Jorah seguiu para sua tenda feliz e esperançoso, agora sabia que havia uma chance de vingar todos aqueles que Selim perseguia.
Sua esposa o aguardava ansiosa, se jogou em seus braços, assim como seus filhos.
__ Encontrasses o que fostes procurar?
perguntou sua esposa.
__ Encontrei!
Respondeu Jorah, sorridente, enquanto brincava com seus filhos.
__ Estou faminto, haveria alguma coisa para mim?
__ É claro, vou esquentar um pouco de ensopado, e trazer legumes cozidos e arroz, com um pedaço de lombo de ovelha, está bom assim?
__ Oh, um banquete, aceitarei tudo de bom grado.
Depois de comer, Jorah pediu que a esposa não o acordasse, pois precisava recuperar suas forças, e não dormira nada desde que partiu, assim sua esposa fez, levou seus filhos para a casa dos avós, e lá permaneceu até o cair da noite, voltou pra casa após as refeições noturnas e apenas colocou os filhos para dormir nas esteiras, e deitou-se silenciosa ao lado de Jorah, que sequer mexeu-se, ela estava feliz, tinha medo que o marido a estivesse preterido, ouve murmúrios que até teria uma amante, pois andava passando muito tempo fora, sem ninguém saber onde, mas ela confiava no marido, sabia que ele não faria isso, estava apenas cumprindo as ordens dos ancestrais.
Naquela noite Jorah voltou a sonhar com seus ancestrais, dessa vez ele os viu.
Jorah andava entre as árvores de um bosque, um pintado de branco, a neve corria por entre as folhas e caia no chão branco, de repente a neve sumiu e ele andava por cima de um muro, olhando para baixo viu uma cidade lá embaixo, ouvia ferro batendo em aço, pessoas oferecendo produtos, crianças correndo, a sua frente apareceu uma porta de madeira, enorme, ele nunca antes havia visto tamanha arrumação, estava em um castelo enorme, então ele viu uma jovem correndo com uma criança puxada pela mão e outra em seu ventre, atrás dela iam outras mulheres e crianças e alguns homens, entendeu quem eram, era sua mãe, seus irmãos e seu povo.
Como ele estava ali? não teve tempo de pensar , um vulto escuro passou por ele, e ele estremeceu, um homem careca, sem pelos algum no corpo, de olhos muito violetas e olheiras em volta, gritava ordens e cantava palavras em um idioma esquisito, era Selim ele soube, por um instante teve ímpeto de ataca-lo, mas lembrou -se que aquilo já aconteceu, ele nada podia fazer, então pra que estava ali?
Seguiu Selim e viu quando ele segurou uma jovem de olhos rosados, ela começou a gritar, mas ele apenas ria, aos poucos a pele dela foi ressecando e perdendo a cor, logo dela restava apenas um corpo seco e negro, os olhos de Selim brilharam intensamente por um segundo, então ele era um jovem rapaz, bonito e com cabelos marrons.
Então era assim que funcionavam seus poderes, quando ele sugava a vida dos seus, ele próprio adquiria vida, sua aparência medonha, transformava-se visivelmente.
Selim voou sobre o castelo e lançou raios sobre os homens que estavam abaixo do Castelo, os raios atingiam em cheio o alvo, despedaçando-os.
Ele ouviu as palavras que Selim falava para conjura-los, cada frase que saia de sua boca ficava gravada na cabeça dele, mas ele sabia as palavras para conjurar também, embora algumas ele não conhecesse daquelas proferidas por Selim, viu quando ele movimentou suas mãos rapidamente e a água surgiu diretamente da garganta dos homens, Jorah decorou os movimentos também.
O mago Selim desceu ao chão, e disse mais duas palavras desconhecidas aos ouvidos de Jorah e movimentou seus dedos para frente e para traz cruzando os dois em um só movimento, aquilo trousse uma tormenta e um furacão até a vila, então Selim sumiu e junto com ele todo o resto, o furacão varreu a todos os que ali estavam, crianças, velhos ou jovens.
Então apenas um enorme campo restou, Jorah entendeu, os ancestrais lhe mostraram o modo como Selim agia, é o que houve com o lugar que a mãe cresceu.
Então ele ouviu a voz suave de seus ancestrais novamente
__ Compreendes meu filho? agora já sabes o que aguarda vossa tribo e todas as que restam, nenhuma há como a sua, apenas um ou outro isolado por aí, escondendo-se como ratos, tens que estar preparado, aprendeu como fazer as conjurações que ele faz? é primordial que aprenda.
__ Não sei como e nem porque, mas as tenho guardadas na mente, como se comigo houvessem nascido.
__ Ótimo, então vá meu filho e se prepare, pois na próxima lua enfrentará Selim, o abominável.
Jorah acordou tomado por medo é ansiedade, olhou ao seu redor, já era dia o sol estava alto no céu, sua esposa não estava ali é nem seus filhos, levantou e foi a sua procura, ao chegar a porta da tenda parou, as lembranças de seu sonho retornaram a mente em turbilhão, ele precisou segurar na coluna de madeira para não cair , sentou ao chão e respirou, absorvendo de volta às revelações.
Quinze dias e quinze noites depois, os ancestrais voltaram a falar com ele, para avisar que a noite era aquela.
__ Jorah, Jorah! prepare seu espírito, hoje Selim cairá em suas mãos.
Jorah se sentia sozinho e queria dividir aquilo com sua esposa e seu povo.
__ Oh, ancestrais, sinto que sozinho não serei capaz de conseguir.
__ Vais filho de meu sangue e dizes a teu povo e a tua esposa o que acontecerá hoje, mas lembre-se não revele nunca a ninguém o local da jaula de Selim, seus irmãos poderão ir atrás dele e por tudo a perder, já sabes, agora vá.
Jorah levantou-se e foi em busca de sua esposa, pediu a todos que se reunissem no centro do acampamento, ergueu a voz
quando seu povo estava todo reunido e lhes disse
__ Sei que andei ausente, e que muitos acham que eu estou desviando de minhas obrigações, porém asseguro que não é isso que tenho feito, os ancestrais já a algum tempo tem falado comigo e por ordem deles eu passei todo esse tempo construindo uma armadilha mágica que ira prender Selim.
O povo começou a questionar e a conversar entre si.
__ prender?
__ Não podemos prender, temos que matar ele.
__ Selim não cairá na sua armadilha.
Jorah pediu calma e silêncio, mas não o ouviram, então ele se ergueu no ar e disse duas palavras estranhas, ergueu as mãos e um vento forte começou a soprar na face daqueles que murmuravam, então eles se calaram e olharam para Jorah no céu.
__ Então posso continuar? Os ancestrais me disseram como e o que fazer e assim eu fiz, eu mesmo tentei com meus dons destruir a armadilha e não consegui, acaso acham que os anciãos me fariam perder tempo ou estariam mentindo para mim?
__ Como sabes que eram eles, e não Selim em tua mente, querendo engana-lo?
__ Eu sei que foram eles, pelas coisas que vi e ouvi através deles. Selim é imortal não sabíamos disso, sabíamos apenas que ele se matinha vivo devido ao sangue de nossos irmãos mas os ancestrais me revelaram mais que isso, ele não pode ser morto, o fogo não lhe queima, a água não lhe afoga, a terra não lhe sufoca, e arma alguma mesmo se enfiada ao seu coração até atravessa-lo pode matar seu corpo.
__ Ele é uma abominação, então o que faremos, se ele escapar de sua armadilha?
__ Ele não poderá sair de lá, Selim está banhado em poder dos nossos, passado alguns anos sem ter acesso a esse poder ele enfraquecerá e estará indefeso, sendo assim poderemos mata-lo, o que o sustenta é o fluxo intenso da magia que ele rouba de nos, ela o alimenta, Selim o digno morreu naquela noite, esse que restou é uma sombra, e sombras não morrem. Eu prometo a vocês que ele não fugira e nem fará mal a ninguém, para sua segurança não direi aonde ele estará. Apenas eu saberei, e chegada a hora de acabar com a vida dele, os ancestrais avisarão, eles aguardam ansiosos por ele.
__ E quando isso irá acontecer?
__ Hoje a noite quando a lua estiver alta no céu.
Outra vez seu povo murmurava, eles tinham medo, não estavam esperando uma revelação tão grande e uma ação no mesmo dia.
__ Se acalmem eu peço nenhum de vocês terá que fazer nada, ficarão em suas tendas, assim que cair o crepúsculo isolem com suas famílias não quero ninguém aqui fora, é uma ordem, quem sair será punido, eu saberei.
__ Mas Jorah, queremos lutar ao seu lado, defender o acampamento.
__ Não haverá luta irmão, não se tudo ocorrer como os anciãos planejaram, preciso de todos aqui, lançarei uma proteção nas tendas, ninguém poderá entrar nelas, nem fazer mal a quem estiver dentro, mas se saírem nada poderei fazer, os seguidores de Selim estarão aqui a procura de sangue também, não me decepcionem, eu peço, preciso saber que estarão bem.
Todos se comprometeram a obedecer, a esposa dele chorava abalada, não queria separar-se do marido.
Dado o aviso para seu povo, Jorah pediu licença e retirou -se para sua tenda, seguido por sua esposa que ainda chorava.
__ Porque nada me dissestes? eu não posso perde-lo, não agora, por favor não faça nada, vamos continuar fugindo, da tempo.
__ Eu sei que está assustada, eu também estou, mas confio nos ancestrais, eles garantiram minha Vitória sobre Selim, ainda hoje estaremos comemorando, avise a todas as mulheres que preparem um banquete, quando tudo acabar, trarei o cajado de Selim como prova e juntos beberemos e comeremos em honra da nossa liberdade.
__ Que seja assim. Mas é se não voltares, o que faremos?
__ Se eu não voltar, esperem até o amanhecer, e então partam.
Jorah beijou sua esposa com paixão, é se despediu de seus filhos, mas quando olhou para a pequena Lira, seu coração sangrou, será que era nem do certo usar sua filha para aquele fim? e se os anciãos não deixassem ela escapar da jaula a tempo? Se Selim a pegasse?
Parou seus pensamentos antes que se perdesse em si e mudasse de ideia.
Chamou a esposa e só a ela contou que precisaria levar Lira consigo.
__ O que? não, não, minha menina não sairá do meu lado, você não pode Jorah, por favor.
__ Eu não deixarei nada lhe acontecer, os anciãos precisam dela, disseram que ela carrega em si o espírito de um deles, e que ela não corre perigo algum, o que preciso é só do cheiro que ela exala, Selim ira aonde ela estiver.
__ Está dizendo que nossa filha será a isca? ela só tem seis anos Jorah, como ela ficará bem?
A pequena Lira olhou para ambos os pais com uma seriedade imprópria para sua idade.
__ Tudo bem mãe, eu não tenho medo do monstro, eu sei que papai vai me proteger, ele e as pessoas que sempre falam comigo.
__ Que pessoas são essas? Lira, quem fala com você?
__ Eu não sei mamãe, eles sempre estão comigo.
__ Desde quando Lira?
__ Desde sempre mamãe.
Jorah entendeu porque a filha sempre foi tão calada e quieta, os ancestrais cuidavam dela, é ela não se sentia só, estava sempre brincando sozinha como se estivesse acompanhada, ele achava que era por que os irmãos eram meninos.
A mãe dela a abraçou e beijou a filha em prantos.
__ Por favor, por favor, não deixe nada acontecer com ela, ou eu não o perdoarei nunca.
Jorah foi para a cachoeira correndo como o vento, levando consigo a pequena Lira, a lua estava quase chegando ao topo do céu e seu povo já estava recluso em suas tendas.
Jorah esperou as ordens dos ancestrais. Ouviu um sussurro que dizia
__ A hora é chegada, coloque a menina atrás da jaula, não dentro, ponha ela atrás, faremos com que pareça que ela está dentro.
Jorah levou a filha através da água e a sentou do lado de traz da jaula
__ Não precisa ficar com medo, aconteça o que for, você ficará bem.
__ Jorah, Jorah! Afaste-se dela agora, é mande que ela libere sua essência.
Assim ele fez, a menina começou a liberar um doce perfume, Jorah se sentia calmo e confiante, sabia que era o efeito que a filha tinha sobre ele, escondido atrás de uma pedra ele viu quando Selim o mago, aproximou -se da caverna, seu coração palpitou, olhou para a filha e teve vontade de pegar ela e voar pra longe mas se acalmou, a menina estava com os olhos fechados como se dormisse e nada ouvisse ou visse.
O mago entrou na caverna escura, cheirando o ar, a procura de onde vinha aquele cheiro, seus olhos brilharam quando viu a menina, ali tão indefesa.
__ Oh, que banquete glorioso me prepararam, será esse o melhor sacrifício que me ofertaram, talvez os deixe em paz, por dois ou três anos, adorável.
A raiva de Jorah crescia em seu peito, ele olhou para a filha e para Selim, ele aproximou -se da jaula, parecia mesmo que a menina estava lá dentro não fora, ele entrou na jaula, um vento soprou forte a fechando com estrondo, Lira abriu os olhos que estavam muito brilhantes, suas mãos se ergueram e ela proferiu palavras mágicas, tão rápido que m Selim, nem Jorah entenderam, Selim arrogante que era, riu da menina, confiando que sairia dali logo.
__ Ora, vejam, uma tolinha que acha que pode me deter, quem a mandou, foram eles não foi? os velhos bruxos e bruxas que ainda esperam me pegar.
Mas quando Selim tocou a jaula sua mão queimou e ele afastou -se.
__ Que maldição é essa?
Ele lançou raios, feitiços, conjurou furacões e a terra, mas ada acontecia, a armadilha funcionou, Lira caiu no chão desmaiada, Jorah saiu de seu esconderijo e pegou a filha, saindo dali com a velocidade do vento, sabia que Selim podia controlar a mente de outros, longe o suficiente parou, é olhou para a filha.
__ Lira, minha pequena, como estas?
A menina acordou e sua seriedade sumiu, agora era sua doce menininha de volta, Jorah chamou os ancestrais e perguntou se estava tudo acabado.
__ Jorah, sua missão acabou, por enquanto, volte para sua casa e destrua os seguidores de Selim que estão lá, tentando matar os seus, seus irmãos anseiam pra lutar, libere-os e lute com eles, não deixe que vejam Lira, entregue-a antes a sua mãe.
Assim ele fez , veloz como um raio entrou em casa carregando Lira, sua esposa assustou-se, mas assim que viu ele o abraçou pegando a filha nos braços.
__ Está tudo bem, deu certo, agora permaneça aqui, vou chamar os homens para acabar com os seguidores de Selim, não deixe Lira sair, foram ordens.
Jorah se ergueu no céu e gritou para que seus irmãos apenas os guerreiros saíssem e mudassem com ele.
Os homens saíram e lutaram, antes do amanhecer do dia todos os seguidores de Selim estavam mortos. Levaram os corpos para longe do acampamento e queimaram todos , o banquete estava pronto e eles celebraram a Vitória.
Os anos se passaram e ninguém mais falava de Selim, os ancestrais aguardavam o momento que ele enfraquecese, porém demorou mais do que pensaram, as primaveras de Jorah se extinguiram e ele partiu para junto dos ancestrais seus filhos já eram todos homens feitos e casados, Jandah seu primogênito reinava agora em seu lugar.
Na noite que Jorah morreu, o poder que ele usou na jaula se acabou também, é Selim mesmo fraco e quase sem poderes conseguiu soltar-se, ele sumiu com o vento, não podia ferir ninguém daquele modo que se encontrava, então fugiu é esperou a hora certa de atacar, por cinquenta anos ninguém ouviu falar dele até que...
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Atualizado até capítulo 73
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