Angeline Mary, 23 anos
Mexicana & Brasileira
Pai Brasileiro e mãe Mexicana
Deixar o Brasil em uma viagem internacional era um grande avanço.
E tudo aquilo estava sendo possível por causa da minha meia irmã Jolie. Ela via como eu era tratada dentro da minha própria casa, e mesma poderia me desprezar como a mãe dela fazia já que éramos apenas meia irmãs.
Mas ela preferiu ser minha amiga ao dar lugar a um ódio desnecessário.
— Você vai ver, vai adorar a Itália. É como a França, só que em um modelo mais rústico. — ela dizia enquanto me ajudava a fazer as malas.
— Confesso que eu ainda estou insegura. Nunca estive no estrangeiro. Vai ser algo realmente novo. — a respondo.
Jolie sorri.
— Não se preocupe. Você vai ficar no mesmo hotel que eu me hospedei. Lá eles tem um ótimo guia turístico para visitantes. E você estudou italiano por quase seis meses. É como o espanhol, mas é mais concentrado. Só de você entender os sinais e placas já é o suficiente, assim não irá se perder. — me explica e fecha a minha mala. — Encare isso como uma forma de buscar novas experiências e conhecer novas pessoas, abrir seu horizonte. Quem sabe você não consiga algo por lá. E por favor, não fique nervosa. Estudos comprovam que o nervosismo faz você esquecer as coisas que aprendeu. — completa e assinto.
Ela tinha razão. Eu não poderia apenas me fechar em minha bolha.
Conhecer um país renomado seria um grande salto na minha vida.
Sem contar que minha presença nesta casa onde moro, não é tão boa.
Eu raramente tenho um momento de paz, e todos me excluem como se eu não fosse nada. Em viagens de família eu raramente era convidada.
Então eu sempre me apegava ao meu trabalho e meu namorado. Gael.
Se bem que nosso relacionamento não poderia ser considerado algo de grande importância, já que apenas eu fazia de tudo para que ele ainda continuasse de pé.
Respirei fundo e afastei aqueles pensamentos.
Talvez realmente fosse uma boa ideia me afastar por um tempo, seria apenas 15 dias de viagem. Metade das minhas férias.
Passariam rápido e eu logo voltaria para a minha vida insignificante.
Então não custava muito aproveitar cada momento daquela viagem.
Terminamos de organizar minhas coisas e chequei se todos os meus documentos estavam certos.
Fechei minha bolsa e fui para o banheiro tomar um breve banho antes de irmos para o aeroporto.
Quando terminei desci com as minhas coisas e olhei ao redor daquela casa.
Como sempre meu pai e meu irmão estavam na empresa e minha madrasta havia saído.
Nenhum deles pensou ao menos em se despedir de mim.
Mas tudo bem, aquilo não importava.
Jolie já me esperava no carro.
Guardei minhas malas no porta malas do carro e pedi a ela que passasse comigo no cemitério antes de me levar para o aeroporto.
Por isso saímos mais cedo.
Desci do carro e caminhei para a entrada do cemitério. Não demorou muito para que eu chegasse a lápide da minha mãe.
As flores que eu havia deixado ali no dia anterior ainda estavam frescas.
Sorri.
Eu era a única que cuidava do túmulo. Ninguém da família se ofereceu para tal coisa.
Eu também não esperava que o fizessem, já que por parte da minha família materna eles sempre foram contra ao casamento dela com meu pai. Mas por amor ela abriu mão de tudo o que tinha para fazê-lo feliz.
E o que ela recebeu em troca foi pura desilusão.
Seu sofrimento ao lado dele foi tão grande que a mesma morreu de tristeza.
— Oi mãe. Sou eu, Angeline. Estou aqui para me despedir. Mas não se preocupe, eu vou voltar. Serão apenas alguns dias. Fique bem na minha ausência. Sei que ninguém vira enfeitar seu túmulo, mas aguente. Prometo quando voltar comprar a você as mais belas flores desta cidade. — falo enquanto eu tocava a lápide.
Sinto uma lágrima escorrer do meu rosto.
— Eu te amo mãe. — sussurro e me viro para ir embora.
— Não se preocupe Angel. Prometo cuidar da lápide até você voltar. Não posso comprar as mais belas flores, mas posso colher algumas no meu jardim e colocá-las aqui. — Sr. Antônio o coveiro diz a mim.
Abro um sorriso em agradecimento.
— Obrigado. Agradeço muito se o senhor puder fazer isso enquanto eu estiver fora. — o respondo.
Ele sorri e acena em sinal positivo.
Me despeço do mesmo e vou embora.
Entro no carro novamente e Jolie da partida seguindo para o aeroporto.
Escutamos algumas músicas no caminho e ela me contou mais sobre a Itália.
— Assim que desembarcar compre um chip local, vai ajudar a se comunicar com a gente, ou com seu namorado. Aliás ele irá até o aeroporto se despedir de você? — me pergunta.
Nego.
— Acredito que não. Ele deve estar trabalhando e ocupado como sempre. Mas nós despedimos por telefone ontem. — a respondo.
Ela assente.
— Ah sim. Tudo bem, quanto menos despedidas, melhor. Eu digo por que assim não o fazem você desistir da viagem. — Josie comenta.
— Sim... — murmuro e seguimos caminho em silêncio.
Chegamos no aeroporto um tempo depois. O trânsito não estava tão ruim então quase não nos atrasamos.
Desci do carro e Jolie me ajudou com as malas.
Entramos no aeroporto e fui até o balcão fazer o check-in.
Quando voltei ela estava sentada em umas das cadeira de espera.
— Tudo bem se quiser ir para casa. Você acabou de voltar de uma viagem, deve estar cansada. — digo a ela.
Jolie sorri.
— Não se preocupe eu estou bem. — me responde.
— Ok. Se insiste. — menciono e me sento ao seu lado.
O tempo passou voando, e logo chamaram meu vôo. Me levantei e olhei ao redor do grande salão de espera, na esperança de que visse alguém entrando pelas grandes portas para se despedir de mim.
Mas não veio ninguém.
Respirei fundo para não deixar que as lágrimas de desapontamento caíssem sobre meu rosto. Me virei e olhei para Jolie.
— Bem, acho que agora eu tenho que ir. — ela sorri.
— Sim, você tem. Aqui. — ela diz e me entrega um envelope. Abro o mesmo e vejo que havia dinheiro dentro.
Mas não era da nossa moeda local.
— São notas italianas. Para você não precisar converter seu dinheiro por alguns dias. É o suficiente para comida e outros gastos. — me explica e assinto.
— Não precisava Jolie. Imagino como isso tenha custado a você. Prometo devolver cada centavo quando eu voltar. — falo com a mesma.
Ela nega.
— Não precisa. Aceite como um presente. Agora vá, antes que perca seu vôo. E por favor se divirta. — ela menciona e nos despedimos e segui para o portão de embarque.
A todo momento eu olhava para trás para ver algum rosto familiar, mas aquilo era apenas uma imaginação em minha mente.
Adentrei o portão de embarque e segui pelo corredor até o avião.
A aeromoça conferiu meu passaporte e minha passagem e depois me cedeu caminho.
Procurei a minha poltrona e me sentei.
No mesmo instante meu telefone vibrou dentro da minha bolsa.
Confesso que naquele instante meu coração chegou a vibrar em pensar que poderia ser uma mensagem do meu pai ou do meu irmão.
Mas não era nada disso.
Era apenas uma mensagem da operadora. Dizendo que havia uma promoção disponível para a minha linha.
Sorri amargamente pela situação em que estava e apenas desliguei o celular o colocando dentro da bolsa novamente para poupar bateria.
— Vamos lá Angeline, Itália nos espera. O que pode dar mais errado do que a minha vida sem graça? — murmurei para mim mesma antes do piloto anunciar que já íamos decolar.
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Atualizado até capítulo 98
Comments
Karla Barbosa Marinho
arrebenta amigaa põem esse monte de homem no bolso kkk
2023-08-22
2
Jucelia Oliveira
coloca fotos deles fica mais interessante estou gostando
2023-04-05
0
Silvia Improta Improta
cadê as fotos
2023-03-08
0