Capítulo 2

Acordo cedo e preparo-me para ir trabalhar. Ainda não chegaram em casa com a minha irmã. É sempre assim, então não penso muito nisso e após terminar saio para o trabalho.

O tempo todo tenho a mesma sensação de ontem, mais decido ignorar já que não vejo ninguém suspeito na rua.

A minha irmã Hala sempre fica doente e isso preocupa-me imenso. Todos tentamos ser fortes para a apoiar e dar-lhe forças.

Mais isso tem sido difícil ultimamente e não saber ao certo qual é o problema me deixa angustiada.

A Hala sempre foi uma criança feliz e brincalhona. E de repente esse sorriso some, ela fica fraca e mal consigue correr. Fazer algo que era para ela tão simples quando dar poucos passos em casa se tornou um trabalho difícil. Pois ela perde o fôlego rapidamente e fica muito cansada.

Quero que a minha irmã fique bem logo e que volte a ser a criança feliz e animada que sempre foi e sou capaz de tudo para isso.

O meu dia foi corrido e cheio de coisas para fazer, mal tive tempo para fazer uma pausa.

Recebo uma ligação da minha mãe por volta do meio dia e vou para uma parte mais reservada do corredor e atendo a ligação.

— Oi mãe, tudo bem? - Atendo e falo baixo para não ser notada por ninguém.

— Sim, Merida. Está no trabalho? - ela fala com uma voz cansada. Acho que teve uma noite difícil

— Estou sim, como está a Hala? - Pergunto ansiosa por sua resposta

— Ela está melhor depois de ter recebido a medicação. Já fizeram vários exames e o médico falou que logo irá conversar connosco. O Orlando já foi trabalhar e eu fico aqui por enquanto com a Hala. Ela está a dormir agora, mais depois podem conversar.

— Muito bonito isso. Está no telemóvel em vez de fazer o ser trabalho. - Alice, a minha chefe aparece do nada e me dá um grande justo.

— Mãe, depois eu ligo-te. - Ela se despedi e eu desligo a chamada e guardo o telemóvel no meu bolso. — Desculpa chefe, vou evitar fazer isso no trabalho. - Falo-me virando para ficar de cara com ela, que me olha feio.

— Sabes que não é para ficar a se distrair no horário de trabalho. Há muita coisa para fazer e tudo tem que ficar impecável e perfeito. O dono do hotel está hospedado aqui e ele não tolera nem um erro. Se você fizer algo, a equipe toda poderá ser punida.

— Sim, chefe.

— Espero bem que isso não volte a acontecer ou podes dizer adeus ao seu trabalho. - Aceno com a cabeça e ela retira-se. Ela está sempre no pé de todo mundo e isso chega a ser irritante.

Após terminar de limpar o último quarto de hoje, sinto o meu telemóvel vibrar no bolsa do meu uniforme. Dou uma olhada nele e mau consigo acreditar no que eu acabei de ler.

Finalmente mandaram a mensagem falando que consegue a bolsa. Às aulas se iniciam em dois meses e mal posso esperar. Queria gritar de tão feliz que eu estava, mais eu não podia porque eu estava no hotel e posso até ser demitida por causa disso. Aqui são bem rigorosos e não quero correr esse risco.

Assim que saio do trabalho, ligo de novo para a minha mãe para contar a grande novidade. Ela demora um pouco para atender.

— Mãe, você não vai acreditar. - Falo muito empolgada e ela ainda não disse uma única palavra. — Eu consegui a bolsa de estudos, acabei de receber finalmente o email a confirmar isso. - Falo ainda mais animada, depois de lembrar das horas e mais horas de estudo que eu tive e agora ganhar essa bolsa, fez todo o meu esforço valer a pena.

Ela mantém-se em silêncio e não falou nada. Isso é muito estranho

— Mãe estais ai? - Pergunto

— Sim, desculpa-me. Estais de parabéns, isso é muito bom para ti.- Ela fala sem nenhuma emoção e parece até que está triste.

— Aconteceu alguma coisa com a Hala? - eu pergunto e o meu peito dói e fica cada vez mais ansioso por uma resposta por causa da demora toda dela responder.

— O médico falou a pouco da sua real situação e o melhor é você vir para casa e conversamos lá.

— Está bem, a Hala está sozinha no hospital?

— Não, o Orlando vai ficar um pouco com ela e depois eu vou de novo para ele vir descansar em casa.

Terminamos a conversa pela chamada. Saio a correr para chegar o mais depressa possível a casa. Tendo não pensar no que será que a minha irmã tem e prefiro ouvir de uma vez pela minha mãe. Em vez de me torturar com as várias possibilidades que infelizmente existe.

Chego em casa, encontro a minha mãe na sala, sentada no sofá com o olhar perdido e o rosto parece abatido. A situação sem dúvida é muito séria para a ver assim. A minha mãe Zayna é a mulher mais linda que eu conheço. Tem a pele clara, os olhos castanhos mais bonitos que eu já vi e o cabelo preto. E eu sou a cara dela, contudo uso os meus óculos de lente, porque não vejo nada sem eles.

A minha irmã Hala é parecida com ela, mais tem os traços do seu pai Orlando. Tem os cabelos morenas e os olhos pretos.

— Mãe, o que foi? - Pergunto e chego perto dela, que me encara perdida nos seus pensamentos e depois ela levanta-se e abraça-me. Fico sem entender e logo depois ela começa a chorar e o meu coração se aperta com medo do que ela vai dizer.

— A Hala está com um problema sério no coração, o médico falou que não tem mais o que fazer e que a única solução é um transplante.

Eu olho para ela surpresa e sem acreditar.

— E agora? - Pergunto e ela suspira e senta de novo no sofá e eu faço o mesmo

— Vai ser difícil ela conseguir um transplante e mesmo se aparecer um coração compatível com ela, existe uma grande lista de espera de outros pacientes na mesma situação que a Hala ou até mesmo pior. Agora só resta ter fé e esperança.

Não falo nada e fico queita perdida em meus pensamentos ao seu lado.

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Comments

Dione Lopes

Dione Lopes

Uma notícia boa para que conseguiu a bolsa de estudo, péssima notícia de sua irmã com problema sério no coração.

2025-04-03

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