Segunda-feira 12 de Março de 2020
Assim que chegaram ao apartamento, Carlos, Damien e Anthony praticamente saltaram do sofá em direção à TV, ansiosos para retomar a disputa de "Mortal Kombat" que continuava empatada. O som dos botões sendo pressionados freneticamente e as provocações que trocavam entre si logo encheram o ambiente, criando uma atmosfera caótica. Parece que o efeito dos comprimidos ainda estava fazendo efeito.
Enquanto isso, Nico e Preston seguiram em direção ao quarto de Nico, onde o verdadeiro negócio acontecia. Preston ficou na porta, recostado de maneira descontraída, rindo da conversa animada dos dois amigos na sala ao lado. Nico, por sua vez, atravessou o quarto, que tinha paredes de tijolo aparente e móveis minimalistas — nada ali parecia revelar sua vida clandestina. Ele foi até um armário discreto no canto do quarto, abriu uma gaveta oculta e empurrou um falso fundo de madeira. Por trás, havia uma pequena caixa de metal, trancada a chave, onde guardava suas mercadorias mais valiosas: comprimidos de ecstasy embalados de forma meticulosa, prontos para serem distribuídos.
Com mãos ágeis, Nico pegou um dos pacotes de comprimidos e se aproximou de Preston. O brilho no olhar de Nico era frio, determinado, enquanto estendia o saco de pílulas, seu rosto assumindo uma expressão séria. "Qualquer coisa, me chama," ele murmurou, a voz baixa e firme, quase como uma ordem velada. A intensidade de seu tom não deixava espaço para dúvidas — ele levava o negócio a sério, e esperava o mesmo de Preston.
Preston pegou o saco sem hesitar, enfiando-o discretamente no bolso interno da jaqueta de couro. Ele apenas assentiu, seu sorriso habitual diminuído por um momento de seriedade. "Pode deixar," respondeu, a voz segura, antes de dar uma última olhada ao redor do quarto, ainda sentindo o peso do que estavam prestes a fazer.
Preston se despediu dos outros com um aceno casual e saiu, mantendo seus planos em segredo. Nico acreditava que ele estava indo para mais uma entrega, mas Preston tinha outro destino em mente, algo que Nico jamais saberia, pois sua vida pessoal nunca foi da conta de ninguém.
Ele entrou no carro e dirigiu pelas ruas tranquilas até seu loft. O prédio, um antigo armazém convertido, tinha escadas de metal que rangiam a cada passo. Chegando à sua porta de aço escovado, ele empurrou-a para dentro, revelando o espaço vasto e minimalista que chamava de lar.
O loft era uma mistura de industrial e moderno: tetos altos com vigas de aço expostas, janelas enormes que iam do chão ao teto, permitindo uma vista panorâmica das luzes da cidade. As paredes de tijolos aparentes em tons rústicos contrastavam com o piso de cimento polido, refletindo a luz suave das luminárias penduradas.
Os móveis eram escassos. Uma mesa de madeira rústica cercada por cadeiras de metal, um sofá de couro preto desgastado em frente à TV, e uma estante improvisada de prateleiras de madeira com canos de metal, onde livros e garrafas de uísque estavam displicentemente organizados. A cozinha, integrada ao espaço, tinha armários de aço inoxidável e um balcão de mármore escuro, mas era pouco usada, exceto pelas garrafas e caixas de delivery abandonadas.
Preston tirou a camisa e a jogou no sofá sem se importar, pegou seu lanche e se jogou em uma poltrona. Enquanto mastigava as batatas e bebericava o milkshake, ele desbloqueou o celular e revisou as mensagens. Algumas de clientes, outras de contatos casuais que ele mal se lembrava, mas o que chamou sua atenção foram as chamadas perdidas de um número salvo como "CUZÃO". Ele bufou, o estômago revirando. O cuzão era seu pai.
"Merda," murmurou, olhando para a tela, com uma mistura de frustração e resignação.
Preston ignorou as chamadas, já tinha problemas o suficiente para lidar. Largou o celular e o resto do lanche sobre a bancada da cozinha. Em seguida, foi para o banheiro, arrancando as roupas e entrando no chuveiro. A água quente lavava os resquícios da noite anterior, enquanto o vapor envolvia o banheiro.
Ao sair, secou-se rapidamente, ainda sentindo os músculos tensos. Parou em frente ao espelho, observando suas tatuagens – a serpente e a rosa no braço esquerdo, a âncora no antebraço direito, e a frase em latim na clavícula, todas carregando histórias que ele nunca contaria. Vestiu uma camiseta de mangas longas preta, escondendo as marcas visíveis de sua vida, mas o lembrete sob o tecido permanecia.
Preston puxou uma calça jeans escura, calçou os sapatos pretos e ajeitou o cinto. Caminhou até o espelho do corredor, penteou os cabelos curtos e molhados para trás com precisão, o reflexo de um homem que mascarava seu caos interior com uma fachada de controle. Satisfeito, pegou a jaqueta de couro preta pendurada ao lado da porta e a vestiu, sentindo o peso familiar sobre os ombros.
Com um último olhar ao redor do loft, verificou se tudo estava em ordem. Pegou as chaves e o celular, jogando o aparelho no bolso com um gesto impaciente. Ao sair, trancou a porta e desceu as escadas, seus passos ecoando no prédio silencioso.
Na rua, o ar fresco da manhã o recebeu, carregando o frio residual da noite. O sol começava a iluminar a cidade, mas Preston mal prestou atenção. Apertou o botão do chaveiro, e o som do carro destravando lhe deu um raro senso de controle. Entrou, ligou o motor, e antes de seguir para a faculdade, mas precisava passar num lugar antes.
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Atualizado até capítulo 114
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