Terça-feira 13 de Março de 2020
Preston não conseguia mais contar quantas doses já tinha tomado. O gosto amargo do álcool era uma tentativa desesperada de apagar as imagens que martelavam sua mente, mas elas sempre voltavam, mais fortes. O corpo de Rony, sem vida, continuava a assombrá-lo. Sentia o joelho latejar, uma dor que vinha tanto do físico quanto da culpa que pesava sobre seus ombros.
Encostado na parede ao lado de Ant, seus olhos perdidos vagavam pela multidão agitada da boate. Risos, gritos e música alta preenchiam o ar, mas para Preston tudo parecia abafado, distante.
Uma parte dele esperava pelo momento em que tudo desabaria — um policial à porta, um olhar acusador, qualquer sinal de que o inferno estava prestes a começar. A ansiedade corroía seu estômago como veneno, mas ele não podia deixar transparecer.
Nico, por outro lado, estava em meio à pista de dança, cercado por corpos que se moviam em sincronia. Ria, bebia, e falava alto, como se o mundo fosse uma festa contínua e ele, seu rei. A falta de remorso em seu semblante aumentava a raiva de Preston, que apertou o copo em sua mão até os nós dos dedos ficarem brancos.
“Será que alguém havia visto eles?”, pensou ele, lutando contra a vontade de gritar e explodir. Olhou para Ant, que observava a cena com um meio sorriso, alheio à tempestade dentro de Preston.
O peso do que tinham feito — o corpo de Rony descartado como se fosse um fardo qualquer — ainda pressionava seu peito, tornando a respiração pesada. Preston sabia que, por mais que tentasse, não conseguiria se esconder do olhar vazio de Rony em sua mente.
Ele respirou fundo, o ar entrando de forma irregular em seus pulmões. Não tinha tempo para se perder em pensamentos sombrios, não ali.
“Porra,” resmungou Ant, quebrando o silêncio com uma voz embriagada de frustração. “Perdi meus R$500 reais.”
Preston seguiu o olhar dele e viu Isabela, que havia acabado de entrar na pista de dança, se movendo com uma graça magnética que fazia os olhos de todos se voltarem para ela. O vestido que usava era um convite ao devaneio — justo, desenhado para destacar cada curva e iluminar o ambiente ao redor com sua presença.
“Carlos está ferrado também,” Ant comentou, soltando uma risada amarga enquanto bebia.
Preston observou Isabela, seus olhos incapazes de se desviar. Cada movimento seu, cada passo ritmado, parecia uma dança calculada para desarmar qualquer um que a olhasse.
Seu cabelo ondulava em sintonia com a batida da música, fazendo seu sorriso brilhar ainda mais. O tecido do vestido, suave e provocante, abraçava seu corpo de forma que fazia o coração de Preston bater em um ritmo descompassado. Uma sensação mista de desejo e angústia o tomou — era como ser puxado para uma corrente que sabia que o destruiria, mas da qual não conseguia se afastar.
“Porra, ela é muito gostosa,” disse Ant, sua voz entrecortada pelo riso e pela excitação.
Ele sorveu mais um gole da bebida, enquanto Preston apertava o copo em suas mãos, a mente girando entre a culpa e o fascínio. “Duvido que o Nico vai deixar ela escapar.”
A festa pulsava ao redor de Isabela, como se ela fosse o próprio centro de um universo que girava ao som da música ensurdecedora em ritmos caóticos.
Preston não conseguia desviar o olhar; seus pensamentos eram um turbilhão, entrelaçados com a culpa, o desejo e a confusão que o consumiam. Era como se estivesse preso em um transe, uma corda esticada entre o que queria e o que sabia que deveria fazer.
Num esforço para escapar, ele forçou seus olhos a se voltarem para Ant, que observava a pista com um sorriso presunçoso.
“Vou dar uma circulada,” disse Preston, a voz grave e seca, tentando disfarçar a inquietação que fervilhava sob a superfície.
Ant ergueu uma sobrancelha, mas não questionou, apenas acenou com a cabeça e voltou a observar a dança hipnotizante de Isabela. Preston se afastou, deixando a parede e mergulhando na multidão que dançava e bebia como se a noite nunca fosse acabar.
Os risos, as conversas altas e o cheiro de álcool misturado com suor e fumaça o cercavam como um manto sufocante.
Passando por casais e grupos de amigos que riam sem reservas, ele buscava uma saída. Cada passo ecoava dentro de si como um lembrete da incerteza que o corroía. A luz intermitente o fazia piscar rapidamente, como se a própria festa estivesse zombando de sua incapacidade de se manter firme.
Ele sabia que precisava de um momento para reorganizar os pensamentos, para apagar as imagens que insistiam em voltar.
Preston não queria voltar para casa sozinho, onde o silêncio o obrigaria a confrontar as memórias recentes que lutava para manter à distância.
Precisava de uma distração, algo que o tirasse da espiral que sentia se formar ao seu redor. Mas no fundo, uma parte dele sabia que estava fugindo, não apenas da festa, mas daquilo que estava acontecendo dentro de si.
No meio da multidão, um rosto familiar surgiu de repente à sua frente, e Preston foi obrigado a parar. Bethany, uma loira de cabelos compridos e ondulados que desciam até a metade das costas, olhava para ele com um sorriso malicioso.
Seus olhos verdes brilhavam sob as luzes coloridas da festa, e suas curvas acentuadas eram realçadas por um vestido vermelho justo, que atraía olhares por onde ela passava.
Ela era o tipo de mulher que sabia o efeito que causava e aproveitava cada instante.
“Já está indo tão cedo?” perguntou ela, inclinando a cabeça ligeiramente enquanto mantinha o sorriso provocador. Sua voz era doce, mas tinha um tom que sugeria mais intenções.
Preston sentiu uma onda de alívio e um vislumbre de interesse. Talvez Bethany fosse exatamente o que ele precisava para se afastar dos pensamentos que o atormentavam. Ela sempre tinha sido uma companhia agradável, alguém com quem ele conseguia esquecer do mundo, mesmo que por algumas horas.
Ele retribuiu o sorriso, embora fosse mais contido. “A festa aqui está boa, mas tenho algo melhor em mente,” disse, deixando a sugestão pairar entre eles.
Bethany arqueou uma sobrancelha, claramente interessada. “Ah, é? E o que seria isso?”
Ele deu um passo mais perto, diminuindo a distância entre eles e falando baixo, mas suficientemente audível para ela ouvir sobre a música. “Por que não vem comigo e descobre?”
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Atualizado até capítulo 111
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