Passamos o horário de almoço trocando histórias. Eu falava sobre o Brasil, suas paisagens, a comida e as festas, enquanto ele descrevia a Itália com um entusiasmo contagiante, mencionando lugares que eu ainda nem sabia que existiam. O tempo parecia voar.
Quando olhei para o relógio da pizzaria, percebi que minha hora de voltar ao trabalho tinha chegado. – Preciso ir – disse, já me levantando.
– No, no– ele respondeu, colocando a mão na minha. – Preciso te mostrar outras partes da cidade.
– Vittorio, eu realmente não posso. Tenho que trabalhar – insisti, tentando manter o tom firme.
– Você veio para se divertir, não para se prender a horários – retrucou com um sorriso malicioso.
– Talvez, mas eu também preciso do trabalho. Se não, acabo dormindo na rua.
Ele sorriu e balançou a cabeça. – Na rua você não fica, bella. Não fica.
Foi então que percebi que ele já estava alterado. Durante a conversa, Vittorio havia bebido duas garrafas de vinho e algumas cervejas. Seus gestos estavam mais expansivos, e o tom da sua voz, mais solto.
– Vamos, vamos! Não se preocupe – insistiu. – Eu mesmo falo com Bernabe. Ele entende. Vamo, bella!
Por mais que eu soubesse que deveria recusar, havia algo em Vittorio que tornava difícil dizer "não". Acabei cedendo e, um pouco apreensiva, segui com ele até o carro.
Assim que entramos, ele ajustou o banco e se virou para mim, os olhos fixos nos meus por alguns segundos. Aqueles olhos intensos, cheios de mistério, me prenderam de um jeito que eu não conseguia desviar.
Sem pensar, sem calcular, fui tomada por um impulso. Me inclinei para ele e, antes que pudesse me questionar, nossos lábios se encontraram. Foi um beijo quente, cheio de desejo, mas também suave, como se o tempo tivesse parado ali dentro daquele carro.
Quando nos afastamos, ele sorriu e passou a mão pelos cabelos. – Bella, agora sim você entendeu o que é a Itália.
E eu, sem palavras, apenas sorri, tentando processar o que acabara de acontecer.
Ele me olhou fixamente, com aquele sorriso que fazia minhas pernas fraquejarem, e disse:
– Vamo, bella, pra minha casa. Você vai gostar.
Eu fiquei surpresa com a proposta direta e tentei desconversar. – Uma hora dessas? Você disse que ia me mostrar os centros históricos primeiro.
Ele balançou a cabeça como quem se lembrou de algo esquecido. – Sim, sim, é vero. Vou te mostrar tudo. Primeiro o lugar bonito, depois minha casa. Combinado?
– E você não está bêbado? – perguntei, cruzando os braços, meio desconfiada.
– Pra eu ficar bêbado, bella, demora muito – ele disse, rindo com confiança. – Eu estou bem, prometo.
Ele ligou o carro e continuou: – Vamos, vou te mostrar um lugar que você nunca vai esquecer. E, se quiser, depois podemos ir pra minha casa. Ou, quem sabe, pra La Donna, o bar mais famoso da cidade.
No fundo, eu sabia o que queria. Quando ele me beijou, foi como se algo dentro de mim despertasse. Um calor diferente tomou conta do meu corpo, e, pela primeira vez, eu não queria ser a santinha que sempre fui.
Abri um sorriso e, antes que pudesse me questionar, disse: – Está combinado.
Ele sorriu largamente e acelerou o carro, como se soubesse que aquela noite ainda guardava muitas surpresas.
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Atualizado até capítulo 50
Comments
Vanessa Lima
Manu, Manu você tá intensa hein
2025-03-07
0
Ioneide Martins
que doideira é que aventura 😂
2025-02-01
0
Carla Santos
Nossa que isso papai essa é uma aventura e tanta
2025-01-25
1