Terça-feira 13 de Março de 2020
Isabela saia do apartamento quando foi abordada por o locador, um homem idoso de cabelos grisalhos e rosto enrugado. Seu olhar severo e a postura rígida deixavam claro que ele não estava ali para uma conversa amigável.
"Isabela, precisamos falar," começou ele, sua voz grave e impaciente. "Não posso mais esperar. Se não pagar logo, vou jogar suas coisas na rua."
Isabela, sentindo o peso da situação, tentou manter a compostura. "Eu vou pagar assim que puder, Dan" respondeu, sua voz carregada de frustração. “Eu prometo.”
O velho a encarou com um olhar desconfiado, os olhos apertados de desconfiança. "É bom que pague mesmo, menina. Eu não vou tolerar desculpas por muito mais tempo," disse ele, virando as costas sem dar chance para mais nenhuma palavra, deixando Isabela ali, com um nó na garganta e um sentimento de impotência crescente.
As manhãs começavam cedo, com ela acordando ainda na escuridão para pegar um ônibus lotado. Ela havia enfrentado uma rotina extenuante para chegar ao trabalho naquele dia. O trabalho no fast food era físico e mentalmente cansativo, exigindo que ela se mantivesse em pé durante longas horas, atendendo a clientes e gerenciando o movimento frenético do local. Mesmo quando não estava atendendo diretamente no balcão ou no Drive Thru, as tarefas eram intermináveis: limpar, repor suprimentos, e garantir que tudo estivesse em ordem. Apesar do ritmo intenso e da carga de trabalho pesada, Isabela encontrava algum conforto em suas pequenas interações diárias, principalmente com Amanda, que se tornou uma amiga valiosa.
Amanda era sua colega de trabalho e a melhor amiga no ambiente frenético do fast food. Juntas, elas compartilhavam momentos de leveza durante os intervalos, seja enquanto fumavam um cigarro ou durante os breves momentos de calma no meio do serviço. A amizade delas era um refúgio em meio ao caos, proporcionando um espaço para desabafos e risadas, o que ajudava a tornar o trabalho um pouco mais suportável.
Naquela tarde, o movimento no Drive Thru estava constante, e Isabela e Amanda estavam ocupadas lidando com os pedidos, quando um som inconfundível de motor poderoso reverberou pelos fones de ouvido que elas usavam. Amanda, levantando os olhos, reconheceu o carro antes mesmo de ver quem estava ao volante.
"Olha só quem tá de volta," murmurou Amanda, dando uma cotovelada amigável em Isabela, que estava concentrada no monitor.
Isabela olhou de relance e viu o Ford Mustang 1969 preto, brilhando sob a luz do sol. O carro parecia uma extensão da personalidade de Nico—imponente e cativante. Mas o que fez seu coração bater um pouco mais rápido foi a voz que veio logo em seguida, ressoando com uma confiança descontraída.
Ele apareceu na janela do drive thru com seu sorriso conquistador. Amanda se debruçou na janela rindo da situação
"Ei, estou procurando a atendente de sorriso bonito," disse Nico, com um tom que misturava charme e brincadeira. Ele olhava diretamente para Amanda, mas claramente se referia a Isabela.
Amanda não perdeu tempo e, com um sorriso divertido, respondeu: "Bom, por aqui só tem uma pessoa com esse título." Ela se virou para trás olhando diretamente para Isabela.
Isabela sentiu o calor subir ao rosto e balançou a cabeça, que timidamente foi se aproximando.
Tentando parecer desinteressada. "O que você vai querer hoje?" perguntou, a voz tentando soar profissional, mas não conseguindo esconder completamente a curiosidade.
Nico, satisfeito por ter conseguido a atenção dela, respondeu com um sorriso que era puro carisma. "Que tal você?"
Amanda, do lado, observava a interação com um sorriso travesso. Ela sabia que Nico tinha um jeito com as palavras, e que Isabela, apesar de tentar resistir, não estava imune ao seu charme.
“Hoje a noite quero ver você na minha festa.” afirmou ele, descendo os olhos por ela brevemente. “Mas ainda não tenho o seu número.”
“E para que precisa dele? Afinal, você já está me convidando.” tentando manter a postura firme, mas sua voz soou mais suave do que pretendia. O calor se acumulava em suas bochechas enquanto ela se perdia nos olhos dele.
Isabela parece ficar perdida no olhar dele até ouvir os carros atrás do carro de Nico começaram a buzinar freneticamente.
Nico não estava de brincadeira, e com um tom cativante, ele insistiu: "Olha, Isabela, eu não vou a lugar nenhum. E, honestamente, não me importo de esperar."
A pressão estava aumentando, com Amanda rindo e incentivando, enquanto alguns dos outros motoristas começaram a buzinar, impacientes com a pequena paralisação. "Vamos, Isa," Amanda continuou, "pelo bem do tráfego e de todos aqui!"
Isabela, vendo que não tinha saída e querendo encerrar a cena, suspirou e finalmente cedeu. Com um sorriso envergonhado e sem olhar diretamente para Nico, ela pegou um pedaço de papel e escreveu seu número rapidamente. "Aqui," disse ela, entregando o papel pela janela, "mas não vá pensar que isso significa alguma coisa."
Nico pegou o papel com um sorriso vitorioso. "Significa que eu saí ganhando hoje," ele respondeu, piscando para ela antes de acenar para Amanda. "Vejo você mais tarde."
Nico arranca com o carro, deixando uma impressão duradoura. A interação breve, mas marcante, fez com que Isabela se sentisse um pouco animada, apesar das preocupações e da pressão financeira que enfrentava. Enquanto o Mustang se afastava, Isabela e Amanda trocaram olhares cúmplices, e a expectativa de uma noite fora do comum parecia um alívio bem-vindo da rotina cansativa que elas enfrentavam diariamente.
Amanda riu, acenando de volta, liberando o caminho. "Eu te disse que ele não ia desistir fácil," ela sussurrou para Isabela, que só conseguiu balançar a cabeça, tentando esconder um sorriso tímido que teimava em aparecer.
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Atualizado até capítulo 111
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