Acordei com os raios de sol batendo sobre meu rosto. Abri os olhos lentamente e olhei ao meu redor.
A esperança de acordar em casa e que tudo não passasse de um sonho era grande demais. Mas infelizmente tudo era real.
Os dias passados e a noite anterior.
Park Jimin era real. E naquele momento eu estava presa em sua enorme casa.
Me ergui sobre a cama lentamente, olhei ao meu redor e vi que ele não estava mais no quarto. Certamente havia acordado mais cedo.
Deslizei minhas mãos até o criado mudo ao lado da cama e peguei meu celular sobre o mesmo.
Já eram quase meio dia.
— Ah meu Deus... — Sussurrei assustada. Eu não havia dormido, havia desmaiado.
Me levantei devagar e avistei minhas roupas sobre a poltrona no canto do quarto.
Fui até elas e a peguei indo ao banheiro me trocar.
Me olhei no espelho em seguida, e lembranças da noite anterior me invadiram.
Eu descobrindo a traição de Gael com a minha própria irmã, depois sendo pega por Jimin e trazida para sua casa e depois a situação vergonhosa em que eu deixei que ele me beijasse e ainda retribuí seu beijo.
— Precisa sair daqui Angel... — menciono para mim mesma.
Eu havia me deixado levar por sua beleza e a atração que meu corpo sentia por ele.
Jimin não era nada, muito menos diferente de Gael. Ele certamente me comprou para se aproveitar de mim quando não tivesse com quem se deitar.
E eu quase havia caído na sua lábia.
Prendi meus cabelos em um rabo de cavalo e passei uma água no rosto e usei uma escova de dentes que havia sido deixada com um bilhete sobre ela.
Use-me.
Assim que terminei, voltei ao quarto e peguei meu celular o colocando dentro do bolso da minha calça jeans.
Em seguida arrumei a cama e caminhei para sair do quarto.
Quando já estava no corredor pude ouvir vozes de homens que discutiam em alto e bom som.
— Está nos dizendo que não vai dividi-la conosco? — um deles dizia.
Desci as escadas devagar para não fazer barulho e notassem a minha presença.
— Sim, é isso que estou dizendo. — Jimin o respondia.
— Não acha isso irônico? Por todas as vezes que isso aconteceu, quando um de nós quis uma submissa apenas para a nossa intimidade sem dividir, você nunca permitiu tal ato. Agora quer que aceitemos a sua escolha? — volta a dizer.
— Não fale como se isso soasse de graça. Eu vou pagar por ela. E todos vocês sabem que eu sou o que quase não tem contato com as submissas. Tenho alguns momentos de prazer com elas, mas não igual a vocês. — Jimin fala firme. Parecia nervoso.
Chego até o rol e fico os observando de longe.
— Por que não deixa que a garota escolha? — outro fala.
Jimin o encara.
Seus olhos pareciam arder em chamas.
— Também acho uma boa ideia. Deixe que ela passe uma noite com cada um de nós, e ela decidi quem é o melhor. — um com o olhar sério menciona.
— Ela não é um objeto para passar de mão em mão. — Jimin se pronuncia. Aquilo me surpreende. Não esperava ser tratada com consideração por ele.
— Não está agindo direito Jimin. Se continuar assim, vamos achar que você tem sentimentos por ela. — uma voz familiar diz se levantando do sofá. Ele estava de costas mas não precisei pensar muito para saber quem ele era.
Jeon Jungwook.
Usava um sobretudo preto. Aliás todos ali usavam roupas escuras e neutras. Pareciam combinar.
— Não me diga asneiras Jungwook. — Jimin o adverte. — Já está decidido. Angeline é minha. Eu que fundei o que temos hoje. Juntamente com a nossa empresa. Estou disposto a pagar a vocês o que equivale a ela. Nenhum de vocês sairá perdendo. — termina de dizer e seu olhar encontra o meu.
Sinto minhas pernas ficarem bambas e minha garganta ficar seca.
Imediatamente me viro e ando na direção da copa. Passando por ela e adentrando a cozinha.
Era uma ala enorme. Parecia uma cozinha de Masterchef.
— Olá querida, que bom que acordou. Já estava preocupada. — a senhora Lin menciona ao me ver.
— Olá. — respondo baixo.
Ela sorri.
— Deve estar faminta. Sente-se, vou preparar algo para que possa comer. Já está na hora do almoço, mas creio que um lanche leve não fará mal. — me diz e faz sinal para que eu me sente na mesa.
Ainda estava nervosa sobre o que eu havia acabado de ouvir.
Estavam me negociando, como se eu fosse um animal ou objeto.
Me sento a mesa e espero pela senhora Lin.
Ela logo me serve uma caneca de leite com café e uma fatia de pão integral.
— Obrigada. — agradeço.
Ela sorri.
— Por nada. Assim que terminar me diga, que a servirei uma fruta. É sempre bom comer algo de extrema vitamina pela manhã. — me responde.
— Tudo bem, não precisa se preocupar. O café está de bom tamanho. — digo a ela.
— Não estou preocupada, apenas seguindo ordens. Meu menino quer que você se alimente bem. Certamente ele se importa muito com você, pois é raro ele trazer mulheres para sua casa. — me informa.
— Ele não trás mulheres para cá? — repito.
Ela nega.
— Não, ele não trás. Posso dizer que é a primeira a vir. A senhorita Kim aparece de vez em quando, mas ela trabalha com eles. Mais vem são os meninos. É engraçado me ouvir falar assim deles, já que são homens formados. Mas para mim ainda são meus meninos. — Sra Lin conta.
Tomo um gole do leite com café.
— A senhora parece conhecê-los muito bem... — menciono.
— Sim, eu os conheço. Alguns mais que outros. Os mais conhecidos é Jungwook e Taeyung. Eles são quase inseparáveis. Se conhecem desde a adolescência. Sempre estiveram com meu menino Jimin. Por mais que as vezes se estranhem, eles se preocupam um com os outros de uma forma inexplicável. Mas quando o assunto é mulher, eles são cabeça dura. — ela começa a dizer como se nós duas fossemos boas amigas.
Fico a observando.
A Sra Lin me lembrava a minha mãe. Cuidadosa e protetora.
— Mas e quanto a você, só soube o básico. Que Jimin te salvou naquela chuva de ontem a noite. Mas sinto que ambos já se conheciam. — se dirige a mim.
Abro um vago sorriso.
Eu não poderia dizer a ela que os garotos que ela tanto admirava haviam me sequestrado e me comprado na mão de alguém.
Isso certamente a magoaria e criaria ódio por mim. Sem contar que ela certamente acharia que eu estava completamente maluca.
— Nos vimos numa festa. Que teve no hotel onde eu estava hospedada. — minto. Mas em partes era verdade.
— Oh sim, agora entendo. E também sei por que meu menino ficou tão maravilhado com você. És muito bela menina. — ela me elogia.
— Obrigada... Mas não entendo de onde vocês vêem isso... — a agradeço.
Ela sorri em resposta.
— Bem, eu tenho que ir até a vinícola. O almoço já está quase pronto. Voltarei daqui uns vinte minutos e terminarei o mesmo para poderem ter uma boa refeição. Aproveite o café. — Sra Lin me informa enquanto removia seu avental.
— Vinícola? — acabo perguntando. Ela me olha.
— Sim, você não sabia? Park Jimin e os meninos são os sete maiores produtores de vinho da Itália. — ela me responde e sinto meu corpo se baquiar.
Produtores de vinho? Então eles eram milionários. Ou bilionários.. Grito em minha mente.
O mais certo era que tivesse uma alta rede de segurança.
— Ual... eu não sabia... que tola eu sou... — murmuro.
Sra Lin caminha até mim e toca meu rosto.
— Não diga uma coisa dessas. Você apenas não teve oportunidade de conhecer a origem da família. Terá muito tempo pra isso. Agora eu tenho que ir. Nos vemos daqui a pouco. — ela me diz e saí da cozinha em seguida me deixando sozinha.
Fico ali por mais algum tempo até ver uma porta no fim da cozinha. Estava refletindo muita luz, então eu duvidava ser a dispensa.
Me levantei cuidadosamente e caminhei até a mesma.
Toquei na maçaneta e a girei abrindo a porta.
Minha intuição estava certa. A porta dava para o vasto jardim do fundo onde um pouco mais a frente se dava a um muro.
Não era tão alto assim, se eu fosse cuidadosa conseguiria pular ele sem problemas.
Havia uma escada escorada sobre o mesmo, deveria ser do jardineiro.
Se eu fosse rápida nenhum deles seria capaz de me ver.
Desci os pequenos degraus da escadinha e cheguei ao começo do jardim. De longe eu vi o carro com a Sra Lin saindo.
Esperei por mais alguns segundos até os seguranças se afastarem do portão e disparei a correr pelo jardim na direção do muro.
O meu único erro foi ter me esquecido do que Jimin havia me dito ontem a noite.
A parte em que haviam vários cães pelas redondezas da casa.
No mesmo instante um deles começou a latir e vir na minha direção.
Eu não sabia o que fazer, se eu parasse de correr ele certamente me morderia, e não havia mais como eu voltar para dentro da casa.
Acelerei meus passos como se a minha vida dependesse daquilo. E realmente dependia.
Consegui chegar onde a escada estava e no impulso do susto eu subi nela sem pensar duas vezes.
O cachorro era um rotvailer de grande porte e ficava pulando no pé da escada balançando a mesma e tentando me derrubar.
E ele conseguiu, mas por sorte agarrei a borda do muro e me espendurei sobre ele.
Usei toda a força que eu tinha e consegui subir no muro me sentando sobre ele. O cachorro continuava a latir e acabou chamando a atenção dos seguranças da casa.
— Droga.. — Sussurrei para mim mesma.
Os seguranças me olhavam e corriam na minha direção. Se eu não pensasse rapidamente eu seria pega e levada para dentro da casa novamente.
E o mais certo era que eu não veria a luz do sol tão cedo.
Olhei para o outro lado do muro ao qual eu deveria pular. Mas acabei me assustando. Era mais alto do que eu imaginava.
— Merda... — xinguei mais uma vez.
Olhei novamente para os seguranças que se aproximavam.
E naquele momento não era apenas ele.
Os sete caras inclusive Jimin já estavam do lado de fora da casa.
Ambos me olhavam sem acreditar no que eu estava prestes a fazer.
Jimin corria na minha direção rapidamente, não só ele como Jeon também.
Olhei pela última vez para os dois e respirei fundo ficando de pé sobre a viga do muro e me jogando para o outro lado em seguida.
Cai rapidamente sobre o chão. E não importava a quantidade de grama que havia para amortecer a minha queda a dor era agoniante.
— Arghhhh... — gritei.
Por sorte eu protegi meu rosto com os cotovelos. Mas isso não impediu de os esfolar em carne viva.
Me rastejei sobre o chão.
Por sorte eu não havia quebrado nada mas sentia dor do mesmo jeito.
Respirei fundo tentando me levantar do chão antes que o portão fosse aberto e eu fosse capturada.
Comecei a correr pela mata que cercava a casa na esperança de chegar a uma rua e conseguir pedir ajuda.
Mas infelizmente eu não consegui ir muito longe.
De alguma forma eu havia batido a cabeça na queda e uma imensa tontura tomou conta de mim, e juntando a imensurável dor dos machucados era quase impossível eu conseguir ficar de pé.
Senti minhas pernas fraquejarem.
Pelo menos eu cairia naquela mata onde ninguém me encontraria, e quem sabe eu não morreria alí mesmo. Era algo muito melhor do que ser disputada como um pedaço de carne aos invés de ser tratada como um ser humano.
Minha vista ficou completamente escura e a única coisa que pensei naquele momento foi na minha mãe.
Em como eu queria ter um futuro diferente do que a vida havia me reservado.
Então eu apenas desisti e aceitei o meu destino.
Estava prestes a cair sobre o chão quando braços me envolveram.
— Eu peguei você... — ouvi o burburinho da sua voz antes de desmaiar.
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Atualizado até capítulo 98
Comments
Geane Fernandes
O livro é legal, mais é melhor não arriscar colocando imagens que não batem com a descrição dos acontecimentos... Uma dica
2023-12-14
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Geane Fernandes
Não entendi, se ela ę brasileira com traços mexicano, Como pode parecer uma Coreana?...
2023-12-14
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Cintia Maria Lemos Tavares
kkk e todos com cara de oriental ela mesmo tem cara de oriental .
2023-08-15
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