser especial. — Afirmou ele pegando-a no colo enquanto esmagava o cadeado que a prendia com apenas uma das mãos.

— Lana ficou admirada, todavia não era nenhuma surpresa, estava disposta a tudo para acobertar suas ações e esconder dele que era uma caçadora de vampiros. Mesmo que o preço a pagar por isso, fosse dividir a cama com ele.

— Senhor... poderia deixar as outras criadas partirem? — Perguntou por fim na intenção de não deixar as outras prisioneiras para trás.

— Pedirei para Abigail libertá-las depois que ela preparar seu banho... não se preocupe com elas, de fato, eu não planejava fazer-lhes nenhum mal. — Confessou o vampiro abandonando completamente sua obstinação em descobrir qual delas era responsável pela morte do Marquês.

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Comments

Rosária 234 Fonseca

Rosária 234 Fonseca

kkkkkk

2023-11-16

1

Diva

Diva

Não pretende deixar o coração lá tbm.
kkkkkkkk
Mas vai deixar.
Quem só conheceu o mal, quando ver qq coisa diferente, se apaixona.

2023-05-06

1

Diva

Diva

Existem coisas que ainda não sabe.

2023-05-06

1

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