Depois que finalmente terminamos de limpar o restaurante, eu me joguei em uma cadeira, exausta. Sara, ao meu lado, suspirou aliviada.
– Já fizemos tudo que tínhamos de fazer – disse ela, enquanto esfregava as mãos sujas de detergente na calça.
– Sim, e agora eu só quero tomar um banho e dormir muito – respondi, sentindo meu corpo reclamar pelo longo dia.
Mas Sara não parecia disposta a encerrar a noite tão cedo. – Pelo menos vamos ver um pouco a cidade.
Eu olhei para ela, sem acreditar. – Estou muito cansada, Sara.
Ela insistiu, com aquele olhar pidão que sempre acabava me convencendo. – Só por aqui perto, eu prometo.
Respirei fundo e cedi. – Está bem.
Saímos para caminhar pelas ruas de Napoli, que estavam iluminadas pelas luzes amareladas dos postes e pelas vitrines das lojas. O clima estava agradável, com a brisa da noite trazendo um alívio para o calor do verão. Eu estava começando a me sentir um pouco melhor, quando algo inesperado aconteceu.
De repente, um carro conversível sem teto passou lentamente por nós. Lá dentro, estava o homem mais sexy que eu já vi em toda a minha vida. Ele tinha um ar despreocupado, com uma mão no volante e a outra segurando um cigarro. Quando soltava a fumaça, parecia que fazia parte de um comercial de cinema.
Eu e Sara paramos no meio da calçada, completamente hipnotizadas. Ele nos encarava, com um olhar que parecia atravessar nossa alma.
Sara quebrou o silêncio primeiro, com a voz quase falhando. – Eu estou quase desmaiando... Que homem foi esse que acabou de passar?
Eu ainda estava tentando recuperar o fôlego. – Muito gato, muito gato mesmo.
Sara riu, animada. – Desculpe, brasileiros, mas os italianos também têm o molho.
Começamos a rir juntas, ainda meio sem acreditar no que tínhamos acabado de presenciar. A noite de Napoli estava apenas começando, e eu já sentia que aquela cidade tinha algo especial guardado para nós.
Sara e eu estávamos sentadas em um banco, tentando absorver tudo que Napoli já tinha nos mostrado. Foi quando ela comentou, com a voz cheia de surpresa:
– Ih, Manu, parece que o carro está voltando de novo...
Olhei para a rua, e meu coração deu um salto. O mesmo conversível vinha em nossa direção, desacelerando. O homem, aquele que já tinha feito nossas cabeças virarem, parou o carro. Ele saiu com uma confiança que parecia encher o ar ao redor dele. Era moreno, do jeito que eu gosto, alto, com tatuagens que decoravam seus braços musculosos. Seu estilo era diferente de tudo que eu tinha visto na cidade: despojado, mas com um charme irresistível.
Ele bateu a porta do carro, e nós ficamos ali, paradas, sem saber o que fazer. Sara arregalou os olhos, e sua primeira reação foi um cochicho nervoso:
– Será que é bandido?
Eu não consegui segurar o riso. – Você acha?
Ele se aproximou, com um cigarro nos dedos, e sua voz rouca soou:
– Buona notte
Sara e eu respondemos em coro, um pouco tímidas:
– Buona notte
Ele sorriu, deixando transparecer uma confiança desconcertante. – Vocês são brasileiras?
– Sim – respondi, tentando não parecer tão impactada quanto realmente estava.
Ele soltou um sorriso divertido, ainda tragando o cigarro, e disse:
– Eu percebi.
Franzi a testa, intrigada. – Mas como?
Ele deu uma risadinha, provocador. – Pela bunda de vocês.
Sara gargalhou alto, mas eu me senti invadida e olhei para ele com um olhar firme. Talvez tenha percebido, porque logo completou:
– Perdon, estou brincando. Me chamo Vittorio Moretti. Moro aqui perto.
– Eu sou Manu, e essa é Sara. Viemos de intercâmbio.
– Sim, sim. Sei como funciona. A cidade tem muitas coisas boas – disse ele, com um sorriso no rosto.
– Você sabe um pouco de português? – perguntei, curiosa.
Ele deu de ombros, modestamente. – Sim, já fui muitas vezes para o Brasil e estudei em uma escola que ensina idiomas.
Enquanto ele falava, eu não sabia se sorria, se olhava para o rosto ou para as tatuagens que cobriam os braços dele. Tudo nele parecia chamar a atenção.
Vittorio tragou o cigarro mais uma vez antes de dizer:
– Eu tenho que ir a um lugar agora. Vocês estão hospedadas no restaurante?
– Estamos – confirmei.
Ele deu um último sorriso, cheio de intenção. – Amanhã vou comer ali. Ciao.
Ficamos paradas, hipnotizadas, enquanto ele voltava para o carro e desaparecia pela rua. Assim que sumiu de vista, Sara virou para mim, com um sorriso travesso.
– Você viu? Ele falou com a gente!
– Vi... – disse, ainda tentando processar tudo.
– E você ficou louca, seus olhos não negaram – provocou ela.
– Para com isso – retruquei, balançando a cabeça e me levantando. – Vamos para o alojamento. Eu preciso muito tomar um banho e dormir.
Enquanto caminhávamos de volta, eu sabia que aquela não seria a última vez que Vittorio Moretti cruzaria meu caminho.
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Atualizado até capítulo 50
Comments
Claudia
Hum belo rapaz porém misterioso será que é Máfioso 🤔🤔♾🧿
2025-01-16
1
Carla Santos
Um misterioso pra mim ele da máfia
2025-01-25
0