Quando a noite finalmente chegou ao fim, Sara subiu as escadas ao lado de Theo, ambos em silêncio. Assim que chegaram ao corredor onde seus quartos ficavam, Theo se virou para ela.
— Boa noite, Sara — disse ele, com um leve aceno de cabeça. — Você se saiu muito bem hoje.
— Obrigada, Theo. Boa noite para você também.
Sem trocar mais palavras, cada um entrou em seu respectivo quarto. Sara fechou a porta e encostou-se contra ela, soltando um longo suspiro. A noite havia sido desgastante, mas ela sentia que havia cumprido seu papel.
Já Theo, ao entrar em seu quarto, tirou o paletó e afrouxou a gravata, dirigindo-se ao bar no canto do cômodo. Serviu-se de uma dose de uísque, pensando em como Sara havia lidado com tudo. Ele estava impressionado com sua força e habilidade, algo que não esperava de uma jovem que, até pouco tempo atrás, havia sido traída por sua própria família.
Enquanto isso, no andar de baixo, Marta terminava de organizar os últimos detalhes com os empregados antes de subir para o seu quarto. Ela parou no meio da escada, pensativa, um sorriso divertido surgindo em seus lábios.
— Esses dois... precisam de um empurrão — murmurou para si mesma.
Ela sabia que forçar qualquer coisa naquela noite seria prematuro. Ambos estavam ainda lidando com o peso do casamento e da situação em que haviam se colocado. Mas, no fundo, Marta tinha certeza de que Theo e Sara precisavam estar mais próximos para que algo verdadeiro pudesse florescer.
— Amanhã é um novo dia — disse Marta para si mesma, subindo o restante da escada. — E eu vou cuidar disso.
No entanto, por aquela noite, Marta decidiu deixar que cada um tivesse seu espaço. Ela sabia que algumas sementes precisavam de tempo para germinar, e com Theo e Sara, seria assim.
Em seus quartos, ambos tentavam dormir, mas suas mentes estavam inquietas. Sara não parava de pensar no que o futuro lhe reservava ao lado de Theo. Por mais que ele tivesse demonstrado ser um homem protetor, ela ainda se sentia insegura sobre como as coisas poderiam evoluir entre eles.
Theo, por outro lado, se perguntava o que estava acontecendo com ele. Nunca havia se importado tanto com a opinião de alguém, e a ideia de proteger Sara parecia mais natural do que ele gostaria de admitir.
Mesmo separados, algo estava começando a crescer entre eles. E Marta sabia que, no momento certo, ela estaria lá para ajudar.
Ainda naquela noite, Sara finalmente conseguiu pegar no sono, mas seu descanso foi interrompido por um pesadelo terrível. Ela se remexia na cama, suando frio, enquanto os gritos escapavam involuntariamente de seus lábios.
No quarto ao lado, Theo estava prestes a adormecer quando ouviu os sons vindos do quarto de Sara. Ele se levantou imediatamente, sem pensar duas vezes, e foi até o quarto dela. Ao abrir a porta, viu Sara presa em seu pesadelo, chorando e se debatendo.
— Sara! — chamou ele, aproximando-se com cuidado.
Ela não respondia, perdida em sua própria mente, revivendo o horror do lugar onde havia sido mantida contra sua vontade. Theo sentou-se ao lado dela e segurou seus ombros com firmeza, mas sem machucá-la.
— Sara, acorde! Está tudo bem, você está segura agora! — disse ele, com a voz firme, porém suave.
Após alguns momentos de insistência, Sara finalmente abriu os olhos, ainda confusa e assustada. Quando seus olhos encontraram os de Theo, ela demorou alguns segundos para entender onde estava.
— Theo? — sussurrou, a voz embargada.
— Estou aqui. Foi só um pesadelo — respondeu ele, soltando os ombros dela devagar. — O que aconteceu?
Ela desviou o olhar, envergonhada, e enxugou as lágrimas com as costas das mãos.
— Foi horrível... eu sonhei que ainda estava presa naquele lugar — disse ela, a voz trêmula. — Tudo parecia tão real.
Theo respirou fundo, tentando manter a calma. A visão de Sara tão vulnerável despertava nele um misto de proteção e raiva pelo que ela havia passado.
— Você está segura agora, Sara. Ninguém vai machucar você. Não enquanto eu estiver por perto — garantiu ele, com firmeza.
Ela olhou para ele, tentando encontrar algum conforto em suas palavras. Theo, percebendo que ela ainda estava assustada, segurou a mão dela por um breve instante.
— Quer que eu chame minha mãe? — perguntou ele, mas Sara balançou a cabeça negativamente.
— Não... só... só fique aqui por um momento, por favor — pediu ela, quase em um sussurro.
Theo assentiu, sem dizer mais nada, e sentou-se na poltrona ao lado da cama. Ele permaneceu ali, em silêncio, enquanto Sara tentava se recompor.
— Obrigada, Theo — disse ela, depois de um tempo.
— Descanse, Sara. Amanhã será um novo dia — respondeu ele, com a voz baixa.
Enquanto ela voltava a adormecer, desta vez sem pesadelos, Theo continuou ali, mantendo-se alerta. Pela primeira vez, ele sentiu que sua promessa de protegê-la significava mais do que um simples acordo.
Quando Sara finalmente adormeceu novamente, Theo permaneceu sentado na poltrona ao lado da cama, observando-a por um tempo. Ele não sabia explicar o que estava sentindo, mas havia algo naquela jovem mulher que mexia com ele de uma forma inesperada. Ela era diferente de todas as outras pessoas que ele conhecia.
Enquanto a olhava, ele refletia sobre tudo que ela havia passado e sobre a força que demonstrara desde que chegaram em sua vida. Mesmo com o trauma evidente, ela não deixava de lutar para retomar o que era seu por direito. Isso o impressionava mais do que ele gostaria de admitir.
Depois de algum tempo, Theo percebeu que Sara estava profundamente adormecida. Ele se levantou silenciosamente, ajeitou o cobertor sobre ela e saiu do quarto, fechando a porta com cuidado. De volta ao seu próprio quarto, tentou descansar, mas as imagens de Sara e o som dos gritos dela ainda ecoavam em sua mente.
Na manhã seguinte
Sara acordou com a luz suave do sol entrando pelas janelas. Por um momento, sentiu-se confusa, como se ainda estivesse presa no pesadelo, mas logo percebeu onde estava. A lembrança da noite anterior veio à tona, junto com a imagem de Theo sentado ao seu lado, tentando acalmá-la.
Ela suspirou, sentindo-se grata pela presença dele. Talvez aquele casamento, mesmo sendo apenas um acordo, trouxesse algo mais do que ela esperava.
No andar de baixo, Theo já estava na sala de jantar, tomando café e organizando mentalmente o que precisava fazer no dia. Quando Sara apareceu, ele ergueu o olhar, observando-a com atenção.
— Dormiu bem depois? — perguntou ele, quebrando o silêncio.
— Sim, obrigada — respondeu ela, um pouco envergonhada.
— Que bom. Hoje temos algumas coisas para resolver. Você precisa assinar os papéis para retomar a empresa e... vamos oficializar nosso casamento com a máfia em um pequeno evento, algo simbólico — explicou ele, direto ao ponto.
Sara assentiu, ainda tentando se acostumar com a ideia de assumir tantos papéis de uma vez.
Marta apareceu na sala, carregando um sorriso radiante.
— Bom dia! Como está minha nova nora hoje? — perguntou ela, claramente tentando aliviar o clima.
Sara sorriu levemente.
— Estou bem, obrigada.
Marta lançou um olhar de aprovação para Theo, que ignorou. Ela parecia determinada a fazer com que aquilo não fosse apenas um casamento por conveniência, mas sabia que precisaria agir com sutileza.
— Depois do almoço, vou ajudar Sara com tudo para o evento. Theo, cuide da parte dos negócios. Vamos garantir que vocês brilhem hoje à noite — disse Marta, piscando para Sara.
Theo apenas revirou os olhos, mas não contestou. Enquanto ele e Sara se preparavam para enfrentar o dia, a conexão entre eles parecia crescer, mesmo que nenhum dos dois estivesse disposto a admitir isso ainda.
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Atualizado até capítulo 43
Comments
Euridice Neta
Certamente é nesse evento que as vadias vão aparecer...
2025-03-25
5
Suzana Araujo da silva pereira
/Heart//Good//Drool/
2025-03-06
2
fanfiqueira -formada
lá vai ela cupido adorooo
2025-03-02
3