Dez dias se passaram e o luto tinha que ser encerrado, as vidas continuaram, era hora de Jorah fazer o que os ancestrais pediram, recolheu toda madeira de Salgueiro que pode e a carregou para a cachoeira, quando tinha o suficiente começou a trabalhar, por quase três meses ele cortou, serrou e construiu, a jaula estava pronta, ele encarou aquela armação enorme de madeira e pensou se aquilo seria mesmo capaz de segurar selim, parecia tão frágil e quebrável.
Mas ele não desobedeceria os ancestrais, olhou mais uma vez para a jaula e se foi.
Ao sair da Cachoeira deu de cara com Jandah seu filho mais velho.
__ O que fazes aqui pequeno? Se perdeu por acaso do caminho?
__ Eu queria ficar com você papai, segui vossos rastros pela floresta e cheguei aqui, mas então não vi mais nada.
__ Chegaste aqui rastreando? estou orgulhoso.
Jorah pegou seu menino nos braços e seguiu para casa pedindo que ele jamais levasse alguém até ali.
Agora tudo que ele precisava fazer era arranjar os visgos, sabia que era uma planta difícil de encontrar, mas sabia também de um local que o acharia, na tenda chamou a esposa e avisou que precisaria passar alguns dias fora.
__ para onde vais? Pretende nos abandonar?
__ Não, o que dizes mulher, eu preciso fazer algo, buscar algo que me foi pedido pelos ancestrais, eles me avisaram que em breve enfrentarem Selim, é preciso me preparar, são dois dias apenas, eu prometo que voltarei antes que sintam minha falta.
__ Talvez não seja provável, já sinto vossa ausência amado marido.
Jorah beijou a esposa nos lábios e a ergueu em seus braços a levando para o local de descanso deles.
__ Jorah, queres outro filho acaso?
__ Se assim os deuses quiserem.
Ela ri e se entrega ao seu marido, Jorah o iluminado, não faz ideia do quão poderoso ele é, e nem imagina o que o aguarda.
Partiu na manhã seguinte sem que ninguém na tribo soubesse, deixou ordens a esposa que se perguntassem, dissesse que ele estava em transe, buscando respostas com os ancestrais.
Jorah andou por quase doze horas até chegar ao topo da montanha branca, ele lembrava daquele local, foi sua casa antes da Vila atual, Ele olhou por todas as partes tentando lembrar aonde era o local que via sempre os visgos pendendo por entre as árvores.
Fechou os olhos e lembrou da mãe lhe contando o porque daquele nome e porque ele era uma planta mágica.
" Veja meu filho, estas vendo aquela planta ali? se chama visgo, ela é uma planta mágica, ela é a única capaz de proteger as pessoas comuns da magia e a única que pode matar um ser mágico. Um dia uma mulher perdeu um de seus filhos, ela sentiu tanta dor que quando nasceu outra criança ela conjurou tudo que há no mundo vivo e morto, frio e quente, seco e molhado, todas as plantas e animais, os metais e o luto e disse: Nada destas coisas poderá ferir meu filho, ele está protegido e é invulnerável, nada poderá jamais mata-lo, mas ela esqueceu de uma única coisa, uma planta chamada visgo, ela não conjurou o visgo por acha-lo insignificante, seu filho cresceu cercado de segurança, mas um dia uma bruxa inimiga dela, descobriu a planta inofensiva que a outra esquecera, fez um chá e deu para o filho beber, ele morreu na mesma hora, envenenado pelo visgo, e desde esse dia as mães quando tem seus filhos penduram em suas portas uma folha de visgo para lembrar do erro daquela mãe, e para lembrar do quão poderoso o visgo pode ser."
Jorah lembra que ficou encantado com aquela história, ele se sentia infeliz e sozinho por ser diferente, o visgo o fez se sentir importante.
Ele olhou para o lado e viu o lugar onde esteve com a mãe, soube que ela lhe enviara aquela lembrança para que ele soubesse aonde ir, foi em direção ao bosque e viu quilômetros de visgos pendidos por entre as árvores, cortou o quanto pôde e colocou em seus embornais de pano, seria mais fácil carregar assim.
Sem descansar ou perder tempo ele voltou correndo como o vento para a tribo, escondeu-se até não haver mais ninguém acordado e então se dirigiu até a caverna na cachoeira, ao norte não podia arriscar ser visto por ninguém.
Colocou o visgo em volta de toda a jaula e tentou entrar nela, mas algo o impediu, era como se uma força o prendesse na terra e não o deixasse entrar e nem tocar na jaula, estava desistindo quando ouviu um sussurro.
__ Está feito meu filho, logo diremos o que farás. Sei que duvidastes da jaula, pois então testa tu mesmo o poder dela.
Jorah entendeu o que os ancestrais diziam a jaula tinha poder, podia sentir, mas não entendia, ele mesmo fez aquilo, está certo que era um mago poderoso mas como madeira e folha impediriam Selim.
Jorah se concentrou, de suas mãos chamas amarelas começaram a fluir, ele as lançou na jaula, esperando ver seu trabalho destruído, mas nada aconteceu ele lançou chamas maiores, nada aconteceu, tocou o chão com os dedos e pedras enormes começaram a atingir a jaula, mas não fizeram sequer um arranhão, Jorah começou a tomar confiança então levitou e invocou raios e relâmpagos do céu, os raios atingiam a jaula com estrondo mas nada aconteceu, então os ancestrais estavam certos, aquela coisa seguraria Selim, e ali trancafiado seu poder se enfraquecerá e ele será morto por mim, mas quanto tempo poderemos o manter preso, ele pode invocar outros para liberta-lo, alguém ousaria seguir Selim? não por boa vontade.
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Atualizado até capítulo 73
Comments
Lah_
amei❤️🌸
2024-12-01
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