Quarta-feira 14 de Março de 2020
A luz suave e dourada filtrava-se através das cortinas semitransparentes, criando um ambiente acolhedor e tranquilo. Isabela despertou lentamente, envolta no calor aconchegante dos lençois, ainda sentindo o cheiro de festa e um perfume amadeirado que parecia vir de Nico. Ele estava atrás dela, o braço forte a envolvendo como se quisesse protegê-la de tudo. A proximidade entre eles a fez estremecer quando ele puxou seu corpo para mais perto e deixou um beijo suave na nuca, fazendo-a arrepiar.
"Bom dia, gostosa," murmurou Nico, com a voz rouca de sono, o rosto ainda afundado no pescoço dela, onde ele respirava fundo, como se quisesse gravar o cheiro dela na memória.
"Bom dia..." respondeu Isabela, com a voz suave, ainda sonolenta, a mente vagando entre o presente e os flashes da noite anterior, que pareciam borrados.
Ela se virou na cama, olhando para Nico, que ainda estava relaxado ao seu lado, com os olhos semicerrados. Mal conseguia se lembrar de como a festa havia acabado, mas a intensidade dos momentos que tiveram juntos ainda estava presente, gravada na pele. Cada toque de Nico, cada beijo, parecia estar marcado em seu corpo como uma tatuagem invisível.
“Que horas deve ser?” indagou Isabela.
“Isso importa?” ele deu de ombros e afundou o rosto no pescoço dela fazendo-a rir com seus beijos ali.
"Eu... tenho um compromisso," disse ela, com a voz hesitante, enquanto se aninhou mais um pouco em seus braços.
Ela preferiu guardar para si mesma, mas ainda estava sentindo um incomodo no seu sexo. Nico era grande, muito grande. Tinha certeza que, seja lá o que Amanda tivesse lhe dado para beber, a ajudou um pouco naquele momento.
Nico abriu os olhos, e um sorriso malicioso curvou seus lábios. "Por que não fica mais um pouco? A manhã está só começando," ele murmurou, deslizando os dedos pela cintura dela. "Além disso... não estou pronto para te deixar ir ainda."
Antes que Isabela pudesse responder, Nico a beijou lentamente, a ponta de sua língua tocando os lábios dela com a suavidade de uma brisa. O beijo deles rapidamente se transformou numa dança íntima, as línguas se encontrando e se movendo em sincronia, como se já conhecessem cada ritmo. Nico, sem pressa, a colocou debaixo de seu grande corpo, seus beijos se tornando mais intensos.
No entanto, Isabela se desvencilhou do beijo, “Eu estou falando sério.” olhando para ele com os olhos ainda cheios de desejo, mas também com uma pontada de responsabilidade. "Você pode me levar para casa?" perguntou, com um sorriso tímido.
Nico suspirou, mas concordou, afastando-se dela preguiçosamente. "Tá bom... Mesmo que eu não concorde." brincou, enquanto se levantava e começava a se vestir.
Eles se vestiram em silêncio, o quarto ainda carregando o aroma da noite anterior, com a cama bagunçada e as cortinas balançando levemente com o vento da manhã. Quando saíram, a realidade da festa anterior estava estampada por toda a casa: o caos reinava. Garrafas vazias e copos jogados pelos cantos, algumas pessoas desmaiadas no sofá e outras cochilando onde podiam. O cheiro de cigarro e suor era forte, misturado com restos de álcool.
Eles se acomodaram no carro de Nico, e logo ele deu a partida, o som do motor preenchendo o silêncio entre eles. Enquanto dirigia, Nico finalmente parecia relaxar um pouco. Ele lançou um olhar rápido para Isabela, com um sorriso de canto, e comentou:
"Quer saber? Vou pegar um café... e talvez algo pra comer. O que acha?"
Isabela sorriu e assentiu. "Seria perfeito agora."
Nico estacionou o carro próximo à cafeteria, desligando o motor antes de sair sem dizer nada. Ele desapareceu rapidamente pela porta de vidro, deixando Isabela sozinha. Aproveitando a oportunidade, ela pegou o celular que estava no bolso do casaco.
Havia uma mensagem de Amanda, como sempre, em seu tom brincalhão:
Amanda: "Você ainda está viva? Você sumiu!"
Isabela sorriu, balançando a cabeça. Amanda era previsível. Rapidamente, ela digitou uma resposta:
Isabela:" Passei a noite com ele. Agora estou indo para casa"
Antes que pudesse guardar o celular, a resposta veio quase instantaneamente:
Amanda: "Quero detalhes, vadia!"
Segurando o riso, Isabela respondeu com um toque de diversão:
Isabela: "Depois te conto."
Para finalizar, ela mandou um emoji de diabinho. Guardou o celular no bolso, ainda sorrindo para si mesma, quando viu Nico saindo da cafeteria com dois copos de café e um saco de donuts nas mãos. Ele abriu a porta do carro com um movimento ágil, entregando um dos cafés para ela enquanto se acomodava no banco do motorista.
"O que tá rolando?" perguntou casualmente, lançando um olhar rápido para ela enquanto dava um gole no próprio café.
"Nada demais," Isabela respondeu, ainda com o sorriso brincando nos lábios. "Só estava falando com a Amanda."
Nico arqueou uma sobrancelha, mas não questionou. Ele tirou um donut do saco, mordeu um pedaço, e deu a partida no carro novamente, enquanto Isabela segurava o copo entre as mãos, pensando no quanto Amanda se divertiria com aquela conversa mais tarde.
O caminho de volta foi surpreendentemente leve, quase como um intervalo entre a tensão que parecia sempre pairar sobre eles. Nico, com uma expressão exageradamente séria, começou a cantar de forma dramática as letras de "Be Alright" de Kendrick Lamar, gesticulando como se estivesse se apresentando para uma plateia imaginária.
Isabela, que segurava o café quente entre as mãos, não conseguiu conter uma gargalhada.
“Péssimo?!” ele respondeu, ofendido de propósito, colocando uma mão sobre o peito como se tivesse sido ferido. “Acho que você simplesmente não entende o meu talento.”
Ela riu ainda mais, quase derramando o café enquanto o observava fazer uma performance ainda mais exagerada. Nico aproveitou o sinal vermelho para usar o volante como bateria improvisada, batendo no ritmo da música e cantando em falsete, arrancando mais risadas de Isabela.
“Ok, ok,” ela admitiu, secando os olhos com a manga do casaco. “Você é… inesquecível, pelo menos.”
“Isso já é um progresso,” ele respondeu, com um sorriso satisfeito, enquanto a música continuava tocando ao fundo.
Por alguns momentos, a tensão que os cercava parecia ter se dissipado completamente. O som das risadas de Isabela e a brincadeira despreocupada de Nico transformaram o carro em um refúgio improvável, onde eles podiam esquecer, mesmo que por pouco tempo, a bagunça de suas vidas.
O que deveria ser um momento tranquilo foi abruptamente interrompido assim que o carro virou a esquina da rua de Isabela. Seus olhos arregalaram-se em choque ao ver o locador do prédio jogando suas coisas na calçada. A pilha de pertences estava amontoada sem cuidado, uma mala aberta expondo roupas espalhadas pelo chão.
"Nico, para o carro!" ela gritou, a voz carregada de desespero.
Ele pisou no freio com força, o som dos pneus arranhando o asfalto ecoando pela rua. Antes que o carro estivesse completamente parado, Isabela já tinha aberto a porta e saído às pressas.
"O que está acontecendo aqui?" ela exclamou, correndo até o homem, que carregava mais uma caixa para fora.
O locador, um homem corpulento com expressão severa, mal se deu ao trabalho de olhar para ela. "Você não pagou o aluguel," disse friamente, ajustando a aba do boné como se não estivesse despejando alguém na rua. "Eu avisei que se não pagasse, teria que sair."
"Mas... Eu só precisava de mais alguns dias," Isabela tentou argumentar, a voz falhando.
"Mais alguns dias?" O locador bufou, finalmente voltando-se para ela. "Você está atrasada há dois meses. Não posso esperar para sempre, bonitinha."
Os olhos de Isabela se encheram de lágrimas, a sensação esmagadora de impotência apertando seu peito. Ela tentou manter a compostura, mas o nó em sua garganta parecia sufocá-la. Antes que pudesse reagir, Nico saiu do carro como um furacão, seus passos rápidos e firmes ecoando pela calçada.
"Ei, seu filho da puta!" ele gritou, sua voz cortando o ar como uma lâmina, chamando a atenção de todos na rua.
O locador parou no meio do movimento, virando-se devagar, com uma expressão de quem já estava acostumado com confrontos. "E você é quem, exatamente?" perguntou, desdenhoso, enquanto ajustava o boné com um gesto casual.
O som do soco ecoou pela rua como um trovão, deixando Isabela congelada no lugar. Nico não parou para pensar; sua raiva parecia alimentar cada movimento. O locador caiu no chão com um gemido, o nariz ensanguentado enquanto tentava, em vão, levantar-se.
"Quem você pensa que é pra fazer uma merda dessas, hein?" rosnou Nico, seus olhos ardendo de fúria. Ele deu um passo à frente, e a intensidade de sua presença parecia dobrar o peso do momento.
O locador, ainda atordoado, levantou a mão como se quisesse se defender, mas Nico não deu espaço para isso. "Filho da puta de merda," cuspiu, antes de desferir um chute certeiro no homem caído.
Nico virou-se para Isabela, seus olhos ainda carregados da fúria que acabara de se dissipar, mas agora misturados com uma determinação crua. Sem qualquer hesitação, ele ordenou, com a voz firme e baixa, quase como um trovão abafado:
"Entra no carro, Isabela!"
Isabela congelou por um instante, ainda processando o que tinha acabado de acontecer. A brutalidade, a intensidade, tudo parecia ter acontecido rápido demais. Mas o tom de Nico não deixava espaço para discussão. Ela assentiu lentamente, o coração ainda acelerado, e obedeceu, entrando no carro sem dizer uma palavra.
Nico fechou a porta com força e deu a volta, entrando no lado do motorista. Ele ligou o motor, mas antes de pisar no acelerador, virou-se para ela. O silêncio no carro era denso, mas o olhar de Nico falava mais alto do que qualquer palavra.
"Vou cuidar de você," ele prometeu "Você vai ficar no meu apartamento." Ele não estava sugerindo, estava decidindo.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 111
Comments