Segunda-feira 12 de Março de 2020
"Olha só para você, Isa! Tá até corada!", Amanda provocou, com aquele sorriso malicioso típico dela enquanto arrumava bandejas. "Eu sei, o Nico é muito gostoso, né?"
Isabela tentou esconder o rubor, balançando a cabeça e soltando um sorriso tímido. "Não sei do que você tá falando."
Amanda levantou uma sobrancelha e inclinou a cabeça, cética. "Isso é só o começo, querida. Se conheço bem o Nico, ele não vai sossegar. Aposto que ele vai voltar."
Isabela riu nervosa, desviando o olhar. "Você tá vendo coisa onde não tem, Amanda."
Apesar da conversa descontraída, o restante do turno de Isabela foi tomado por uma inquietação que não conseguia dissipar. As tarefas rotineiras, que antes eram mecânicas, agora se arrastavam. Seus dedos deslizavam pela tela da máquina de pedidos quase sem pensar, enquanto a imagem de Nico permanecia na sua mente, como uma sombra persistente. Ele havia entrado na sua vida de forma inesperada, trazendo consigo uma energia avassaladora que ela não sabia como lidar.
Nico não era apenas um cara bonito. Ele era um turbilhão, alguém que parecia romper o ciclo monótono e previsível do cotidiano de Isabela. Desde que chegou, ela vinha tentando ajustar suas expectativas. Nascida e criada no Brasil, seu sonho sempre foi abrir uma confeitaria. Mas os primeiros passos em terra estrangeira haviam sido duros. A realidade era bem diferente dos sonhos, e o emprego no fast-food surgiu como uma tábua de salvação temporária. O plano era ganhar o suficiente para se estabilizar e, um dia, conseguir seu próprio negócio.
Amanhã, no entanto, seria seu último dia na lanchonete. A notícia que tanto esperava finalmente chegara: o escritório de advocacia no centro da cidade havia confirmado sua contratação como assistente de recepcionista. O salário seria melhor, e ela teria mais flexibilidade para seguir seu plano de economizar e, quem sabe, começar a dar os primeiros passos para sua confeitaria. Pensar nisso fazia seus olhos brilharem de entusiasmo contido.
Nesse meio tempo, Isabela ainda tinha que lidar com a rotina no fast-food. Suas esperanças e sonhos para o futuro estavam mais perto do que nunca, mas a realidade daquele ambiente ainda pesava sobre ela.
"Isabela!" A voz brusca do gerente a arrancou de seus pensamentos. "Vê se acorda. Vai lá fora limpar as mesas. Agora."
Ela suspirou, mas não respondeu. Já se acostumara com o jeito grosseiro e mandão do chefe. Entre os funcionários, ele tinha a reputação de ser o tipo de pessoa que gostava de demonstrar autoridade o tempo todo. "Idiota," Isabela murmurou baixo, enquanto caminhava para a área externa com o pano de limpeza.
Ao sair, o ar fresco a recebeu, proporcionando um alívio temporário. Enquanto limpava as mesas, tentou se concentrar no futuro promissor que se desenhava à sua frente. Mas, mesmo assim, a imagem de Nico continuava a pairar, como uma lembrança que não conseguia apagar tão facilmente.
É só um cara, pensou ela.
Mas ela tinha que admitir que não era um cara qualquer.
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Atualizado até capítulo 111
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