Segunda-feira 12 de Março de 2020
Com o fim do turno, Isabela se despediu de Amanda com um abraço rápido, forçando um sorriso que não refletia a inquietação que a consumia. As preocupações pesavam em seu peito. Em vez de ir para casa, que era à direita, decidiu caminhar até a biblioteca local à esquerda, um refúgio onde podia usar o computador e se manter em contato com sua mãe no Brasil. A troca de e-mails era um ritual sagrado, realizado religiosamente duas vezes por semana, e essa conexão lhe dava forças para seguir em frente.
Sentando-se em frente ao monitor, Isabela digitou rapidamente suas credenciais. Ao abrir a mensagem da mãe, um aperto no coração a atingiu:
"Oi, minha filha. Espero que esteja tudo bem. Aqui estamos todos com saudades. Seu pai trabalha muito, mas sempre pergunta por você. A casa está mais vazia sem você, mas seguimos com a rotina. Não se preocupe, estamos bem. Sinto muito a sua falta. Te amo, Isabela. Manda notícias."
As palavras simples e cheias de afeto fizeram seus olhos se encherem de lágrimas. Isabela respirou fundo, tentando manter a calma, e começou a digitar uma resposta:
"Oi, mãe. Sinto tanta falta de vocês. Seria tão bom estar aí agora. Prometo que vou ligar no fim de semana. Manda um beijo para o papai. Te amo muito."
Depois de enviar a mensagem, fechou o e-mail, sentindo uma mistura de saudade e conforto. Estar em contato com a mãe, mesmo à distância, era como ter um pedaço de casa consigo.
Ao sair da biblioteca, Isabela não poderia voltar ao pequeno apartamento agora. Estava devendo três meses de aluguel e seu locatário se mostrava cada vez mais hostil. Decidiu perambular pela cidade, na esperança de encontrar alívio para a inquietação que a dominava. As ruas estavam tranquilas, quase desertas, e a noite envolvia tudo em um manto de silêncio. As luzes amareladas dos postes lançavam sombras suaves no asfalto, enquanto a brisa fresca de outono acariciava seu rosto, trazendo uma sensação momentânea de paz.
Caminhando sem rumo, Isabela deixou os pensamentos fluírem, tentando fazer sentido de tudo que acontecia em sua vida. Sentia-se dividida entre o amor pela família e a necessidade de encontrar seu caminho em um país estrangeiro. A solidão, embora pesada, também lhe dava espaço para refletir e crescer.
Finalmente, quando a cidade estava silenciosa e a maioria dos moradores já havia ido para a cama, Isabela se aproximou do seu apartamento. O prédio era um edifício antigo, com uma fachada de tijolos vermelhos desgastados pelo tempo. Ao entrar, as escadas rangiam sob seus pés, e o cheiro de mofo parecia impregnar o ar.
Chegando à porta do seu apartamento, Isabela se certificou de que o corredor estava vazio. Com um movimento cuidadoso, abriu a porta. O interior era pequeno, mas funcional, dividido em um único ambiente que servia como sala de estar e cozinha, com um quarto minúsculo e um banheiro ao lado.
A sala era decorada de maneira simples, com móveis desgastados. O sofá marrom escuro estava coberto por uma manta que disfarçava os sinais de uso. A cozinha, ao fundo, tinha um pequeno fogão e uma pia manchada, repleta de utensílios básicos.
O quarto, separado por uma divisória de cortinas, era ainda mais modesto. Uma cama de casal ocupava a maior parte do espaço, com lençóis simples. Ao lado, uma pequena mesa e uma cadeira antiga completavam o cenário. O armário, abarrotado, estava cheio de roupas que Isabela havia acumulado ao longo do tempo.
O banheiro era apertado e mal ventilado, com azulejos brancos começando a ficar amarelados. Isabela entrou em casa e fechou a porta com cuidado, buscando um alívio momentâneo no seu pequeno refúgio. Sabia que precisaria enfrentar a realidade do aluguel não pago e a hostilidade do senhorio, mas, por agora, estava apenas grata por ter um lugar para chamar de seu.
Ligou o chuveiro e deixou a água quente em seu corpo, aliviando os músculos tensos e apagando o estresse das horas passadas em pé. Isabela se deixou ficar ali, com os olhos fechados, enquanto a água quentinha trazia uma sensação de paz.
Após o banho, ela se jogou na cama, sentindo a suavidade dos cobertores. Isabela fechou os olhos, buscando um pouco de descanso.
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Atualizado até capítulo 111
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