Quarta-feira 14 de Março de 2020
Preston abriu os olhos com dificuldade, sentindo o peso da ressaca pulsando em sua cabeça. A luz suave que filtrava pelas cortinas do loft parecia uma lâmina, cortando seu campo de visão ainda embaçado. Ele se moveu lentamente, sentindo o corpo pesado enquanto se ergueu na cama. O som constante do chuveiro ecoava no banheiro, um lembrete claro de que não estava sozinho. Ele olhou ao redor, e as pistas da noite anterior estavam espalhadas por todos os cantos: uma calcinha minúscula jogada no tapete e, no canto oposto, um vestido brilhante que refletia a pouca luz do ambiente.
Preston suspirou, esfregando o rosto com as mãos, tentando afastar o torpor que ainda o envolvia. "Cacete, minha cabeça..." pensou, mais para si mesmo do que qualquer outra coisa. Seus dedos deslizaram até o celular na mesa de cabeceira, e ele o pegou para verificar a hora. O visor mostrava 12h30. Quarta-feira.
Ele soltou outro suspiro, desta vez mais profundo, e estava prestes a jogar o celular de volta na mesa quando começou a vibrar insistentemente. A tela exibia o nome de seu pai. Preston estreitou os olhos. Cuzão, pensou, sem vontade de atender. Mas, inexplicavelmente, deslizou o dedo e atendeu a chamada.
"Fala," resmungou, sem esconder o tom de irritação.
"Oi, filho." A voz grave e familiar do outro lado da linha era direta. "Espero que você possa falar agora."
Preston fechou os olhos por um momento, inclinando a cabeça para trás. O que ele queria? "O que você quer?" perguntou, seco.
Antes que o pai pudesse responder, ele notou um movimento no canto do olho. Quando olhou por cima do ombro, viu a loira saindo do banheiro, completamente nua, com os cabelos loiros presos de forma casual no topo da cabeça. Ela movia-se com uma confiança desconcertante, um leve sorriso nos lábios enquanto recolhia suas roupas espalhadas.
"Eu queria saber se você quer ficar com algumas coisas da casa..." a voz de seu pai continuava ao fundo, quase abafada pelo espetáculo visual à sua frente. "Consegui vender o lugar, mas tem uma caixa com seu nome aqui."
Preston mal registrava o que seu pai estava dizendo. Seus olhos acompanhavam cada movimento da mulher, que parecia estar deliberadamente demorando-se para se vestir. A pele dela brilhava levemente sob a luz que entrava pelas janelas, e ele não pôde deixar de sorrir de canto, o sorriso torto que sempre aparecia quando algo o intrigava ou divertia.
"Passo aí mais tarde, pode ser?" disse rapidamente, mal prestando atenção à conversa.
"Claro, até mais," respondeu seu pai, um pouco confuso pela rapidez com que Preston encerrava a ligação.
"Até," murmurou ele, desligando o celular e jogando-o de volta na cama sem olhar. Seus olhos estavam fixos na loira, que agora deslizou o vestido brilhante por sobre o corpo, ajustando-o aos poucos como se soubesse que ele a observava.
"Por que a pressa?" indagou ele, com um sorriso malicioso, os olhos semicerrados, enquanto se apoiava de costas na cama, os braços cruzados atrás da cabeça.
Ela lançou um olhar de lado, um sorriso enigmático no rosto enquanto se abaixava para pegar os sapatos. "Eu tenho coisas pra fazer," respondeu ela, em um tom que misturava provocação e indiferença. Mas o jeito como ela mantinha o olhar nele, como se estivesse esperando por algo, sugeria que a pressa dela talvez não fosse tão genuína quanto aparentava.
Preston a observou, absorvendo cada detalhe: o brilho do vestido contra sua pele, a forma como seus movimentos eram precisos e calculados, como se soubesse exatamente o que queria e o efeito que causava. Ele se inclinou para a frente, apoiando os cotovelos nos joelhos, e sorriu novamente.
"Então… até a próxima?" brincou, levantando uma sobrancelha, mas com um brilho no olhar que dizia que não tinha pressa nenhuma de vê-la partir.
Ela calçou os sapatos, e sem perder o ritmo, caminhou até a porta, jogando um último olhar por cima do ombro. "Até, Preston." O som de seus saltos batendo contra o chão ecoou pelo loft quando ela saiu, deixando no ar uma mistura de perfume e mistério.
Preston ficou ali, por alguns segundos, imerso no silêncio que se seguiu, ainda sentindo o calor da presença dela no ambiente. Finalmente, ele soltou um suspiro e riu consigo mesmo, pensando no quão inesperada aquela manhã havia sido.
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Atualizado até capítulo 111
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