Roberto assentiu satisfeito ao ouvir a resposta de Eduardo. Ele tomou um gole do vinho e recostou-se no sofá, sentindo que tudo estava indo conforme o planejado.
— Muito bem. Damon fez o que devia ser feito. — Ele disse com firmeza. — Agora ele está livre para Aisha.
Eduardo sentou-se em uma poltrona próxima, afrouxando a gravata depois de um longo dia. Ele não concordava completamente com o casamento arranjado, mas sabia que discutir com o pai não mudaria nada.
— E a garota? — Eduardo perguntou, referindo-se a Aisha. — Ela já sabe?
— Já. — Roberto respondeu, impassível. — Ricardo já conversou com ela.
Eduardo suspirou, já imaginando a confusão. Não conhecia Aisha pessoalmente, mas tinha certeza de que ela não aceitaria essa decisão tão facilmente. Ninguém aceita um casamento forçado assim, sem resistência.
— Ela aceitou bem? — Eduardo perguntou, erguendo uma sobrancelha.
Roberto soltou uma risada seca.
— Isso não importa. No final, ela fará o que o pai dela mandou.
Eduardo não disse mais nada. Ele conhecia bem o pai e sabia que, quando Roberto decidia algo, dificilmente mudava de ideia. Mesmo assim, ele sentia que essa história ainda estava longe de acabar.
Naquela mesma noite, Damon voltaria da conversa com Isadora, e Eduardo estava curioso para saber se ele realmente havia terminado tudo com ela… e como ele lidaria com esse casamento arranjado.
Isadora sorriu ao abrir a porta e ver Damon ali.
— Amor! Você veio me ver! — Ela disse animada, abraçando-o, mas logo percebeu que ele não retribuiu o gesto. Damon estava sério, frio, distante.
Ela franziu a testa, preocupada.
— O que foi? Aconteceu alguma coisa?
Damon suspirou, passando a mão no cabelo. Ele odiava aquele tipo de conversa, mas não tinha escolha. Seu pai foi claro: ele precisava terminar com Isadora naquela noite.
— Aconteceu sim. — Ele disse direto. — A gente precisa conversar.
O sorriso de Isadora sumiu. Ela sentiu um aperto no peito e deu um passo para trás, permitindo que ele entrasse. Assim que fechou a porta, cruzou os braços.
— Damon… você tá me assustando. O que houve?
Ele respirou fundo, tentando encontrar as palavras certas, mas no fim foi direto, como sempre.
— Meu pai arranjou meu casamento.
Isadora arregalou os olhos, sentindo como se o chão sumisse debaixo de seus pés.
— O quê?! — Sua voz saiu quase num grito. — Que brincadeira é essa?
— Não é brincadeira. — Damon respondeu com a voz firme. — Ele me obrigou a aceitar. Eu vou me casar com Aisha Petrova.
Isadora sentiu o coração acelerar, a raiva subindo em seu peito.
— E você simplesmente aceitou?! — Ela perguntou, indignada. — Você não vai lutar por nós?!
Damon desviou o olhar. Ele não era um homem romântico ou sentimental. Ele sabia que seu relacionamento com Isadora não era algo profundo, pelo menos para ele.
— Não tem luta. Isso já foi decidido.
Os olhos de Isadora começaram a se encher de lágrimas.
— Então é isso? Você veio até aqui só para jogar isso na minha cara e ir embora?
Damon suspirou, cansado.
— Eu não queria que fosse assim, mas é o que tem que ser.
Isadora sentiu o peito apertar de tanta raiva e dor. Ela deu um passo para frente e estepe Damon no rosto, os olhos brilhando de lágrimas.
— Vá embora. — Ela disse com a voz embargada. — Eu nunca mais quero ver você!
Damon não reagiu. Apenas assentiu e, sem dizer mais nada, virou-se e saiu da casa, deixando Isadora para trás, sozinha e arrasada.
Damon entrou no carro e bateu a porta com força. Ele respirou fundo, tentando ignorar a sensação estranha que se instalava em seu peito, mas algo dentro dele parecia… incomodado.
Ele fechou os olhos por um segundo e então, com raiva acumulada, socou o volante com força. Uma. Duas. Três vezes.
— Droga! — Rosnou, apertando o volante com força.
Damon podia ser frio, podia ser calculista, mas ele nunca tinha feito Isadora chorar daquele jeito. Ele nunca se importou muito com sentimentos, mas ver o olhar dela transbordando mágoa mexeu com algo dentro dele.
Ele olhou pelo retrovisor para a casa dela. As luzes ainda estavam acesas. Ele sabia que, naquele momento, Isadora estava chorando.
Ele trincou a mandíbula. Não podia voltar atrás. O casamento já estava decidido. Mas, pela primeira vez em muito tempo, ele se sentiu um completo desgraçado.
Soltou um suspiro longo, passando as mãos pelo rosto, tentando afastar qualquer resquício de culpa. Em seguida, ligou o carro e acelerou, saindo dali sem olhar para trás.
Lá dentro, Isadora chorava, mas não era por amor. Nunca foi.
Ela se olhou no espelho da sala, os olhos vermelhos e as lágrimas escorrendo pelo rosto bem maquiado. No fundo, ela sabia que tinha perdido.
Não era o Damon que ela queria. Era a vida que ele podia dar a ela. O status, o dinheiro, o sobrenome Greystone… tudo isso agora escorria por entre seus dedos como areia.
Ela socou a mesa de vidro, sentindo um misto de frustração e raiva.
— Maldito Roberto! — rosnou, sabendo que o pai de Damon tinha sido o responsável por isso.
Mas não acabaria ali.
Ela se levantou, secando as lágrimas rapidamente. Não ia desistir tão fácil. Se Damon agora estivesse prometido para outra, então Isadora encontraria um jeito de dar a volta por cima.
Horas depois, Damon entrou na mansão, o olhar fechado, a expressão carregada. Eduardo estava sentado no sofá, tomando um uísque, e nem precisou perguntar para saber que a conversa com Isadora não tinha sido boa.
— Acabou? — Eduardo perguntou, observando o irmão tirar o paletó com força.
Damon bufou, jogando o paletó no sofá.
— Do jeito que o nosso pai queria.
Eduardo apenas assentiu. Ele sabia que Damon não amava Isadora, mas também sabia que seu irmão odiava ser mandado.
No escritório da mansão, Roberto terminou uma ligação e, decidido, chamou a esposa.
— Providencie um jantar esta noite. Vou ligar para Ricardo Petrova e pedir que traga Aisha para cá.
— Já hoje? — a esposa perguntou, surpresa.
— Quanto antes isso for oficializado, melhor.
Damon, que ouvia da sala, cerrou os punhos. Era como se ele não tivesse escolha nenhuma.
Mas se fosse assim que queriam jogar… ele faria do jeito dele.
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Atualizado até capítulo 119
Comments
Dione Lopes
Que comece os jogos
2025-03-12
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