Marsh ficou aliviado ao saber que a filha tinha razão quanto às intenções do irmão, mas passou a observar melhor os comportamentos do filho, fez com que Sant trabalhasse mais e o ajudasse em outras funções com o pretexto de que logo Sant tomaria seu lugar e tinha que aprender.
Os costumes diziam que as filhas mulheres casavam ante seis homens, após ter casado as filhas um pai deveria casar também seus filhos.
O torneio acabou e dado fim a questão de Sant, Chele não tinha mais escolha teria que escolher seu futuro marido.
Mas ela não queria casar com nenhum deles, não sentiu nada por nenhum, tentaria falar com o pai novamente mesmo sabendo que de nada valeria.
__ Pai, por obséquio, peço-lhe, não quero casar com nenhum deles, eles me olham como um pedaço de carne, pronto para ser devorado.
Marsh engasgou com a cerveja que bebia e olhou para a filha aturdido.
__ Sinto muito filha adoraria guarda-la na torre para sempre, mas é o costume não posso muda-lo.
__ Mas você é o rei, não vê que esses costumes são ultrapassados demais? você pode mudar as coisas, eu mudarei as coisas se eu for rainha.
__ Você não pode simplesmente mudar as regras do povo do dia para a noite minha filha, entenda, que de você dependem todos, é muito mais que casar, é unir nossa tribo, os sem lei crescem lá fora, logo poderão querer tomar posse de nossas terras, de nossas vidas.
__ Mas papai...
__ Chega, vá para seus aposentos e trate de escolher, quero a resposta amanhã assim que o sol nascer.
Chele levantou da mesa e correu para seu quarto, não daria ao pai o gosto de vê-la chorando, não escolheria nada, ele que escolhesse e cassasse por ela.
Dominada pela raiva Chele decidiu que seguiria o plano do irmão, mas sem ele, fugiria e iria viver com os sem lei, lá ninguém obrigaria ela a casar com qualquer um, e ela poderia seguir seu caminho.
Um pouco mais tarde ouviu uma batida em sua janela, abriu os olhos e ouviu melhor, eram passarinhos? pareciam bicadas na Madeira, levantou e foi olhar do outro lado em cima do telhado da cozinha um rapaz jogava pedrinhas em sua janela.
__ Quem é você? estas senil acaso? ou apenas está bêbado e errou o quarto de sua amante?
__ Nem uma coisa nem outra, é você mesma que pretendo ver.
__ E o que Você pretende comigo?
__ Preciso de vossa ajuda, por favor, me ouça.
Chele não conhecia aquele homem mas sentia sinceridade em seu clamor, então pensou por um momento e pediu que aguardasse. Colocou seu manto de pele de urso e foi até a janela, o rapaz ainda estava lá é parecia aflito.
Ela desceu como antes apenas pulando, o rapaz pareceu surpreso e quase gritou quando ela pulou, mas olhou para baixo e a viu esperando de pé e intacta, ele começou a descer lentamente do telhado, enquanto ela aguardava escondida nas sombras.
__ Agora fale quem é você? o que quer de mim?
__ Desculpe alteza, me chamo Haivar, sou descendente de sua tia Melissandre, estou aqui porque ouvi dizer que você tem os dons, e pude comprovar agora, um pulo desses quebraria as pernas de qualquer um no mínimo.
__ Então quis ver meus dons? só isso? por isso perturba meu sono?
__ Não alteza, preciso de sua ajuda minha mãe está doente há meses, nenhum curandeiro ou ancião é capaz de curar sua mazela , nem sabem o que tem, peço que venha comigo e a ajude, fogo sua misericórdia.
__ Eu adoraria ajudar, mas não posso, amanhã terei que escolher meu noivo e não posso sair, meu pai está me vigiando, logo passará em meus aposentos e verá que não estou, seríamos pegos ante a de chegar a sua casa, sinto muito.
__ Então casara mesmo? ouvi dizer que a princesa era destemida e teimosa e que não aceitaria ordens de ninguém nem do rei.
__ Acontece que dessa princesa depende a vida de muita gente, não tenho escolha. Siga seu caminho Haivar, não posso ajuda-lo.
__ E se eu puder ajudar você?
__ como me ajudaria ? enfrentaria meu pai e o Reino para salvar-me de cumprir meus votos?
__ Não, posso tira-la daqui sem ser vista.
__ Eu mesma posso fazer isso se quisesse Haivar, não entendeu que não posso escolher a mim.
__ Escolha salvar minha mãe e serei seu servo eu juro. Estou entre seus pretendentes, se assim quiser me escolha, e eu prometo nunca tocar-lhe.
__ Não temos como sair sem ser vistos pelos guardas de meu pai.
__ Confie em mim, temos.
Chele seguiu Haivar, sentia alguma coisa nele que inspirava confiança, e ela gostava de ajudar as pessoas fossem quem fossem, um pouco mais a frente Haivar entrou em um toco de árvore, Chele achava que era para se esconder, mas este toco deu passagem a um outro toco, e eles seguiram assim por uns dez mais, logo estavam dentro da floresta, pra lá do bosque sagrado, Chele se perguntava como chegaram ali tão rápido, mas em sua mente o caminho ficara gravado, andaram mais alguns metros e estavam na aldeia dos herdeiros de sua tia.
__ Então, você vem?
Chele o seguiu até onde morava, era uma enorme caserna, não era um castelo, não era permitido, mas uma casa enorme e muito bem construída, os móveis de madeira eram bem desenhados.
Ela se sentiu bem ali logo chegaram nos aposentos da mãe dele, ela estava deitada enrolada com muitas peles, sua face rosada suava muito, as vezes ela estremecia e soltava um gemido.
__ A quanto tempo ela está assim?
__ Já há quatro luas, não levanta, faz suas necessidades na cama, minha irmã tem que troca-la, alimenta-la e vigiar dia e noite.
__ Ela parece estar muito quente, você pode me deixar chegar perto?
__ Claro.
Chele se aproximou da mulher, sentiu sua angústia e teve uma leve tontura, as vezes ela conseguia sentir o que afligia aos outros, ela desenrolou ela das peles e deixou-a apenas com a camisola que usava.
__ Ela sente muito frio, não é bom descobrir ela.
__ Ela não sente frio Haivar, está sobrecarregada o calor das peles a deixa fatigada e não lhe dá disposição.
__ Mas ela estremece com constância.
__ É a febre, ao contrário do que dizem a febre tem que se refrescar, e não abafar mais ainda.
__ Mas...
__ Você me chamou aqui pra ajudar não foi? por que?
__ por que é a única que pode.
__ Então me deixe ajudar.
Haivar se afastou e só olhou a princesa cuidar de sua mãe.
Chele pediu água morna, essência de papoula, e caldo de casca de cana apurado.
Juntou o caldo de cana apurado com a água morna e molhou pedaços de pano, começou a dispor no corpo da mulher, ela sentiu seu pulso e viu que estava fraco, derramou algumas gotas de papoula em água fresca e fez a beber tudo.
Chele levantou e ergueu as mãos sobre o corpo da mulher, falou algumas palavras e deslizou-as para um lado e para o outro, seus olhos brilharam intensamente, o brilho tomou conta do quarto, ela parou sua prece e retirou os panos do corpo da mulher, a cor das faces dela já voltavam, sentiu seu pulso e viu que estava mais forte, ela ficará bem.
__ Mande fazer uma boa canja para ela, ficará bem, logo acordara com muita fome.
Chele escreveu em um papel o que deviam dar para ela, e o que não podia fazer.
__ Se seguirem a risca em uma semana ela estará de pé.
__ Obrigada princesa, não temos como pagar, seremos seus servos para sempre.
__ Não tem de que. Haivar pode me levar de volta?
__ Claro, vamos.
No caminho Haivar agradece milhões de vezes a princesa, ela apara e o observa por um instante, ele era esquisito, seus olhos eram tortos e seus cabelos eram desgrenhados, o corpo era disforme e magricela, seu pai não aprovaria tal genro. Ela se sentiu tentada a aceitar o que ele propôs, mas ela já tinha outro plano.
Chegando no primeiro toco, ela agradeceu a Haivar e se despediu.
Já em seu quarto ela decidiu fugir, mas sem fugir, usaria seus poderes para se esconder, e ficaria ali mesmo em seu quarto, comendo e dormindo , até seu pai mudar de ideia sobre o casamento.
No dia seguinte quando a ama bateu a porta de seu quarto, a cama estava arrumada e a princesa não estava em lugar algum.
Correndo foi avisar ao rei, Marsh vasculhou todo o castelo em busca da filha, mandou homens a todos os cantos do vale e além das montanhas de gelo mas ninguém a viu ou ouviu falar de nada, nem os caçadores viram rastro algum dela.
Chele observava o desespero dos seus com uma vontade enorme de rir, mas conteve-se, quase se mostrou quando viu a ama chorando desconsolada e fazendo preces e promessas aos deuses para que sua menina voltasse.
Três dias depois todos continuavam a procura dela, mas fora do castelo ninguém sabia da fuga dela, foi dito aos rapazes que ela contraiu uma mazela qualquer e que assim que estivesse disposta comunicaria sua decisão.
Na quarta noite de sua fuga Chele foi até o quarto do pai e ouviu ele falar com o espírito da mãe em súplica.
__ Oh minha querida, por favor me ajude, é tão difícil lidar com tudo isso sem você porque tinha que me deixar, deveria eu ter ido em seu lugar quem sabe assim seus filhos teriam sido criados melhor com mais respeito, me perdoe eu falhei com você com eles com nosso povo, nossa pequena sumiu, está aí pelo mundo, por causa das meu orgulho, eu sei que ela não queria ser como as outras, mas eu não posso fugir de nossos costumes, que tipo de rei seria eu se deixasse meus filhos quebrarem as regras e forçasse meu povo a segui-las, como poderia eu reinar assim?
Chele começou a chorar sentindo a dor que o pai emanava, não podia ser egoísta, não mais, se o pai dela se sacrificava tanto por ela e pelo povo, como ela poderia trai-lo? Chele quebrou seu encanto e falou com o pai
__ Pai, me desculpe, eu, não quis..
Marsh ergueu os olhos surpresos e correu de encontro a filha, abraçou-a e beijou-a.
__ Você está bem? onde estava?
Ele girava a filha de um lado para o outro procurando sinais de ferimento.
__ Pai, eu tô bem, nem sai do castelo se quer saber.
__ Não? como, procuramos por toda parte.
__ Procuraram uma vez só em cada parte, sinto muito pai, eu não queria causar problemas.
__ O que importa é que está bem e aqui.
__ Pai eu ainda não quero casar, mas farei o que for preciso pelo povo, só não espere me ver sorrindo e alegre nunca mais.
__ Filha você é muito jovem, poucos foram os que casaram por amor na nossa tribo, alguns tivemos sorte, não haveria no mundo homem algum que não quisesse casar com você, e nenhum. ousaria lhe fazer mal.
__ Não vou escolher, tanto faz, faça isso você diga com quem casarei e pronto.
Chele aceitou seu destino mas por quanto tempo ela seguiria aquela linha? será que ela deixaria mesmo seu pai escolher seu futuro marido?
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Atualizado até capítulo 73
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