Capítulo 3

Merida Sana

Três dias passou-se desde que eu soube pela minha mãe da situação da minha irmã. Saber que a solução é algo fora do nosso alcance faz-me sentir inútil. Por mim eu iria tirar o meu próprio coração para lhe dar.

— Come devagar Hala. - Falo e ela me faz uma careta engraçada, enquanto coloca mais uma colherada de sopa na boca. Ver ela aqui no hospital, tão doente e mesmo assim ela se esforça para mostrar que está bem e que pode lutar, me motiva a lutar por ela até não poder mais.

— Está ótima irmã. Não aguento mais comer a comida daqui. - Eu ri da cara de nojo que ela fez ao lembrar da comida. Hoje eu fiquei com ela no hospital, já que é final de semana. Ficarei com ela até o Orlando vir para cá. Estamos nos revisando os três para fazer companhia a Hala e assim ninguém fica tão exausto.

Será um desafio enorme ultrapassar tudo isso. A Hala entrou na lista de espera de transplante e eu não sei se fico feliz com isso ou não. É algo muito necessário para a sua situação, mais no final alguém teria que morrer para isso.

Eu não sei se vamos conseguir dar conta de tudo. O médico teve de mudar os tratamentos, já que o antigo não funciona mais e os medicamentos também mudaram e têm um custo mais elevado.

Eu terei que fazer horas extras por enquanto e pondero realmente em termos do meu curso, se vou começar ou não. A minha irmã precisa dos tratamentos e dos medicamentos, pelo menos até conseguir um transplante. E isso pode acontecer como também há hipóteses de não acontecer.

Então eu não sei o que fazer. Por agora eu vou concentrar no meu trabalho e ajudar nas despesas. E tomo a minha decisão dependendo de como as coisas correrem.

— Oi meninas. - O Orlando entra no quarto do hospital e nos dá um selinho na bochecha e depois se senta na cadeira. — Merida pode ir para casa. A Zayna recebeu um pedido de encomenda especial e ela está cheio de coisas para fazer na loja e precisa da sua ajuda.

— Tudo bem. Irmã eu já vou. - Falo a abraçando com cuidado, pego a minha bolsa me preparando para sair. — Fiquem bem, logo eu volto. - Nos despedimos e eu volto para casa a andar, pois não é tão longe e também estamos um pouco apertados e quero economizar o máximo de dinheiro que eu puder.

Chego em casa, resolvo trocar de roupa e comer algo. Resolvo ir até à loja da minha mãe para saber das novidades.

Ela trabalha na loja sozinha e praticamente faz tudo e esses dias com a minha irmã no hospital, a sua loja ficou fechada. Então estou bastante curiosa para saber o que a fez voltar, pois achei que isso ia demorar.

— Oi mãe. - Falo assim que entro e a vejo andando de um lado para o outro apressada.

— Pega aquele tecido ali e esse cesto atrás de você. - Mal entro e ela já me manda fazer algo. Pego as coisas que ela pediu e levo até ela que carrega uma pilha de roupas.

— Porquê tudo isso? - pergunto e coloco as coisas em cima da mesa

— Recebi uma grande encomenda de peças de roupas para uma festa de luxo

— Que legal. - Falo já contagiada por sua animação

— Ele vai pagar-me dez vezes do valor normal

— Sério? - Falo sem acreditar. Quem faria uma coisas desta? Eu não conheço ninguém que seja tão rico nesse ponto.

— Eu também fiquei assim e até tentei recusar a oferta, porque não achei justo receber a mais. Contudo aquele senhor insistiu e falou que ia cancelar o negócio se eu não aceitar. - Ela sempre foi muito certinha com as coisas. — E depois de pensar um pouco eu resolvi aceitar, pois temos muita coisa para resolver e esse dinheiro vai dar para comprar os medicamentos e pagar os tratamentos da Hala por alguns meses.

— Verdade. - Digo e a ajudo com tudo

— E sabe? O mais curioso é que a festa que vão fazer será no hotel em que você trabalha

— É mesmo? - Pergunto e penso um pouco. — Tem uma festa para a semana do dono do hotel. Provavelmente deve ser esta. Estamos muito atarefados por causa disso. Tudo tem que sair perfeito

— Deve ser então. Eu tenho que levar essas roupas no dia da festa. Já fiz as medidas em todos e gostaram imenso da roupa. - Ela fala animada. — Eu só tenho essa loja pequena e mesmo com tanto dinheiro, eles escolheram a minha loja e eu só posso ser grata por isso.

— Você tem as melhores peças, não duvide do potencial do seu negócio. O tamanho não importa. Falo e ela olha-me com um sorriso meigo.

— No dia da festa, eu também tenho que estar lá para o caso de dar algum problema com as roupas. Espero que corra tudo bem. - Ela fala com uma cara mais preocupada e distante. Deve estar a pensar em tudo que se passa nesse momento e todos nós queremos ajudar e fazer a nossa parte. Não importa o esforço ou o sacrifício a ser feito. A única coisa importante é a minha irmã estar bem e estar a correr por aí e brincar normalmente como qualquer criança. Ela só tem 8 anos e tenho esperança de que ela poderá viver uma vida normal e feliz.

Tento me concentrar em ajudar a minha mãe, mais é estranho que mesmo dentro da loja tenho aquela sensação de estar a ser observada.

Tem sido assim diariamente e eu estou farta de sentir isso e penso que estou a ficar maluca ou o cansaço do trabalho está a acabar comigo.

A minha chefe Alice está mais terrível do que nunca e nem uma pausa para comer direito temos. Tudo devido à tal festa, que se cometermos um erro pode custar o nosso trabalho.

Depois de ajudar a minha mãe por algumas horas, resolvo ir para casa descansar.

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Dione Lopes

Dione Lopes

Quem será que está observando?

2025-04-03

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